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Ao todo, foram 329.451 vítimas atendidas, número que demonstra que muitas vezes as mulheres precisam voltar para mais de um atendimento.
Publicado no contexto dos 20 anos da Lei Maria da Penha, o levantamento compilou dados de 530 das 585 unidades espalhadas pelo país, incluindo as delegacias especializadas e outros tipos de unidades.
A Região Sudeste concentrou o maior número de vítimas (125.769), 47,8% do total nacional. Em seguida vêm as regiões Nordeste, com 53.067 vítimas (20,2%), Centro-Oeste, com 43.662 (16,6%), Sul, com 21.087 (8,0%), e Norte, com 19.712 vítimas (7,5%). Entre os estados, a maioria das vítimas atendidas foi de São Paulo (84.103).
Segundo o levantamento, o tipo de ocorrência com maior número de registros em 2025, ano-base do estudo, foi a ameaça (148.544), seguida por lesão corporal (99.473) e injúria (88.739). Os tipos que tiveram maior alta em relação à pesquisa anterior (ano-base 2023) foram a perseguição (52.855, alta de 44,3%) e a violência psicológica (23.911, alta de 49,7%).
O diagnóstico mostra ainda que os atendimentos nas unidades especializadas resultaram no pedido de 302.626 medidas protetivas de urgência, das quais 118.672 foram concedidas, a maioria (74,2%) Dessas, 38.214 foram descumpridas pelos agressores.
As unidades especializadas começaram a ser instaladas em 1985, com a criação da primeira Delegacia Especializada no Atendimento às Mulheres (Deam) do Brasil, na região central da cidade de São Paulo. Naquele mesmo ano seriam inauguradas mais 19 unidades.
Desde então, novas unidades foram instaladas a cada ano, chegando às 585 atuais, em que 6.200 profissionais, entre delegados, agentes, escrivães, psicólogos e assistentes sociais que seguem protocolos especiais de acolhimento e escuta das vítimas.
O diagnóstico, contudo. aponta desafios, como o fato de 80% dessas unidades ainda não funcionarem 24 horas. Entre as principais carências, o estudo identificou ainda a insuficiência de recursos de investigação, mencionada por 57% das unidades, a falta de viaturas, citada por 46%, e a falta de material de menor potencial ofensivo (40%).

Era para falar de uma conversa que teve com um amigo, em que os dois riram porque viram um pouco demais do corpo de uma amiguinha. O pai, o goianiense Cleomar Barros, de 43 anos, morador de Brasília, recorda que precisou falar sério. Disse que era preciso respeitar as meninas, como sempre tratou a irmã, de 11 anos. E que não se deve dar risada. O menino concordou e o abraçou.
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Cleomar Barros ensina o filho desde criança a respeitar as meninas - Foto Valter Campanato/Agência Brasil
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“Faço questão sempre de mostrar que devemos ser parceiros e amigos”, diz Cleomar, que é analista de sistemas. Ele destaca que tenta mostrar ao filho gestos de cuidado e respeito que tem com a esposa e com a filha.
Aliás, a “educação pelo exemplo” é, segundo profissionais que estudam e trabalham com temas ligados à “masculinidade saudável”, uma chave para que os pais atuem contra a misoginia dentro de casa, segundo afirmaram em entrevistas à Agência Brasil. Cada passo contra o machismo em casa (ou em qualquer outro espaço) pode representar bem mais do que um presente de Dia dos Pais (que é só uma vez ao ano).
Em um cenário de tantas violências, de estupros coletivos a demonstrações de grupos masculinistas que demonstram ódio às mulheres, a ação afetiva dos pais no tempo presente pode ser preventiva. Mais conscientes, pais podem agir pela consciência dos meninos, ser mais parceiro das escolas e cobrar políticas públicas que tragam condições civilizatórias.
“As maiores e mais eficazes formas de aprendizado de uma criança se dão por meio do modelo que o pai apresenta”, afirma o psicanalista Thiago Queiroz, que tem uma página intitulada “Paizinho, vírgula!”, com mais de 324 mil seguidores, e é autor do livro Amor de pai. No instagram, a página pode ser vista neste link.
Ele, que atua no Rio de Janeiro, diz que o respeito às mulheres precisa ser naturalizado em todos os espaços que frequenta com as crianças. “Esse processo é interpretado pela criança, pelo filho, à medida que vai crescendo”, acrescentou.
Para Cleomar, a qualquer momento, é necessário observar se os meninos fazem comentários inadequados sobre as meninas. “Existem muitos livros infantis que trazem esse assunto de forma lúdica para naturalizar a força das mulheres e que não precisam de um príncipe encantado para salvá-las sempre”. Na pré-adolescência, já é possível, segundo ele, tratar do tema violência contra as mulheres.
A psicóloga Bárbara Lobato, que atua em Brasília com famílias, concorda com a intervenção positiva. Ela tem observado que aumentou o número de pais atentos ao combate à misoginia. “É uma construção que tem de ser feita de forma cotidiana”.
Para Bárbara, é muito importante que os homens saibam, na vida adulta, identificar e falar sobre as suas dores para que possam transmitir as melhores mensagens aos filhos, de forma que estejam abertos ao diálogo, à transparência e à conexão.
“É importante observar que garotos em idade de adolescência têm as próprias dores e, eventualmente, relatam algum tipo de negligência afetiva ou social por não se sentirem compreendidos”.
Por isso, ela indica ser necessário, com o apoio dos responsáveis, acolher esse sentimento e compreender a angústia daquele rapaz. Esse caminho deve ser compartilhado também no ambiente escolar, espaço em que crianças e adolescentes podem ter contatos também com representações de machismo.
A professora e orientadora educacional Ana Paula Lilly, de 56 anos, de uma escola da cidade de Bauru (SP), observa que os discursos de misoginia chegam aos adolescentes também por grupos de mensagens no celular.
“É preciso trabalhar com prevenção, com educação digital e midiática. É preciso ensinar nossos jovens a analisar criticamente o que eles estão consumindo”, afirma.
Ana Paula explica que a escola deve auxiliar os pais sobre o que crianças e adolescentes vivenciam quando não estão em casa. “Família e escola devem agir em parceria com mensagens coerentes sobre respeito, igualdade e responsabilidade”. Por isso, é dever da unidade de ensino também chamar os pais ou responsáveis quando houver incidência de demonstrações de violências.
Para ampliar as discussões sobre a paternidade, um grupo de pais em São Paulo criou, na última semana, o canal de vídeos Papicast. para ser um espaço de discussão e uma rede de apoio paterna. Tiago Koch, de 43 anos, defende que os pais apresentem aos filhos limites nas questões relacionadas ao corpo.
Ele, que é cofundador também de um projeto chamado “De Mano pra Mano” de atuação nas escolas diretamente com meninos, avalia que os garotos estão “pedindo ajuda em silêncio” sobre como se relacionar com as meninas. Para ele, o machismo estrutural faz parte do contexto de vida dos garotos, e eles precisam contar com o apoio dos pais para entender mais sobre o mundo.
“Há um ensinamento (perigoso) cada vez mais reforçado por esses grupos masculinistas e pelas próprias redes sociais”, afirma.
O educador aponta que os meninos carecem de espaços de escuta, e de construção de caminhos propositivos que fujam de estereótipos de homens atravessados pela violência, força, performance da masculinidade, da provisão financeira e da hipersexualização.
Tiago Koch considera que os pais estão com dúvidas sobre como lidar com as características de um mundo diferente porque não contam com referências dos antepassados. “Eles estão sendo atropelados principalmente pelo avanço da tecnologia que, a cada dia, traz novos desafios”.
Também no Papicast, o ator e conferencista Tadeu França - pai de dois meninos -, que trata de temas como antirracismo e antibullying na infância, exemplifica que os filhos reconhecem quando o homem e a mulher atuam pelo cuidado da casa. “Em algum momento da criação, ele entendeu e associou que as coisas da casa são da mãe”.
O terceiro participante do projeto, Dennis Takada, relata que os pais queriam ter mais tempo para ficar com os filhos. “As políticas públicas devem levar em conta as necessidades da paternidade e são fundamentais para melhorar a relação da família”.
Os integrantes do Papicast defendem mais ações no campo de direitos dos pais, como a licença paternidade, e materiais educativos e de orientação às famílias. Tiago Koch considera que as meninas têm reconhecido mais imediatamente demonstrações de machismo e cobrado dos rapazes uma postura diferente.
“Elas continuam precisando de políticas públicas de proteção e de escuta. Quando elas falam que os homens estão sendo machistas, pode virar ressentimento, ódio e violência. E eles não entendem”, afirmou.
Foi a partir das dores, que aprendeu em casa, que o terapeuta Fábio Manzoli, de Jundiaí (SP), pai de gêmeos e criador do canal “Masculinidade saudável”, resolveu tratar dos traumas de outros homens. Tinha na memória a ordem que ouviu em casa: “homem deve engolir o choro”.
Em contrapartida, ouviu palavras pejorativas para se referir a mulheres. “Comecei a perceber também padrões machistas em mim”. Mudou a própria história, depois de entender que o caminho de sua vida poderia ser diferente. “Comecei a perceber que esse ‘engole o choro’ era a raiz da maioria dos meus problemas”.
O nascimento dos filhos abriu ainda mais seus olhos. Não somente abriu, como também deixou molhar. “Nós pais podemos chorar para eles também. Mostrar que a gente é ser humano. E que eles também estão autorizados a chorar”, disse.
Romper o silêncio permanente dos homens pode ser mais um dos passos no combate à misoginia de todos os dias. "Romper também com a história das mensagens machistas que eram tidas como naturais. Eu cresci, meus amigos cresceram, com ideias muito erradas. Chegou a hora de a gente mudar isso”, diz Cleomar, pai do Samuca. O menino corre, brinca e é fã da irmã mais velha.

Conforme despacho que instaurou o procedimento, a investigação é motivada pelas notícias de um caso de automutilação e suicídio de uma adolescente de 13 anos, em 22 de julho. O episódio foi transmitido ao vivo pela plataforma.
Outros pontos de atenção são a falta de mecanismos para verificação de idade e falha na remoção de conteúdos irregulares e comunicação às autoridades, obrigações previstas no ECA Digital.
“O Discord terá cinco dias úteis para apresentar informações sobre mecanismos existentes para prevenir e combater violações graves contra crianças e adolescentes”, informou a ANPD, em nota. A agência alertou que legislação prevê multa de até R$ 50 milhões pelas violações investigadas.
Também na sexta-feira (7), integrantes da Advocacia-Geral da União (AGU) se reuniram com representantes da Discord para tratar de falhas intensificadas na verificação de idade e proteção de crianças e adolescentes que utilizam a plataforma.
Mais cedo, o advogado-geral da União, Jorge Messias, disse que o órgão deverá mover uma ação pedindo a retirada da plataforma do ar.
O caso do suicídio induzido da jovem de 13 anos é investigado no âmbito da Operação Lívia, conduzida pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul e realizada com o apoio técnico do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab) da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp/MJSP).

O encontro foi agendado após a repercussão do caso de uma adolescente que foi induzida a tirar a própria vida durante uma live transmitida pela plataforma. O episódio ocorreu no mês passado.
Segundo o órgão, os representantes do Discord manifestaram disposição para cumprir as exigências legais e corrigir as falhas identificadas.
A AGU avalia propor a assinatura de Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para assegurar o cumprimento das regras.
Em caso de descumprimento, o órgão estuda entrar com uma ação judicial contra a plataforma.

O lançamento foi no seminário "20 anos da Lei Maria da Penha: Inovações Legislativas, Desafios e Novos Horizontes", realizado no dia em que a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) completou duas décadas.
A partir disso, são descritos, para cada situação, a ação violenta e o sentimento que a vítima costuma vivenciar. Desde sinais de violência psicológica e moral, como humilhação pública, controle da vestimenta e das redes sociais; evoluindo para violência patrimonial e a chantagem emocional e/ou sexual.
No terceiro e mais grave dos três estágios, estão a violência física direta, o abuso sexual, a ameaça com armas e a até a tentativa de homicídio.
Para a diretora de Mulheres da OAB/DF, Nildete Santana de Oliveira, que fez a apresentação do violentômetro, a ação é um avanço na proteção às mulheres do Distrito Federal.
“O Violentômetro Jurídico nasce para dar nome ao que muitas mulheres ainda não conseguem identificar como violência. Ele mostra, de forma clara e didática, que a agressão não começa no tapa. Ela já começa na humilhação, no controle, na mentira. Ao reconhecer esses primeiros sinais, a mulher pode buscar ajuda antes que a situação se agrave. É um instrumento de prevenção e, sobretudo, de empoderamento”, disse Nildete.
Durante o seminário, a OAB-DF foi certificada com o selo “Nós Por Elas”, entregue pelo instituto de mesmo nome. A certificação reconhece a seccional como uma organização comprometida com a construção de ambientes mais seguros, inclusivos e igualitários para as mulheres, sobretudo, para aquelas em situação de violência doméstica e familiar.
O Brasil registrou, em 2025, 1.571 vítimas de feminicídio, o maior número da série histórica iniciada em 2015. No Distrito Federal, foram 29 casos.
A representante do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) Cláudia Braga Núñez avaliou que os números elevados no distrito decorrem de um protocolo da Polícia Civil, que investiga todos os homicídios contra mulheres sob a perspectiva de gênero.
“Enquanto a média nacional de classificação como feminicídio gira em torno de 40%, aqui, esse índice chega a 60%. Isso demonstra que nossas instituições estão atentas e que temos menos subnotificação, o que evidencia uma atuação institucional integrada e eficaz”, pontuou a promotora de Justiça.
A presidente da Comissão de Combate à Violência Doméstica e Familiar da OAB/DF, Isabelle Duarte, destacou que, duas décadas depois da Lei Maria da Penha, é preciso debater as inovações da legislação e avançar para que o texto legal represente proteção de fato.
“A Lei Maria da Penha é reconhecida por ser uma das melhores leis do mundo. Mas, percebemos que há, ainda, um número muito expressivo de casos [de violência contra mulheres], mesmo 20 anos depois da sua promulgação”, admite a advogada.
Isabelle Duarte defende a educação da população como a melhor forma de lidar com o tema.
“Há um problema estrutural, o machismo estrutural, o patriarcado, que infelizmente ainda oprimem muito as mulheres”, constata.
A advogada aponta que a educação também serve para que as mulheres conheçam seus direitos e, sobretudo, identifiquem quando são vítimas de agressões".
A liderança destacou o fortalecimento do atendimento por meio das Delegacias Especiais de Atendimento à Mulher (DEAMs), das Patrulhas Maria da Penha e de equipes multidisciplinares (psicólogos e assistentes sociais), além do apoio da Casa da Mulher Brasileira e do trabalho conjunto da OAB com essas instituições.
Mulheres em situação de violência e pessoas que desejam apoiá-las podem buscar orientação na Central de Atendimento à Mulher – o Ligue 180. A central fornece informações sobre os direitos das mulheres e indica os serviços de apoio mais próximos, como delegacias especializadas, centros de referência, defensorias públicas e unidades de saúde. Também recebe e encaminha denúncias aos órgãos competentes.
A mulher pode procurar qualquer delegacia de polícia para registrar a ocorrência e solicitar medidas protetivas de urgência.
Em casos de emergências e ocorrências imediatas, o telefone 190 da Polícia Militar do Distrito Federal.
Já a Patrulha Maria da Penha é um serviço realizado pelas polícias militares em diversos estados e municípios para acompanhar mulheres que possuem medidas protetivas de urgência. As equipes da Patrulha Maria da Penha podem realizar visitas periódicas, orientar as mulheres e fiscalizar o cumprimento das determinações judiciais.
Atualmente, o Brasil conta com 13 Casas da Mulher Brasileira, que reúnem, em um mesmo espaço, diferentes serviços especializados de atendimento às mulheres em situação de violência. A integração dos serviços busca evitar que a mulher precise percorrer diferentes locais para receber atendimento e proteção.
O Ministério das Mulheres contabiliza outras 38 Casas da Mulher Brasileira em diferentes etapas de obras e de contratação pelos gestores estaduais e municipais.
Começa nesta quarta-feira, dia 5 de agosto, a 10ª edição da Flipelô, a Festa Literária Internacional do Pelourinho, organizada pela Fundação Casa de Jorge Amado.

O evento conta com diversas atrações, como mesas, lançamentos de livros, oficinas, rodas de conversas, exposições e apresentações musicais.
A Festa tem como objetivo estimular a literatura, principalmente entre os jovens, e preservar a memória e o legado do escritor Jorge Amado. Além disso, o evento atua no fortalecimento do mercado editorial e no incentivo a novos escritores.
Nesta edição a homenageada é a poeta baiana Myriam Fraga, idealizadora da Flipelô e diretora da Fundação Casa de Jorge Amado entre 1986 e 2016.
Entre os nomes de destaque presentes neste ano estão as escritoras Carla Madeira, Ana Maria Gonçalves e Aline Bei.
O evento marca ainda os 40 anos da Fundação Casa de Jorge Amado, instituição voltada para a preservação e difusão da literatura e da cultura brasileira.
A programação é gratuita.
1:12Um dos mais tradicionais eventos de preservação da memória e debate sobre a representatividade negra chega ao Rio de Janeiro. É a Flisamba – Festa do Samba e Resistência Cultural –, que será aberta na tarde deste sábado (8), na Casa Savana, centro carioca.

Em sua quinta edição, o evento traz o tema “Dos terreiros ao ambiente virtual, o samba é patrimônio cultural brasileiro”. A proposta é discutir o gênero musical no mundo contemporâneo e sua importância na construção de identidade e conhecimento.
Criada em 2016, no Renascença Clube, a festa tem como objetivo difundir a cultura negra através de ações educativas. Pela primeira vez, a programação – que é gratuita – foi expandida para além da feira e das apresentações artísticas. A Flisamba promoveu, ao longo de dois meses, quatro oficinas, feitas em modalidade online, voltadas para formação continuada de lideranças, agentes culturais, além de desenvolvedores de eventos, campanhas e projetos culturais.
Na Casa Savana, o público terá acesso a feira de empreendedorismo, com livros e artesanatos; gastronomia; apresentações musicais; e debates. Entre os palestrantes estão Milton Cunha, Marcos Salles, Helena Teodoro entre outros. Além disso, nomes históricos do samba carioca também serão homenageados. São eles: o sambista Antônio Candeia Filho, o produtor musical Milton Manhães e a cantora Teresa Cristina.
As homenagens são tradicionais na Flisamba. Entre os que já foram reconhecidos pela festa do samba estão Dona Ivone Lara, Conceição Evaristo e Nei Lopes.
Para conferir a programação e adquirir os ingressos da Flisamba, basta acessar o site do evento.
*Com supervisão de Ana Lúcia Caldas
1:48Para dar início às comemorações do centenário de nascimento do artista pernambucano Francisco Brennand, celebrado em junho de 2027, os moradores do Recife e os turistas é que ganharão os dois primeiros presentes. A partir deste sábado (8), a Oficina Francisco Brennand, localizada no bairro da Várzea, vai abrir pela primeira vez para visitação do público o ateliê do artista, construído por volta de 1975.
O “Ateliê Francisco Brennand – Uma janela para o mundo”, passa a integrar de maneira permanente o percurso de visitação do museu. No novo espaço estarão mais de dois mil itens do acervo, resultado do trabalho das equipes da Oficina. São pinturas, desenhos, livros, manuscritos e objetos reunidos ao longo da vida do ceramista e escultor. Desde a morte de Brennand, em dezembro de 2019, a equipe realizou o levantamento de cerca de 17 mil itens ligados ao artista para, posteriormente, compor o acervo que será visto pelos visitantes.
Também neste sábado, a Oficina abre a itinerância da 36ª Bienal de São Paulo, que retorna ao Recife após 15 anos. Com o tema “Nem todo viandante anda estradas – Da humanidade como prática”, o recorte apresenta obras de 14 artistas contemporâneos que participaram da Bienal paulista. A exposição ficará em cartaz até 18 de outubro.
Ao longo deste 8 de agosto, o museu-ateliê terá entrada gratuita para abrir o ciclo de comemorações do centenário do artista. A programação e detalhes sobre os demais espaços que abrigam as mais de mil esculturas, painéis e cerâmicas estão disponíveis no site oficinafranciscobrennand.org.br.

As ruas do Centro Histórico de Salvador recebem até domingo a Flipelô, Festa Literária Internacional do Pelourinho. Esta edição celebra uma década de existência do evento e também os 40 anos da Fundação Casa de Jorge Amado, responsável pela organização da iniciativa. A instituição é considerada referência nacional na preservação e difusão da literatura e da cultura brasileira.

Angela Fraga, presidente da Fundação Casa de Jorge Amado, destaca a importância deste momento.
“Essa edição da Flipelô é realmente muito especial. Estamos comemorando 10 anos de realização da festa. Ela já integra realmente um calendário de eventos da cidade, o que nos deixa muito envaidecidos e felizes de conseguir emplacar um evento literário com tanta solidez quanto a Flipelô vem se revelando. E esse ano, além de tudo, a gente ainda tem essa força em comemorar a Flipelô dentro das atividades, das promoções de eventos comemorativos pelos 40 anos da Fundação Casa Jorge Amado”.
A festa conta com a participação de seis escritores internacionais, de países como Angola, Portugal e Estados Unidos, e nomes nacionais de peso, como explica Angela Fraga...
“Carla Madeira, Milton Hatoum, Tiganá Santana, tem o Leonencio Nossa, ele tem uma biografia de Guimaraes Rosa, Aline Bei, cativando aí o público mais jovem. E a gente tem também uma grande novidade que é a coedição com a Companhia das Letras de um livro de cartas entre Jorge Amado e Érico Veríssimo”.
Outra atração de destaque é a escritora baiana Bárbara Carine, uma das vozes mais relevantes do debate sobre educação e racialidade no Brasil, vencedora do Prêmio Jabuti 2024 pela obra "Como Ser um Educador Antirracista". A presidente da Fundação Casa de Jorge Amado fala sobre a presença dela e do caráter diverso do evento...
“Essa participação, escritores como Bárbara e como tantos outros reflete a diversidade do evento. A gente tem uma curadoria múltipla, trabalha em equipe. Isso faz com que a Flipelô tenha um DNA muito dela, muito próprio, que é abordar vários temas, várias tribos, vários pensamentos de uma forma harmônica e democrática”.
A grande homenageada desta edição é a poeta baiana Myriam Fraga, reconhecida pela publicação de mais de 20 livros e intensa colaboração em jornais e revistas. Entre os temas de suas obras estão questões sociais do Nordeste e construção do feminino. Angela Fraga justifica a escolha da autora...
“Ela foi a grande idealizadora do evento. Ela teve essa ideia de realizar uma festa literária no Pelourinho e terminou que ela não conseguiu ver isso. Ela partiu antes. Então, esse ano também a gente tem um marco dos 10 anos de sua morte e aí a gente achou justo. Além dela ser também uma idealizadora da própria instituição. Ela foi instituidora junto com Jorge Amado, com Zélia, com tantos outros amigos da fundação”.
Toda a programação da Flipelô é gratuita. O evento é apresentado pelo Ministério da Cultura e conta com correalização do Sesc.
3:39Uma programação com cultura, gastronomia e ações formativas, dentre outras atividades, vai movimentar a praia de Canoa Quebrada, no litoral do Ceará, a partir deste fim de semana. Começa nesta sexta-feira (7), a 3ª edição do Festival Agosto do Mar.

A programação, que já está disponível no instagram oficial do evento @agostodomar, movimenta a praia durante oito dias, todas as sextas e sábados deste mês.
A Presidente da Associação dos Empreendedores de Canoa Quebrada, Gabriela Crippa, dá um panorama geral do evento para moradores e turistas que optarem pela praia durante o Festival.
"Ele vai acontecer dentro de 30 estabelecimentos participantes. Eles vão estar identificados. Eles estão na nossa Broadway, nas ruas paralelas, nas barracas de praia e também na praia de Majorlândia. Além dos estabelecimentos, nós montamos uma vila de artesanato e uma cozinha show que vai ficar ali na nossa Praça Maria Alice, bem na entrada de Canoa Quebrada. A cozinha show nós vamos receber chefes locais, chefs convidados de fora, vamos ter degustação de vinhos, de destilados e muita música ao vivo."
Neste primeiro fim de semana, a partir das seis da tarde, haverá o Cozinha Show, com preparação de receitas e técnicas de culinária ao vivo com os chefs Gabriel Caiçara e Emanuel Ruiz, shows de Jamerson e Jura, além da Vila Artesanato, levando aos moradores e turistas a produção dos artistas e empreendedores.
Os culinaristas e restaurantes da praia também criaram pratos exclusivos para o Festival utilizando peixes e frutos do mar; temperos da terra, opções veganas, sobremesas e criações de drinks alcoólicos ou não. Este ano, restaurantes da Praia de Majorlândia também participam da ação.
Nos próximos fins de semana, Canoa vai receber ainda outros shows musicais, apresentações culturais, mutirão de limpeza da praia, trilha ecológica e mais ações formativas de gastronomia com os chefs Mara Deibe, Liana Cavalcante, Alex Dias, André Ávila, dentre outros.
No dia 26, a programação muda para a Vila dos Estevão, uma comunidade tradicional de pescadores de Canoa.
O Agosto do Mar - Gastronomia e Cultura é promovido pela Associação dos Empreendedores de Canoa Quebrada e integra as ações do Programa Canoa Encanta, um projeto de requalificação do turismo do município praiano de Aracati, implementado em parceria com o Sebrae.
2:46
A visita apostólica de Leão XIV à América do Sul, de 6 a 17 de novembro, colocará o Pontífice diante de três realidades eclesiais profundamente
...A visita apostólica de Leão XIV à América do Sul, de 6 a 17 de novembro, colocará o Pontífice diante de três realidades eclesiais profundamente diferentes. O Uruguai, considerado o país mais secularizado da América Latina, registra cerca de 32% de população católica; a Argentina, 57%; e o Peru, 67%, segundo os dados compilados pelo professor Dr. Fernando Altemeyer Junior.
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...O reencontro com Deus e a vocação: a história de Fansuele Marques da Cruz é um testemunho de que a esperança pode renascer mesmo quando tudo parece perdido.
Em Bongor, foi oficialmente criada a “Réseau des Médias Catholiques du Tchad”, que reúne, pela primeira vez, as oito rádios diocesanas do país.
...Em Bongor, foi oficialmente criada a “Réseau des Médias Catholiques du Tchad”, que reúne, pela primeira vez, as oito rádios diocesanas do país. Um projeto apoiado pela Conferência Episcopal e acompanhado pela CREC International para fortalecer a colaboração, a independência e a presença da Igreja no panorama da informação. O missionário comboniano padre Fabrizio Colombo: “a rede permitirá ser a voz daqueles que não têm voz”.

É com base nessa percepção que o Fundo Baobá – instituição social que busca promover a equidade racial – criou o programa Black STEM (Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática). A iniciativa selecionou três estudantes negros para receberem a bolsa de R$ 42 mil destinada à permanência no exterior. Eles embarcam em setembro para cursar a graduação.
Caio Ramos, de 23 anos, é morador de Irajá, cidade do Rio de Janeiro. O estudante escolheu estudar em Didi, após se encantar pela cidade de Dubai, em uma viagem em família.
Antes da aprovação, Caio passou por severos desafios acadêmicos e familiares. Durante a pandemia de covid-19, em 2020, o estudante ficou sem aulas durante um ano inteiro, porque sua escola não tinha estrutura para fornecer aulas online.
No mesmo ano, o pai de Caio começou a apresentar sintomas de Alzheimer e Parkinson. Com o avanço das doenças degenerativas, ele teve que parar de trabalhar.
Sem recursos financeiros para contratar um cuidador e diante do alto custo dos remédios, Caio precisou começar a trabalhar em 2022 para ajudar no sustento da casa.
Essa nova rotina prejudicou a entrada no ensino superior. Apesar das dificuldades, ele conta que busca não se limitar. Essa determinação é o impulso para procurar alternativas internacionais.
“Estar no Black STEM é uma vitória minha, mas eu sei também que é uma vitória das pessoas que vão se identificar comigo e que passam pelas mesmas coisas”, destacou Caio.
A estudante Quezia Fernanda nasceu em Rio das Ostras, também no estado do Rio de Janeiro. A jovem de 19 anos cursou o ensino médio técnico em automação industrial no Instituto Federal Fluminense.
Foi por meio de uma parceria entre o instituto e a Faculdade de Jaén, na Espanha, que a jovem teve acesso à informação sobre a existência de uma bolsa de estudos no exterior, permitindo-lhe perseguir um sonho que antes considerava distante.
Durante bate-papo no evento de boas-vindas, com a jornalista Adriana Couto, ela contou sobre a motivação em cursar Engenharia Elétrica.
“Vindo de Macaé, capital do petróleo no Brasil, sei bem como a área da energia é fundamental. Vi na engenharia elétrica possibilidade de iniciar um estudo e futuramente quero poder me aprofundar na área sustentável,” explicou Quezia.
O terceiro estudante contemplado pela bolsa é João Vitor, da cidade de Cruz das Almas, na Bahia. Desde a infância, ele conta ter facilidade com computação e interesse pela manutenção de computadores. Essa afinidade foi consolidada quando ingressou no Instituto Federal para cursar informática.
O jovem cresceu no Recôncavo Baiano, o que lhe permitiu conviver de perto com lideranças negras e comunidades quilombolas. A decisão de estudar na Northwestern University ocorreu quando ele descobriu que a instituição contava com Jean, um estudante brasileiro de origem quilombola.
“Por ter tanta proximidade com as comunidades quilombolas, tenho um carinho enorme por aquelas lideranças que me ajudaram, que me aconselharam e que abriram as portas para mim”, ressalta João Victor.
Além do valor destinado para custear moradia, transporte, alimentação e material acadêmico, o programa fornece mentorias de carreira, workshops, conexões com lideranças negras e acompanhamento psicológico.
O diretor-executivo do Fundo Baobá, Giovanni Harvey, explicou que oferecer rede de apoio e de suporte é extremamente importante para a permanência dos estudantes em outros países.
“Você tem aluno que saiu da Bahia, de Fortaleza e para longe da família. Há solidão e questões de saúde mental, que aparecem bastante entre os mais jovens. Não é somente dar o dinheiro. Tem que oferecer rede de apoio, de suporte.”
Segundo ele, a iniciativa busca criar condições para despertar em pessoas negras a crença de que é possível alcançar e ocupar espaços de destaque.
*Estagiário da Agência Brasil sob supervisão de Odair Braz Junior

Na Página do Participante, os inscritos também podem conferir a situação da inscrição, bem como a data e horário do exame. As informações estão disponíveis no cartão de confirmação. É preciso fazer o login com a conta da plataforma Gov.br.
O porte do cartão de confirmação de inscrição no dia da prova não é obrigatório, mas recomendado.
O Encceja Nacional é destinado a jovens e adultos que não concluíram seus estudos na idade apropriada para cada nível de ensino.
Para participar, é necessário ter, no mínimo, 15 anos completos para o ensino fundamental e, no mínimo, 18 anos completos para o ensino médio na data de realização do exame.
Os resultados do exame podem ser utilizados nos processos de certificação de conclusão do ensino fundamental e do ensino médio.
De acordo com o edital, as provas serão aplicadas nos turnos da manhã e da tarde do domingo, 23 de agosto, em todos os estados e no Distrito Federal.
No primeiro turno, os portões abrem às 8h e fecham às 8h45, no horário de Brasília. As provas começam às 9h e terminam às 13h.
Já no segundo turno do exame nacional, os portões serão abertos às 14h30 e fechados às 15h15. A aplicação da tarde se inicia às 15h30 e vai até as 20h30.
Os participantes com direito a tempo adicional terão 60 minutos a mais, após os horários previstos para encerramento das provas, para finalizar o exame.
Para o ensino fundamental, haverá quatro provas objetivas que avaliarão conhecimentos em: ciências, matemática, língua portuguesa, língua estrangeira moderna, artes, educação física e redação, redação, inglês, espanhol, artes e educação física, história, geografia, filosofia e sociologia.
Já o ensino médio cobrará temas de química, física e biologia, matemática, língua portuguesa com redação, inglês, espanhol, artes e educação física, história, geografia, filosofia e sociologia.
Realizado pelo Inep desde 2002, o Encceja avalia competências, habilidades e saberes adquiridos no processo escolar ou extraescolar dos jovens e adultos participantes. A política pública também estabelece uma referência nacional para a avaliação de jovens e adultos, diz o Inep.
As secretarias de Educação e os institutos federais podem usar os resultados obtidos pelos participantes como parâmetro para certificar os participantes em nível de conclusão do ensino fundamental e médio.
O Inep destaca que apenas a inscrição e a realização das provas pelos candidatos não garantem a certificação. Conforme o desempenho obtido, cada participante deverá solicitar a certificação de conclusão da respectiva etapa de ensino, diretamente na instituição certificadora.
O sistema de inscrição indicará qual é a instituição responsável pela certificação..

O MEC apontou que, nos anos iniciais do ensino fundamental (1º ao 5º ano), a nota padronizada (média de desempenho dos estudantes) do Saeb 2025 aumentou de 5,9 para 6,2 entre 2023 e 2025, o que representa o avanço mais expressivo entre as três etapas de ensino avaliadas.
Já nos anos finais do ensino fundamental (6º ao 9º ano), a nota padronizada subiu de 5,1 para 5,2 entre 2023 e 2025, o que retrata que a média permanece no nível básico nas duas disciplinas.
A nota padronizada do ensino médio, no último biênio, também cresceu 0,1 e superou o resultado de 2019, de 4,4. Porém, aqui, o resultado de matemática ainda está no nível abaixo do básico.
A coordenadora de Políticas Educacionais da organização da sociedade civil Todos Pela Educação, Natália Fregonesi, explica que, nesta última etapa do ensino básico, muitos alunos chegam com defasagens acumuladas nas etapas anteriores. "Por isso, é urgente priorizar a aprendizagem, desde o início do ensino fundamental."
Em uma escala que vai de 0 a 500, o SAEB 2025 revela que, no 5º ano do ensino fundamental, em português, a avaliação passou de 207,6 em 2023, para 215,1 pontos, em 2025.
Em matemática, de 218,3 para 227,4. A rede pública cresceu 3,7 pontos entre 2023 e 2025.
No caso do 9º ano do ensino fundamental, em língua portuguesa a média passou de 252,9 para 256,6. Em matemática, de 249,9 para 255,3.
Já no 3º ano do ensino médio, em língua portuguesa, o resultado passou de 269,1 para 272,3; e em matemática, de 263,9 para 268,0.
Considerando toda a rede estadual, que inclui o ensino médio tradicional e o ensino médio integrado à educação profissional e tecnológica, em língua portuguesa, o desempenho dos estudantes que cursavam o 3º ano passou de 271,7 para 275,8; e em matemática, de 267,3 para 271,4 no mesmo período.
Se dividido em etapas da educação básica, o que preocupa os educadores não é a aprendizagem dos estudantes nos anos iniciais (1º ao 5º ano) do ensino fundamental, sobretudo, de escolas públicas, que tiveram médias nas duas disciplinas acima dos níveis pré-pandêmicos (2019). A preocupação está no avanço lento dos resultados dos anos finais (6 ao 5º ano) do ensino fundamental e no ensino médio, onde observou-se que os níveis médios de aprendizagem de língua portuguesa e em matemática, basicamente voltaram ao que eram em 2019. E o maior gargalo observado é o aprendizado da matemática no ensino médio, que ainda não voltou aos níveis anteriores à crise do coronavírus, em 2020.
Natália, do Todos pela Educação, considera que os resultados do Saeb de 2025 mostram uma recuperação importante na aprendizagem, mas ainda é pouco: "Essa melhora foi insuficiente para mudar o nível de aprendizagem da etapa como um todo". Para ela, o desafio é colocar a aprendizagem no centro das políticas públicas "para conseguir acelerar o avanço, especialmente, nos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio, onde os resultados são um pouco mais desafiadores."
Especialistas em educação avaliam que é necessário que o Brasil aumente o ritmo de avanços, sobretudo na matemática, para reverter este quadro.
O vice-presidente de Educação da Fundação Lemann, Felipe Proto, afirma que os resultados de matemática mostram que o enfrentamento dos desafios demanda esforços coordenados e sustentados. “Avançar nessa área exige prioridade na agenda educacional, continuidade e uma estratégia consistente de implementação das políticas públicas já anunciadas, como o Compromisso Nacional Toda Matemática [do Ministério da Educação].”
Adicionalmente, Natalia Fragonesi exemplifica outras políticas públicas para priorizar a aprendizagem desde o início do ensino fundamental.
"É preciso garantir formação e apoio aos professores, acompanhamento pedagógico das escolas, estratégias de recuperação das aprendizagens, de recomposição das aprendizagens para os estudantes que não estão conseguindo desenvolver as habilidades no tempo esperado", lista a coordenadora do Todos Pela Educação.
O ministro da Educação explicou que este não é um desafio apenas do Brasil e que vários países de economias avançadas têm tido uma queda vertiginosa na proficiência em matemática. O titular do MEC frisa que o Brasil está atento à questão com a formação inicial e continuada de professores. Leonardo Barchini relembrou, ainda, que a Prova Nacional Docente (PND) 2025 mostrou que o país tem professores proficientes na área de matemática e em número suficiente para atuar nas redes de ensino.
“Precisamos que as redes utilizem a Prova Nacional Docente para que esses bons professores, que foram muito bem na avaliação educacional, de fato, cheguem às redes. E melhorar a formação continuada dos professores é uma obsessão do Ministério da Educação para que possamos elevar a proficiência em matemática.”
Natália Fregonesi defende que é preciso ir além de contratar bons professores, por meio da PND, como mencionado pelo ministro. "Sozinho, isso não vai resolver o problema. Os melhores resultados estão ligados a uma combinação de liderança técnica, priorização política, com investimento em políticas públicas que são estruturantes e que realmente podem mudar a educação".
A secretária Nacional de Educação Básica (SEB) do Ministério da Educação (MEC), Kátia Schweickardt, disse, durante a divulgação dos dados do SAEB 2025, na última quarta-feira (5), que a melhoria da aprendizagem é resultado de uma agenda sistêmica, consistente, bem implementada.
Na média, o país recuperou em 2025 os níveis observados em 2019, antes da pandemia de covid-2019. O ministro Barchini citou que os relatórios de organismos internacionais projetavam que o Brasil demoraria de 10 a 13 anos para conseguir voltar aos níveis pré-pandemia e que o país superou as expectativas.
“Os resultados do Ideb mostram que o país conseguiu em apenas dois ciclos, ou seja, em quatro anos, voltar àquela situação pré-pandemia. Então, a recuperação do Brasil, ao contrário de muitos países do mundo, foi mais rápida, o que mostra a resiliência da rede da educação pública brasileira na educação básica”, salientou o ministro.
O Todos Pela Educação — que atua pela melhoria da educação básica no Brasil —aponta que, apesar dos esforços realizados, entre 2023 e 2025, pelas redes de ensino federal, estaduais e municipais para recompor as aprendizagens, a recuperação geral ocorreu em patamares anteriores aos níveis de 2019, mas ainda muito baixos.
"O ponto de partida no momento pré-pandemia já era baixo. Então, o ritmo de melhoria precisa ser mais intenso, porque além de recuperar essas aprendizagens perdidas, recuperar o patamar pré-pandêmico, é importante superar de forma intensa os patamares que foram observados", disse.
A especialista Natália Fregonesi propõe a aproximação das escolas de ensino médio do cotidiano do estudante e, prioritariamente, investir na melhoria das etapas anteriores para que eles cheguem à fase final da educação básica mais preparados e motivados. Segundo ela, a desmotivação no ensino médio decorre da combinação de defasagens de aprendizagem acumuladas com uma escola desconectada da realidade e dos projetos de futuro dos jovens.
"Muitas vezes, a escola acaba não respondendo aos anseios do jovem, às suas necessidades, fazendo com que tenham alguma dificuldade de conseguir enxergar como que essa etapa e a escola podem contribuir para seu futuro", contatou Natália Fregonesi, do Todos Pela Educação.
O resultado completo do SAEB 2025 pode ser conferido na página do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Na edição de 2025, foram avaliados 5,9 milhões de alunos, distribuídos por 73,7 mil escolas, de 247,7 mil turmas em todo o território nacional.
Criado em 1990, o Sistema de Avaliação da Educação Básica, é um conjunto de avaliações externas em larga escala, compostas por testes e questionários. Os resultados apresentam informações sobre o desempenho dos estudantes e sobre fatores contextuais relacionados ao processo educacional. As provas do Saeb são aplicadas a cada dois anos.
As médias de desempenho obtidas no Saeb, em conjunto com os dados de fluxo escolar do Censo Escolar, compõem o Ideb. Os resultados também permitem o acompanhamento de indicadores educacionais por escolas, redes de ensino e unidades da federação ao longo das diferentes edições da avaliação.

O resultado estará disponível no Portal Único de Acesso, mas não há horário previsto para o início da liberação. A convocação de estudantes na lista de espera vai até 24 de setembro.
Para participar do Fies, é preciso ter feito qualquer edição do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) a partir de 2010; obtido média das notas igual ou superior a 450 pontos; não ter zerado a prova de redação; e não ter participado como treineiro.
O candidato precisa comprovar renda bruta familiar mensal per capita de até três salários mínimos para obter o financiamento. Todos os demais requisitos, prazos e procedimentos constam no edital.

A confirmação deve ser feita diretamente junto à instituição privada de ensino superior onde foi pré-selecionado, até o próximo dia 14.
O Prouni oferece bolsas de estudo integrais (que custeiam 100% do valor da mensalidade) e bolsas parciais (50%) em cursos de graduação e sequenciais de formação específica, em instituições privadas de ensino superior.
A documentação comprobatória exigida está descrita no edital do processo seletivo. Estão incluídos comprovante de rendimentos do estudante e dos integrantes de sua família, comprovante dos períodos letivos referentes ao ensino médio cursados e, quando for o caso, laudo médico que ateste a espécie e o grau da deficiência.
A faculdade privada onde o candidato foi pré-selecionado poderá escolher se a documentação poderá ser entregue presencialmente ou deverá ser encaminhada por meio virtual/eletrônico.
Neste caso, a instituição deverá disponibilizar em suas páginas eletrônicas na internet campo específico para o encaminhamento do material.
No momento em que receber os documentos dos candidatos à bolsa, a instituição deverá emitir um documento que confirme a entrega.
A instituição ainda poderá solicitar documentos complementares, quando necessário.
Os candidatos que, até o momento, não foram pré-selecionados em nenhuma das duas chamadas do Prouni do segundo semestre terão nova oportunidade por meio da lista de espera.
Para participar dessa etapa, será necessário manifestar interesse nos dias 26 e 27 de agosto.
A divulgação do resultado da lista de espera será no dia 1° de setembro, e a comprovação das informações de inscrição dos pré-selecionados deverá ser feita entre 1° e 14 de setembro.
Neste segundo semestre, o programa federal oferece 471.304 bolsas de estudos parciais e integrais, em 380 cursos de graduação de 879 instituições privadas de ensino superior.
Do total de bolsas ofertadas, 219.725 foram integrais e 251.579 parciais.
O programa reserva vagas a candidatos que atendem aos critérios da política de ações afirmativas do programa, incluindo pessoas com deficiência e candidatos autodeclarados indígenas, pretos ou pardos.
Para pessoas com deficiência, foram ofertadas 35.365 bolsas; para pretos, pardos e indígenas 188.880; e, para a ampla concorrência, as demais 247.059 bolsas de estudo.

O procedimento deve ser realizado exclusivamente pelo Sistema Enade com a senha da plataforma Gov.br.
O atendimento especializado é destinado aos participantes que necessitam de recursos específicos para realizar a prova em condições de igualdade com os demais candidatos, conforme as situações previstas no edital.
Entre as situações previstas estão as de pessoas com deficiência (PCD), gestantes, lactantes, diabéticos, idosos e com outras condições específicas.
O resultado da análise dos recursos será divulgado no próximo dia 14, no mesmo sistema do exame.
A aplicação da prova do Enade ocorrerá em 29 de novembro, em todos os estados e no Distrito Federal.
O exame terá duração total de quatro horas e será composto por duas partes. A primeira trata da formação geral e terá 15 questões de múltipla escolha.
A outra será específica de cada uma das 18 áreas avaliadas, entre elas: arquitetura e urbanismo, engenharias, ciências da computação e química.
A parte de componente específico de cada área de avaliação terá 30 questões de múltipla escolha e uma discursiva.
O Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) avalia o rendimento dos estudantes ao fim dos cursos de graduação com o objetivo de verificar a aprendizagem dos conteúdos previstos nas diretrizes curriculares do curso, além do desenvolvimento de competências e habilidades necessárias à formação geral e profissional.
Os resultados do Enade e as respostas dos candidatos ao Questionário do Estudante são utilizados na composição dos Indicadores de Qualidade da Educação Superior, conforme a metodologia e a regulamentação vigentes.

Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (5) pelo Ministério da Educação (MEC).
“Após 20 anos, a escola brasileira conseguiu ao mesmo tempo melhorar o acesso; melhorar a trajetória desses estudantes, melhorando o fluxo desses estudantes; e melhorar a proficiência”, disse.
O Ideb avalia o desempenho dos estudantes em língua portuguesa e matemática no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e as taxas de aprovação apuradas pelo Censo Escolar. Os indicadores são divulgados a cada dois anos. A escala do Ideb varia de 0 a 10.
Segundo o MEC, a melhora demonstra o crescimento contínuo das médias de proficiência e a redução das reprovações.
O indicador do ensino médio cresceu de 4,3, em 2023, para 4,5, no ano passado. No entanto, a meta para a etapa é 5,2. Desde 2013, a meta não é atingida.
A etapa encerrou o ciclo de 20 anos com seu patamar mais elevado, após subir dos 3,4, registrados em 2005.
“Avançamos, mas ainda há muito o que fazer. Chegou a hora de um novo salto para o futuro, que é a melhoria da aprendizagem”, afirmou o ministro Barchini.
Especialistas consideram que a etapa final representa o maior desafio para ganhos no indicador.
O vice-presidente de Educação da Fundação Lemann, Felipe Proto, avaliou que os resultados de 2025 são avanços importantes, mas mostram também que o ritmo de avanço foi menor nos anos finais do que nos anos iniciais do ensino fundamental.
“Esse fato pode ser explicado por um possível acúmulo da defasagem. Isto é, quando os estudantes não aprendem nos anos iniciais conhecimentos muito básicos, eles poderão ter dificuldades ao longo de toda trajetória escolar. Além disso, o cotidiano escolar muda bastante nos anos finais: os alunos passam a ter mais de um professor por disciplina, por exemplo, o que pode dificultar a criação de vínculos.”
Para o especialista, além do investimento na etapa de alfabetização, é necessário ter atenção aos anos finais do ensino fundamental, fase em que os alunos, entre 11 e 14 anos, passam por importantes transformações cognitivas, físicas, emocionais, sociais e identitárias.
“Precisamos superar o estigma cultural que associa essa fase a conflito e desinteresse, e precisamos de escolas mais conectadas com os interesses dos estudantes, aumentando o engajamento dos jovens, e de mais tempo na escola", afirmou Felipe Proto.
Nas escolas públicas, o Ideb passou de 5,7 para 6,1 nos anos iniciais em 2025.
O indicador para os anos finais também subiu: de 4,7, em 2023, para 5, em 2025. E no ensino médio, de 4,1 para 4,3, em igual período.
Confira mais informações sobre o resultado do Ideb no Repórter Brasil, da TV Brasil
No Ideb, todos os estados e o Distrito Federal tiveram resultados superiores nos anos iniciais do ensino fundamental em 2025, na comparação com 2023.
Os destaques foram Paraná, com 6,9; Ceará (6,8); e Espírito Santo, Minas Gerais e Goiás, empatados com 6,4.
Nos anos finais do ensino fundamental, 24 unidades da Federação tiveram índices maiores em 2025 quando comparados a 2023.
Os maiores índices foram atingidos do 6º ao 9 º ano pelos seguintes estados: Paraná (5,9); Ceará (5,7); Goiás (5,7); Minas Gerais (5,5) e Espírito Santo (5,4).
No ensino médio, 23 estados subiram no indicador em relação à edição anterior. O Distrito Federal é o único que teve queda no Ideb na etapa final da educação básica.
A maior nota foi novamente do Paraná (5,1), seguido por Piauí (5), Espírito Santo (4,9) e Goiás (4,8).
Em relação ao desempenho dos municípios, o Inep divulgou a evolução nos anos iniciais do ensino fundamental.
Em 2005, a maioria das cidades brasileiras — um total de 4.110 municípios — registrava Ideb de até 4,9.
Esse número caiu para 1.097 cidades, em 2023, e recuou em 2025 para 442 municípios.
A secretária de Educação Básica do MEC, Kátia Schweickardt, destacou que apesar de mais de 400 municípios terem desempenho abaixo de 5, eles apresentaram avanços significativos.
Segundo ela, cerca de 70% desse grupo registraram crescimento, embora em um ritmo inferior ao projetado pelas metas do Plano Nacional de Educação (PNE).
Esses municípios terão assistência técnica individualizada.
“Vamos reunir mais de 9 mil dos nossos articuladores, que já atuam [em regime de colaboração] nestas localidades em todos os nossos programas, para trabalhar junto com estados e municípios para ajudá-los a fazer um autodiagnóstico e estudar detalhadamente cada realidade para saber o porquê de ainda não estarem nesta média”, explicou a secretária.
O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pelo cálculo do indicador, aguardava a sanção do novo Plano Nacional de Educação (2026–2036), em abril deste ano, para planejar as metas para o próximo Ideb, que ocorrerá em 2027.
Segundo o presidente do Inep, Manuel Palacios, uma proposta sobre o próximo ciclo deve ser apresentada em outubro. O ministro da Educação adiantou que o novo ciclo será focado em aprendizagem e, principalmente, em equidade.
O Ideb avaliou o desempenho de 14,5 milhões de estudantes nos anos iniciais do ensino fundamental, 11,2 milhões nos anos finais do ensino fundamental e 7,3 milhões no ensino médio.

Em nota, o Ministério da Educação reforçou que o prazo para os pré-selecionados comprovarem as informações da inscrição começa nesta quarta-feira (5) e segue até o dia 14 de agosto.
“As instituições podem oferecer serviço eletrônico para isso, mas é de inteira responsabilidade de cada participante verificar quais são os horários e locais de atendimento para a entrega da documentação”, destacou o ministério.
A perda do prazo ou a não comprovação das informações implicará na reprovação para a obtenção da bolsa.
Ainda segundo a pasta, candidatos que não foram pré-selecionados em nenhuma das chamadas feitas até o momento podem aderir à lista de espera. Para isso, é preciso manifestar interesse nos dias 26 e 27 de agosto.
A divulgação da lista com a classificação de todos os que manifestarem interesse está prevista para o dia 1° de setembro.
- Resultado da 2ª chamada: 5 de agosto
- Comprovação das informações da inscrição dos pré-selecionados na 2ª chamada: 5 a 14 de agosto
- Lista de espera: 26 e 27 de agosto
- Resultado da lista de espera: 1º de setembro
- Comprovação das informações da inscrição dos pré-selecionados em lista de espera: 1º a 14 de setembro.
Nesta edição do Prouni, estão sendo ofertadas 471.304 bolsas de estudo em 380 cursos de graduação, distribuídas entre ampla concorrência e cotas, de 879 instituições privadas de educação superior.
Do total de bolsas ofertadas, 219.725 são integrais, cobrindo todo o valor da mensalidade, e 251.579 são parciais, arcando com 50% do valor do curso.
O programa reserva vagas a candidatos que atendem aos critérios da política de ações afirmativas do programa, incluindo pessoas com deficiência e candidatos autodeclarados indígenas, pretos ou pardos.
Para pessoas com deficiência, são ofertadas 35.365 bolsas; para pretos, pardos e indígenas, são 188.880; e para a ampla concorrência, as demais 247.059 bolsas de estudo.

Interessados devem se inscrever pelo Sistema Celpe-Bras do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Podem participar pessoas cuja língua materna não seja o português e que querem comprovar nível de proficiência na variante brasileira do idioma.
Participantes que desejem tratamento pelo nome social ou que precisem de atendimento especializado no dia do exame devem fazer a solicitação no momento da inscrição, enviando a documentação necessária.
O valor da taxa de inscrição será estabelecido pelo posto aplicador, considerando o valor do custo da aplicação do exame no país. O Inep sugere que o candidato entre em contato com o posto de sua preferência para mais informações. O pagamento pode ser efetuado até 7 de agosto.
De acordo com o edital, nos postos aplicadores no Brasil, a sugestão do Inep é que o valor cobrado seja R$ 259. No exterior, o edital sugere o valor equivalente a US$ 190 para as instituições privadas e/ou vinculadas ao Ministério das Relações Exteriores.
As duas partes do exame – escrita e oral – serão aplicadas pelo Inep em postos aplicadores no Brasil e no exterior, credenciados pelo Ministério da Educação. A aplicação das provas no Brasil ocorrerá de 20 a 23 de outubro e, no exterior, de 24 a 27 de novembro.
Entre os postos aplicadores estão instituições de educação superior, representações diplomáticas, missões consulares, centros e institutos culturais, e outras instituições interessadas na promoção e na difusão da língua portuguesa.
Criado em 1994, o Celpe-Bras é aceito em universidades para ingresso em cursos de graduação e em programas de pós-graduação e também por empresas brasileiras.
O exame ainda é admitido em processos de validação de diplomas de profissionais estrangeiros que pretendem trabalhar no país.

Os resultados constam na pesquisa TIC Educação 2025, lançada nesta terça-feira (4) e realizada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), entidade ligada ao Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br).
Segundo o Cetic.br, a pesquisa mostra que os debates sobre questões relacionadas aos efeitos das tecnologias digitais no desenvolvimento dos alunos e à adoção crítica desses recursos estão mais presentes nas escolas do país.
Em 2025, 75% dos gestores se reuniram com pais, mães e responsáveis para tratar do uso de tecnologias digitais no ambiente escolar, ante 60% no ano anterior. E 86% conversaram com professores e outros profissionais da instituição sobre o mesmo assunto, em 2024 a proporção era 68%.
Outros temas que passaram a ocupar mais espaço nas pautas das reuniões são o uso seguro, crítico e responsável das tecnologias digitais - de 56% em 2024 para 75% em 2025 - e a inclusão da educação midiática no currículo escolar, de 46% para 67%.
Segundo o levantamento, 65% das instituições de ensino desenvolvem alguma ação voltada aos estudantes nessa área. No entanto, a presença dessas ações é desigual, ocorrendo com maior prevalência nas escolas urbanas (72%) e entre aquelas que disponibilizam computadores e acesso à internet para uso dos alunos em atividades educacionais (75%).
Entre as que realizam essas iniciativas, 75% dos gestores apontam a baixa participação das famílias e dos responsáveis como um dos principais obstáculos, seguida pela falta de materiais e recursos educacionais de apoio (64%).
Entre as que não realizam atividades desse tipo, a principal dificuldade é a falta de materiais e recursos de apoio (77%), seguida pela baixa participação das famílias (66%) e pela qualidade dos computadores e do acesso à Internet da escola (65%).
"Os dados mostram a necessidade de um olhar atento às desigualdades estruturais, que podem se configurar em desafios à garantia de maior equidade na oferta da educação digital, conforme prevê normativas importantes, como o Plano Nacional de Educação", avalia Daniela Costa, coordenadora da pesquisa TIC Educação.
Ela acrescenta que "a integração entre escolas e famílias é outro aspecto essencial para a disseminação da educação digital”.
“Para que possam apoiar as famílias de maneira eficaz, as escolas precisam de suporte adequado e políticas públicas estruturadas", defende.
Em 49% das escolas, os responsáveis buscaram a direção ou profissionais pedagógicos para obter orientações sobre como mediar o consumo digital de crianças e adolescentes. Do outro lado, 48% das escolas ofereceram palestras com especialistas em bem-estar e saúde mental para as famílias, e 46% distribuíram guias e materiais de orientação sobre hábitos saudáveis de uso de recursos digitais.
“Construir uma educação digital plena e segura é um desafio estratégico para o país e que precisa ser compartilhado entre os diferentes atores sociais. A escola tem um papel importante e crescente, mas também as famílias e o Estado. Precisamos aprimorar políticas públicas e estabelecer regras para a atuação de plataformas digitais”, analisa Renata Mielli, coordenadora do CGI.br.
Ela ressalta que regulação e políticas públicas são elementos cruciais para a proteção de crianças e jovens, como aponta o ECA Digital.
"As famílias e os educadores precisam de apoio para compreender a complexidade de temas imateriais, como o funcionamento de algoritmos e sistemas de Inteligência Artificial, para que possamos, coletivamente, proteger crianças e adolescentes contra os riscos e abusos no ambiente virtual", disse.
Segundo o estudo, 51% dos gestores afirmam que os alunos não podem levar o telefone celular pessoal para o ambiente escolar. O resultado variou conforme o perfil da instituição, sendo mais restritiva naquelas com turmas até os anos iniciais (69%) do que nas com ensino médio (31%).
Em 40% das escolas, os alunos estão autorizados a levar o celular pessoal, mas as regras de armazenamento variam entre as instituições. Em 24%, os dispositivos devem ser guardados em bolsos ou acessórios de uso individual, como mochila ou estojo e, em 16%, em locais disponibilizados pelas escolas, como caixas, armários ou outros espaços.
Ao considerar a parcela de escolas que consentem que os alunos levem o celular, 66% permitem o uso do celular pessoal em atividades pedagógicas, proporção que aumenta em contextos que enfrentam maiores barreiras de conectividade e de acesso a computadores. O uso pedagógico do dispositivo sobe para 76% na Região Norte, 76% na Região Nordeste e 75% em áreas rurais.
É a primeira TIC Educação que mapeou o uso de ferramentas de inteligência artificial (IA) generativa por gestores escolares. A pesquisa indicou que 53% deles já utilizam esses sistemas em atividades de gestão pedagógica, administrativa ou financeira.
No entanto, apenas 22% dos gestores informaram que a escola possuía um guia de orientações sobre o uso de tais recursos no ensino, na aprendizagem ou na gestão (19% entre as escolas municipais, 25% entre as estaduais e 25% entre as particulares).
Entre as principais finalidades do uso de IA pelos gestores estão a criação de conteúdos visuais ou de comunicação (83%), elaboração de convites e comunicados (80%) e tradução, revisão ou resumo de textos (71%).
Em 37% das escolas, o uso de IA pelos estudantes em tarefas educacionais é permitida. A proporção chega a 47% na rede estadual e a 52% naquelas com turmas até o ensino médio.