Ucrânia e Rússia, Israel e Palestina. Quem está certo?
Cada cultura tem o idoso contando ao jovem a origem de seu povo. São lendas, mitos e fatos que se misturam em um enredo digno de uma tragédia epopéia.
Toda comunidade humana vê sua volta a partir de seus próprios costumes.
Uma jovem árabe vê com escândalo as mulheres de minissaia, enquanto as jovens de minissaia entendem que a vida das árabes seja uma tortura. E o fato que qualquer extremismo, seja liberal ou conservador, causa sofrimento.
Inegável que uma jovem mulçumana espancada até a morte por não tampar os cabelos seja uma violência aos direitos humanos, e igual violência é vestir crianças de modo a sensual para submete-las a prostituição, e exibicionismo erótico nas redes sociais em busca de likes.
A partir dessa ótica é possível extrair que a perspectiva humana passa por questões muito íntimas. E mesmo na mais dura ditadura existem entusiastas do regime e da sua própria opressão.
É importante distinguir povo de governo.
Todo povo é honrado, digno da vida plena e respeito internacional. Já os governos não.
A história não mente,
A Ucrânia é um de tantos povos que nunca viveu muito tempo em paz. Desde sua origem é palco de ocupações, ruptura e perda da autonomia.
Já a Rússia é a soma de muitos povos unidos por uma série de governantes cobiçosos por poder, e pouco generosos com seu próprio povo.
Israel tem um governo que não representa seu povo, mas apenas alguns grupos, e tanto faz mal a si mesmo que não surpreenderia se esses grupos vivessem em outro planeta, muito distante do terror infringido por si mesmo.
Palestina nunca teve oportunidade de crescer. O sofrimento constante, a pobreza e a falta de esperança fez do lugar um berço de extremistas (mas qualquer pais nessas mesmas circunstâncias, produziria as mesmas pessoas, e resultaria as mesmas consequências).
Nenhum dos países mencionados são iguais a si, ou aos 195. Como nenhum é.
O que causa guerra não é a diferença entre as culturas, mas o comportamento dos governantes.
A luta não é pelas diferenças, mas pelo poder.
⚠️ Pesquisas elaboradas com auxílio do Deep Research estão sujeitos a ambiguidade referencial.
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👥 Pesquisa por Guilherme Felipe, Curadoria Sílvio Lôbo
O Labirinto Moral da Geopolítica: Existe um Certo e um Errado?
A disciplina da geopolítica, em sua essência, investiga as relações entre a geografia, o poder e a política, explorando como as características físicas do planeta, os recursos naturais e as distâncias influenciam as decisões e os conflitos entre os Estados. Nesse complexo tabuleiro internacional, a questão sobre a existência de um "certo" e um "errado" se apresenta como um dilema persistente e, muitas vezes, frustrante. A realidade geopolítica raramente se curva a dicotomias morais simplistas, sendo frequentemente moldada por interesses nacionais, imperativos de segurança, busca por poder e percepções divergentes de justiça.
Uma das principais razões para a dificuldade em definir um "certo" e um "errado" na geopolítica reside na natureza intrinsecamente relativista das questões de poder. O que um Estado considera um ato legítimo de defesa ou de projeção de poder, outro pode perceber como agressão injustificada. Essa assimetria de perspectivas é alimentada por uma miríade de fatores, incluindo história, cultura, ideologia e as próprias capacidades militares e econômicas de cada ator estatal.
Interesses Nacionais Versus Princípios Universais: Um Campo de Tensão Constante
No cerne do debate sobre o certo e o errado na geopolítica, encontra-se a tensão entre os interesses nacionais e os princípios universais. Estados são, por natureza, impulsionados pela necessidade de proteger e promover seus próprios interesses, sejam eles econômicos, de segurança ou de influência. Essa busca por autoproteção e prosperidade pode, por vezes, colidir frontalmente com normas e valores considerados universais, como a soberania territorial, a autodeterminação dos povos e os direitos humanos.
Pontos curiosos e que causam estranhamento surgem quando observamos como os mesmos princípios são invocados de forma seletiva por diferentes atores. Por exemplo, um país pode defender veementemente o direito à autodeterminação de um povo aliado, ao mesmo tempo em que reprime movimentos separatistas dentro de suas próprias fronteiras. Essa inconsistência, embora contraditória sob uma ótica moral estrita, é frequentemente explicada pela lógica pragmática da geopolítica, onde a aplicação de normas é subordinada à conveniência e ao cálculo estratégico.
Outro aspecto intrigante é a maneira como a narrativa histórica é instrumentalizada. Cada lado em um conflito frequentemente apresenta sua versão dos fatos, construindo um discurso que legitima suas ações e deslegitima as do oponente. O que para um é uma reivindicação histórica legítima, para o outro pode ser uma desculpa para a ocupação e a expansão. Essa batalha pela narrativa é um componente crucial da guerra moderna, moldando a opinião pública interna e externa e influenciando o apoio internacional.
Ucrânia e Rússia; Israel e Palestina: Quem Está Certo?
As complexas e trágicas situações na Ucrânia e entre Israel e Palestina são exemplos paradigmáticos da dificuldade em atribuir um "certo" e um "errado" de forma inequívoca na geopolítica.
- Ucrânia e Rússia: A invasão da Ucrânia pela Rússia, em fevereiro de 2022, foi amplamente condenada pela comunidade internacional como uma violação da soberania ucraniana e do direito internacional. A Ucrânia, nesse contexto, é vista como a vítima de agressão, defendendo seu território e sua independência. No entanto, a Rússia apresenta um conjunto de justificativas que incluem preocupações com a segurança, a expansão da OTAN para suas fronteiras e a proteção de populações de língua russa. A percepção do "certo" e do "errado" aqui depende fortemente do quadro interpretativo adotado: um focado na soberania e integridade territorial, outro nas preocupações de segurança de um grande poder e em narrativas históricas complexas. O estranhamento surge quando vemos a Rússia, um membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, desafiar abertamente as normas fundamentais do direito internacional, alegando legitimidade em suas ações.
- Israel e Palestina: O conflito entre israelenses e palestinos é um dos mais longevos e complexos do mundo, caracterizado por reivindicações históricas, religiosas e territoriais antagônicas. Israel argumenta ter direitos históricos sobre a terra, a necessidade de garantir sua segurança frente a ataques e o direito de se defender. Os palestinos, por sua vez, lutam pelo reconhecimento de seu Estado, pelo fim da ocupação de seus territórios e pelo direito de retorno. A questão de quem "está certo" é profundamente dividida. Para muitos, a ocupação e as ações contra a população civil palestina são inaceitáveis e violam o direito internacional. Para outros, as ações de Israel são respostas necessárias a ameaças à sua existência. O ponto de estranhamento é a perpetuação da violência e da falta de uma solução duradoura, apesar de décadas de negociações e intervenções internacionais, com ambos os lados apresentando narrativas de vitimização e justificação para suas ações.
Conclusão: A Busca por uma Moralidade Geopolítica Nuanceada
Em última análise, a geopolítica opera em um espaço onde a moralidade absoluta é um luxo raramente acessível. O que pode ser considerado "certo" por um Estado, sob a ótica de seus interesses e percepções de ameaça, pode ser visto como "errado" por outro. A busca por um julgamento moral definitivo em cenários geopolíticos complexos frequentemente leva a simplificações perigosas e à desconsideração das nuances e das múltiplas camadas de responsabilidade.
Como pesquisadores, nosso papel não é necessariamente ditar quem está "certo" ou "errado", mas sim analisar os fatores que levam a essas percepções divergentes. É crucial compreender as motivações, os históricos, os interesses e os discursos que moldam as ações dos Estados. A verdadeira complexidade reside em reconhecer que, no intrincado jogo de poder global, a linha entre o certo e o errado é frequentemente tênue, fluida e sujeita a interpretações, e que as consequências de tais interpretações podem ser devastadoras.























