LOS ANGELES, 11 de junho de 1982 – As filas quilométricas que dobrem as esquinas dos cinemas em todo o território norte-americano e o pranto coletivo nas salas de exibição confirmam o que a indústria de Hollywood começava a suspeitar: o cineasta Steven Spielberg acaba de lançar oficialmente hoje nos cinemas seu mais ambicioso e emocionante projeto, E.T. – O Extraterrestre. Produzido com um orçamento modesto para os padrões de superproduções — estimado em 10,5 milhões de dólares — e distribuído pela Universal Pictures, o longa combina avanços inéditos na robótica e nos efeitos visuais com uma narrativa intimista sobre solidão, infância e empatia, prometendo redesenhar os rumos da ficção científica e quebrar recordes históricos de bilheteria.
O Desdobramento dos Fatos
Nossa equipe de reportagem acompanhou de perto as primeiras sessões matutinas no emblemático Cinerama Dome e no Mann's Chinese Theatre, no coração de Los Angeles, onde a comoção do público foi imediata. O que se viu ao acender das luzes foram plateias inteiras de pé, aplaudindo efusivamente entre lágrimas — um contraste impressionante com a frieza das produções de ficção científica centradas em invasões alienígenas hostis.
A gênese desta produção remonta ao período em que Spielberg filmava Caçadores da Arca Perdida na Tunísia. Durante as pausas das gravações, o diretor começou a elaborar uma história baseada na sua própria infância e no amigo imaginário que criou para superar o doloroso divórcio de seus pais em 1960. Ele convidou a roteirista Melissa Mathison para transformar a ideia em texto. Em menos de oito semanas, Mathison concluiu a primeira versão do roteiro, originalmente intitulado E.T. and Me.
No entanto, a trajetória até as telas enfrentou ceticismo nos bastidores da indústria. Apuramos que a Columbia Pictures chegou a ter os direitos do projeto — derivado de um conceito mais sombrio chamado Night Skies —, mas a diretoria do estúdio optou por rejeitá-lo, alegando que o filme seria apenas um "conto infantil sem apelo comercial". Foi então que a produtora Kathleen Kennedy e o próprio Spielberg levaram a ideia à Universal Pictures, que adquiriu o roteiro por cerca de 1 milhão de dólares, bancando integralmente a produção.
As filmagens ocorreram em estrito sigilo entre setembro e dezembro de 1981, sob o nome falso de A Boy's Life, para evitar vazamentos e plágios. Para extrair atuações genuínas do elenco mirim — liderado por Henry Thomas (Elliott), de 10 anos, e pela pequena Drew Barrymore (Gertie), de apenas 6 anos —, Spielberg tomou a rara decisão criativa de filmar a obra em ordem cronológica quase absoluta. A escolha permitiu que as crianças desenvolvessem um laço afetivo real com o robô animatrônico ao longo dos meses de set.
Segredos dos Bastidores e Inovação Técnica
Do ponto de vista técnico, E.T. é uma proeza da engenharia de efeitos práticos. A criação da emblemática criatura ficou a cargo do mestre italiano Carlo Rambaldi, que investiu 1,5 milhão de dólares no desenvolvimento de uma marionete animatrônica complexa, equipada com 87 pontos de articulação facial e corporal. Para as cenas em que o extraterrestre precisava caminhar pelo cenário, a produção contratou dublês de pequena estatura e o jovem Matthew DeMerritt, um garoto nascido sem as pernas que demonstrou incrível habilidade para se movimentar utilizando as mãos dentro do terno do personagem.
A identidade sonora do alienígena também exigiu um trabalho investigativo impressionante do designer de som Ben Burtt. A voz gutural e pausada do E.T. é resultado do trabalho da senhora Pat Welsh, uma moradora da Califórnia de 65 anos cujos hábitos de fumar dois maços de cigarros por dia conferiram o tom rasgado perfeito buscado pela equipe. Burtt combinou a voz de Welsh com rugidos sutis de lontras, cavalos e respirações gravadas durante o sono.
Outro detalhe curioso que apuramos nos bastidores da distribuição comercial envolve o bombom de amendoim Reese's Pieces, da empresa Hershey's. Spielberg planejava originalmente usar o famoso M&M's no filme para atrair a criatura, mas a fabricante Mars recusou a parceria por duvidar do sucesso da produção. A Hershey's aceitou o acordo de inserção de produto sem hesitar, em uma jogada de marketing que promete disparar as vendas do confeito.
Repercussões Iniciais
O buzz em torno da obra começou a ganhar força global no mês passado, quando o filme foi exibido em caráter de pré-estreia no encerramento do Festival de Cannes, na França, no dia 26 de maio. Na ocasião, a plateia de críticos e cineastas aclamou a exibição com uma aplaudida ovação de pé de vários minutos, prenunciando a recepção calorosa das salas de cinema nesta semana.
Os principais críticos de cinema dos Estados Unidos já emitiram seus primeiros pareceres, praticamente unânimes. Roger Ebert, do Chicago Sun-Times, classificou a obra como "um triunfo encantador", enquanto analistas de mercado da revista Variety preveem que o longa tem potencial para rivalizar com Star Wars (1977) como o maior fenômeno de bilheteria da história do cinema.
A trilha sonora magistral composta por John Williams, com seu tema sinfônico arrebatador que embala a icônica cena das bicicletas voando contra a lua cheia, já desponta como forte favorita à temporada de prêmios da Academia do ano que vem. Se as primeiras 24 horas de exibição servirem de indicativo, Steven Spielberg não apenas entregou um blockbuster de verão, mas gravou seu nome no topo da história da arte cinematográfica mundial.
Nota do Autor: Os fatos relatados nesta matéria são históricos e ocorreram no passado. Por liberdade criativa, esta reportagem foi escrita em caráter imersivo, como se fosse um evento contemporâneo à sua leitura.























