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Alex acordou bem cedo. Permaneceu na cama por trinta minutos, e às seis horas quando desceu para cozinha encontrou Léo, com aparência abatida:
— Está se sentindo bem? O que foi? — perguntou Alex.
— Comigo? Estou ótimo, vamos conversar.
Alex se aproximou, fitou-o com curiosidade. Léo apontou a cadeira a frente, e tomou um gole de suco enquanto esperou que o amigo se sentar:
— Esqueça ela.
— Quem?
— Maria, esqueça.
— Que isto, Léo? Falarei tudo pra ela, penso até em fazer uma surpresa, vou lá bem cedo. Saio agora, nós dois poderemos passar o dia todo juntos, ela e eu, Caroline e o Sílvio.
— Alex. Ela não gosta de você.
Alex tentou sorrir, mas não conseguiu, manteve então uma feição estática, sem sentimentos.
— Sei Léo, mas farei de tudo para ela gostar.
— Você já fez, amigo!
— Não fiz nada. Eu nunca falei para ela.
Léo levantou, caminhou enquanto falava:
— Minha cabeça está oca, sinto me um pouco mal, não sei o que é. Parece que eu tinha algo pra fazer ou pra falar, e esqueci. Estou assim desde quando voltei das férias. — Léo franziu o cenho enquanto sussurrou: “Um grande segredo...”
— Desculpe, fiz isto, quando você chegou ao quarto naquele dia, te coloquei em um estado d... — Alex é interrompido por Leonardo com severidade.
— É isto! Sua estima. Você não tem a menor autoestima. Pede desculpas por tudo, sempre achando é inferior, menor. Cara você é especial. Sei que muitas vezes lhe julguei mal. O santinho-bobão! O perdedor! O covarde!... Todos esses dias fiquei pensando sobre tudo o que você fez, e hoje vejo que você fez seu melhor, da sua forma, vez muito mais do que ela merecia.
— Eu... — Alex trepidou por alguns segundos, curvou-se olhando o chão, depois posicionou se confortavelmente na cadeira e continuou — Ela merece que’eu olhe nos olhos e diga o que sinto.
— Uma representação? É tudo o que ela merece... Digo ser muito mais do que ela merece.
— Não entendo.
— Você é assim Alex. Não deve representar. Qualquer pessoa que lhe conhecer vê em seus olhos a beleza do que é. Não mude! Falo isto hoje por a vida ser curta, e você está perdendo momentos preciosos, por alguém que não gosta de você. Estou falando de respeito... Não estou falando de paixão, mas de compaixão.
Alex inquietou-se:
— Por que fala isto? Quer usar de psicologia reversa? Pare, o que você fala é horrível.
— Horrível pra você... Só pra você. Para todas as outras pessoas deste mundo, isto é o comum, o dia-a-dia. Eu te vejo, e acredito não estou errado dizendo que, neste tempo, quase um ano, que esteve aqui, não passou um só segundo sem pensar nela.
— Eu falarei para ela que a amo.
— Ê? Ganhar um beijo de consideração? O mais que isto lhe doa, digo que ela não tem a menor consideração por você.
— Por que fala isto? Brigou comigo a pouco! — gritava Alex — Como muda assim. O que ficou sabendo?
— Ao mais estranho que possa parecer. A verdade é que não tenho falado muito com a Maria. Uma vez rapidamente depois da festa, umas palavras trocadas no corredor do hospital. Ela me questionou sobre a ida súbita para Goiânia. Inventei um nome de um amigo... Foi fácil convencê-la. — Léo suspirou profundamente antes de continuar — Repito, não fiquei sabendo de nada, mas não me admiraria com nada... Verdade é que torci sempre pra que Maria encontrasse alguém que a amasse, assim como você a ama. Que a quisesse bem com você quer. Só que, pô! Você é meu irmão. Eu não permitirei que isto se estenda.
Os olhos de Alex turvavam-se.
— Chore, meu irmão. — continuou Léo — Limpe está maldição do seu peito. O dia está aí, você vai se sentir um lixo, todo o seu corpo vai doer..., mas não será difícil encontrar alguém melhor... Diga como na música: Eu vou à luta, que a vida é curta. Não vale a pena sofrer em vão...















