Embarque em uma jornada pelas expressões culturais que definem nações. Nossa seção de Literatura e Arte Global conecta você a obras-primas universais, desde pinceladas icônicas até prosas que atravessam fronteiras. Descubra como diferentes povos interpretam o mundo e inspire-se com a diversidade criativa que une a nossa história através da estética e do saber.


Em breve um acervo de revistas do século XX. (Saiba mais)

O duelo em Miami (Estados Unidos) proporcionou entretenimento, principalmente na etapa final. A Inglaterra levou a melhor, venceu a França por 6 a 4 e garantiu lugar no pódio, naquela que foi a disputa de terceiro lugar com mais gols na história dos Mundiais, superando o triunfo francês sobre a Alemanha na Copa de 1958, na Suécia.
Com as duas bolas na rede deste sábado (18), ele chegou a 22 - uma a mais que o argentino - em três participações no mundial. Messi terá a final de domingo (19), contra a Espanha, em Nova Jersey (Estados Unidos), a partir das 16h (horário de Brasília), para tentar reassumir o posto.
Os ingleses tomaram um susto enorme. Abriram 4 a 0 no primeiro tempo, criando a expectativa de pelo menos repetirem a maior goleada dos confrontos de terceiro lugar, que foi o triunfo da Suécia sobre a Bulgária em 1994, também nos Estados Unidos. A etapa final, porém, teve incríveis seis gols e um quase empate francês, que deixou o torcedor em Miami de pé.
No fim, o 6 a 4 superou os nove gols do 6 a 3 aplicado justamente pela França em cima da Alemanha na Copa de 1958.
A disputa do terceiro lugar costuma ser uma partida com mais cara de amistoso do que propriamente uma decisão. Não à toa, as duas seleções foram a campo bem modificadas em relação às semifinais, ambas com sete mudanças na equipe.
Na França, a única alteração por questões físicas foi na zaga, com Maxence Lacroix no lugar do contundido Willian Saliba. Dos titulares na derrota para a Espanha, o técnico Didier Deschamps mandou a campo apenas o goleiro Mike Maignan, o volante Adrien Rabiot, o meia Michael Olise e Mbappé, na briga pela artilharia.
Do lado inglês, o zagueiro Marc Guehi, o lateral-direito Djed Spence, o volante Declan Rice e o meia Morgan Rogers foram os únicos titulares mantidos por Thomas Tuchel na comparação com a formação que perdeu da Argentina. O zagueiro Jarell Quansah, que cumpriu a suspensão de dois jogos pela expulsão contra o México, nas oitavas de final, retornou ao time, no lugar de John Stones.
Se a ideia era dar oportunidade a quem não teve tantos minutos na Copa, a Inglaterra claramente aproveitou melhor a proposta e não teve dificuldade para construir a goleada ainda no primeiro tempo. Demonstrando muito mais interesse pelo jogo que a França, os ingleses fizeram o primeiro aos dois minutos. O atacante Desiré Doué errou passe fácil pelo meio, Rice conduziu a bola sem ser ameaçado e chutou da entra da área, no canto esquerdo de Maignan.
Os Bleus (apelido da seleção francesa) sinalizaram uma reação aos dez minutos, em finalização do meia Rayan Cherki, na sobra de um desarme de Guehi em Mbappé, mas Dean Henderson, substituto de Jordan Pickford, defendeu. A resposta veio no lance seguinte, em gol do atacante Bukayo Saka, anulado por impedimento.
A superioridade inglesa se confirmou aos 17 minutos. Depois de cobrança de escanteio de Rice pela esquerda, Ezri Konsa, de cabeça, acertou outra vez o canto esquerdo do goleiro francês. A bola ainda triscou na trave antes de balançar as redes.
Mbappé até tentava alguma coisa do lado da França, mas foi a Inglaterra que marcou de novo. Dois minutos depois, Marcus Rashford foi lançado em contra-ataque pela esquerda. O atacante invadiu a área com liberdade e chutou em cima de Maignan. O rebote ficou com Saka, mas a batida explodiu em Lacroix. Na sobra, Rashford conseguiu tirar do goleiro dos Bleus e rolar para Saka, enfim, mandar para o gol.
E o camisa 7 inglês balançaria as redes mais uma vez. Aos 45, Saka recebeu do meia Eberechi Eze às costas da zaga e chutou no canto esquerdo de Maignan, transformando o placar em goleada.
O atropelo fez com que Deschamps voltasse do intervalo com quatro alterações. Uma delas foi a entrada de Dayot Upamecano no lugar de Ibrahima Konate. E foi a partir de um desarme do zagueiro, na intermediária ofensiva, logo aos dois minutos, que Olise aproveitou e lançou Mbappé nas costas de Konsa. O camisa 10 chutou cruzado para recolocar a França no jogo.
Coube a outra novidade francesa para o segundo tempo diminuir mais um pouco a diferença no placar. Seis minutos depois, Mbappé lançou o atacante Bradley Barcola, que surpreendeu a marcação de Quansah e finalizou para vencer Henderson.
Em choque, a Inglaterra se viu acuada em meio à pressão dos Bleus. Olise, Upamecano e o atacante Ousmané Dembélé, outro titular que entrou na volta do intervalo, tiveram chances. E foi Dembélé que iniciou a jogada do terceiro. Aos 20 minutos, ele avançou pela esquerda e tocou para Olise, que deixou a bola passar e chegar em Mbappé. O camisa 10 tabelou com o companheiro e mandou para as redes. Gol dez nesta Copa e 22 na história dos Mundiais.
Aos 29, Olise pecou na finalização dentro da área, após jogada do lateral Malo Gusto pela esquerda. Aos 36, ele voltou a desperdiçar grande chance, desta vez por exagerar no lance individual depois de boa trama com Dembélé e Mbappé. Isso porque, um minuto antes, foi o meia Jude Bellingham, que tinha acabado de entrar, que exagerou no preciosismo ao demorar a chutar e finalizar em cima de Maignan.
Como se fosse uma punição a Olise pelas oportunidades perdidas, aos 39 minutos, Spence foi derrubado por Gusto na área. Saka cobrou a penalidade e marcou o terceiro dele na partida.
Alívio inglês? Que nada. Aos 50, Dembélé recebeu de Upamecano pela esquerda, invadiu a área, levou para a perna esquerda e fez o quarto da França. O pandemônio estava reinstalado para os dois minutos finais dos acréscimos. Até que, no último lance, Bellingham resolveu a vida da Inglaterra com um golaço. O meia driblou Lacroix, enganou Upamecano e chutou entre as pernas do zagueiro para definir o jogo em Miami.

Titular da Fúria - apelido da seleção espanhola - na decisão há 16 anos, contra a Holanda, no Soccer City, em Joanesburgo, na África do Sul, Capdevila disse, na rede social X, que o cadastro no Sistema Eletrônico para Autorização de Viagem (Esta, na sigla em inglês), necessário para viajar aos Estados Unidos, sem visto, por até 90 dias, foi rejeitado.
Em depoimento à imprensa espanhola, que ele próprio repostou no perfil do X, o ex-defensor, de 48 anos de idade, afirmou que o veto se deu por conta de um amistoso do qual participou em Teerã, capital do Irã, em 2016. Em reta final de carreira, ele atuou por um time de ex-jogadores da LaLiga, como é conhecido o Campeonato Espanhol, contra um combinado de estrelas do futebol iraniano.
Entre os participantes do jogo festivo, estava o ex-volante Marcos Senna, brasileiro naturalizado espanhol.
Capdevila foi convidado pela Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF), assim como outros integrantes do time de 2010, para acompanhar a final em Nova Jersey.
Nomes como Iker Casillas, goleiro campeão do mundo na África do Sul; Carles Puyol e Sérgio Ramos, ambos zagueiros daquela equipe, e Xavi Hernández, ex-meia, já estão nos Estados Unidos.
O ex-lateral também acionou, por meio do X, os perfis do Ministério da Educação, Formação Profissional e Esportes espanhol, e do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. Não houve resposta, pelo menos, via rede social.
"Acabam de me dizer que não posso viajar à final com meus filhos porque me negaram o Esta. Alguém pode me ajudar com isto? Não sabem o quanto queria estar ali com meus companheiros de 2010 e com esta seleção para torcer. Não posso acreditar que não me permitam entrar nos Estados Unidos e que perderei um momento assim com meus filhos, que tanto amamos ao futebol. Se alguém souber como solucioná-lo, ficarei eternamente grato", escreveu Capdevila.
Conforme o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos, quem esteve no Irã em ou após 1º de março de 2011, ou tem dupla nacionalidade com o país, fica inelegível para o Esta. As duas nações estão em guerra, o que já havia causado problemas a torcedores iranianos e à própria seleção asiática durante a Copa do Mundo.
Antes do Mundial, atletas, dirigentes e membros da comissão técnica do Irã encontraram dificuldades para obterem o visto de entrada em território estadunidense, para onde estavam marcados os jogos da primeira fase.
A solicitação à Federação Internacional de Futebol (Fifa) para que as partidas fossem levadas ao México, também país-sede e que acabou sendo a base da seleção no evento, acabou negada.
Além disso, o governo norte-americano autorizou a entrada da delegação iraniana no país somente um dia antes do time ir a campo.
Após o empate por 2 a 2 com a Nova Zelândia, em Los Angeles, na estreia da Copa, a Irna, agência estatal do Irã, revelou que, por conta da burocracia, um atraso "injustificável" prejudicou o retorno para Tijuana, cidade mexicana onde a equipe ficou concentrada.
Em mais de uma ocasião, o técnico Amir Ghalenoei reclamou que a delegação estava sofrendo um "tratamento desigual" e se preparando nas "piores condições possíveis".
O atacante e capitão Medhi Taremi declarou que a Fifa e as autoridades dos Estados Unidos "fizeram de tudo" para eliminar o país o quanto antes. Invicto com três empates em um grupo que ainda tinha Egito e Bélgica, o Irã se despediu ainda na primeira fase.

A manifestação é o quarto ato consecutivo realizado pela categoria esta semana e ocorre um dia após o Ministério Público Federal (MPF) pedir à Justiça a suspensão do programa.
A coordenadora do Movimento Unido dos Camelôs (Muca), Maria de Lourdes do Carmo, conhecida como Maria dos Camelôs, garantiu que as mobilizações continuarão "enquanto não houver diálogo".
"Vai ter ato todos os dias. As pessoas já estão se organizando para voltar às ruas. Esse é o quarto dia seguido de manifestação, além da mobilização da semana passada. A gente não vai abaixar a cabeça diante da criminalização que estão fazendo com a categoria", disse.
Segundo Maria, os trabalhadores defendem o ordenamento do comércio ambulante, mas reivindicam que o município diferencie vendedores informais de organizações criminosas e avance na regularização de quem aguarda autorização para trabalhar.
"Nossa reivindicação é simples, queremos trabalhar. Somos favoráveis ao ordenamento e ao combate às irregularidades, mas não aceitamos que toda a categoria seja tratada como criminosa. Há trabalhadores esperando há anos pela licença da prefeitura. É preciso abrir esse diálogo e garantir o direito ao trabalho", afirmou.
Na sexta-feira (18), o Ministério Público Federal ajuizou uma ação civil pública pedindo a suspensão imediata do programa Tolerância Zero.
O órgão sustenta que a prefeitura implantou uma política permanente de fiscalização da orla sem observar as normas federais que disciplinam a gestão das praias e bens da União.
O MPF também pede que a União e o município elaborem, em conjunto, um plano para compatibilizar o ordenamento urbano, o combate ao crime organizado e a proteção dos direitos dos trabalhadores ambulantes.
Para o procurador regional adjunto dos Direitos do Cidadão Julio Araujo, a medida foi implementada sem diálogo com a União, sem participação da sociedade e sem a apresentação de alternativas para a regularização dos milhares de ambulantes que dependem da atividade para garantir renda.
Após a ação do MPF, o prefeito em exercício, Eduardo Cavaliere, afirmou, em publicação nas redes sociais, que o programa será mantido.
Ele classifica o pedido do Ministério Público como uma "absoluta inversão de valores" e defendeu que a prefeitura tem competência constitucional para atuar no ordenamento urbano e no combate às estruturas criminosas que exploram ilegalmente o comércio ambulante na orla.
Segundo Cavaliere, a fiscalização busca enfrentar organizações ligadas ao crime organizado e garantir a autoridade do poder público sobre o espaço urbano.
Maria dos Camelôs criticou a resposta do prefeito e disse que o movimento considera insuficiente a ausência de diálogo com a categoria.
"A resposta do prefeito foi desrespeitosa com o Ministério Público e com o procurador Julio Araujo. Além disso, continua sem abrir uma mesa de negociação com os trabalhadores e segue criminalizando um setor importante, que faz a roda da economia girar e tem papel relevante para a sociedade", disse.
A coordenadora afirmou que o movimento pretende ampliar a articulação institucional nas próximas semanas. Segundo ela, representantes da categoria iniciaram contatos com a Secretaria do Patrimônio da União (SPU) e pretendem levar as reivindicações ao governo federal.
"Nosso próximo passo é fazer uma denúncia ao governo federal. Já começamos a conversar com a SPU e queremos tratar diretamente desse assunto com o governo. Queremos um cessar-fogo nesta guerra entre a prefeitura e os trabalhadores", disse.
O cantor e compositor pernambucano Almério é o destaque da edição inédita do programa Cena Musical que a TV Brasil exibe neste sábado (18). O artista interpreta o repertório do álbum Nesse Exato Momento com obras autorais e grandes sucessos na performance exclusiva para a emissora pública. A atração vai ao ar de sábado para domingo (19), à meia-noite.

A produção contempla composições do próprio artista como Antes de Você Chegar e Quero Você. O espetáculo ainda conta com canções de outros nomes da música brasileira como Compasso, de Angela Ro Ro; Androginismo, de Kleidir Ramil; e Bicho de Sete Cabeças, de Geraldo Azevedo.
Almério figura hoje entre os nomes mais consistentes e singulares da música brasileira contemporânea. Com uma interpretação intensa e uma presença cênica marcante, ele construiu uma trajetória pautada pelo rigor estético, força dramatúrgica e um diálogo permanente entre a tradição musical nordestina e a linguagem pop atual.
A faixa com shows exclusivos na programação do canal público tem apresentação da jornalista e cantora Bia Aparecida. A novidade da temporada é a inclusão de depoimentos dos artistas e de bastidores das performances gravadas no Espaço Cultural BNDES, no Rio de Janeiro.
A nova leva de edições reúne performances de astros como Fausto Fawcett, Cristóvão Bastos e Lula Queiroga, entre outros novos talentos e nomes consagrados do cenário da música. Os shows inéditos podem ser acompanhados no app TV Brasil Play e no YouTube da emissora.
O show com as músicas do álbum Nesse Exato Momento tem forte impacto sobre o público pelo repertório escolhido por Almério para o trabalho e pela potente presença do artista que traz ao palco uma verdadeira celebração ao agora.
"Eu acho que a arte é essa força motora de movimento o tempo inteiro que nos faz despertar de sonos profundos. A apresentação é muito guiada pela força feminina. O disco é repleto de cantoras e compositoras que eu admiro. O show passa por esses lugares que fizeram de mim o artista que sou", define o convidado.
Vencedor do Prêmio da Música Brasileira na categoria Revelação, Almério foi indicado ao Grammy Latino, com o álbum Acaso Casa – Ao Vivo, projeto realizado em parceria com Mariene de Castro. Talentoso intérprete da música popular brasileira, o artista se consolida no cenário ao promover por meio da sua arte sentimentos de pertencimento, felicidade e vida.
Almério comemora a oportunidade na programação do canal. "Sou um espectador da TV Brasil e fã do Cena Musical. Fico tão feliz de meu trabalho estar sendo divulgado. Considero importantes esses mecanismos para nossa arte se espalhar cada vez mais. A gente precisa da nossa arte pertinho da gente", celebra.
No palco do Espaço Cultural BNDES para a atração da emissora, Almério solta a voz e mostra sua sonoridade na percussão. O bamba é acompanhado por Raphael Beltrão Pereira Neto (bateria), Felipe de Lima (baixo) e Carlos Filizola (guitarra).
Lançado em 2007, o Cena Musical é um programa da TV Brasil que traz para o público performances inéditas da música nacional. Desde 2017, os shows são gravados no Espaço Cultural BNDES, no Rio de Janeiro. Os shows podem ser acompanhados no app TV Brasil Play e no YouTube da emissora pública.
A produção com janela semanal traz espetáculos que revelam e celebram a diversidade e a riqueza da sonoridade brasileira. O comando da atual temporada é de Bia Aparecida, cantora, jornalista e apresentadora do canal público. Na nova leva de episódios, a atração exibe performances exclusivas de personalidades de vários gêneros. Waldecir de Oliveira faz a direção artística do programa.
"Estou muito feliz em celebrar a estreia de uma nova temporada do Cena Musical na TV Brasil. É muito especial apresentar um programa que acredita na força e na diversidade da música nacional e abre espaço, de forma democrática, para diferentes sons, sotaques, histórias e gerações", conta Bia Aparecida.
A apresentadora considera a música uma das maiores riquezas culturais do país. "Ela é sofisticada, inventiva e profundamente conectada com quem somos. Os convidados mostram a grandeza e a diversidade desse cenário. O programa Cena Musical é esse lugar de encontro, descoberta e celebração da nossa cultura e estou bem animada para dividir essa nova temporada com o público", completa.
Diretor artístico da atração, Waldecir de Oliveira explica a proposta da nova temporada. "O Cena Musical reafirma a sua importância como um espaço plural e necessário para a música brasileira. O programa amplia a visibilidade de artistas de diferentes regiões, estilos e trajetórias para valorizar a riqueza cultural do país e fortalecer a circulação da produção nacional para novos públicos", afirma.
Acompanhe a programação da TV Brasil pelo canal aberto, TV por assinatura e parabólica. Sintonize: https://tvbrasil.ebc.com.br/comosintonizar.
Seus programas favoritos estão no TV Brasil Play, pelo site http://tvbrasilplay.com.br ou por aplicativo no smartphone. O app pode ser baixado gratuitamente e está disponível para Android e iOS. Assista também pela WebTV: https://tvbrasil.ebc.com.br/webtv.
Serviço
Cena Musical – sábado (18) para domingo (19), à meia-noite, na TV Brasil
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A experiência acontece na Reserva Florestal Sítio dos Macacos, na Estrada da Gávea, acesso entre a comunidade e o Parque Nacional da Tijuca, e integra o roteiro do projeto Na Favela Turismo.
A trilha está inserida na Floresta da Tijuca, reconhecida como a maior floresta urbana replantada do mundo. O local guarda um capítulo importante da história ambiental brasileira.
Em 1861, após o desmatamento das encostas para o cultivo do café comprometer o abastecimento de água da então capital do Império, Dom Pedro II determinou o início do reflorestamento da região. Sob a coordenação do Major Manuel Gomes Archer, milhares de árvores foram plantadas para recuperar as nascentes que abasteciam a cidade.
Mais de um século e meio depois, esse legado permanece vivo e pode ser percorrido pelos visitantes da reserva.
Ao longo do caminho, além da diversidade de árvores nativas e frutíferas — como jaqueiras, jabuticabeiras, mangueiras, bananeiras e pitangueiras —, um antigo muro de pedras preservado em meio à floresta chama atenção.
Tradicionalmente associado ao trabalho de 11 homens escravizados, o monumento integra a memória histórica do lugar e amplia o significado da visita para além do contato com a natureza.
A reserva também desenvolve ações voltadas à sustentabilidade, com produção de adubo orgânico a partir de resíduos vegetais e um viveiro de mudas de espécies ornamentais e nativas. O passeio termina em uma piscina natural alimentada por nascentes, um dos pontos mais procurados pelos visitantes.
Criador do Na Favela Turismo, o empreendedor social Renan Monteiro afirma que a proposta é apresentar uma dimensão pouco conhecida da Rocinha.
"A trilha do Sítio dos Macacos revela uma Rocinha que surpreende até quem pensa que já conhece a comunidade. É um encontro entre natureza, história e pertencimento, mostrando que a favela também preserva paisagens, memórias e experiências capazes de transformar a forma como as pessoas enxergam esse território", diz.
Segundo Monteiro, o turismo de base comunitária busca aproximar visitantes da riqueza ambiental e cultural da comunidade, ao mesmo tempo em que gera oportunidades para os moradores.
"Cada passo na trilha do Sítio dos Macacos é um convite para descobrir a potência da Rocinha além dos estereótipos. Nosso propósito é conectar visitantes à riqueza ambiental e cultural da comunidade, gerando oportunidades para os moradores e fortalecendo um turismo que valoriza quem vive aqui", afirma.
A iniciativa procura integrar conservação ambiental, valorização do patrimônio histórico e desenvolvimento local. Para os organizadores, a proximidade entre a comunidade e uma das áreas mais importantes da Floresta da Tijuca demonstra que a preservação ambiental também faz parte da identidade da Rocinha.
Reserva Florestal Sítio dos Macacos
Local: Estrada da Gávea, acesso pela Rocinha, Parque Nacional da Tijuca, Rio de Janeiro.
Visitação: Trilha interpretativa de aproximadamente 20 minutos, com observação de aves, árvores frutíferas, patrimônio histórico, viveiro de mudas e banho em piscina natural. O agendamento prévio e o acompanhamento por condutores locais são recomendados.
Projeto: Na Favela Turismo.