Este município do Estado de Mato Grosso é a terra de Natalino Ferreira Mendes, poeta e historiador que dedicou sua vida a cantar as belezas do Rio Paraguai e a preservar a memória histórica da fronteira oeste.
Nas Margens do Rio Paraguai: A Resistência Literária de Cáceres
Cáceres. A Princesinha do Rio Paraguai. Fundada em 1778 com o nome de Vila Maria do Paraguai, a cidade que completa 248 anos em 2026 é um caldeirão cultural onde o pantanal encontra a história, onde o cururu e o siriri ainda ecoam e onde a literatura, longe dos holofotes do eixo Sul-Sudeste, resiste com a força das águas que a banham .
Capital regional do sudoeste mato-grossense, Cáceres construiu ao longo dos séculos uma identidade literária própria — ancorada na memória, na tradição oral e no amor à terra pantaneira. Mas o que poucos sabem é que, hoje, a cidade vive um momento de efervescência silenciosa: saraus às margens do rio, coletivos culturais que abrem espaço para vozes marginalizadas e uma nova geração de escritores que recusam o silêncio.
Neste artigo, mergulhamos fundo nesse cenário para mapear as raízes, as tradições e, principalmente, os agentes contemporâneos que fazem de Cáceres um polo de resistência literária no coração do Pantanal.
1. Raízes e Tradição: Natalino Ferreira Mendes e a Memória Cacerense
Toda cena literária tem seu patriarca. Em Cáceres, esse lugar é ocupado, sem sombra de dúvida, por Natalino Ferreira Mendes (1933-2021).
Nascido na cidade e apaixonado pela história regional, Natalino dedicou sua vida a registrar as entranhas de Cáceres. Sua obra monumental é um verdadeiro arquivo da memória cacerense, abrangendo história, poesia, efemérides e crônicas. Entre seus títulos mais importantes, destacam-se:
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História de Cáceres (Tomo I, 1973; 2ª ed. 2009) e Tomo II (2010) — uma investigação minuciosa sobre a administração municipal, a origem da cidade e a presença da força armada na região .
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Efemérides cacerenses (Vols. I e II, 1992) — publicado pelo Centro Gráfico do Senado Federal, reúne datas e acontecimentos marcantes da história local .
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Memória cacerense (1998) — uma coletânea que resgata personagens, causos e paisagens que o tempo insistia em apagar .
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Anhuma do Pantanal: poesia da terra (1993) e Pássaro vim-vim: poesia da terra (2010) — suas incursões na poesia pantaneira, onde canta a fauna, a flora e os tipos populares da região .
A produção de Natalino Ferreira Mendes é atravessada por uma temática central: Cáceres. Seja na prosa historiográfica ou no verso lírico, o que emerge é "o chão, o homem, a flora, a fauna e as belezas naturais", como aponta a análise de sua obra. Desfilam para o leitor "os tipos populares, os elementos simbólicos da cidade (a antiga e a moderna), os monumentos, as ruas, os casarões antigos, as lendas, os costumes" . Sua obra é, antes de tudo, um ato de amor e resistência.
Em 2021, ano de sua morte, foi publicada postumamente a organização de Fragmentos da história cultural de Cáceres (Vols. I e II), organizada por sua filha, a também escritora e professora Olga Maria Castrillon Mendes, bem como o livro Letras cacerenses, em coautoria com ela . Natalino foi membro da Academia Mato-Grossense de Letras e deixou um legado que ainda hoje alimenta a produção literária local .
Outras Vozes Fundadoras
Ao lado de Natalino, outras figuras pavimentaram o caminho da literatura cacerense:
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Martha Baptista: Jornalista, autora de Cantos de Amor e Saudade – A história de Cáceres contada através das lembranças de vó Estella (2005, reedição 2025). A obra, que teve a colaboração do próprio Natalino Ferreira Mendes, reconstrói a história da cidade a partir das memórias de Estella Rodrigues Ambrósio, uma carioca que se mudou para Cáceres em 1926 ao se apaixonar por um médico local. O livro resgata festividades como as cavalhadas e as touradas, além da passagem da Coluna Prestes pela região .
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Olga Maria Castrillon Mendes: Filha de Natalino, é professora titular aposentada da UNEMAT, membro da Academia Mato-Grossense de Letras e autora de uma vasta obra acadêmica sobre literatura e história, incluindo Cáceres: passado e presente de uma geografia poética (2020, em coautoria) e Letras cacerenses (2021) . Ela é a grande guardiã contemporânea da memória literária da cidade.
2. A Cena Contemporânea: Saraus, Coletivos e a Poesia Marginal
Se o passado cacerense é de guardiães solitários, o presente é de coletivos, vozes múltiplas e protagonismo juvenil. A cena literária contemporânea da cidade se caracteriza por três fenômenos principais: a força dos saraus pantaneiros, a atuação incansável do Movimento Figueira Cultural e o surgimento de uma nova geração de escritores independentes.
O Movimento Figueira Cultural: O Coração da Resistência
Fundado há mais de uma década, o Movimento Figueira Cultural (MFC) é, sem dúvida, a principal engrenagem da cena literária e artística de Cáceres . Constituído por professores, estudantes universitários, artistas e membros da comunidade, o coletivo tem como objetivo dar visibilidade a músicos, poetas, dançarinos e performers, construindo um espaço para apresentar seus trabalhos .
Em 2024, o grupo celebrou 10 anos de atividades com o evento "Sarau da Figueira", e em 2025, realizou o Sarau de Arte Pantaneira no dia 8 de março, na Sicmatur, às margens do Rio Paraguai — o cartão-postal da cidade .
A programação do Sarau de Arte Pantaneira revela a diversidade da nova cena cacerense:
| Horário | Atração | Tipo |
|---|---|---|
| 18h15 | Abertura | — |
| 18h25 | Rachaduras e Raízes | MCs |
| 18h55 | Abner Miranda | Acústico |
| 19h15 | Gabriel Brailowsky | Poesia |
| 19h22 | Maria Clara | Poesia |
| 19h30 | Grupo Vitória Régia | Dança |
| 19h50 | Ismael Diniz | Dança |
| 20h10 | Lud Landes | Acústico |
| 20h35 | João Gabriel | Acústico |
| 21h00 | Fascínio Lírico | MCs |
| 21h50 | Ladodaveron | Banda |
| 23h00 | Carameldog | Banda |
| 00h10 | O Mormaço Severino | Banda |
O sarau, como se vê, não é apenas um evento literário — é uma experiência total, onde poesia, música, dança e performance se encontram em um diálogo livre e horizontal .
O MFC também atua em parceria com outros coletivos, como o Coletivo de Mulheres Negras de Cáceres e o Coletivo LGBTQIA+ K.O, garantindo que a cena cultural seja um espaço de inclusão e de produções "contra-hegemônicas", como definem seus membros .
Os Pequenos (Grandes) Autores da Cena Independente
A cena literária cacerense pulsa com uma diversidade de vozes que, na falta de grandes editoras, encontram no sarau, na biblioteca municipal e nos encontros do MFC o palco para suas palavras.
A partir da programação da Semana de Artes na Biblioteca Municipal "Professora Leonídia Avelino de Moraes", realizada em outubro de 2021, e de outras fontes, foi possível identificar os seguintes autores atuantes :
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Daniel Genuíno: Autor de Um Lobisomem Cacerense – Só que não, um título que já anuncia a mistura de horror, humor e identidade local .
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Odair José da Silva (Odair José, Poeta Cacerense): Um dos nomes mais ativos da cena, autor de Contos e Pensamentos do Poeta Cacerense e do provocativo O Homem Que Queimou a Bíblia. Em entrevista, declarou: "Escrever é uma arte. Um prazer. Uma viagem. Consigo transitar entre vários mundos. Descobrir coisas que ninguém está vendo, apesar de estar diante de seus olhos" .
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Edson Flávio: Poeta e pesquisador, autor de As Utopias e Resistências de Pedro Casaldáliga (análise literária da obra do bispo-poeta) e de poemas na coletânea Aldrava. Trabalha em um livro de contos .
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Antônio Miguel Senatore: Autor do Guia Informativo Multidisciplinar .
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Antônio José da Costa (Toninho Costa): Autor de Pantanal em Versos e Rimas, uma celebração poética da região .
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Esdras Crepaldi: Autor de Alma e coautor de PoesiBrasil .
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Gabriel Brailowsky: Multiartista cacerense (ator, cantor, instrumentista, compositor e poeta). Participou do programa Literamúsica em 2022 e se apresentou no Sarau de Arte Pantaneira de 2025. Está trabalhando em seu primeiro álbum, O pantanal ao piano, composto por "pequenas peças autorais que buscarão retratar a vida na região pantaneira" .
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Ismael Diniz: Teatreiro, dançarino e performer, membro do Coletivo LGBTQIA+ K.O e presidente do Fórum Popular de Cultura de Cáceres. Sua trajetória é emblemática: precisou sair da cidade para se formar em teatro, mas hoje retorna para dar aulas. "Ser artista é estar em constante aprendizado e o mais importante: consumir todo tipo de arte, até as que você julga ruim", afirma .
O Literamúsica: Um Programa que Amplifica Vozes
Além dos saraus, Cáceres conta com o Literamúsica, um programa de bate-papo que reúne escritores, músicos e performers em uma troca de conhecimentos. Idealizado pelo maestro Fabrício Carvalho, o programa é realizado na UNEMAT e já está em sua terceira edição (2022) . A iniciativa tem o apoio da Prefeitura de Cáceres e da Secretaria de Estado de Educação, e é um importante vetor de projeção para artistas jovens da região .
3. Temáticas e Obras: O Que Escrevem os Cacerenses de Hoje
Gêneros Predominantes
A produção literária cacerense contemporânea se distribui em três grandes vertentes:
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Poesia: Ainda é o gênero rainho, herdeira da tradição de Natalino Ferreira Mendes, mas agora com experimentações que vão do slam à poesia marginal, como se vê nas apresentações de Gabriel Brailowsky e Maria Clara nos saraus do MFC .
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Memória e História Local: Uma tradição fortíssima, que vai das obras de Natalino Ferreira Mendes ao Cantos de Amor e Saudade de Martha Baptista, passando pelas pesquisas acadêmicas de Olga Castrillon Mendes .
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Conto e Crônica: Autores como Odair José e Daniel Genuíno exploram o cotidiano, o fantástico e o humor em prosa curta .
Temáticas Recorrentes
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O Pantanal como Personagem: Não apenas cenário, mas protagonista. A fauna (anhuma, pássaro vim-vim), a flora, o Rio Paraguai e os tipos populares (cururueiros, pescadores, benzedeiras) são matéria-prima constante .
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Memória e Resistência Cultural: Há uma preocupação evidente em registrar o que está se perdendo — as cavalhadas, as touradas, os casarões antigos, as lendas. Essa temática é um ato político de resistência contra o esquecimento .
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Amor e Saudade: Fio condutor de Cantos de Amor e Saudade, também aparece na poesia lírica dos novos autores .
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Identidade e Pertencimento: Ser cacerense, viver às margens do Paraguai, carregar o sotaque e as tradições — esses são temas que unem desde Natalino Ferreira Mendes até os jovens poetas do MFC.
Obras Recentes de Destaque
| Título | Autor(a) | Ano | Gênero |
|---|---|---|---|
| Fragmentos da história cultural de Cáceres (Vols. I e II) | Natalino Ferreira Mendes (org. Olga Castrillon) | 2021 | História/Memória |
| Letras cacerenses | Natalino Ferreira Mendes & Olga Castrillon | 2021 | Antologia |
| Cantos de Amor e Saudade (2ª edição) | Martha Baptista | 2025 | Memória/Biografia |
| Um Lobisomem Cacerense – Só que não | Daniel Genuíno | — | Conto/Humor |
| Pantanal em Versos e Rimas | Antônio José da Costa (Toninho Costa) | — | Poesia |
| Contos e Pensamentos do Poeta Cacerense | Odair José da Silva | — | Conto/Poesia |
| O Homem Que Queimou a Bíblia | Odair José da Silva | — | Prosa poética |
| As Utopias e Resistências de Pedro Casaldáliga | Edson Flávio | — | Ensaio literário |
| Aldrava (coletânea) | Edson Flávio (participação) | — | Poesia |
4. Cáceres na Literatura: Quando a Cidade Vira Personagem
Há ainda um fenômeno que merece destaque: Cáceres não apenas produz literatura, como também é produzida por ela. A cidade aparece como cenário ou referência em obras que transcendem as fronteiras locais.
O caso mais emblemático é o do bispo-poeta Pedro Casaldáliga (1920-2020), espanhol radicado no Brasil, que viveu por décadas em São Félix do Araguaia, mas cuja obra Aquí abajo (1977) e outros escritos ecoam pelo estado de Mato Grosso. O poeta cacerense Edson Flávio dedicou a ele um livro inteiro de análise literária — As Utopias e Resistências de Pedro Casaldáliga .
Além disso, o viajante e naturalista francês Hercules Florence (1804-1879), em sua Viagem fluvial do Tietê ao Amazonas (publicada postumamente), descreve a região onde hoje se situa Cáceres, contribuindo para o imaginário literário sobre o Pantanal .
Considerações Finais: Uma Cena que Pulsa
Cáceres não está nos grandes catálogos editoriais. Não tem uma Flip, não atrai olhares da crítica do eixo. Mas sua cena literária é viva, pulsante e autêntica. Do legito monumental de Natalino Ferreira Mendes aos versos declamados às margens do Rio Paraguai no Sarau de Arte Pantaneira, o que se vê é uma comunidade que entende a literatura como ato de pertencimento, de resistência e de celebração.
O Movimento Figueira Cultural, os poetas independentes como Odair José e Gabriel Brailowsky, os coletivos LGBTQIA+ e de mulheres negras, os professores da UNEMAT que mantêm acesa a chama da memória — todos eles são provas de que, em Cáceres, a palavra não se cala. Ela ecoa, como o canto da anhuma, sobre as águas lentas do Paraguai.
Referências
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[1] Prefeitura de Cáceres. Prefeitura de Cáceres apoia edição do Literamúsica. 29 ago. 2022. Disponível em: https://www.caceres.mt.gov.br/Noticias/Prefeitura-de-caceres--apoia-edicao-do--literamusica-projeto-que-realiza-trocas-de-experiencias-entre-artistas-e-comunidade-8814/
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[2] Prefeitura de Cáceres. Roda de conversa uniu escritores cacerenses e alunos na biblioteca municipal. Out. 2021. Disponível em: https://www.caceres.mt.gov.br/Noticias/Roda-de-conversa-uniu-escritores-cacerenses-e-alunos-na-biblioteca-municipal-8184/
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[3] Prefeitura de Cáceres. Sarau de Arte Pantaneira celebra a diversidade e a cultura de Cáceres. 6 mar. 2025. Disponível em: https://www.caceres.mt.gov.br/Noticias/Sarau-de-arte-pantaneira-celebra-a-diversidade-e-a-cultura-de-caceres-10099/
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[4] Castrillon Mendes, O. M. Fragmentos da história cultural de Cáceres e outros fios da memória: resenha. Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso, v. 1, n. 86, p. 211-215, 2026. Disponível em: https://revistaihgmt.com.br/index.php/revistaihgmt/article/view/686
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[5] Natalino Ferreira Mendes. Obras Publicadas – Livros. Disponível em: https://natalinoferreiramendes.com.br/obras-publicadas/livros
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[6] Natalino Ferreira Mendes. Livros. Disponível em: https://www.natalinoferreiramendes.com.br/obras-publicadas/livros
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[7] Odair José, Poeta Cacerense. Poetas de Cáceres - MT, Edson Flávio e Odair José, falam sobre livros no Dia Nacional do Livro. 29 out. 2021. Disponível em: https://odairpoetacacerense.blogspot.com/2021/10/poetas-de-caceres-mt-edson-flavio-e.html
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[8] FolhaMax. História de Cáceres é contada em livro através de lembranças. 17 jun. 2025. Disponível em: https://www.folhamax.com/cultura/historia-de-caceres-e-contada-em-livro-atraves-de-lembrancas/496883
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[9] RUA (Unicamp). Cáceres - nome luso de cidade mato-grossense. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/rua/article/view/8637528
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👥 Pesquisa por Guilherme Felipe, Curadoria Sílvio Lôbo















