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"A Sociedade da Neve" (2023), dirigido por J. A. Bayona, é um impactante suspense de sobrevivência que mergulha na real e aterradora história do acidente aéreo nos Andes em 1972. O filme, aclamado pela crítica e pelo público, se destaca por sua abordagem visceral e humanista, explorando os limites da resiliência humana diante da mais brutal adversidade. É uma poderosa narrativa sobre companheirismo, sacrifício e a busca desesperada pela vida, que cativou espectadores em todo o mundo.

Análise e Enredo

"A Sociedade da Neve" (originalmente "La sociedad de la nieve") é a mais recente e aclamada adaptação cinematográfica da impressionante e trágica história do Voo Força Aérea Uruguaia 571, que caiu na Cordilheira dos Andes em 13 de outubro de 1972. Dirigido pelo espanhol J. A. Bayona, conhecido por obras como "O Impossível" e "O Orfanato", o filme é baseado no livro homônimo de Pablo Vierci, que documenta os relatos de todos os dezesseesseis sobreviventes, muitos dos quais Vierci conhecia desde a infância. A produção se propõe a ir além das versões anteriores, como "Vivos" (Alive, 1993), focando não apenas nos que retornaram, mas também honrando a memória daqueles que pereceram.

A trama começa com a apresentação do time de rugby uruguaio Old Christians, que parte de Montevidéu, Uruguai, rumo a Santiago, no Chile, para uma partida. O voo fretado, que transportava 45 pessoas entre jogadores, amigos e familiares, encontra um destino fatal ao colidir com a imponente Cordilheira dos Andes. O acidente inicial é retratado de forma visceral e chocante, com corpos sendo arremessados e a aeronave se partindo, deixando 29 sobreviventes em meio a um ambiente inóspito e gélido.

Presos a mais de 4.000 metros de altitude, em um local que mais tarde seria conhecido como o "Vale das Lágrimas", os sobreviventes enfrentam temperaturas que chegam a -40ºC, fome extrema, ferimentos graves e a desesperança de um resgate que parecia nunca chegar. As buscas iniciais são abandonadas após alguns dias, com as autoridades presumindo que não haveria sobreviventes em tal ambiente, uma informação que os passageiros captam através de um rádio improvisado. É nesse ponto que a narrativa de Bayona se aprofunda na luta pela vida, na qual a moralidade é testada ao limite. Sem alimentos, os jovens são forçados a tomar a angustiante decisão de se alimentar dos corpos dos companheiros falecidos – uma medida extrema, mas vital, para a sobrevivência. O filme aborda o canibalismo (ou "antropofagia", como os sobreviventes preferem chamar) com sensibilidade, apresentando-o não como um ato de selvageria, mas como uma escolha dolorosa e coletiva, enraizada na generosidade daqueles que, em vida, ofereceram seus corpos em caso de morte.

O protagonista e narrador da história é Numa Turcatti (interpretado por Enzo Vogrincic Roldán), um personagem central que, embora não fosse jogador de rugby nem tão próximo de todos, rapidamente se torna uma figura fundamental para o grupo, sempre disposto a ajudar e colocando os outros em primeiro lugar. Sua perspectiva oferece um olhar humanista sobre a tragédia, focando na coletividade e no sacrifício mútuo.

O Final do Filme: A Luta pela Salvação e a Explicação Detalhada

O clímax do filme se concentra na expedição desesperada de Nando Parrado (Agustín Pardella) e Roberto Canessa (Matías Recalt), que, após mais de 60 dias presos na montanha, decidem buscar ajuda. Após 72 dias de isolamento, em condições desumanas, eles partem em uma jornada de 10 dias pelas montanhas sem equipamentos adequados, movidos apenas pela coragem e pela esperança. Essa caminhada exaustiva é um dos pontos mais tensos e emocionantes do filme, culminando no encontro com Sergio Catalán, um condutor de mulas chileno, que se torna o elo vital para o resgate.

O final de "A Sociedade da Neve" é um testemunho da extraordinária resiliência humana e do poder do espírito coletivo. A morte de Numa Turcatti, pouco antes do resgate final, é um momento particularmente comovente. Ele é o último a falecer na montanha, após ter se machucado ao quebrar a janela do avião para dar ar ao grupo após uma avalanche, e sua infecção progressiva o consome. A escolha de Numa como narrador póstumo realça a importância de cada vida perdida e a promessa dos sobreviventes de honrá-las. O monólogo final de Numa, que enfatiza a ideia de que o sentido de tudo o que viveram reside nas vidas daqueles que voltaram para casa, é um momento de profunda reflexão sobre a memória e o legado.

Diferentemente de "Vivos", que foca mais no drama do resgate de Parrado e Canessa, "A Sociedade da Neve" expande a narrativa para incluir a experiência dos que permaneceram nos destroços e a complexidade do retorno à civilização. O filme mostra que os sobreviventes não foram resgatados de uma só vez, mas em grupos, com alguns tendo que passar mais uma noite na montanha, prolongando a angústia. A decisão de Bayona de focar na história de todos, incluindo os que não sobreviveram, confere uma profundidade espiritual e humanista, desconstruindo a ideia de um "milagre" puramente religioso e, em vez disso, enfatizando a força e a solidariedade humanas.

Elenco e Atuações de Destaque

O elenco é composto por atores uruguaios e argentinos, muitos deles estreantes, o que confere um realismo e autenticidade notáveis à produção. As atuações são elogiadas pela intensidade e pela forma como transmitem a degradação física e psicológica dos personagens ao longo dos 72 dias.

  • Enzo Vogrincic Roldán como Numa Turcatti: A atuação de Vogrincic é fundamental para o filme, pois ele encarna a voz e a consciência da "sociedade da neve", sendo o narrador e um pilar de esperança e sacrifício. Sua performance é descrita como impressionante, demonstrando a perda da esperança e a resiliência para sobreviver.
  • Matías Recalt como Roberto Canessa: Recalt entrega uma performance poderosa como um dos jovens que, junto com Nando Parrado, realiza a jornada épica em busca de ajuda. Ele retrata a difícil decisão de cortar a carne dos corpos com tato e sem sensacionalismo.
  • Agustín Pardella como Nando Parrado: Pardella personifica a determinação e a força de vontade de Parrado, que se recusa a desistir e lidera a expedição de resgate, uma das figuras mais icônicas da tragédia.

É notável também a participação de um dos sobreviventes reais, Carlitos Páez, que interpreta seu próprio pai, Carlos Páez Vilaró, no filme, uma homenagem emocionante e um elo direto com a história. Daniel Fernández, outro sobrevivente, também faz uma participação especial na cena da igreja.

Curiosidades de Bastidores e Produção

J. A. Bayona passou mais de uma década desenvolvendo o projeto, fascinado pelo livro de Pablo Vierci desde sua pesquisa para "O Impossível". A fidelidade à história real foi uma prioridade para o diretor, que realizou mais de 100 horas de entrevistas com os sobreviventes e familiares das vítimas. Os atores tiveram contato direto com os sobreviventes, o que influenciou profundamente suas atuações e o realismo do filme.

O filme teve um orçamento robusto de cerca de 60 milhões de euros (aproximadamente 66 milhões de dólares), financiado pela Netflix, que superou a dificuldade de encontrar financiamento para um filme em espanhol com grande escala. As filmagens ocorreram em locações reais nos Andes (Chile e Argentina), incluindo o Vale das Lágrimas, onde o acidente aconteceu, e também em Sierra Nevada, na Espanha, que replicou o ambiente gelado. Para garantir a autenticidade, a equipe construiu três sets: um avião inteiro em uma plataforma para as cenas de turbulência, outro com neve real e um estúdio com telas de LED. As gravações, que duraram 141 dias, foram feitas em ordem cronológica, permitindo que os atores vivenciassem a progressiva perda de peso e a degradação física dos personagens, intensificando o realismo.

Uma curiosidade técnica é o uso de um aplicativo criado pela produção, que simulava o ambiente irreal com geometria gerada por mapas de satélite, auxiliando o diretor a planejar as filmagens e a entender as condições de luz e terreno no Vale das Lágrimas.

Polêmicas e Interpretações Conflitantes

A história do Voo 571 da Força Aérea Uruguaia já havia sido contada anteriormente em "Vivos" (Alive, 1993), dirigido por Frank Marshall. A principal diferença entre as duas produções reside no ponto de vista e no tratamento do canibalismo. Enquanto "Vivos", uma produção americana, foi criticado por um suposto sensacionalismo e por não aprofundar a história de todos os envolvidos, "A Sociedade da Neve" é elogiado por sua abordagem mais humanista e respeitosa, focando na coletividade e no pacto de generosidade entre os sobreviventes. "Vivos" mostra a decisão de comer carne humana na metade do filme, enquanto "A Sociedade da Neve" a apresenta mais cedo, como uma consequência "natural" das circunstâncias extremas, não como o auge da sobrevivência, mas como uma etapa brutal, porém necessária. Além disso, "A Sociedade da Neve" utilizou atores uruguaios e argentinos, mantendo o idioma original, enquanto "Vivos" teve um elenco majoritariamente americano. Frank Marshall, diretor de "Vivos", elogiou o filme de Bayona, reconhecendo seu impacto e a evolução da narrativa ao longo do tempo.

Não há grandes polêmicas de bastidores conhecidas sobre "A Sociedade da Neve", mas sim um esforço contínuo da produção em manter a autenticidade e o respeito pela história e pelos envolvidos. A escolha de Numa Turcatti como protagonista/narrador, mesmo não sendo o mais conhecido dos sobreviventes, gerou questionamentos, mas Bayona explicou que a humildade e a centralidade de Numa para o grupo o tornaram uma figura ideal para representar a essência coletiva da tragédia.

Recepção e Legado do Filme

"A Sociedade da Neve" foi aclamado pela crítica e pelo público. Estreou fechando o 80º Festival Internacional de Cinema de Veneza e rapidamente se tornou um fenômeno na Netflix. O filme conquistou 12 prêmios Goya, incluindo Melhor Filme e Melhor Diretor, e 6 prêmios Platino, além de ter sido indicado a dois Oscars, incluindo Melhor Filme Internacional.

Críticos destacam a realização perspicaz do filme, a crueza e coerência na retratação da realidade, e a capacidade de gerar uma experiência prática de empatia. Muitos o consideram o melhor trabalho de J. A. Bayona, elogiando sua habilidade em transformar uma história conhecida em uma narrativa poderosa, visualmente arrebatadora e inesquecível. A abordagem de Bayona, que evita o sensacionalismo e foca nos laços de amizade, gregarismo e na desconstrução de símbolos religiosos em face da adversidade, ressoou profundamente com o público. A obra explora a resiliência humana, a força da amizade e a esperança como ferramentas essenciais para superar desafios extremos.

O impacto do filme se reflete em sua popularidade na Netflix, onde se tornou o quarto filme em língua não inglesa mais assistido de todos os tempos, consolidando seu legado como uma das mais significativas representações da Tragédia dos Andes e um poderoso estudo sobre a condição humana.

Fontes Pesquisadas

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  • https://en.wikipedia.org/wiki/Society_of_the_Snow
  • https://www.adorocinema.com/filmes/filme-284920/creditos/
  • https://jornadageek.com.br/noticias/a-sociedade-da-neve-historia-trailer-elenco-e-mais-detalhes-sobre-o-filme-da-netflix/
  • https://www.omelete.com.br/filmes/a-sociedade-da-neve-critica-netflix
  • https://br.ign.com/a-sociedade-da-neve/117283/feature/o-fracasso-de-a-sociedade-da-neve-nos-cinemas-um-misterio-com-muitas-partes-interessantes-para-acredit
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  • https://cinemasetimaarte.com/noticia/%22a-sociedade-da-neve%22:-drama-de-j.a.-bayona-e-o-quarto-filme-em-lingua-nao-inglesa-mais-assistido-de-todos-os-tempos-da-netflix/
  • https://observatoriodocinema.uol.com.br/filmes/a-sociedade-da-neve-onde-estao-os-sobreviventes-hoje/
  • https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/filmes/a-sociedade-da-neve-7-coisas-para-saber-antes-de-assistir-ao-filme.phtml
  • https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2023/12/a-sociedade-da-neve-com-canibalismo-nao-e-para-estomagos-fracos.shtml
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  • https://www.terra.com.br/diversao/entretenimento/o-que-dizem-os-numeros-de-audiencia-de-a-sociedade-da-neve-na-netflix,073e5f29c4887372a6b22b64a275f1b14y0g4v1n.html
  • https://revista.pucminas.br/index.php/puc_cultura/article/view/1126
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  • https://www.aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/filmes/a-sociedade-da-neve-quantos-dias-eles-ficaram-nas-montanhas-antes-do-resgate.phtml
  • https://www.aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/filmes/a-sociedade-da-neve-veja-5-diferencas-entre-o-filme-e-a-historia-real.phtml
  • https://veja.abril.com.br/entretenimento/a-sociedade-da-neve-surpreendente-comparacao-entre-realidade-e-ficcao

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