
[É uma sugestão que, antes de ler essa opinião, o(a) senhor(a) conheça mais sobre o caso do Desaparecimento do Escoteiro Marco Aurélio, para isto clique aqui].
Reza uma lenda nascida no sopé do Pico dos Marins, que o escoteiro Marco Aurélio Bezerra Bosaja Simon, após atravessar entre duas pedras conhecidas como Portal, tomou o caminho mais rápido e certeiro até o acampamento montado na Base dos Marins. Esta história faz com que o evento beire o fantástico, atribui ao jovem uma habilidade superior em astúcia do que aquela atribuída aos demais escoteiro e chefe que ficaram perdidos até às 5h da manhã do dia seguinte.
Os mitos e lendas que nasceram em torno desta história ignora que tanto o chefe quanto escoteiros estivessem completamente perdidos. E posso afirmar isso com absoluta certeza, pois um percurso que demoraria 02 horas para ser feito demorou 06 horas. E mesmo que o retorno fosse em situação pior, por um adolescente machucado, deveria demorar no máximo 03 horas, mas demorou toda uma tarde e uma madrugada toda.
Ainda, não existe motivos para acreditar que Marco Aurélio também não estivesse perdido.
Em narrativa contada por Ricardo, um dos escoteiros sobreviventes, ele diz que na subida, em um momento Marco Aurélio ficou para trás, e que ele pensou que seria por mal condicionamento físico, mas Marco Aurélio explicou que "meio que se perdeu" devido a vegetação que não permitia um ver o outro.
É sabido que o chefe Juan já tinha estado no Pico dos Marins antes, mas se já esteve, como ele não teria estranhado que sua jornada se tornava demasiadamente demorada?
Quando o chefe esteve lá anteriormente, teria agido da mesma forma, caminhando a ermo, sem se situar no local? Improvável.
Juan estava perdido, sabia estar perdido, e insistiu na dar continuidade a jornada como um desafio pessoal a ser enfrentado. E por isso sentiria o amargo das consequências até hoje.
Em toda sua vida Juan sofreu as consequências de alguns minutos de burrice.
De todo modo, pouco importa hoje apontar o dedo para acusar este ou aquele. Não existem provas de que Juan tenha agido com más intenções, e só remeto a essa afirmação, para registrar de forma definitiva aqui que, todos do grupo estavam incapazes de se localizar naquele local.
Inclusive Marco Aurélio.
Essa premissa é alicerce de minha opinião.
Para análise é importante pontuar alguns pontos curiosos, todos obtidos nos depoimentos referenciados neste especial sobre o caso.
1. No momento que Juan chegou na casa do senhor Afonso, pareceu ter cuidado instantaneamente uma animosidade. Precisou que o chefe dos escoteiros de Piquete informasse que aquele adulto com aqueles adolescentes eram boas pessoas.
Parece que Sr. Afonso e família não ficaram contente com aqueles escoteiros ali.
Especulo que os moradores do Refúgio contavam com o trabalho de guia para se sustentarem. Nunca li ou ouvi alguém dizendo sobre o descontentamento dos moradores tivesse origem no fato de Juan não querer contratar o guia. Mas em gravação de Juan, ele diz que os moradores da Base dos Marins viviam graças a "trabalhos extraordinários" (SIC), com venda de artesanato.
a. Quem usava a Base dos Marins em 1985, pagava algo para a Família do seu Afonso? Indiferença quanto a pagamentos teria causado frustração da família do Afonso, que esperava ganhar algo por aquele acampamento?
É possível que a família de Sr Afonso estivesse tendo um dia ruim. O filho "doente" podia estar em um momento de crise. Pessoas com problemas psicológicos e psiquiátrica consumam ter dias piores.
2. O fato é, Sr Afonso e chefe Juan tiveram depoimentos absolutamente contraditórios., E infelizmente a polícia assumiu que a versão de Juan era a falsa, e deixou de averiguar se Sr Afonso dizia a verdade
2.1 Juan afirma categoricamente que Sr Afonso teria indicado a estrada como o caminho para o morro do careca. Mesmo que outros visitantes que passavam pelo Refúgio fossem em direção a mata. Sr. Afonso, em vida, conta ele tinha até a marmita pronta quando foi dispensado pelo chefe.
Essa é aquela parte da história que faz a gente quer gritar: "chama o guia!!!".
Mas o que foi é passado, e de fato existe um conflito entre as narrativas de Juan e Afonso, e nunca saberemos o que realmente aconteceu, mas podemos concluir que existiu um conflito ali.
3. Os escoteiros e chefe se perderam na subida. Quando encontraram o caminho correto já estava muito cansado.
4. Osvaldo se machucou sim, não há nenhuma evidência contrária. O fato que um médico disse que aos olhos não parecia existir lesão grave, não significa que não possa existir. Quem já deu um mal jeito sabe exatamente o que é uma dor de vestígios.
5. Marco Aurélio se voluntariou para abrir caminho a frente.
6. Não parece existir evidencias que Marco Aurélio fosse descer o morro sozinho para pedir ajuda. Ele deveria apenas descer na frente para marcar o melhor caminho.
a. Marco Aurélio pode ter caminhado a frente algum tempo, e quanto percebeu estar sozinho há muito tempo, ele voltou, mas não encontrou os outros pois é fato que Juan decidiu levar os demais escoteiros em uma direção diferente.
b. Nisto ele pode ter tomado a direção do Cânion do Marins, e seu corpo jaz entre pedras, ou mesmo soterrado em um barranco coberto pela Terra que desce a serra, durante as chuvas.
7. A hipótese que Marco Aurélio teria sido assassinato pelo filho do Sr. Afonso tem como requisito que o garoto tenha conseguido chegar a Base dos Marins na tarde do dia 8, isso antes das 17h.
a. Sou absolutamente contra suposições que sejam calúnias. Entretanto nas entrevistas a filha do Sr. Afonso, existe uma desconfiança que o filho tenha sido assassinato pelo pai. Se isso for verdade, não seria mais lógico que Marco Aurélio tenha chegado na Base e tenha sido o Sr Afonso a matá-lo, já que este é suspeito de matar o próprio filho?
b. Ao meu ver essas suposições alimentam as conversas na beira da fogueira, como a lenha seca alimenta o fogo. Mas não existe prova mínima. Mesmo a filha que acredita que o pai teria matado o seu irmão, afirma que pensa isso pois sonhou com isso.
Conclusão.
Para mim, Marco Aurélio foi um herói que lutou por sua vida percorrendo a pé uma distância ainda maior que aquela em que foi buscado, e faleceu quando foi vencido pelo cansaço já na região de cânions, bem além do sopé da montanha. As chuvas e a enxurrada cobriram seu corpo com lama e folhas, e o frio intenso daqueles memoráveis dias de 1985 mitigaram o odor e a circulação de animais, inclusive urubus.
Durante alguns meses após o desaparecimento era viável a realização de buscas nas redondezas e no interior de terrenos particulares.
É muito provável que alguém tenha visto os escoteiros e o chefe. Mas naquela época um interrogatório em uma delegacia era horrível até mesmo para as vítimas. Várias pessoas passaram na Base naquele dia, se não detalharam melhor os eventos, era por medo de serem constrangidos, maltratados e até torturados.
Lamentavelmente o fracasso na investigação da polícia foi culpa da própria polícia, que naquela época não contava com a colaboração da população que tinha medo do que poderia acontecer se envolvem naquilo, vez sabiamente envolvia violência psicológica e física.
Quem conhece aquelas matas sabe que esconderia com certa facilidade um elefante por fendas e grotas. Quanto mais seria fácil ocultar um homem de menos de cinquenta quilos.
Caso você tenha algo a acrescentar que me convença do contrário, por favor, me conte. Vamos conversar sobre isso!
De todo modo tratarei detalhadamente de cada hipótese, de Ovni a homicídio.



