SUL DO LÍBANO, 6 DE JUNHO DE 1982 – Colunas de blindados e milhares de soldados das Forças de Defesa de Israel (IDF) cruzaram na manhã deste domingo a fronteira norte rumo ao território libanês, dando início a uma massiva e sem precedentes operação militar batizada por Tel Aviv de “Paz para a Galileia”. O avanço terrestre, apoiado por pesados bombardeios aéreos e navais ao longo da costa mediterrânea, visa desmantelar por completo a estrutura militar da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) no Sul do Líbano, inflamando uma região já devastada pela guerra civil e ameaçando arrastar o Exército sírio para um confronto direto no Oriente Médio.
O Desdobramento dos Fatos
Sob ordens diretas do primeiro-ministro Menachem Begin e idealizada pelo ministro da Defesa, Ariel Sharon, a incursão militar rompeu a linha de fronteira por volta das 11h (horário local). A ofensiva mobilizou dezenas de milhares de tropas israelenses organizadas em três eixos de progressão estratégica: o setor ocidental, marchando pela rodovia costeira em direção às cidades de Tiro e Sídon; o setor central, avançando pelas colinas de Nabatieh; e o setor oriental, focado na aproximação com o Vale do Beqaa, onde unidades blindadas e sistemas antiaéreos das forças da Síria permanecem em posição defensiva.
O catalisador imediato para a eclosão da investida militar ocorreu no dia 3 de junho, quando o embaixador israelense no Reino Unido, Shlomo Argov, sobreviveu a uma tentativa de assassinato em Londres. Embora a autoria do atentado tenha sido atribuída ao grupo radical dissidente de Abu Nidal – rival da liderança de Yasser Arafat na OLP –, o governo israelense respondeu com incursões aéreas contra redutos palestinos no Líbano. A retaliação gerou troca de tiros de artilharia e foguetes Katyusha contra o norte de Israel, precipitando o início da operação terrestre de grande escala.
Na linha de frente, relata-se intensa movimentação em torno da fortaleza do Castelo de Beaufort, ponto estratégico de observação utilizado pelos fedayeen palestinos. Informações apuradas com fontes diplomáticas e de inteligência indicam que a operação militar pode ir muito além do objetivo declarado publicamente por Tel Aviv – que afirmava buscar apenas o estabelecimento de uma faixa de segurança de 40 quilômetros para proteger as populações civis da Galileia. Planos operacionais sugerem uma progressão até a capital Beirute, visando forçar a saída da OLP e reconfigurar o equilíbrio político do país através da aliança com milícias maronitas locais.
Repercussões Iniciais
Em Beirute Ocidental e nas comunidades do sul libanês, a movimentação de tropas gerou forte comoção e o deslocamento de milhares de civis em busca de refúgio no norte do país. O presidente do Líbano, Elias Sarkis, convocou reuniões de emergência para avaliar a crise, enquanto observadores da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL) relatam que suas posições na fronteira foram ultrapassadas pelas formações blindadas israelenses sem que pudessem conter o avanço.
No cenário internacional, o governo dos Estados Unidos anunciou o envio de diplomatas à região para tentar mediar um cessar-fogo e conter o risco de escalada entre Israel e a Síria. Em Damasco, o presidente sírio Hafez al-Assad colocou suas forças de prontidão, sinalizando que um avanço das tropas israelenses sobre o Vale do Beqaa enfrentará forte resistência militar.
Nota do Autor: Os fatos relatados nesta matéria são históricos e ocorreram no passado. Por liberdade criativa, esta reportagem foi escrita em caráter imersivo, como se fosse um evento contemporâneo à sua leitura.























