Berço de fé e história milenar, a Palestina abriga cidades sagradas como Belém e Jericó (uma das mais antigas do mundo). A sua paisagem de colinas e olivais ancestrais é marcada pela complexidade política e luta por reconhecimento. A cultura palestiniana é rica em literatura, bordados tradicionais (tatreez) e uma culinária celebrada, mantendo uma identidade resiliente e profunda.
Prezado leitor,
É com grande satisfação que, na condição de estudioso das literaturas árabes, apresento este panorama da vibrante e resiliente literatura palestina contemporânea. Longe de ser uma simples manifestação artística, a produção literária da Palestina se configura como um ato fundamental de resistência, um testemunho poderoso contra o apagamento e uma afirmação da identidade e da humanidade de um povo. Nas últimas décadas, e de forma ainda mais premente nos últimos anos, escritores palestinos têm dado ao mundo uma obra de imensa força poética e política, utilizando a palavra como trincheira, memória e denúncia.
Este artigo busca mapear algumas das vozes mais significativas deste momento, apresentando ao leitor brasileiro escritores e obras que, certamente, merecem um lugar de destaque em nossas estantes e em nossos corações.
A Palavra como Testemunho e Abrigo
A literatura palestina sempre foi marcada pela experiência do deslocamento, da perda e da ocupação. No entanto, a produção contemporânea, especialmente após os eventos de outubro de 2023, assume um caráter de testemunho direto e urgente. Como bem observou a escritora e tradutora Sarah Aziza, "minha estética é aquela que declara o luto como seu primeiro ato de resistência, assombrando a ordem colonial que trabalha, sempre, para negar corpos e memórias indígenas" . É essa potência transformadora da dor em arte e da memória em arma que encontramos nos autores a seguir.
Vozes Contemporâneas e Obras Fundamentais
1. O Testemunho Épico de Dentro de Gaza
Alguns dos relatos mais comoventes e importantes vêm de escritores que vivem ou viveram o cerco em Gaza na pele.
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Mahmoud M. Al-Shaer: Poeta e editor da 28 Magazine, Al-Shaer nos oferece em I Am Still Alive: Dispatches from Gaza (Estou Vivo: Dispatches de Gaza, 2025) um documento estarrecedor. Escrito a partir de janeiro de 2024, o livro é uma série de relatos que mesclam o lirismo e a crueza da vida sob bombardeio constante. Sua escrita é descrita como "matéria-prima, lírica, desafiadora", construindo "a linguagem como abrigo" em meio aos escombros . Al-Shaer, que também trabalha em um hospital de campanha, personifica o intelectual que se recusa a ser silenciado, dedicando seu livro a seus filhos gêmeos, separados pela guerra. Em outra obra recente, Letters from Gaza (Cartas de Gaza, 2025), ele aprofunda essa exploração das intersecções entre poesia, memória coletiva e sobrevivência cultural sob cerco .
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Mosab Abu Toha: Vencedor do Prêmio Pulitzer de 2025 na categoria "Comentário", Abu Toha é uma das vozes mais reconhecidas internacionalmente. Fundador da primeira biblioteca de língua inglesa em Gaza, sua poesia é um misto de simplicidade e profundidade que atinge o leitor como um soco no estômago. Em seu livro Forest of Noise (Floresta de Ruído, 2024), ele escreve: "Deixo a porta do meu quarto aberta, para que as palavras em meus livros, / os títulos, e os nomes dos autores e editores, / possam fugir quando ouvirem as bombas." . Sua obra, que inclui também Things You May Find Hidden in My Ear: Poems from Gaza (Coisas que Você Pode Encontrar Escondidas em Meu Ouvido: Poemas de Gaza, 2022), é um exercício de memória e humanidade em um cenário de brutalidade extrema, narrando desde a perda de amigos até a devastação de sua biblioteca .
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Nahil Mohana: Nascida na Cidade de Gaza em 1982, Mohana é uma romancista, contista e dramaturga que mantém um diário de guerra fundamental. Seus relatos, publicados em veículos como o Washington Post e na antologia Voices of Resistance: Diaries of Genocide (Vozes de Resistência: Diários de Genocídio, 2025), oferecem um olhar agudo e sensível sobre o cotidiano do horror, enquanto ela também se dedica a ensinar escrita criativa a crianças e jovens .
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Marwa Abu Raida: Escritora e poeta de Gaza, sua trajetória já é marcada pela perseguição e pelo exílio. Seu romance Friends of Fearness – Galil and Ozile (Amigos do Medo – Galil e Ozile), que explora a amizade entre um palestino e um israelense, gerou ameaças que a forçaram a fugir de Gaza . Sua obra transita entre a filosofia, a psicologia e a poesia para explorar as cicatrizes ocultas da ocupação e do deslocamento, recebendo menções honrosas em prêmios como o Ars Electronica .
2. Ficção Especulativa e a Crítica da Realidade
A literatura palestina também tem se aventurado por outros gêneros, usando a ficção especulativa para escancarar verdades incômodas.
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Ibtisam Azem: Sua obra O Livro do Desaparecimento (The Book of Disappearance, 2014) tornou-se um fenômeno recente ao ser longlistada para o International Booker Prize em 2025 . O romance parte de uma premissa genial e perturbadora: todos os palestinos que vivem em Israel simplesmente desaparecem de um dia para o outro. Através dessa lente distópica, Azem convida o leitor a refletir sobre a visibilidade e o apagamento da existência palestina, memória e identidade, numa narrativa que transita entre a utopia e a distopia .
3. Memória, Exílio e a Diáspora
Fora da Palestina, uma geração de escritores mantém viva a chama da memória e explora as complexidades da identidade no exílio.
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Sarah Aziza: Com raízes em Gaza, sua obra-prima, The Hollow Half (A Metade Oca), é um memoir que desafia gêneros, vencedor do Palestine Book Award . Em uma prosa lírica e contundente, Aziza reconstrói a história de sua avó, nascida sem certidão de nascimento na Palestina histórica, e a trajetória de sua família através do deslocamento, tecendo uma poderosa reflexão sobre o que significa ser palestina na diáspora .
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Lena Khalaf Tuffaha: Vencedora do National Book Award de 2024 nos EUA por seu livro de poemas Something About Living (Algo Sobre Viver), Tuffaha fez um discurso de aceitação memorável, conclamando a audiência a se "desconfortar" diante do genocídio em Gaza . Sua poesia é um elo visceral entre a herança paterna em Jerusalém e a realidade de ser uma voz palestina-americana no cenário literário mundial.
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Mohammed El-Kurd: Jovem poeta e ativista, tornou-se o rosto da resistência em Sheikh Jarrah, em Jerusalém Oriental. Sua coleção de poemas Rifqa (2021) é um libelo acusatório contra a brutalidade da colonização e o despejo de sua família, dando voz à sua avó e à luta de seu povo . Em seu manifesto de 2025, Perfect Victims and the Politics of Appeal (Vítimas Perfeitas e a Política do Apelo), ele questiona a necessidade de os palestinos terem que provar constantemente sua humanidade .
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Hala Alyan: Psicóloga e escritora, Alyan explora a fragmentação das famílias palestinas em romances como Casas de Sal (Salt Houses, 2017) e A Cidade dos Incendiários (The Arsonists' City, 2021) . Sua obra é um mosaico de personagens espalhados pelo mundo, unidos pela memória de uma terra e pelos segredos de família que atravessam gerações e fronteiras.
4. Clássicos Contemporâneos e a Memória do Campo
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Adania Shibli: Sua novela Um Detalhe Menor (Minor Detail, 2017) é uma obra-prima de concisão e potência. Dividida em duas partes, a primeira narra o estupro e assassinato de uma jovem beduína por soldados israelenses em 1949; a segunda, uma mulher em Ramallah nos dias atuais obcecada em descobrir a verdade sobre esse "detalhe menor" da história . A obra, finalista do International Booker Prize, é uma reflexão sobre a permanência da violência e a dificuldade de acessar o passado.
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Huzama Habayeb: Em Velvet (Veludo, 2016), Habayeb oferece um retrato íntimo e comovente da vida no campo de refugiados de Baqa'a, na Jordânia. Através de Hawwa, uma costureira, o romance explora a resiliência das mulheres palestinas, a busca por dignidade e a força da arte em meio à opressão, tendo vencido o Prêmio Naguib Mahfouz de Literatura .
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Hussein Barghouthi: Seu livro Entre as Amendoeiras (Among the Almond Trees, 2004) é um memoir póstumo e meditativo. Escrito enquanto enfrentava uma doença terminal, Barghouthi retorna à sua Palestina natal após anos no exílio e observa as paisagens transformadas, entrelaçando reflexões sobre identidade, pertencimento e a passagem do tempo com uma prosa lírica inesquecível .
Considerações Finais
A literatura palestina contemporânea é um campo vibrante e essencial para a compreensão do nosso tempo. Seja no testemunho urgente de Mahmoud Al-Shaer e Mosab Abu Toha, na ficção especulativa de Ibtisam Azem, na poesia contundente de Lena Khalaf Tuffaha e Mohammed El-Kurd, ou nos romances de memória de Sarah Aziza e Hala Alyan, o que se vê é uma recusa absoluta em ser apagado. Como nos lembra Hala Alyan, "você pode destruir todas as bibliotecas e arquivos e vilas do mundo, pode tornar o retorno impossível, pode renomear uma cidade... e isso ainda não mudará esse fato" . A literatura palestina é a prova viva dessa verdade, um arquivo de resistência e um convite à empatia que não podemos ignorar.
Referências Bibliográficas
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ABU RAIDA, Marwa. Friends of Fearness – Galil and Ozile. (no prelo). Informações sobre a autora disponíveis em: Artists at Risk .
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ABU TOHA, Mosab. Forest of Noise. 2024 .
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ABU TOHA, Mosab. Things You May Find Hidden in My Ear: Poems from Gaza. 2022 .
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AL-SHAER, Mahmoud M. I Am Still Alive: Dispatches from Gaza. K. Verlag, 2025 .
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AL-SHAER, Mahmoud. Letters from Gaza. 2025 .
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ALYAN, Hala. Salt Houses. 2017. [Edição brasileira: Casas de Sal] .
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ALYAN, Hala. The Arsonists' City. 2021. [Edição brasileira: A Cidade dos Incendiários] .
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AZEM, Ibtisam. The Book of Disappearance. Tradução de Sinan Antoon. 2024 [publicação original em árabe: 2014] .
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AZIZA, Sarah. The Hollow Half. (no prelo). Informações sobre a autora e trechos disponíveis em: United States Artists .
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BARGHOUTHI, Hussein. Among the Almond Trees. 2004. Tradução para o inglês: 2022 .
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EL-KURD, Mohammed. Perfect Victims and the Politics of Appeal. 2025 .
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EL-KURD, Mohammed. Rifqa. 2021 .
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HABAYEB, Huzama. Velvet. 2016 .
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HAMMAD, Isabella. The Parisian. 2019 .
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JARRAR, Randa. A Map of Home. 2008 .
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KHALIFEH, Sahar. Wild Thorns. 1976 .
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MOHANA, Nahil. Diários de guerra e novelas. Informações sobre a autora disponíveis em: Granta .
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SHIBLI, Adania. Minor Detail. 2017. [Edição brasileira: Um Detalhe Menor] .
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TUFFAHA, Lena Khalaf. Something About Living. 2024 .

Nota do Editor: Pesquisas elaboradas com auxílio do Deep Research estão sujeitos a ambiguidade referencial, podendo confundir fatos e pessoas. Embora Sílvio de Souza Lôbo Júnior tenha revisado o material para sanar tais inconsistências, adverte-se que imprecisões podem persistir. Contamos com sua ajuda para esclarecimentos e sugestões. Fale com o Editor.
Cuna de fe e historia milenaria, Palestina alberga ciudades sagradas como Belén y Jericó (una de las más antiguas del mundo). Su paisaje de colinas y olivares ancestrales está marcado por la complejidad política y la lucha por el reconocimiento. La cultura palestina es rica en literatura, bordados tradicionales (tatreez) y una gastronomía celebrada, manteniendo una identidad resiliente y profunda.
Estimado lector,
Es con gran satisfacción que, en mi calidad de estudioso de las literaturas árabes, presento este panorama de la vibrante y resiliente literatura palestina contemporánea. Lejos de ser una simple manifestación artística, la producción literaria de Palestina se configura como un acto fundamental de resistencia, un testimonio poderoso contra el borrado y una afirmación de la identidad y la humanidad de un pueblo. En las últimas décadas, y de forma aún más apremiante en los últimos años, escritores palestinos han brindado al mundo una obra de inmensa fuerza poética y política, utilizando la palabra como trinchera, memoria y denuncia.
Este artículo busca mapear algunas de las voces más significativas de este momento, presentando al lector brasileño escritores y obras que, sin duda, merecen un lugar destacado en nuestras estanterías y en nuestros corazones.
La Palabra como Testimonio y Refugio
La literatura palestina siempre ha estado marcada por la experiencia del desplazamiento, la pérdida y la ocupación. Sin embargo, la producción contemporánea, especialmente tras los eventos de octubre de 2023, asume un carácter de testimonio directo y urgente. Como bien observó la escritora y traductora Sarah Aziza, "mi estética es aquella que declara el luto como su primer acto de resistencia, asombrando el orden colonial que trabaja, siempre, para negar cuerpos y memorias indígenas". Es esa potencia transformadora del dolor en arte y de la memoria en arma lo que encontramos en los autores a continuación.
Voces Contemporáneas y Obras Fundamentales
1. El Testimonio Épico desde Gaza
Algunos de los relatos más conmovedores e importantes provienen de escritores que viven o han vivido el asedio en Gaza en carne propia.
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Mahmoud M. Al-Shaer: Poeta y editor de la revista 28 Magazine, Al-Shaer nos ofrece en I Am Still Alive: Dispatches from Gaza (Estoy Vivo: Crónicas desde Gaza, 2025) un documento desgarrador. Escrito a partir de enero de 2024, el libro es una serie de relatos que mezclan el lirismo y la crudeza de la vida bajo bombardeo constante. Su escritura es descrita como "materia prima, lírica, desafiante", construyendo "el lenguaje como refugio" en medio de los escombros. Al-Shaer, que también trabaja en un hospital de campaña, personifica al intelectual que se niega a ser silenciado, dedicando su libro a sus hijos gemelos, separados por la guerra. En otra obra reciente, Letters from Gaza (Cartas desde Gaza, 2025), profundiza en la exploración de las intersecciones entre poesía, memoria colectiva y supervivencia cultural bajo asedio.
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Mosab Abu Toha: Ganador del Premio Pulitzer de 2025 en la categoría "Comentario", Abu Toha es una de las voces más reconocidas internacionalmente. Fundador de la primera biblioteca de lengua inglesa en Gaza, su poesía es una mezcla de simplicidad y profundidad que golpea al lector como un puñetazo en el estómago. En su libro Forest of Noise (Bosque de Ruido, 2024), escribe: "Dejo la puerta de mi habitación abierta, para que las palabras en mis libros, / los títulos, y los nombres de los autores y editores, / puedan huir cuando escuchen las bombas". Su obra, que incluye también Things You May Find Hidden in My Ear: Poems from Gaza (Cosas que Puedes Encontrar Escondidas en Mi Oreja: Poemas desde Gaza, 2022), es un ejercicio de memoria y humanidad en un escenario de brutalidad extrema, narrando desde la pérdida de amigos hasta la devastación de su biblioteca.
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Nahil Mohana: Nacida en la Ciudad de Gaza en 1982, Mohana es una novelista, cuentista y dramaturga que mantiene un diario de guerra fundamental. Sus relatos, publicados en medios como el Washington Post y en la antología Voices of Resistance: Diaries of Genocide (Voces de Resistencia: Diarios de Genocidio, 2025), ofrecen una mirada aguda y sensible sobre el cotidiano del horror, mientras ella también se dedica a enseñar escritura creativa a niños y jóvenes.
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Marwa Abu Raida: Escritora y poeta de Gaza, su trayectoria ya está marcada por la persecución y el exilio. Su novela Friends of Fearness – Galil and Ozile (Amigos del Miedo – Galil y Ozile), que explora la amistad entre un palestino y un israelí, generó amenazas que la obligaron a huir de Gaza. Su obra transita entre la filosofía, la psicología y la poesía para explorar las cicatrices ocultas de la ocupación y el desplazamiento, recibiendo menciones honoríficas en premios como el Ars Electronica.
2. Ficción Especulativa y la Crítica de la Realidad
La literatura palestina también se ha aventurado por otros géneros, utilizando la ficción especulativa para exponer verdades incómodas.
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Ibtisam Azem: Su obra El Libro de la Desaparición (The Book of Disappearance, 2014) se convirtió en un fenómeno reciente al ser preseleccionada para el International Booker Prize en 2025. La novela parte de una premisa genial y perturbadora: todos los palestinos que viven en Israel desaparecen de un día para otro. A través de esta lente distópica, Azem invita al lector a reflexionar sobre la visibilidad y el borrado de la existencia palestina, la memoria y la identidad, en una narrativa que transita entre la utopía y la distopía.
3. Memoria, Exilio y la Diáspora
Fuera de Palestina, una generación de escritores mantiene viva la llama de la memoria y explora las complejidades de la identidad en el exilio.
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Sarah Aziza: Con raíces en Gaza, su obra maestra, The Hollow Half (La Mitad Hueca), es un memoir que desafía géneros, ganador del Palestine Book Award. En una prosa lírica y contundente, Aziza reconstruye la historia de su abuela, nacida sin certificado de nacimiento en la Palestina histórica, y la trayectoria de su familia a través del desplazamiento, tejiendo una poderosa reflexión sobre lo que significa ser palestina en la diáspora.
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Lena Khalaf Tuffaha: Ganadora del National Book Award de 2024 en EE. UU. por su libro de poemas Something About Living (Algo Sobre Vivir), Tuffaha dio un discurso de aceptación memorable, instando a la audiencia a "incomodarse" ante el genocidio en Gaza. Su poesía es un vínculo visceral entre la herencia paterna en Jerusalén y la realidad de ser una voz palestino-estadounidense en el escenario literario mundial.
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Mohammed El-Kurd: Joven poeta y activista, se convirtió en el rostro de la resistencia en Sheikh Jarrah, en Jerusalén Oriental. Su colección de poemas Rifqa (2021) es un libelo acusatorio contra la brutalidad de la colonización y el desalojo de su familia, dando voz a su abuela y a la lucha de su pueblo. En su manifiesto de 2025, Perfect Victims and the Politics of Appeal (Víctimas Perfectas y la Política del Apelo), cuestiona la necesidad de que los palestinos tengan que probar constantemente su humanidad.
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Hala Alyan: Psicóloga y escritora, Alyan explora la fragmentación de las familias palestinas en novelas como Casas de Sal (Salt Houses, 2017) y La Ciudad de los Incendiarios (The Arsonists' City, 2021). Su obra es un mosaico de personajes esparcidos por el mundo, unidos por la memoria de una tierra y por los secretos de familia que atraviesan generaciones y fronteras.
4. Clásicos Contemporáneos y la Memoria del Campo
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Adania Shibli: Su novela corta Un Detalle Menor (Minor Detail, 2017) es una obra maestra de concisión y potencia. Dividida en dos partes, la primera narra la violación y asesinato de una joven beduina por soldados israelíes en 1949; la segunda, una mujer en Ramala en la actualidad obsesionada con descubrir la verdad sobre ese "detalle menor" de la historia. La obra, finalista del International Booker Prize, es una reflexión sobre la permanencia de la violencia y la dificultad de acceder al pasado.
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Huzama Habayeb: En Velvet (Terciopelo, 2016), Habayeb ofrece un retrato íntimo y conmovedor de la vida en el campo de refugiados de Baqa'a, en Jordania. A través de Hawwa, una costurera, la novela explora la resiliencia de las mujeres palestinas, la búsqueda de dignidad y la fuerza del arte en medio de la opresión, habiendo ganado el Premio Naguib Mahfouz de Literatura.
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Hussein Barghouthi: Su libro Entre los Almendros (Among the Almond Trees, 2004) es un memoir póstumo y meditativo. Escrito mientras enfrentaba una enfermedad terminal, Barghouthi regresa a su Palestina natal tras años en el exilio y observa los paisajes transformados, entrelazando reflexiones sobre identidad, pertenencia y el paso del tiempo con una prosa lírica inolvidable.
Consideraciones Finales
La literatura palestina contemporánea es un campo vibrante y esencial para la comprensión de nuestro tiempo. Ya sea en el testimonio urgente de Mahmoud Al-Shaer y Mosab Abu Toha, en la ficción especulativa de Ibtisam Azem, en la poesía contundente de Lena Khalaf Tuffaha y Mohammed El-Kurd, o en las novelas de memoria de Sarah Aziza y Hala Alyan, lo que se ve es una negativa absoluta a ser borrado. Como nos recuerda Hala Alyan, "puedes destruir todas las bibliotecas y archivos y aldeas del mundo, puedes hacer imposible el regreso, puedes renombrar una ciudad... y eso aún no cambiará este hecho". La literatura palestina es la prueba viva de esta verdad, un archivo de resistencia y una invitación a la empatía que no podemos ignorar.
Referencias Bibliográficas
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ABU RAIDA, Marwa. Friends of Fearness – Galil and Ozile. (en prensa). Información sobre la autora disponible en: Artists at Risk.
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ABU TOHA, Mosab. Forest of Noise. 2024.
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ABU TOHA, Mosab. Things You May Find Hidden in My Ear: Poems from Gaza. 2022.
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AL-SHAER, Mahmoud M. I Am Still Alive: Dispatches from Gaza. K. Verlag, 2025.
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AL-SHAER, Mahmoud. Letters from Gaza. 2025.
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ALYAN, Hala. Salt Houses. 2017. [Edición brasileña: Casas de Sal].
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ALYAN, Hala. The Arsonists' City. 2021. [Edición brasileña: A Cidade dos Incendiários].
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AZEM, Ibtisam. The Book of Disappearance. Traducción de Sinan Antoon. 2024 [publicación original en árabe: 2014].
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AZIZA, Sarah. The Hollow Half. (en prensa). Información sobre la autora y fragmentos disponibles en: United States Artists.
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BARGHOUTHI, Hussein. Among the Almond Trees. 2004. Traducción al inglés: 2022.
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EL-KURD, Mohammed. Perfect Victims and the Politics of Appeal. 2025.
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EL-KURD, Mohammed. Rifqa. 2021.
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HABAYEB, Huzama. Velvet. 2016.
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HAMMAD, Isabella. The Parisian. 2019.
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JARRAR, Randa. A Map of Home. 2008.
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KHALIFEH, Sahar. Wild Thorns. 1976.
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MOHANA, Nahil. Diarios de guerra y novelas cortas. Información sobre la autora disponible en: Granta.
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SHIBLI, Adania. Minor Detail. 2017. [Edición brasileña: Um Detalhe Menor].
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TUFFAHA, Lena Khalaf. Something About Living. 2024.

Nota del Editor: Las investigaciones elaboradas con ayuda de Deep Research están sujetas a ambigüedad referencial, pudiendo confundir hechos y personas. Aunque Silvio de Souza Lôbo Júnior ha revisado el material para subsanar tales inconsistencias, se advierte que pueden persistir imprecisiones. Contamos con su ayuda para aclaraciones y sugerencias. Hable con el Editor.



