Explore a trajetória dos grandes nomes das letras em nossa seção dedicada a escritores de língua portuguesa e espanhola. Aqui, você encontrará biografias detalhadas, o legado de suas principais obras e o reconhecimento de suas carreiras através de prêmios e honrarias. Mergulhe na riqueza literária de autores que moldaram a nossa cultura e história através da palavra escrita.



A bandeira com as cores do arco-íris, de aproximadamente 50 metros de comprimento, foi levada por ao menos 20 ativistas que pretendiam realizar um ato pacífico no local.
“A polícia veio de uma forma violenta para gente. Nós nos ajoelhamos e mostramos que estávamos desarmados e que não haveria confronto”.
Platini explicou aos policiais que a bandeira era um símbolo para representar a comunidade LGBTQIA+ e o orgulho. “É nosso orgulho em resposta às violências”.
Platini testemunha que os policiais alegaram não haver autorização para o ato.
“A Constituição garante que a gente realize uma manifestação pacífica e a gente informou com mais de 24 horas de antecedência”, disse. Os ativistas garantem que pediram autorização para o ato na última semana.
“Reprimiram o ato sem justificativa. Eles não pararam os atos antidemocráticos de 8 de janeiro (de 2023), que promoveram destruição, mas nos pararam porque estávamos com uma bandeira”.
Para Michel Platini, essa expressão de hostilidade materializa a violência estatal contra a comunidade.
O ativista diz que o Grupo Estruturação e o Centro Brasiliense de Defesa dos Direitos Humanos do Distrito Federal, do qual ele faz parte, pretendem entrar com representação na Câmara para pedir investigação da conduta dos policiais ao obstruírem uma ação legítima.
Outro ativista presente ao ato, o design Rafael Lira, de 39 anos, lamentou o episódio e disse que o grupo Ficou assustado com a presença das viaturas e com a abordagem dos policiais. “Foi uma confusão que os policiais proporcionaram. Queríamos fazer um ato pacífico em nome da visibilidade de nossa luta".
Ao tomar ciência do episódio em um encontro de ativistas em Brasília, nesta tarde de domingo, o deputado distrital Fábio Felix, presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da Câmara Distrital do DF, disse que pedirá explicações sobre a abordagem dos policiais legislativos.
A reportagem da Agência Brasil buscou esclarecimentos com a assessoria de comunicação da Câmara dos Deputados, mas não obteve retorno até o momento. O espaço está aberto para a participação.

A celebração nesse dia faz referência a uma revolta ocorrida em 1969, na cidade de Nova York. Na ocasião, frequentadores do Stonewall Inn, um dos bares gays populares de Manhattan, reagiram a uma operação policial violenta, prática habitual do período. A resistência virou um marco do movimento LGBTQIA+ por direitos nos Estados Unidos (EUA) e passou a ser comemorada em muitos outros países, incluindo o Brasil.
Para o coordenador do Observatório Brasileiro LGBTI+, Ciro Henrique Santos, a data representa uma vitória.
“Chegamos até aqui, né? Mesmo dentro de um sistema em que a nossa vida é impossível, em que a todo momento eles querem negar a nossa existência, a gente continua resistindo”, diz.
Segundo relatório divulgado este ano pelo Observatório, apenas entre janeiro e março de 2026, o país registrou 50 mortes por LGBTfobia.
“Muito se fala dos torturados e mortos da ditadura, mas a gente também precisa pensar e lutar pelos torturados e mortos da nossa democracia. A população LGBT continua sendo violentada por ser quem se é dentro de um Estado Democrático de Direito”, diz Santos.
“Ao mesmo tempo que a todo momento eles querem nos matar, a gente propõe a mudança e a transformação através da vida, através da alegria, através de movimento. E eu acho que é isso que esse dia 28 traz para a gente”.
Em ano eleitoral, a presidente da Aliança Nacional LGBTI+, Rafaelly Wiest, reforça a necessidade de um voto consciente em pessoas que defendam os direitos LGBTs. Isso vale para cargos executivos, como a Presidência da República e governos estaduais, mas sobretudo para Câmara Federal, Senado e Assembleias Legislativas, que escolherão novos membros neste ano.
Segundo ela, existe uma lacuna nos legislativos do país em relação aos direitos LGBTs. Prova disso é que a maior parte dos direitos da população de lésbicas, gays, bissexuais, pessoas trans, intersexo e mais foi garantida por decisões judiciais do Supremo Tribunal Federal (STF).
“A gente tem ainda um legislativo muito parado para nossas causas. Ele não legisla em favor da nossa comunidade, muito menos pacifica decisões importantes da Suprema Corte” diz.
Direitos como o casamento civil entre pessoas do mesmo gênero e a criminalização da LGBTfobia, ou seja, as atitudes de preconceito e ódio contra pessoas LGBTQIA+, foram garantidos por decisões do Supremo.
“A gente não vai voltar atrás, a gente não quer perder direitos e não vai aceitar nenhum retrocesso”, enfatiza Wiest.
“Não é tolerável, não é admissível que a gente ainda sofra por LGBTfobia, sofra por discriminação, não consiga utilizar banheiro, espaço público, não consiga estar dentro de escola, direitos fundamentais que estão garantidos na Constituição Federal”.

A plataforma foi elaborada a partir de pesquisas e análises elaboradas nos últimos anos pelo Ipea, sobre desigualdade racial e racismo, um repositório de mais de 500 publicações.
“É no cotidiano das interações das pessoas com os serviços públicos, que essas desigualdades podem ser mitigadas ou reforçadas”, assinala Roberto Pires, técnico de Planejamento e Pesquisa do Ipea, doutor em Políticas Públicas e coordenador da plataforma desenvolvida em parceria com o Ministério da Igualdade Racial.
Segundo Pires, a Inclua deve ser utilizada por gestores públicos para identificar situações que possam perpetuar discriminação racial. O recurso, diz o coordenador, “oferece alguns materiais que inspiram ações para aprimorar a equidade, o acesso e a inclusão.
A Inclua foi criada em 2022. A nova versão acrescenta a aba Temáticas, que reúne instrumentos de diagnóstico de riscos de exclusão racial em políticas e serviços públicos.
Também foi incorporado um assistente de inteligência artificial que auxilia a elaboração de planos de ação, e a Coleção Gestão Pública Antirracista, composta por materiais de apoio destinados a gestores e equipes da administração pública.
Toda a administração pública direta ou indireta, seja federal, estadual ou municipal; os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, nos três níveis da Federação, e até empresas que prestam serviço para o Estado podem utilizar a plataforma no portal do Ipea.
A Inclua dispõe de tutorial que orienta o uso.
Conforme Roberto Pires, “a Inclua é voltada para estimular o uso autônomo de suas ferramentas.”
O coordenador disse que a plataforma Inclua “é dinâmica” e “continuará sendo aperfeiçoada”, inclusive com as contribuições dos usuários, que podem enviar seus comentários para o e-mail da Inclua.

A um público formado majoritariamente por estudantes de ensino médio de Brasília (DF), a aula, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), marcou a abertura do Fest Drag 2026, que tem programação durante o final de semana. Domingo (28) é Dia do Orgulho LGBT.
“O capitalismo de plataforma remonta ao primeiro momento de acumulação do capital. Esses trabalhadores não têm mais jornada ou local de trabalho”, lamentou.
Ela avaliou que os trabalhadores de aplicativo experimentam uma realidade similar ao feudalismo.
“Eles estão pagando para usar as ferramentas que vão usar para trabalhar, inclusive a internet. Eles estão pagando para trabalhar”. Haveria assim uma nova classe de trabalhadores sem perspectivas.
Rita von Hunty alertou também que as redes sociais proporcionam espaços reduzidos de discussão ou reflexão. Por isso, teria diminuído também a capacidade de escutas e discussões adequadas. Para ela, tem sido cultivado mais o ódio do que a conversa.
“Ou você curte ou você bloqueia. São os sentimentos antidemocráticos. Não há possibilidade de espaço democrático sem a possibilidade de escuta atenta, leitura aprofundada e dissenso”, afirmou. Ela ponderou que consensos praticamente não existem na democracia porque deveria haver pressupostos de pluralidades e dissensos.
Ela disse ao público que a rede social é uma empresa com visão de lucro. “Todas as redes sociais já sabem que a forma mais cabal de dar lucro é produzindo afetos irracionais. Quem viraliza com mais facilidade na rede? Afetos irracionais”.
Além do trabalho, Rita citou que a era da comunicação das plataformas fez crescer discussões desprovidas de conteúdos políticos. Os usuários das redes teriam erguido inimigos imaginários em guerra.
“A gente só vai conseguir sair dessa mais ou menos ileso se a gente voltar a sustentar entre nós os espaços que fomentam debate, aprofundamento, dissenso, conversa e garantias de direitos para as minorias”, disse.
Para ela, há uma experiência de condução ao isolamento. “Nós precisamos recusar a resposta fácil, insistir no pensamento crítico. Recusar a sensibilidade imediata e investir nas formas mais perenes de afeto”.
Em entrevista à Agência Brasil, Rita von Hunt defendeu o engajamento dos jovens para a defesa da democracia. No entanto, ela chama a atenção para o fato de que há fenômenos de violência na juventude, inclusive contra a mulher. “A gente está vendo, por exemplo, uma crescente violência masculina nas gerações mais novas”.
Por outro lado, ela explica que há esperança em manifestações relacionadas à conscientização sobre os danos da inteligência artificial e das mudanças climáticas.
Outra preocupação manifestada na entrevista é relacionada ao avanço das bets, os sites de apostas esportivas. “Não há nenhum motivo para que as bets operem nesse país da forma que operam”. Para ela, as bets estão atuando para a dilapidação do patrimônio das pessoas e do poder de compra das classes mais baixas.
Nesse cenário atual, ela entende que falar em democracia no Brasil é “otimismo”. “Estado Democrático de Direito em um país que tem genocídio de população preta não é possível”.
Rita disse que é preciso combater todas as formas de opressão, como as visões machistas, misóginas, capacitistas e LGBTfóbicas. “Eu faço isso como drag, entre drags, entre não drags. Hoje a gente fez um evento com estudantes do ensino médio. É a minha semente de vida. O que eu almejo deixar de legado é o combate a esses discursos de destruição”.
O evento, realizado pelo Distrito Drag, continua no CCBB Brasília neste final de semana de forma gratuita. Estão previstas apresentações de artistas como Sandra Sá, Majur e Lorena Simpson.
Confira a programação no site do evento.
A programação ainda conta, na programação, com performances de artistas como Dacota Monteiro e Las Bibas. A classificação indicativa é livre é livre.
Rita von Hunty é a apresentadora da série Como Nascem os Heróis, exibida pela TV Brasil. Composta por 10 episódios, a série investiga a construção histórica e simbólica dos personagens inscritos no Livro de Aço de Heróis e Heroínas da Pátria, no Panteão da Pátria, em Brasília (DF). A produção propõe um diálogo crítico sobre as biografias de figuras como Zumbi dos Palmares, Anita Garibaldi e Getúlio Vargas, utilizando uma linguagem ágil que mescla reflexão histórica, humor e ironia.

Morto em 1972 pela ditadura militar brasileira e enterrado como indigente na vala clandestina do Cemitério Dom Bosco, em Perus, na capital paulista, os restos mortos de Grenaldo de Jesus da Silva, pai de Grenaldo Mesut, foram finalmente sepultados na manhã desta sexta-feira (26), em São Paulo, enquanto o público presente entoava a canção Pra Não Dizer que Não Falei das Flores, de Geraldo Vandré.
E para que o país não se esqueça das vítimas da ditadura, uma imensa placa foi colocada na sepultura com uma foto de Grenaldo e um texto informando quem foi ele e a data em que foi morto, seguido pela mensagem de seu filho: “Podia ser diferente, não é, meu pai?”.
A cerimônia de sepultamento é resultado dos trabalhos da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (Cemdp), do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), pela Comissão de Familiares de Pessoas Mortas e Desaparecidas Políticas de São Paulo, pela Concessionária Cortel e pelo Centro de Arqueologia e Antropologia Forense da Universidade Federal de São Paulo (Caaf/Unifesp).
Antes do sepultamento, o filho de Grenaldo - que carrega seu mesmo nome - fez uma emocionante homenagem ao pai, que ele pouco pôde conhecer.
“Para mim é uma felicidade muito grande, é uma mistura de emoções, mas eu estou muito feliz”, disse Grenaldo ao lado da filha e da esposa.
“E que essa felicidade possa também ser passada aos outros que estão ainda na luta buscando os seus entes queridos e seus familiares. E que um dia eles possam ter a mesma felicidade que eu estou tendo, de poder dar um lugar digno para o meu pai, que foi um herói dessa nação”, completou.
Emocionado, Grenaldo não conseguiu ler a mensagem que havia escrito junto da filha para o momento. E que acabou sendo lida por sua filha.
“Hoje eu me despeço de alguém que nunca pôde realmente fazer parte da minha vida. Existem dores que nascem da convivência e outras que nascem da ausência. A sua ausência atravessou décadas, gerações e histórias que nunca puderam ser vividas e mesmo assim, senti falta de todos esses momentos que nunca tive”, escreveu.
“Perder alguém que nunca as teve parece impossível de se explicar. É sentir falta de conversas que não aconteceram, de abraços que não vieram e de memórias que não puderam ser construídas. Ainda assim, sua existência permaneceu viva na espera, na busca e na esperança de que um dia eu o encontraria”, prosseguiu na mensagem.
“Mesmo que não fosse da maneira que eu imaginei. Hoje dou um lugar à memória, ao luto que ficou suspenso e a história que insistiu em permanecer. Que esta despedida traga a possibilidade do descanso que eu não pude ter durante todos esses anos e que o senhor, meu pai, possa finalmente encontrar esse descanso e, desta vez, de uma forma digna, honrada e justa, assim como imagino que o senhor tenha sido em vida”, concluiu.
A ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Janine Mello, acompanhou o sepultamento. “[Este momento] tem um profundo significado para a história do Brasil” e “significa um grande avanço para o Estado brasileiro”, disse.
“A gente quer garantir não só o direito à memória, mas à verdade, à reparação e à justiça. Esse sepultamento para a gente tem um simbolismo muito grande, principalmente por ser realizado no dia de hoje, que é o Dia Internacional de Apoio às Vítimas da Tortura. Isso mostra o compromisso do nosso governo em não aceitar que a tortura seja uma prática possível dentro do nosso país em nenhum outro momento”, disse a ministra à reportagem.
Janine Mello disse que o governo federal pretende continuar investindo recursos nos trabalhos de identificação dos mortos pela ditadura militar, que permitiu que Grenaldo pudesse ser enfim sepultado.
“A gente ainda tem um longo caminho pela frente. A gente já conseguiu alguns avanços importantes aqui em relação à alteração das certidões de óbito. A gente tem tido também avanço na identificação de vítimas da ditadura. Hoje a gente avança do ponto de vista simbólico com esse sepultamento, mas temos um plano de ação pela frente que vai nos demandar muito trabalho e muito esforço, mas que estamos muito comprometidos a fazer”, afirmou.
Para a procuradora da República Eugênia Augusta Gonzaga, presidente da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, a cerimônia ajuda a devolver alguma dignidade para as famílias que foram vítimas das violências provocadas pela ditadura militar brasileira.
“Isso devolve a dignidade para esses corpos que foram escondidos e que ficaram aqui no meio da lama, e também devolve para as famílias a esperança de um dia poder fazer esse sepultamento”, disse.
“Esse é um momento de valor imensurável para a família dele e, de certo modo, para todas as famílias, porque a luta de um é a luta de todos”, afirmou.
Em entrevista à Agência Brasil, o professor da Unifesp e coordenador do Centro de Antropologia e Arqueologia Forense, Edson Teles, reconheceu a importância da identificação das ossadas encontradas na vala clandestina que existia no Cemitério Dom Bosco para a construção da memória do país.
“Quando a gente entrega para a família os restos mortais de um desaparecido, a gente também faz uma grande reparação histórica ao país e aos movimentos de direitos humanos. Conhecer essa história é entender a fundo a estrutura de violência de Estado que a gente vive de forma cotidiana no país”, disse.
Segundo Ricardo Polito, diretor executivo do grupo Cortel, o sepultamento de Grenaldo representou não “só o encerramento de uma busca, mas também um símbolo da força, da memória, da verdade e da dignidade humana”.
“Quando fui procurado para que pudéssemos viabilizar esse sepultamento, entendi imediatamente que não se tratava de um serviço comum. Tratava-se de uma família que aguardava há mais de cinco décadas por um momento como este. Tratava-se da oportunidade de devolver dignidade, memória e respeito a uma história que jamais poderia ser esquecida”, explicou Polito.
Para a escritora, ex-presa política e atualmente integrante da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos Amelinha Teles, o sepultamento de Grenaldo é um “reconhecimento de que essa luta [dos familiares] vale a pena”.
“A luta dos familiares contribuiu para a gente construir a verdade, a memória e a justiça”, disse.
“Esse é um momento de vitória, de agradecimento e de mostrar que a necessidade dessa luta continua. O Grenaldo hoje teve a felicidade de poder enterrar o seu pai. Mas muitos ainda não tiveram essa oportunidade. A pergunta ‘onde estão os desaparecidos políticos?’ continua no ar e nós precisamos dar uma resposta para isso”, acrescentou.
Grenaldo foi militar da Marinha brasileira, nascido em São Luís, no Maranhão. Ele foi preso em 1964 e expulso da Força enquanto reivindicava melhores condições de trabalho. Chegou a fugir da prisão e viver na clandestinidade, mas foi morto em 30 de maio de 1972 ao tentar capturar uma aeronave no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo.
Na época, a imprensa chegou a divulgar que ele teria se suicidado, seguindo a versão informada pela ditadura. No entanto, o Comitê Brasileiro pela Anistia, os movimentos de familiares de mortos e desaparecidos políticos e ex-presos políticos não aceitaram essa versão oficial e seu caso acabou sendo incluído entre as vítimas de repressão.
As circunstâncias da sua morte permaneceram obscuras até que uma reportagem da jornalista Eliane Brum, publicada em 2003, contou que ele havia sido morto por agentes do Estado com dois tiros, um na nuca e outro no peito.
Documentos do Instituto Médico Legal (IML) registraram que Grenaldo teria sido sepultado em 1º de junho de 1972 no Cemitério Dom Bosco como indigente, e constava como desaparecido até ter seus remanescentes ósseos identificados pela equipe do Projeto Perus, em abril do ano passado.
A vala clandestina de Perus foi descoberta pelo jornalista Caco Barcellos, em 1990, quando investigava homicídios praticados por policiais militares.
Analisando laudos periciais em uma sala do IML, em particular nos processos de 1971 a 1973, referentes a encaminhamentos de mortos feitos pelo Departamento de Ordem Política e Social (Dops), o jornalista notou que havia a letra “T” escrita com lápis vermelho em alguns documentos. Ele então perguntou aos funcionários do IML o significado daquela marcação e descobriu que a letra T se referia a “terrorista”.
Barcellos comunicou à gestão da então prefeita de São Paulo Luiza Erundina sobre a existência dessa vala, que determinou o início das escavações. No local, foram encontradas 1.049 ossadas sem identificação de vítimas de esquadrões da morte, indigentes e presos políticos.
Assim que a vala foi descoberta, a prefeitura assinou um convênio com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) para a identificação das ossadas. Também houve encaminhamento para a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
O trabalho foi interrompido pouco tempo depois e, em 2002, as ossadas foram levadas para o Cemitério do Araçá, na capital paulista, sob responsabilidade da Universidade de São Paulo (USP).
A demora para conclusão do trabalho de identificação foi questionada em uma ação civil pública de 2009, do Ministério Público Federal.
Em 2014, uma parceria da Secretaria Especial de Direitos Humanos, hoje Ministério dos Direitos Humanos, da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania e da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) permitiu a retomada do trabalho de identificação dos restos mortais resgatados da vala clandestina do Cemitério de Perus. Mas poucas ossadas foram identificadas até hoje.
Em 2024, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania assinou um novo acordo de Cooperação Técnica junto à Unifesp e à Secretaria Municipal de Direitos Humanos e da Cidadania de São Paulo para financiar a contratação da equipe pericial e a retomada dos trabalhos.
Em março do ano passado, a então ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania Macaé Evaristo reconheceu publicamente a falha do Estado brasileiro na guarda e na identificação dos remanescentes ósseos da Vala Clandestina de Perus.
“O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, em nome do Estado brasileiro, pede desculpas aos familiares dos desaparecidos políticos durante a ditadura militar brasileira, iniciada em 1964, e à sociedade brasileira pela negligência, entre 1990 e 2014, na condução dos trabalhos de identificação das ossadas, encontradas na vala clandestina de Perus, localizada no Cemitério Dom Bosco em São Paulo”, disse a ministra, na ocasião, a familiares das vítimas.
Até então, apenas seis restos mortais, das 42 pessoas que provavelmente foram assassinadas durante a ditadura militar e sepultadas na vala de Perus, haviam sido identificados: Denis Casemiro, identificado em 1991, e depois confirmado em 2025; Frederico Eduardo Mayr (1992); Flávio Carvalho Molina (2005); Dimas Antônio Casemiro (2018), Aluísio Palhano Pedreira Ferreira (2018) e Grenaldo de Jesus Silva (2025).
A Ilha Tupinambarana vive o clima de um dos maiores espetáculos culturais do planeta: o Festival Folclórico de Parintins.

A edição número 59 do evento começou na noite desta sexta-feira (26) e segue até este domingo, na cidade amazonense.
O festival é marcado pela disputa entre Caprichoso e Garantido na arena do Bumbódromo, que reúne tradição, arte e identidade amazônica.
Com alegorias monumentais, rituais indígenas, toadas inéditas e apresentações inspiradas nos povos da floresta, os dois bois encantam moradores e visitantes em um espetáculo reconhecido como o maior festival folclórico a céu aberto do mundo.
Nas três noites de apresentações, o Caprichoso leva para a arena o tema "Brinquedo que Canta Seu Chão", valorizando a cultura amazônica e a trajetória de artistas, brincantes e torcedores do boi da estrela azul. As toadas ganham voz na interpretação de Patrick Araújo, reforçando a emoção da apresentação azulada.
Já o Garantido aposta no tema "Parintins: Portal do Encantamento", destacando a ancestralidade, os batuques e as encantarias da ilha na busca pelo bicampeonato. As toadas do boi vermelho são interpretadas por David Assayag, um dos grandes nomes da história do festival.
As apresentações começam sempre às 20h30, no horário do Amazonas. Em todas as noites, o Caprichoso abre a programação, e o Garantido encerra o espetáculo. Os bois são avaliados por um júri especializado em 21 quesitos, que analisam desde evolução e alegorias até itens individuais e musicais.
A disputa movimenta a economia local, fortalece o turismo e projeta a cultura amazônica para o Brasil e o mundo. A apuração das notas vai ocorrer na segunda-feira (29), quando será conhecido o campeão da 59ª edição.
Em Parintins, azul ou vermelho, a certeza é uma só: o festival celebra a cultura, a emoção e o orgulho de ser amazônida.
2:23Teresina inicia, nesta sexta-feira (26), o seu principal arraial de São João. Até o próximo domingo (28), o Parque Potycabana volta a ser o anfitrião do Cidade Junina, que este ano chega a sua 32ª edição. O evento tem apresentações culturais, Bumba Meu Boi, feira gastronômica com comidas típicas e exposição de artesanato.

Christiane Alencar, diretora de Projetos Institucionais, destaca que, além dos shows com atrações nacionais e do estado, o arraial une o que é esperado pelo público, sem deixar de lado a manutenção da identidade do São João:
“A gente busca as músicas, as danças, a história dos figurinos. A gente busca resgatar a gastronomia, realçar isso, a fogueira, esses hábitos que são típicos do Nordeste e que, com a modernidade, isso vai sendo perdido [...], com o dia-a-dia, e aí a gente busca realçar esses momentos nessa festa grandiosa que é o Cidade Junina.”
Nesta sexta-feira, tem apresentação do grupo de carimbó Flor de Liz, primeiro lugar na categoria Conjunto do 48º Encontro Nacional de Folguedos do Piauí, que leva para o arraial o espetáculo “Encantos do Boto”. Outro destaque é o tradicional Festival de Quadrilhas Juninas, que reúne 18 grupos de diversas cidades e mantém viva uma das expressões mais importantes do São João.
Além de encantar o público, as quadrilhas são avaliadas em vários quesitos, como explica João Rodrigues, presidente da Federação de Quadrilhas Juninas do Piauí:
“Na comissão avaliadora, são escolhidas seis pessoa: uma para presidir a mesa e cinco para avaliar. [...] São dez itens avaliativos, da entrada até a saída: coreografia, figurino, tema, harmonia, casamento, repertório… e é sempre acirrada a disputa, todo mundo se prepara para o festival.”
Os shows de abertura, nesta sexta-feira, são de Kleiton Souza, Furacão do Forró, Dj Zero, Desejo de Menina e Felipe Caldas. Entre as atrações do sábado (27) e domingo (28) estão referências presentes nos arraiais, como Beto Barbosa, Felipão e Forró Moral, Lagosta Bronzeada e Álvaro Neto.
No dia 28 de junho, às 18h, o Cidade Junina vira uma grande festa de casamento. Ao todo, 135 casais vão dizer “sim”, em uma cerimônia comunitária em pleno arraial.
No Instagram @cidadejuninapi é possível acessar os detalhes da programação.
*Com produção de Luciene Cruz e sonoplastia de Jailton Sodré
3:18A capital cearense completa 300 anos com uma homenagem para lá de especial. A Caixa Cultural Fortaleza recebe, até o fim do ano, uma instalação interativa com imagens marcantes, que carregam afetos e memórias da cidade.

Ao todo, a instalação “Fortaleza Somos Nós” é composta por 11 aquarelas, que retratam uma cidade vibrante e em constante transformação, não apenas em sua faixa litorânea, mas também nos bairros centrais e nos mais distantes.
Por meio das pinturas apresentadas, o público é chamado a conhecer esses espaços, e dialogar com eles, deixando desejos e mensagens para o futuro.
O ilustrador paraense Laércio Cubas Junior, que mora em Fortaleza há quase 10 anos e adotou a cidade como sua segunda terra, é o responsável pelo projeto. Ele conta sobre a origem do seu interesse pela capital do Ceará e sobre a relação afetiva entre Fortaleza e Belém.
“Eu sou um paraense que desde criança frequenta Fortaleza e apaixonado por Fortaleza, como tanta gente do Brasil inteiro, do mundo inteiro, que adora Fortaleza. E desde 2018, eu mudei para cá. E Belém e Fortaleza são cidades irmãs, na verdade, em afetuosidade. Todo mundo adora um camarão, o cearense adora um carimbó, o paraense adora um forró”.
Conhecida por belas atrações naturais, como praias e dunas, Fortaleza também abriga uma rica cultura, arquitetura histórica, culinária típica e artesanato diversificado, que combina tradições como a indígena, africana e sertaneja.
Laércio reforça que o objetivo do projeto é mostrar um pouco desses diferentes ângulos da cidade, e reconhecer principalmente o morador da capital.
“Nosso trabalho também busca mostrar a beleza nos atos mais prosaicos do dia a dia, do cotidiano, da vivência das pessoas. Por se tratar dos 300 anos da cidade, entendemos que não era só uma data para celebrar o turismo, mas para celebrar justamente a identidade local de quem mora aqui”.
O artista destaca ainda a boa receptividade da instalação por parte de quem visita a Caixa Cultural.
“Tem sido fantástico, porque é um lugar belíssimo de circulação de pessoas, num dos cenários mais lindos de Fortaleza, especialmente no final da tarde, pôr do sol. E estou muito grato mesmo com a receptividade, com a repercussão”.
Além de reconhecida por seus atrativos turísticos, Fortaleza foi declarada Cidade Criativa do Design pela UNESCO, devido a seu planejamento urbano e à produção artística. Alguns destaques são as ciclovias, que se tornaram marca registrada do local.
A instalação “Fortaleza Somos Nós” segue até o fim do ano na Caixa Cultural, com entrada franca!
3:34As comemorações pelo Dia Mundial do Meio Ambiente continuam no Museu Paraense Emílio Goeldi. A programação reúne atividades presenciais e virtuais voltadas para diferentes públicos e segue até o dia 28 de junho. Segundo o coordenador de museologia do museu, Emanuel Júnior, a proposta deste ano foi ampliar as ações para além da data oficial celebrada no dia 5 de junho.

"O Goeldi pensou numa agenda que extrapola essa única data e deve se estender então até o final do mês de junho. A gente vai ter trilhas, gente vai ter debates..."
Entre as atividades previstas está uma oficina de história em quadrinhos marcada para o dia 27 de junho.
"uma oficina super legal, super divertida, voltada para o público infantil".
O desenhista Luís Cláudio Martins Negrão é o responsável pela atividade.
"Não precisa saber desenhar. Basta a própria habilidade de cada um. Mostrar o que é o quadrinho, como se constrói o personagem, como criar personagens com referências aos mitos, às lendas, à natureza".
A programação também inclui o lançamento do PaleoAmazon, projeto voltado para divulgação de pesquisas sobre a história natural da Amazônia. A pesquisadora Maria Inês Feijó destaca a importância da iniciativa para aproximar a ciência da população.
"O site PaleoAmazon foi criado na intenção de divulgar o acervo de paleontologia do Museu Paraense Emílio Goeldi. As atividades que a gente desenvolve dentro deste acervo mas, principalmente, o trabalho que estamos fazendo com os fósseis em 3D da coleção de tipos do acervo".
As atividades do Ciclo Especial do Meio Ambiente do Museu Emílio Goeldi seguem até o próximo dia 28 de junho, com ações gratuitas voltadas para educação, ciência e preservação ambiental.
1:48Neste mês do Orgulho LGBTQIAPN+ duas mostras de cinema, no Maranhão e no Rio Grande do Norte, celebram a produção audiovisual voltada à diversidade de gênero e sexualidade, seja em frente ou atrás das câmeras.

Em São Luís (MA), começa nesta quinta-feira (25) a 10ª edição da Mostra Quelly – Cinema de Gênero e Sexualidade. Tanto as atividades formativas quanto as sessões de longas e curtas metragens acontecerão no Centro Cultural Vale Maranhão, no Centro Histórico da capital maranhense.
A abertura acontece logo mais, às 19h, com Performance de Nebraska Diamond, seguido de exibição do longa Ato Noturno. Em seguida, acontece a roda de conversa com Gabriel Faryas, um dos protagonistas do filme, e George Pedrosa, diretor e curador maranhense da Mostra.
Sexta e sábado, no mesmo horário, acontece a exibição de outras 10 obras, sempre com bate papo com membros das equipes envolvidas após a exibição.
A programação, totalmente gratuita, pode ser consultada pela rede social @mostraquelly.
Já em Natal (RN), a 4ª Mostra Macambira, abre espaço para realizadores trans, travestis e pessoas de gênero-dissidentes, além de mulheres cis.
A programação da Mostra tem início nesta sexta-feira e segue até o próximo domingo, na Casa da Ribeira, e contará com exibições de produções potiguares e de diferentes regiões do país, rodas de conversa e atividades formativas sempre permeando o universo da comunidade LGBT+ e das mulheres cis.
A abertura, às 19h, terá a exibição do premiado documentário “A Fabulosa Máquina do Tempo”, dirigido por Eliza Capai, que mostra a trajetória de meninas do sertão do Piauí durante a transição da infância para a adolescência.
No sábado e domingo, a programação começa às 15h, com sessões especiais e rodas de conversa sobre experiências de pessoas com deficiência no audiovisual e cinema trans. No centro do bate papo os processos criativos e protagonismo PcDs e também a criação, experiências e articulações coletivas de realizadoras transgênero.
Na programação noturna dos dois dias, que começa às19h, acontecem as sessões das mostras nacional e potiguar de curtas metragens.
No Instagram @mostramacambira é possível acessar o horário de todas as sessões dos filmes selecionados e também das oficinas.
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