Era uma quinta-feira quando o jovem Almeida chamou seu pai à mesa para contar lhe da decisão que tomara. Almeida decidira mudar-se para casa de um tio em outro estado. Ninguém poderia compreender o porquê daquilo. O convite que fora feito por seu tio já há alguns meses, não poderia ser menos tentador. Trágica mudança, em momento tão importante, a custo de nada. O pai do jovem escutou todos os argumentos de seu filho sem que qualquer um o justificasse; ficou quieto por quarenta segundos, depois fitou o rapaz e com um leve sorriso, balançou o pescoço positivamente.
Almeida tinha uma grande quantidade de amigos, os quais fazia questão de avisar, um a um. O primeiro, naturalmente, foi Antônio, seu grande amigo. Na sexta-feira ambos caminharam sem destino pela cidade, Almeida se concentrou em formular os mais convincentes argumentos. Nada convincente, porém Antônio que conhecia o amigo como ninguém, decidira esperar. Sentia incerteza, e acreditava que seria apenas mais uma de suas invenções.
— E a Maria... — Sussurrou Antônio.
— Vou conversar com ela amanhã...
Depois disto eles não tocaram no que se dizia respeito à partida do rapaz. Antônio se encantara com bela moça da faculdade, e isto renderia um bom papo até o final da noite. Quando já se despediam, Almeida reafirmou sua decisão, com tamanha certeza que quase se enganou. Nada serio, ainda não tinha ligado para seu tio, muito ainda poderia acontecer.
Eram quinze horas quando o jovem rapaz completou a terceira volta no quarteirão em que a garota morava. A janela aberta foi a pista que demonstrava a chegada do trabalho. Almeida não hesitou, bateu palmas e aguardou a chegada com uma dúvida no rosto, quase um sorriso.
Os planos de partida foram ditos enquanto caminhavam para sala. Maria foi à cozinha e voltou com um copo de água. Ela percebera como o jovem aparentava em calorado. Já sentados, Almeida contou tudo o que faria. Falou inevitável impossibilidade do contato conseqüência do distanciamento. Maria desejou ao amigo os mais felizes votos. Apenas Almeida não sentiu o frio. Naquela tarde não tinha mais dúvidas, sairia na quarta-feira.
Antônio permaneceu junto ao amigo, todo o domingo e segunda, na terça ligou dizendo ter que pernoitar na casa de um parente. Talvez não conseguisse chegar até a partida. Era apenas desculpa, ele não queria ver o amigo partir. Durante este último contato, Antônio hesitou alguns segundos, depois então perguntou se aquilo era mesmo necessário. Almeida se restringia em dizer que seria o melhor.
A terça foi no telefone. Almeida ligou pra todos amigos que pode. Todos lhe desejaram sorte, os melhores votos. Almeida dava ênfase ao dia e hora. “Cedo, sei... É que decidi fazer isto... Sabe? É melhor.”, era o que dizia sempre que estava nervoso.
A quarta-feira foi movimentada em sua casa, todos os parentes se reunião bem cedo para despedirem. Almeida se manteve sereno, conversava com todos, os abraçavam fortemente. As quatorze horas comunicou a todos que seguiria para rodoviária. “Vou sozinho, nada de despedidas”, dizia o garoto.
Sozinho na rodoviária o jovem garoto sentiu-se mal. Ficou inquieto ao observar o horizonte, a expectativa de alguém que não vinha. Todas as malas já estavam guardadas, o último passageiro entrou, faltava Almeida, que permanecia atento ao horizonte. Ninguém. Caminhando lentamente para o ônibus, relembrou todos seus amigos. Eles o amavam, eles o desejavam felicidade e sorte. Forte foi a melancolia que Almeida sentiu quando o ônibus iniciou se percurso. Todos o amava; Almeida era feliz por isto, mas ele sofria, sofria muito por ninguém ter lhe impedido.
Em um dia escuro e chuvoso Almeida partiu.
Silvio de Souza Lôbo Júnior (2005)
####### Acima, o texto original; abaixo, a versão corrigida em 2025. #######
Era uma quinta-feira quando o jovem Almeida chamou seu pai à mesa para contar-lhe da decisão que tomara. Almeida decidira mudar-se para a casa de um tio em outro estado. Ninguém conseguia compreender o porquê daquilo. O convite, que fora feito por seu tio há alguns meses, não poderia ser menos tentador. Trágica mudança, em um momento tão importante, a custo de nada. O pai do jovem escutou todos os argumentos de seu filho sem que nenhum deles o justificasse; ficou quieto por quarenta segundos, depois fitou o rapaz e, com um leve sorriso, acenou positivamente com a cabeça.
Almeida tinha uma grande quantidade de amigos, os quais fazia questão de avisar, um a um. O primeiro, naturalmente, foi Antônio, seu grande amigo. Na sexta-feira, ambos caminharam sem destino pela cidade, enquanto Almeida se concentrava em formular os argumentos mais convincentes. Não obteve sucesso. Antônio, que conhecia o amigo como ninguém, decidira esperar. Sentia incerteza e acreditava que seria apenas mais uma de suas invenções.
— E a Maria? — sussurrou Antônio.
— Vou conversar com ela amanhã...
Depois disso, eles não tocaram mais no que dizia respeito à partida do rapaz. Antônio se encantara com uma bela moça da faculdade, e isto rendeu um bom papo até o final da noite. Quando já se despediam, Almeida reafirmou sua decisão, com tamanha certeza que quase se enganou. Nada sério, ainda não tinha ligado para seu tio, muita coisa ainda poderia acontecer.
Eram quinze horas quando o jovem rapaz completou a terceira volta no quarteirão em que a garota morava. A janela aberta foi a pista de que ela havia chegado do trabalho. Almeida não hesitou, bateu palmas e aguardou que ela aparecesse, com uma dúvida no rosto, quase um sorriso.
Os planos de partida foram ditos enquanto caminhavam para a sala. Maria foi à cozinha e voltou com um copo de água. Ela percebera como o jovem aparentava acalorado. Já sentados, Almeida contou tudo o que faria. Falou sobre a inevitável impossibilidade de contato como consequência do distanciamento. Maria desejou ao amigo os mais felizes votos. Apenas Almeida não parecia sentir o frio da situação. Naquela tarde não tinha mais dúvidas: sairia na quarta-feira.
Antônio permaneceu junto ao amigo durante todo o domingo e a segunda-feira. Na terça, ligou, dizendo ter que pernoitar na casa de um parente. Talvez não conseguisse chegar a tempo para a partida. Era apenas uma desculpa; ele não queria ver o amigo partir. Durante esse último contato, Antônio hesitou alguns segundos, e então perguntou se aquilo era mesmo necessário. Almeida se restringia a dizer que seria o melhor.
A terça-feira foi gasta ao telefone. Almeida ligou para todos os amigos que pôde. Todos lhe desejaram sorte, os melhores votos. Almeida dava ênfase ao dia e à hora. “Cedo, sei... É que decidi fazer isto... Sabe? É melhor” — era o que dizia sempre que estava nervoso.
A quarta-feira foi movimentada em sua casa; todos os parentes se reuniram bem cedo para se despedirem. Almeida se manteve sereno, conversava com todos e os abraçava fortemente. Às quatorze horas, comunicou a todos que seguiria para a rodoviária. “Vou sozinho, nada de despedidas”, dizia o garoto.
Sozinho na rodoviária, o jovem garoto sentiu-se mal. Ficou inquieto ao observar o horizonte, na expectativa de alguém que não vinha. Todas as malas já estavam guardadas, o último passageiro entrou. Faltava Almeida, que permanecia atento ao horizonte. Ninguém. Caminhando lentamente para o ônibus, relembrou todos os seus amigos. Eles o amavam, desejavam-lhe felicidade e sorte. Forte foi a melancolia que Almeida sentiu quando o ônibus iniciou seu percurso. Todos o amavam; Almeida era feliz por isso, mas ele sofria, sofria muito por ninguém tê-lo impedido.
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Saiba como empresas devem prevenir riscos à saúde mental no trabalho
As empresas brasileiras passarão a ser obrigadas a identificar e tomar medidas para garantir a saúde mental e a segurança dos trabalhadores. É o que estabelece a Norma Regulamentadora 1 (NR-1). As sanções previstas às empresas que descumprissem a norma passariam a vigorar este mês, mas uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu a aplicação de multas outras sanções.
A aplicação da NR-1 foi um dos assuntos tratados no seminário Entre a norma e o real: desafios e perspectivas do mundo do trabalho, que ocorre nesta quinta-feira (20) e sexta-feira (21), na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em Belo Horizonte.
A NR-1 entrou em vigor em 26 de maio deste ano e passou a abranger os fatores de riscos psicossociais no gerenciamento de riscos ocupacionais.
“A norma obriga as empresas a identificar quais são os riscos para a saúde e a segurança dos trabalhadores e a tomar medidas de controle”, disse à Agência Brasil o auditor-fiscal do Trabalho Airton Marinho, representante da DS-MG/SINAIT, que mediou o debate sobre o assunto.
A NR-1 é uma norma de 2022, que teve a aplicação adiada em 2024 e 2025 e entrou em vigor em maio de 2026. Em junho, entretanto, uma decisão do Tribunal Superior do Trabalho (TST) suspendeu por 90 dias o efeito da norma na parte relacionada aos riscos psicossociais.
Esta semana, por unanimidade, o Plenário do STF referendou a decisão do ministro André Mendonça que suspendeu a aplicação de multas e outras sanções ligadas à inclusão de fatores de riscos psicossociais nas regras de gerenciamento de riscos no ambiente de trabalho.
Saúde mental
Dados da Previdência Social mostram que foram concedidos 546.254 benefícios por incapacidade temporária por transtornos mentais e comportamentais em 2025, aumento de 15,66% em relação ao ano anterior.
Os grupos de diagnósticos mais frequentes em 2025 foram os transtornos ansiosos e os episódios depressivos.
Os números não significam, entretanto, que todos os afastamentos tenham sido causados pelo trabalho. Eles ajudam a dimensionar o crescimento do adoecimento mental e reforçam a importância de discutir os fatores presentes na organização e nas condições de trabalho.
Airton Marinho informou que, na Europa, onde, teoricamente, as condições de trabalho são melhores do que as brasileiras, 19% dos afastamentos por doença mental são relacionados ao trabalho.
“Se a gente colocar esse item aqui, você vai ter uma ideia da dimensão disso no Brasil que, provavelmente, é até maior”, afirmou.
Redução de riscos
Segundo Marinho, excesso de trabalho, horas extras, trabalho noturno, violência no trabalho, bullying e assédio são alguns exemplos de fatores presentes no trabalho que podem afetar a saúde mental das pessoas.
“A NR-1 exige das empresas que elas tenham programas de redução desses riscos”, explicou o auditor.
Uma empresa de telemarketing, por exemplo, deverá adotar medidas para evitar a sobrecarga dos trabalhadores e possíveis problemas mentais decorrentes dela. Os bancos também deverão rever normas que estabelecem metas muito altas para gerentes e funcionários, com o objetivo de evitar o estresse.
Segundo Airton Marinho, a mesma preocupação se aplica aos trabalhadores de sistemas de produção submetidos a metas muito elevadas.
“Aumenta o risco de acidentes, aumenta o risco de outras doenças que a gente chama de psicossomáticas, como úlcera no estômago, pressão alta, problema de coração. Tudo isso tem um aumento nas empresas que demonstram excesso de riscos psicossociais.”
Alívio da tensão
Segundo o auditor-fiscal, as empresas já deveriam desenvolver por conta própria programas voltados ao alívio da tensão e da pressão no trabalho e ao controle da violência contra os trabalhadores.
Agora, por obrigação legal, com a vigência da NR-1, o Ministério do Trabalho passa a ter uma ferramenta para multar as empresas que não tenham programas nessa área, quando as sanções entrarem em vigor.
Uma empresa onde tenha ocorrido um suicídio que pudesse estar relacionado ao trabalho, por exemplo, deverá ter algum programa específico para tentar identificar a origem do problema e as medidas que poderiam ter evitado o episódio.
“Em alguns casos, recebem uma notificação para dar um prazo de pagamento. Pode também haver negociação de alguma situação que está sendo resolvida. Às vezes, a negociação é com o sindicato; às vezes, é uma negociação coletiva. Mas a obrigação do fiscal é verificar o cumprimento da lei. Se não estiver sendo cumprida, ele deve atuar com o poder de polícia, no caso a fiscalização”, explica Marinho.
Não há um valor específico para o descumprimento das normas relacionadas à saúde mental e aos fatores de risco psicossociais. A penalidade integra o rol geral de multas do Ministério do Trabalho, com valores definidos de acordo com o tamanho da empresa, a gravidade da situação e o número de empregados.
Marinho reconhece que são multas relativamente baixas, mas afirma que o valor pode aumentar caso a empresa receba várias penalidades.
Entrada em vigor
Por enquanto, a fiscalização deve priorizar orientação, instrução e notificação das organizações sobre a necessidade de adequação. Com a entrada em vigor da norma, constatado o descumprimento das obrigações, poderão ser adotadas as medidas administrativas cabíveis.
De acordo com as orientações do Ministério do Trabalho e Emprego, não existe um único questionário ou metodologia obrigatória para todas as organizações. A avaliação deve considerar a realidade de cada ambiente e estar integrada ao processo de Gerenciamento de Riscos Ocupacionais, observando também as demais normas vigentes.
Lésbicas cobram saúde integral, trabalho digno e fim de violências
Praticamente oito em cada dez mulheres lésbicas enfrentam diversos tipos de violência cotidianamente, como mostra o LesboCenso Nacional: Mapeamento de Vivências Lésbicas no Brasil, realizado pela Liga Brasileira de Lésbicas e pela Coturno de Vênus (Associação Lésbica Feminista de Brasília) e divulgado ainda em 2022. A lesbofobia ocupa a segunda posição em registros de violências, e o assédio moral e o sexual estão entre as formas mais recorrentes, de acordo com o levantamento.
Para marcar o combate à lesbofobia (preconceito, ódio ou discriminação contra mulheres que se relacionam com outras mulheres), o Dia Nacional do Orgulho Lésbico é lembrado nesta quarta-feira (19) no Brasil. O 19 de agosto simboliza, também, a luta pela visibilidade desse público e por avanços de direitos.
Para analisar as principais reivindicações, avanços e desafios dessa agenda social e econômica, a Agência Brasil entrevistou a assistente social Michele Seixas, coordenadora política nacional na Articulação Brasileira de Lésbicas (ABL).
Entre as prioridades listadas pela ativista social, está a busca por uma saúde integral de qualidade e por oportunidades para lésbicas no mercado de trabalho.
Saúde
A militante defende o atendimento qualificado no Sistema único de Saúde (SUS), para atender às especificidades de todos os corpos lésbicos, com profissionais de saúde capacitados. “A saúde é um gargalo para a população lésbica. Deparamo-nos com uma saúde que vem sendo invisibilizada e violada há muitos anos para nós.”
A assistente social Michele Seixas é especialista em direitos humanos, gênero e sexualidade e coordenadora da Articulação Brasileira de Lésbicas (ABL) - Foto: Michele Seixas/Arquivo pessoal
Michele Seixas lamenta que as lésbicas ainda sofram com o senso comum de preconceito e, nos atendimentos em saúde, exista um fundamentalismo religioso somado à falta de formação continuada em educação permanente em saúde.
Apesar do despreparo existente nos serviços de saúde ressaltado por Michele, ela cita que alguns municípios brasileiros até oferecem aulas online sobre a temática, mas a participação dos profissionais de saúde é voluntária e, na maior parte das vezes, ocorre em número reduzido.
Outro ponto exigido pelo movimento lésbico é que a entrevista clínica realizada por um profissional de saúde no início de um atendimento colete, obrigatoriamente, a informação de orientação sexual do paciente, a fim de direcionar o cuidado clínico adequado.
“Há alguns anos, não era obrigatório marcar raça/cor, durante a anamnese. Agora é. E precisa ser obrigatório preencher o quesito orientação sexual. Isso vai determinar como será o atendimento em saúde daquela lésbica.”
Direitos reprodutivos
Ao falar de direitos reprodutivos, Michele conclui que a Política de Planejamento Familiar no Brasil não assiste as lésbicas. Uma das reivindicações é que elas tenham acesso à dupla maternidade por via de reprodução humana.
“Toda mulher deve ter o direito de escolher ser ou não mãe. Mas, quando as lésbicas chegam a uma clínica da família, os próprios funcionários dizem que não sabem o que fazer conosco em pleno 2026”, critica.
Segundo Michele, na maioria das vezes, o direito de formar uma família fica restrito àquelas que tem melhores condições econômicas.
Assistência social
Outro ponto crítico é a falta de reconhecimento e de cadastramento de arranjos familiares de lésbicas nos programas da Política Nacional de Assistência Social (PNAS). “Famílias lésbico-afetivas não são reconhecidas como tal. Então, estas não são contabilizadas dentro da Política de Assistência Social no Brasil”, constata a representante da Articulação Brasileira de Lésbicas (ABL).
Mercado de trabalho
A lesbofobia também pauta a falta de acesso a postos de trabalho dignos que poderiam combater a vulnerabilidade social e a informalidade das mulheres lésbicas.
Michele Seixas, que também é especialista em direitos humanos, gênero e sexualidade no Departamento de Direitos Humanos, Saúde e Diversidade Cultural da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), aponta que as lésbicas que adotam uma identidade que desafia os padrões de gênero e o conceito de feminilidade passam por um processo de exclusão maior.
A rejeição à não conformidade de gênero recai com mais força nas lésbicas classificadas como desfeminilizadas (o termo abreviado é desfem).
“Lésbicas desfems, lésbicas caminhoneiras, lésbicas que não performam a feminilidade dos colonizadores tendem a passar por um processo de exclusão do mercado de trabalho”, aponta.
Michele relata casos de mulheres lésbicas que, para conseguir uma vaga de emprego, se ajustam para performar uma feminilidade padrão – usando maquiagem e roupas que não utilizam no dia a dia –, pois a não conformidade com esse estereótipo resulta em exclusão nos processos seletivos.
“Ela [a mulher lésbica] vive ainda uma vida totalmente escondida no trabalho. É sempre aquela solteira que não tem ninguém, porque ela não pode dizer, simplesmente, que é sapatão, que é casada ou namora [outra mulher]. Isso ainda perpassa nos nossos cotidianos.”
A especialista aponta a relação entre a lesbofobia e o racismo, pois a situação no ambiente de trabalho piora se essas mulheres lésbicas são negras.
Dados
O Brasil convive com a falta de estatísticas sobre mulheres lésbicas, o que limita a formulação de políticas públicas direcionadas à proteção de mulheres lésbicas.
Os únicos dados nacionais de referência permanecem restritos a levantamentos independentes. A estudiosa menciona o Dossiê do Lesbocídio (com dados de 2014 a 2017) produzido pelo Núcleo de Inclusão Social (NIS), vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e do Nós: Dissidências Feministas.
Em nível nacional, Michele relata ainda a primeira fase do Lesbocenso, divulgado em 2022. A segunda fase do mapeamento sociodemográfico das vivências de lésbicas e sapatão do Brasil está em andamento. A iniciativa é da Coturno de Vênus (Associação Lésbica Feminista de Brasília) e da Liga Brasileira de Lésbicas (LBL).
“Infelizmente, nós não temos dados produzidos pelo Estado sobre essas violências sobre os nossos corpos”, lamentou Michele.
Vitórias coletivas
Embora existam avanços, Michele contabiliza que estes decorrem de vitórias de toda a comunidade LGBTQIA+, como a adoção de filhos por casais homoafetivos e o casamento entre pessoas do mesmo sexo, garantido em todo o Brasil desde 2013. Porém, não há marcos exclusivos da pauta lésbica. "Conquista só nossa? Ainda nós não tivemos essa felicidade."
Viver sem violência
Casos de violências contra pessoas LGBTQIAPN+ podem ser denunciados no Disque Direitos Humanos, o Disque 100. O serviço do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) funciona diariamente, 24 horas por dia, incluindo sábados, domingos e feriados. O atendimento é imediato.
As denúncias de violações de direitos humanos são registradas e analisadas pela equipe do Disque 100 e, posteriormente, encaminhadas aos órgãos competentes (de proteção, defesa e responsabilização em direitos humanos). Em situações de emergência, a Polícia Militar local deve ser acionada pelo telefone 190.
Dia Nacional do Orgulho Lésbico é celebrado nesta quarta-feira
O Dia Nacional do Orgulho Lésbico é celebrado nesta quarta-feira (19). A data foi instituída com o objetivo de combater a lesbofobia – o preconceito, a rejeição ou o ódio contra mulheres lésbicas –, a violência com base em orientação sexual e identidade de gênero e também pela luta para conquistar direitos.
A iniciativa homenageia a mobilização do dia 19 de agosto de 1983, no Ferro’s Bar, no centro de São Paulo, quando mulheres lésbicas se recusaram a aceitar a discriminação e a violência dentro de um espaço e se levantaram contra a censura e a tentativa de silenciamento no local.
Neste dia, há 43 anos, a administração do espaço proibiu a venda e circulação do boletim Chana com Chana, produzida pelo Grupo Ação Lésbica Feminista (Galf) – coletivo que existiu de 1981 a 1990.
O chamado Levante do Ferro’s Bar tornou-se um marco da resistência lésbica brasileira por liberdade de expressão e direitos.
Esta foi a primeira manifestação organizada por lésbicas contra a discriminação, realizada em plena ditadura militar. Elas também reivindicaram o direito civil de existir, falar, circular e se organizar.
Entre as protagonistas da ocupação do espaço estava a ativista brasileira Rosely Roth (1959-1990 - imagem em destaque), considerada uma das pioneiras do movimento lésbico brasileiro.
Resistência lésbica
A publicação Chana com Chana foi o primeiro periódico brasileiro voltado exclusivamente para o público lésbico, criado em janeiro de 1981, em São Paulo. Ao todo foram publicadas 13 edições até 1987.
O boletim da imprensa alternativa trazia em suas páginas entrevistas e textos focados em política, artes e na luta por diretos civis de lésbicas, pela visibilidade da população LGBTQIAPN+ (lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros/travestis, queer, intersexo, assexuais, pansexuais, não-binários, o + é para outras identidades de gênero).
Mês da Visibilidade Lésbica
No Brasil, agosto é também chamado de Mês da Visibilidade Lésbica por ter duas datas de comemoração e marca um período de debates sobre direitos. Além do Dia Nacional do Orgulho Lésbico, há a celebração do Dia da Visibilidade Lésbica, em 29 de agosto.
A data foi criada há 30 anos por ativistas brasileiras durante o 1º Seminário Nacional de Lésbicas (Senale), ocorrido em 29 de agosto de 1996, no Rio de Janeiro.
Símbolo do movimento lésbico
Em janeiro de 2003, durante o III Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, ativistas lésbicas do Brasil, da América Latina e do Caribe aprovaram a incorporação de símbolos de lésbicas na tradicional bandeira arco-íris do movimento LGBT. O objetivo é promover a visibilidade à luta deste grupo pela garantia de direitos.
Bandeira com incorporação de símbolos - Bandeira lésbica brasileira/ Divulgação
A representatividade lésbica na bandeira é marcada por:
duplo espelho de Vênus: representa a atração e a união entre mulheres;
lábris (machado de dois gumes/dupla lâmina): usado por amazonas e simboliza a força e a independência das mulheres;
triângulo preto: tatuado nas prisioneiras lésbicas, pelos nazistas, nos campos de concentração;
Como denunciar
Caso de discriminação, violências e outros desrespeitos aos diretos de pessoas LGBTQIAPN+ devem ser denunciados no Disque Direitos Humanos, o Disque 100.
O serviço do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) funciona diariamente, 24 horas, por dia, incluindo sábados, domingos e feriados. O atendimento é imediato e é garantido o sigilo de quem liga.
As ligações podem ser feitas de todo o Brasil por meio de discagem direta e gratuita, de qualquer terminal telefônico fixo ou móvel. Basta discar o número 100.
Também é possível utilizar o Disque 100 por meio do Telegram, basta digitar “Direitoshumanosbrasil”, na busca do aplicativo.
Qualquer cidadão pode reportar algum fato relacionado a violações de direitos humanos, da qual seja vítima ou tenha conhecimento.
As denúncias de violações de direitos humanos são registradas e analisadas pela equipe do Disque 100 e, posteriormente, encaminhadas aos órgãos competentes (de proteção, defesa e responsabilização em direitos humanos).
Em situações de emergência, a Polícia militar local poderá ser acionada pelo telefone 190.
Diante de um cenário de pobreza extrema, pelo rompimento de vínculos familiares e pelas dificuldades de acesso à moradia e ao trabalho, o legislativo local aprovou leis para ampliar o acolhimento, garantir direitos e criar alternativas para a autonomia.
Em maio de 2026, o CadÚnico contabilizava 388.855 pessoas em situação de rua no Brasil. São Paulo liderava o ranking nacional, com 159.290 registros. O Rio ocupava a segunda posição, seguido por Minas Gerais, que aparecia em terceiro lugar, com 34.849.
Legislação
A Lei 9.302/21 instituiu a Política Estadual para a População em Situação de Rua. A norma reconhece como população em situação de rua o grupo marcado pela extrema pobreza, pela fragilização ou pelo rompimento dos vínculos familiares e pela inexistência de moradia convencional regular.
A legislação garante acesso amplo e simplificado às políticas públicas de saúde, educação, assistência social, moradia, segurança, cultura, esporte, lazer, trabalho e renda.
Também prevê a implantação de uma rede de acolhimento temporário, ações de segurança alimentar, qualificação profissional, intermediação de empregos e programas habitacionais acompanhados por equipes multidisciplinares.
A medida proíbe qualquer discriminação no atendimento em razão da condição econômica, étnico-racial ou de saúde, inclusive nos casos relacionados ao uso de álcool e outras drogas.
Entre os municípios fluminenses, a capital lidera o ranking da população em situação de rua inscrita no CadÚnico. Veja os números:
Rio de Janeiro: 22.352 pessoas;
Niterói: 1.015;
Duque de Caxias: 977;
Nova Iguaçu: 727;
Volta Redonda: 488;
São Gonçalo: 484;
Maricá: 471;
Macaé:402;
Cabo Frio: 333;
Petrópolis: 305.
Recomeço
Uma das histórias de superação é a do escritor Leonardo Motta, que viveu nas ruas durante um ano e três meses após enfrentar duas décadas de dependência de álcool e outras drogas. Atualmente, está sóbrio há nove anos, é casado, mora na Ilha de Paquetá e tem três livros publicados.
“O que me levou a essa situação foi a dependência química. Usei drogas durante 20 anos, entre álcool, cocaína e crack. Consegui sair das ruas quando aceitei ajuda e fui para uma instituição de tratamento, onde permaneci por sete meses.”
Leonardo também é autor da Revista na Calçada, publicação de poesia dedicada a dar visibilidade às experiências da população em situação de rua. Hoje, ele participará de uma atividade na Biblioteca Estadual, na Avenida Presidente Vargas, no centro, para apresentar o trabalho e promover um debate sobre a realidade das ruas.
“O conselho que deixo para quem está nessa situação é que aceite ser ajudado. De um lado, existe alguém disposto a ajudar; do outro, é preciso que a pessoa também aceite essa ajuda.”
Entidades publicam carta em defesa da suspensão de lives no Discord
A decisão da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) que suspendeu temporariamente a funcionalidade de transmissão ao vivo no aplicativo Discord foi classificada como medida equilibrada e que atende aos preceitos do ECA Digital, em abaixo-assinado divulgado nesta terça-feira (18) por um grupo de 67 entidades da sociedade civil.
" A medida é proporcional ao risco identificado, restringe temporariamente uma funcionalidade específica, sem bloquear a plataforma ou afetar os demais serviços e condiciona sua retomada à comprovação, pelo Discord, da capacidade de detectar crimes ocorridos em seu espaço virtual e implementar as salvaguardas necessárias", diz o manifesto.
"Outras diversas funcionalidades permanecem intactas, como a troca de mensagens e a integração com plataformas terceiras para a execução de atividades automatizadas do dia-a-dia de empresas", acrescenta a manifestação.
A sanção foi imposta pela ANPD para frear episódios de violência e de coação de menores de 18 anos de idade, como o que culminou com o suicídio de uma adolescente de 13 anos, moradora de Naviraí (MS), em 22 de julho. A interrupção da possibilidade de os usuários no Brasil transmitirem vídeos no Discord já foi efetivada pela empresa norte-americana, nesta segunda-feira (17).
Na carta, as organizações criticam o ambiente de polarização política em torno do assunto e ponderam que a suspensão não foi uma medida isolada, mas se soma a um esforço de investigação que envolve não apenas a ANPD, mas operações da Polícia Civil em ao menos oitos estados que apuram a prática de crimes no Discord e no Telegram.
Entre as violações, segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública, estariam o recrutamento de crianças e adolescentes para a prática de crueldade contra animais, ao lado da automutilação e do induzimento ao suicídio.
O manifesto observou que poucos dias antes da decisão sobre o Discord, a própria ANPD havia fixado prazo, até 17 de setembro, para que qualquer plataforma com mais de 1 milhão de usuários crianças ou adolescentes no Brasil publique relatórios semestrais detalhando denúncias recebidas, medidas de moderação adotadas e avaliações de risco realizadas.
"A lei exige que a própria plataforma demonstre, de forma contínua e verificável, que está prevenindo riscos conhecidos. No caso do 'Go Live', isso significa que cabe ao Discord comprovar que tem meios de identificar e conter esses problemas antes de retomar a funcionalidade, não à ANPD provar o dano depois que ele acontece", ressalta a publicação.
Entre as entidades signatárias do documento estão a Coalizão Direitos na Rede (CDR), o Instituto Alana, o Comitê Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes, o Conselho Federal de Psicologia (CFP), a SaferNet Brasil, o Instituto Sou da Paz e a Associação de Pesquisadores e Formadores da Área de Criança e do Adolescente (NECA).
"A alternativa encontrada pelo Brasil para atacar o problema da violência online contra crianças e adolescentes aposta em uma abordagem mais ampla de proteção, baseada na prevenção de riscos, na adoção de salvaguardas e na responsabilização dos diferentes atores do ambiente digital, em vez de concentrar a resposta apenas em restrições de acesso associadas à idade. Crianças e adolescentes do Brasil precisam ser protegidos já", prossegue a carta das organizações da sociedade civil.
O texto finaliza reiterando a responsabilidade do Discord em demonstrar, na prática, que é capaz de proteger seus usuários mais jovens na plataforma, e reafirma o papel da ANPD de exigir medidas reais que impeçam violação de direitos de crianças e adolescentes no ambiente digital.
Mostra Sesc Cariri de Culturas começa hoje e vai até domingo
Dezenas de cidades do interior do Ceará recebem a partir desta quinta-feira (20) um dos festivais de cultura mais tradicionais da região. Até o próximo domingo, cerca de 28 municípios da Região do Cariri, entre eles, Barbalha, Crato, Nova Olinda e Juazeiro do Norte - recebem mais uma edição da Mostra Sesc Cariri de Culturas.
São 319 atividades abertas ao público, envolvendo mais de 2.600 artistas, entre músicos, escritores, mestres e brincantes de várias manifestações culturais. A programação terá exposições, shows, cafés literários, rodas de conversas, exibição de filmes, além de ações formativas e expressões da tradição.
Dez artistas se apresentam na Mostra. Entre eles, a cantora Maria Rita, com o seu mais novo trabalho “Redescobrir Vol. 2”, no sábado, a partir de oito da noite, no Parque da Cidade, em Barbalha. O mesmo espaço recebe em seguida o cantor e multi instrumentista cearense Leonardo de Luna, com o espetáculo “A Luz do Meu Forró”, celebrando a tradição a musicalidade nordestina.
Nas artes cênicas, uma das atrações é o espetáculo “Circo de los Pies”, que será realizado entre esta quinta até o próximo sábado (22) no Teatro Sesc do Crato, no Teatro Sesc Patativa do Assaré, em Juazeiro; e no Teatro Violeta Arraes, em Nova Olinda, respectivamente.
Para as crianças, além das várias ações formativas, o destaque é a programação da Mostrinha que reúne atrações voltadas para esse público. Haverá ainda exposição de livros e cordeis infantis, exposição de brinquedos do artesão Dim Brinquedim, espetáculo do cantor, compositor e pesquisador de música infantil, Rubinho do Vale, além de peças infantis como a do grupo Catarsis – Arte para infância e juventude.
Na área museológica, um dos destaques é a inauguração da 30ª unidade do Museu Orgânico do Sesc Ceará. O Museu Casa do Soldadinho do Araripe será inaugurado na cidade do Crato, às dez da manhã deste sábado. O novo espaço chama a atenção para o patrimônio natural da Chapada do Araripe, com suas fontes de água, trilhas, e que é o berço onde vive o pássaro Soldadinho-do-Araripe e diversas outras espécies.
O calendário dos 4 dias de evento já está disponível no site mostrasescdeculturas.com.br.
A imaginação levada a sério na obra de Marcelo Xavier
Em Belo Horizonte, o público pode conferir até o dia 12 de outubro a exposição “Asa de Papel - Marcelo Xavier”, que faz um passeio pelo universo de mais de 40 anos de produção do artista plástico, escritor e ilustrador.
Marcelo Xavier é autor de mais de 20 livros infantis e venceu o Prêmio Jabuti de melhor ilustrador pelo livro Asa de Papel, título que dá nome à mostra em cartaz no CCBB de Belo Horizonte.
A obra do artista é apresentada como um livro expandido, do qual personagens, imagens e palavras são transportados para o espaço da exposição. O curador Marconi Drummond destaca a linguagem singular de Marcelo Xavier na literatura infanto-juvenil brasileira.
“Podemos dizer que seus livros não apenas contam histórias, eles propõem modos de ver, imaginar e compreender o mundo, [...] A obra do Marcelo Xavier aborda com sensibilidade e humor questões como diversidade, inclusão, direito à cidade, cultura popular, meio ambiente, e sobretudo a potência criadora das infâncias”.
A exposição conta com recursos de acessibilidade, como maquetes táteis e conteúdos sonoros, em Libras e Braille. Autonomia e inclusão são temas que atravessam a trajetória de Marcelo Xavier: o artista de 77 anos é cadeirante e convive há mais de 20 anos com ELA, esclerose lateral amiotrófica.
Filha de Marcelo, a também artista plástica Luiza Xavier conta que a experiência do pai com massinha de modelar começou na infância em Vitória (ES) quando ele brincava de criar figuras no barro. Luiza comenta a metodologia da “chave de massinha”, desenvolvida por Marcelo.
“a massinha de modelar é uma forma de acessar muito facilmente o universo não só da criança, mas também dos adultos. Ela é um material super versátil, super colorido, muito vivo que responde muito rapidamente à nossa criatividade, à nossa imaginação e é um instrumento pedagógico fantástico.”
Com ambientes inspirados de forma lúdica em livros do artista, a mostra traz instalações, desenhos e esculturas, que também revelam a expressão do artista além dos trabalhos com massinha de modelar. Luiza Xavier destaca que a imaginação é coisa séria, não apenas para as crianças, mas também para os adultos.
“Meu pai, o Marcelo, ele tem uma frase que eu gosto muito, que faz uma pergunta: 'por que a realidade é mais verdadeira que a fantasia, se ela também é inexplicável'? O que ele quer dizer com essa frase é que realidade e fantasia se cruzam, se mesclam. A fantasia tem é uma uma força real, que deve ser levada a sério.”
Crianças e adultos podem explorar a imaginação na mostra de Marcelo Xavier no CCBB de Belo Horizonte até o dia 12 de outubro. A entrada é gratuita, com retirada de ingressos na bilheteria ou pelo site da instituição.
Começa hoje Festival de Cinema Guarnicê no Maranhão
Começa nesta quinta-feira (20), no Maranhão, um dos festivais de cinema mais antigos do país.
A capital do estado, São Luís, será palco mais uma vez do Festival de Cinema Guarnicê, que chega à sua edição número 49.
A programação, que segue até o dia 26 de agosto, vai se concentrar no Cinépolis São Luís Shopping e no Cine Sesc Deodoro, além de ações em espaços de educação e acessibilidade da cidade.
A cerimônia de abertura acontecerá, logo mais, às 19h, no Cinépolis, com a celebração da carreira de dois dos homenageados dessa edição, os atores Rômulo Estrela, nascido no Maranhão, e a paraibana Marcélia Cartaxo. Em seguida, será exibido o filme “Resta Um", dirigido por Fernando Ceylão.
Outro destaque da programação acontece na sexta-feira, a partir das 20h, também no Cinépolis, com uma sessão especial dedicada ao cineasta maranhense Frederico Machado, terceira personalidade homenageada pelo Guarnicê.
Haverá a exibição de “Terra Devastada", dirigido por ele. Machado atua em várias frentes do cinema brasileiro, como diretor, roteirista, produtor e exibidor; já ganhou mais de 100 prêmios internacionais e nacionais; como distribuidor, fez circular mais de 300 filmes internacionais e nacionais no mercado brasileiro. Ele também comanda iniciativas como a Lume Filmes, a Escola Lume de Cinema e o Cine Lume.
A programação deste ano, que pode ser acessada na página guarnice49.ufma.br, contará com mostras competitivas de videoclipes, curtas-metragens e longas-metragens nacionais e maranhenses, além de oficinas, o Seminário Ciência Cine Guarnicê, debates, ações formativas, a Mostra de Jogos Digitais, dentre outras atividades.
Já o Cine Sesc Deodoro recebe entre os dias 21 e 26 de agosto, as sessões da Mostra Universitária, Guarnicêzinho, Mostra Jovem, Cinema Não Tem Idade, Sessão Especial Geniparana/TV UFMA e Cinema no Intervalo.
Criado em 1977 pela Universidade Federal do Maranhão, o Festival Guarnicê de Cinema é o quarto evento do gênero mais antigo do Brasil em atividade.
Viva Maria visita a memória e a poesia de Cora Coralina
Oi, oi, gente amiga da poesia e dos doces sabores da vida. Nosso programa de hoje tem cheiro de fruta cristalizada, gosto de infância e um punhado de versos nas mãos. E isso porque hoje, 20 de agosto, é o dia da gente se sentir em festa para celebrar o nascimento de uma mulher que viveu todas as vidas em uma única existência: Cora Coralina, a doceira Aninha que um dia se transformou em poeta e que hoje estaria fazendo 137 anos.
Cora fez da cozinha um laboratório de alquimia, das mãos uma ferramenta de criação e da palavra o ingrediente maior de sua vida. E o calendário de hoje parece até que foi feito sob medida para ela, porque hoje é Dia do Vizinho, Dia do Cozinheiro e é aniversário de Cora Coralina. Cora dizia que o vizinho era o parente mais próximo e, cozinheira de mão cheia, fazia doces que, segundo ela própria, eram ainda mais importantes do que seus versos.
E é para essa mulher de mãos doceiras e alma inquieta que o nosso Viva Maria abre hoje o seu baú de memórias. Cora Coragem, Cora Coração, Cora Coralina: uma mulher que nos ensina que nunca é tarde para transformarmos a vida em poesia.
Perfil: Em 20 de agosto de 1889, nascia na cidade de Goiás Anna Lins de Guimarães Peixoto Bretas, a poetisa famosa pelos doces gostosos que sabia fazer como poucos. Além de farinha de trigo e açúcar, havia outro ingrediente com o qual trabalhava muito bem: a palavra.
Apesar de só ter frequentado a escola primária, a doce poetisa moldava os versos com a facilidade e simplicidade com as quais dava forma aos doces cristalizados. Contudo, demorou sete décadas para publicar seus quitutes literários. É, mas a espera valeu! Aos 75 anos, deixou de ser a doceira Aninha para se tornar a poeta Cora Coralina.
"Alguns há de definir a vida como um mar de ondas violentas. O riso é a minha definição da vida."
Quem revelou toda a doçura de Cora para o Brasil e o mundo foi o poeta Carlos Drummond de Andrade. Quando Cora tinha 90 anos, recebeu de Drummond uma carta com os maiores elogios. Disse o poeta:
"Aninha hoje não nos pertence, é patrimônio de todos nós que nascemos no Brasil e amamos a poesia."
E em abril de 1985, Cora Coralina morreu, mas não sem antes publicar sete livros: Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais, Meu Livro de Cordel, Estórias da Casa Velha da Ponte, O Tesouro da Casa Velha, Vintém de Cobre e dois livros infantis, Meninos Verdes e A Moeda de Ouro que o Pato Engoliu. Livros que haverão de habitar para todo sempre a cidade de Goiás, que Cora chamava amorosamente de "minha cidade". Em verso e prosa, dizia: "Eu sou amorosa de tuas ruas estreitas, curtas, indecisas, entrando e saindo uma das outras. Eu sou a menina feia da Ponte da Lapa, eu sou a Aninha."
"Ah, mas não basta só a imortalidade simbólica, não. Precisa é aquela de fato, não é? Todos os órgãos, todas as glândulas, todos os músculos e, sobretudo, precisa o equilíbrio da mente."
E agora vamos voltar no tempo para acompanhar uma visita muito especial à Casa-Museu de Cora Coralina na cidade de Goiás Velho. Foi em 2010 que o nosso programa esteve por lá na companhia da poeta de Xinguara, Kênia Silva, nossa Maria Quarquê, e também com a nossa querida Dra. Lívia Martins, que tem os pés plantados pelas beiras de Goiás Velho e conhece de perto os caminhos de Cora. Portanto, cola aí o ouvido no rádio e vamos juntas entrar na casa de Cora Coralina. E quem nos guia por essa casa, por seus objetos, suas lembranças e sua trajetória é uma Maria que conhece a história de Cora como a palma de sua mão. Vamos ouvir?
Cora Coralina nasceu nesta casa em 20 de agosto de 1889. Aqui Cora passou toda a infância. Em 1911 ela foi embora para São Paulo e em 1925 ela se casa com um advogado mineiro, tendo seis filhos, 15 netos e 30 bisnetos. Mora na cidade de Avaré, Jaboticabal, Andradina, Penápolis e na própria capital paulista.
Cora fica viúva em 1934, volta para a cidade de Goiás, para esta mesma casa, em 1956. Dando início à atividade doceira, que dura por mais 14 anos. Era nesses tachos que Cora fazia os doces. Quando ela volta de São Paulo e inicia a atividade doceira, ela cria, no dia 20 de agosto — data do aniversário dela —, o Dia do Vizinho e o Dia do Cozinheiro.
Dia do Vizinho porque ela falava que o vizinho é o parente mais próximo nosso, e Dia do Cozinheiro é a pessoa que prepara a nossa mesa. Aqui na cidade de Goiás é comemorado o dia 20 de agosto. Cora faleceu em 10 de abril de 85, com 95 anos, em Goiânia. Pode olhar à vontade.
Eu queria saber só quando ela começou a fazer poema reconhecido.
Ela começou a escrever com 14 anos, agora publicar só com 75 anos o primeiro livro, que é o Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais.
E você, Kênia Silva, o que você achou dessa história? O que você está achando desses tachos maravilhosos de cobre, coisa linda, né?
Olha, é muito lindo. Eu conhecia a história de Cora, né, sou apaixonada pela história dela. É assim um prazer que não dá para definir estar aqui dentro da casa, vendo essas coisas que a gente viu pela televisão, né, tá vendo de perto. É uma pena que não dá para fotografar para levar pelo menos isso para mostrar para as pessoas lá e sentir um pouquinho do que que é isso aqui.
Mas também você vai levando nos olhos e no coração, que essa é a lembrança maior, que em tempo não haverá de esmaecer, né? E eu acho bom também que a gente guarde o privilégio de ver todas essas coisas assim de perto, né, a partir desse contato com Goiás, com essa casa. Vamos lá, a nossa querida Lívia Martins me chama para a leitura de um trecho do poema. Pode ler você, minha linda.
"Minhas mãos doceiras, jamais ociosas, fecundas, imensas e ocupadas. Mãos laboriosas, abertas sempre para dar, ajudar, unir e abençoar."
É do livro Meu Livro de Cordel, Cora Coralina. Olha ela fazendo aqueles doces maravilhosos. Vocês não vendem mais os doces? Ah, que pecado. E ela dizia: "Não sou uma ex-doceira, sou uma doceira e considero melhores os meus doces do que os meus versos. Sou poeta por acaso e doceira por convicção e necessidade."
E aí a Lívia me aponta mais um: "Eu estava nos meus doces, eu me punha nos meus doces, imprimia os tons da minha personalidade nos meus doces. O meu prazer ia desde o começo da manipulação da fruta até a embalagem."
Mas é até o que a Dra. Lívia Martins faz com a babosa, né, amiga? Não comparando...
Pois é. (risos) Eu achei tão lindo isso quando ela fala de imprimir o seu jeito de ser, a sua personalidade naquele alimento que você prepara.
É, nos seus doces, né? E é isso que a gente deve fazer, porque cozinhar é uma alquimia, é o maior gesto de amor. Maior do que esse gesto, só o de contar história para criança, né? Que eu acho que também é uma das coisas mais importantes.
Com 83 anos Cora cai desta calçada e quebra o fêmur direito. Passa a usar muletas e usa até o último dia de vida. Essa imagem que temos da Cora, ela sentada lendo, declamando, recebendo os turistas nessa sala que era chamada de varanda — porque hoje varanda para nós é a parte de fora, mas antes era interna —, e era aqui que ela recebia os turistas, sentada nessa poltroninha.
E os turistas já vinham mais para conhecer a arquitetura da casa ou já vinham procurá-la por ser ou por saber do grande valor literário revelado por Carlos Drummond de Andrade?
Primeiramente vinham por causa dos doces. Depois, com um determinado tempo, pelo valor literário dela.
Qual era o doce mais famoso de Cora?
Os doces que ela fazia eram de frutas cristalizadas: mamão, laranja, né, figo. Para ela comer, ela falava que gostava do de banana.
Doce de banana! Inspiração pra gente ler hoje e sempre a poesia da eterna Cora Coralina.
Festival de cinema reúne diversidade, inclusão e acessibilidade
Começa nesta quarta-feira (19) mais uma edição do Cinedeia – o Festival Cearense Internacional de Diversidade, Equidade, Inclusão e Acessibilidade. O projeto está em sua quinta edição e chega a Fortaleza depois de circular pelo interior do estado.
Na capital cearense, a programação irá se concentrar no CineTeatro São Luiz, onde o público poderá conferir 15 filmes brasileiros que tratam de temas como: diversidade, envelhecimento, povos indígenas, cultura afro-brasileira, inclusão social e meio ambiente.
Lucas Paz, diretor do projeto, dá mais detalhes sobre a programação.
“Vocês podem contar com uma programação inteiramente gratuita. Teremos exibição de filmes de todo o Brasil com Libras e áudio descrição, a presença de acompanhantes atitudinais, debates, mesas expositoras, como também um curso de qualificação profissional audiovisual inclusiva, disponível em Libras e com a tradução de intérpretes".
As sessões acontecerão até o próximo dia 23 de agosto.
Nesta quarta e quinta, as sessões serão voltadas para escolas; e de sexta até domingo, o festival abre suas portas para o público em geral. Lucas destaca ainda que o festival funcionará como um canal para aproximar o público de entidades que podem contribuir com a cidadania e a inclusão.
“Para além das ações de sustentabilidade e sociais, nós também promovemos encontros da população com órgãos públicos e associações. Então, todas as visitas que você fizer durante o festival, de nove da manhã às nove da noite, você encontrará mesas expositoras com diferentes órgãos, coordenadorias de diversidade, de direitos humanos, de meio ambiente, como associações que também trabalham com essas causas de diversidade e inclusão dentro da economia criativa, dentro da inovação sustentável e dentro da gestão pública.
Outro destaque do Cinedeia será a projeção na fachada do histórico Cineteatro de um videomapping acessível.
A programação completa e o link para retirada dos ingressos estão disponíveis no instagram do projeto @cinedeia.ce.
Medicamentos, preparações galênicas e, acima de tudo, uma atitude acolhedora e atenciosa: essas são as ferramentas que o centro de saúde à sombra
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Onda de calor: Farmácia Vaticana na linha de frente no cuidado dos mais frágeis
Medicamentos, preparações galênicas e, acima de tudo, uma atitude acolhedora e atenciosa: essas são as ferramentas que o centro de saúde à sombra da Cúpula da Basílica de São Pedro oferece diariamente para combater as ondas de calor. Atenção especial é dada aos mais vulneráveis. O diretor, Irmão Mulackal, afirma que "a saúde é um direito fundamental de todos."
Dias de expectativa para a diocese da Emília-Romanha, que receberá Leão XIII no sábado, 22 de agosto. Primeiro, uma etapa no Encontro de Rimini,
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Leão XIV em Rimini: do Papa, a ajuda a construir a cultura do amor, diz bispo
Dias de expectativa para a diocese da Emília-Romanha, que receberá Leão XIII no sábado, 22 de agosto. Primeiro, uma etapa no Encontro de Rimini, seguida imediatamente por um encontro com os pobres e enfermos na catedral e, por fim, uma Missa no porto. O bispo, dom Nicolò Anselmi, faz votos que a chegada do Papa inspire os jovens a praticarem o bem.
O convite foi feito em setembro de 2016, pelo então Bispo de São Tomé e Príncipe, Dom Manuel António Mendes dos Santos, português. Depois de uma
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Cabo Verde - OFMC celebra dez anos de presença em São Tomé
O convite foi feito em setembro de 2016, pelo então Bispo de São Tomé e Príncipe, Dom Manuel António Mendes dos Santos, português. Depois de uma reflexão interna, o Governo da Custódia dos Frades Capuchinhos de Cabo Verde decidiu abrir uma frente missionária naquele país africano, e ali estão ainda hoje prestando um importante serviço.
STJ restabelece sanções a cursos de medicina com nota baixa no Enamed
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) suspendeu liminarmente a decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) e restabeleceu as medidas cautelares impostas pelo Ministério da Educação (MEC), em março deste ano, a 107 instituições de ensino superior com baixo desempenho no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) de 2025.
Entre as medidas previstas para essas instituições estão a suspensão da oferta de vagas vinculadas ao Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e ao Programa Universidade para Todos (Prouni), assim como de novos processos seletivos e vestibulares, e a redução do número de vagas autorizadas.
De acordo com o MEC, as medidas cautelares e as ações de supervisão impostas pela pasta têm como objetivo promover a melhoria da qualidade dos cursos de medicina e assegurar à população a excelência da formação dos futuros médicos.
“O MEC seguirá defendendo uma abordagem que valorize a formação de qualidade, a responsabilidade das instituições de ensino e o papel do Estado na indução de melhorias, assegurando o direito da população a serviços prestados por profissionais bem formados”, diz o comunicado publicado pelo ministério.
Instituições privadas de educação superior
Em nota à imprensa, a Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) – entidade que representa instituições e mantenedoras da educação superior privada em todo o país – diz ter tomado conhecimento da decisão proferida nesta quarta-feira (19) pelo STJ e que seguirá acompanhando o tema com serenidade e responsabilidade institucional. “A entidade informa que sua assessoria jurídica está analisando o teor da decisão e avaliará as medidas cabíveis.”
Enamed
Criado pelo MEC, o Enamed será aplicado obrigatoriamente a cada seis meses pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) a todos os estudantes concluintes de cursos de medicina no Brasil.
O exame tem duas funções principais: avaliar a formação médica no país e servir como critério para processos seletivos de residência médica de acesso direto, como no processo unificado do Exame Nacional de Residências (Enare).
Em junho deste ano, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) anunciou que o Enamed passa a valer como instrumento de avaliação da proficiência dos estudantes de medicina e da qualidade dos cursos de graduação.
A regra está prevista na nova política integrada para a formação em medicina no país, prevista na Medida Provisória n° 1370/2026. Com isso, os formados nesse curso somente vão poder realizar sua inscrição no Conselho Regional de Medicina (CRM) se tiverem rendimento suficiente no exame. O registro no conselho é obrigatório para o exercício legal da profissão de médico no Brasil.
O Enamed também substituirá integralmente a primeira fase (teórica) do Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos Expedidos por Instituição de Educação Superior Estrangeira (Revalida).
O graduado que não obtiver avaliação satisfatória no Enamed poderá refazê-lo em edições seguintes do exame, realizadas a cada seis meses, conforme a nova política integrada para formação médica.
UnB muda regras de ingresso para ampliar acesso às vagas de graduação
A Universidade de Brasília (UnB) anunciou, nesta quarta-feira (19), mudanças nas formas de ingresso primário nos cursos de graduação de oferta regular a partir de 2027. Não haverá alteração na quantidade total anual de vagas.
A nova política reorganiza a distribuição das vagas entre os semestres letivos e os quatro principais processos seletivos: o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), o Programa de Avaliação Seriada (PAS), o vestibular e o Acesso Enem.
Em resumo, no primeiro semestre letivo, serão distribuídas as vagas via duas modalidades: pelo Sisu e pelo Programa de Avaliação Seriada (PAS), respeitando os quatro graus de distribuição de vagas definidos pela nova política.
No segundo semestre letivo, as vagas serão distribuídas entre o vestibular tradicional e o Acesso Enem, na proporção de 50% das vagas para cada modalidade.
O decano de Ensino de Graduação da UnB, Tiago Coelho, explica que o foco das mudanças é otimizar o aproveitamento das vagas ofertadas pela instituição pública de ensino superior.
“Anualmente, a UnB oferta mais de 8,4 mil vagas, em 147 cursos de graduação. Essa política visa organizar os processos de ingresso primário para que possamos ampliar este acesso à nossa universidade.”
A definição está normatizada na Resolução nº 0130/2026 do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão da Universidade de Brasília (Cepe).
Ampliação do Sisu
O ingresso via Sistema de Seleção Unificada (Sisu) passa a abranger todos os cursos da UnB, com ingresso já no primeiro semestre de 2027.
Os candidatos poderão utilizar a nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para concorrer a todas as oportunidades disponibilizadas pela Universidade para o sistema nacional.
Até o momento, o Sisu era ofertado por adesão dos cursos de graduação. Em 2026, dos 147 cursos da UnB, apenas 47 tinham aderido ao sistema nacional.
Transição do PAS
Com a nova política de ingresso, os aprovados no Programa de Avaliação Seriada (PAS) da UnB irão entrar na universidade pública apenas no primeiro semestre de cada ano, a partir de 2029. Até o momento, as vagas do PAS eram distribuídas em dois semestres.
A UnB pede atenção para o período de transição do PAS. Em 2027 e 2028, a universidade manterá o ingresso pelo PAS em dois semestres anuais para preservar os ciclos em andamento, ou seja, para quem já está fazendo as avaliações dos ciclos (chamados de sub-programas) do PAS 2024-2026 e do PAS 2025-2027.
Como o ingresso apenas no primeiro semestre será a partir de 2029, a mudança valerá para quem vai fazer a primeira prova do PAS em 2026 e iniciará, desta forma, o ciclo 2026-2028. A UnB anunciou que lançará o edital do PAS 2026-2028 em breve.
O PAS é um processo seletivo da UnB que avalia o estudante em três etapas consecutivas (PAS 1, PAS 2 e PAS 3), realizadas no fim de cada um dos três anos letivos do ensino médio.
Vestibular tradicional
O ingresso pelo vestibular concentrará a oferta de vagas no segundo semestre letivo de cada ano. Antes da alteração, a prova do vestibular vinha sendo ofertada no primeiro semestre.
A seleção já valerá para aplicação do vestibular em novembro de 2026, com matrícula dos aprovados no respectivo curso somente no segundo semestre de 2027, como explica o professor Tiago Coelho.
“Divulgaremos os resultados em fevereiro de 2027, mas aquele candidato ou candidata que passar no vestibular vai entrar no segundo semestre de 2027.”
Acesso Enem
O Acesso Enem da UnB continua como forma de ingresso e, pela nova política, terá vagas destinadas somente no segundo semestre letivo, ao lado do Vestibular.
Apesar de utilizar o desempenho obtido nas provas do último Exame Nacional do Ensino Médio, o Acesso Enem é diferente do Sisu, pois é um processo seletivo próprio da UnB e guiado por edital próprio.
Os editais do Acesso Enem são destinados aos cursos presenciais de graduação, distribuídos nos quatro campi da UnB: Darcy Ribeiro (Asa Norte), Planaltina, Gama e Ceilândia.
Reaproveitamento de vagas ociosas
No caso de ausência de candidatos classificados para ocupar as vagas destinadas a um dos processos de seleção para ingresso primário na UnB, as vagas ociosas serão transferidas prioritariamente para outro processo de ingresso primário que ocorra no mesmo semestre, mediante critérios definidos em edital e observada a maior capacidade de preenchimento da modalidade substituta.
O objetivo é otimizar a ocupação das vagas de graduação disponibilizadas pela UnB.
A UnB fará o acompanhamento dos resultados, com avaliação periódica de indicadores como preenchimento das vagas, matrícula efetiva e vacância residual, o que permitirá que o modelo seja revisto para ajustar a distribuição de oportunidades entre as modalidades.
MEC lança diretrizes para ensino de arte na educação básica
A rede escolar de educação básica tem agora diretrizes para ensino de arte na educação básica brasileira. Nesta terça-feira (18), foi publicada no Diário Oficial da União a norma que trata a arte como campo de conhecimento.
O material foi produzido e aprovado, em março de 2026, pela Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação (CNE) e complementa a Base Nacional Comum Curricular (BNCC).
O documento destaca que o ensino e aprendizado das áreas artísticas devem ser organizados em quatro componentes curriculares, desde a educação infantil até o ensino médio. São eles: artes visuais, dança, música e teatro.
De acordo com Parecer CNE/CEB nº 2, a arte é um campo essencial à formação humana, capaz de promover a criatividade, o pensamento crítico e o diálogo com outras áreas.
O presidente do CNE, César Callegari, explica o que muda na educação brasileira.
“Não podemos mais falar de arte com improviso ou apenas para ilustrar festas e comemorações. A arte é fundamental para tudo, para o ensino da língua portuguesa, para física, para matemática. Essa articulação é que dá sentido maior àquilo que nós chamamos a formação integral do indivíduo”, pontuou.
A nova norma
As escolas devem ensinar sobre conteúdos, métodos, processos de criação, referências culturais e formas próprias de produzir conhecimento.
arte como prática integradora – deve ser vista como prática educativa com potencial para integrar experiências dentro e fora do ambiente escolar;
processos criativos e reflexivos – o ensino envolve criação, experimentação, apreciação e reflexão crítica, além da técnica e da reprodução;
contextualização e análise crítica – analisar obras em seus contextos históricos, sociais e culturais amplia o repertório cultural dos estudantes;
desenvolvimento integral do estudante – o ensino de arte favorece o desenvolvimento cognitivo, afetivo, social, cultural e estético dos estudantes.
As redes de educação devem definir uma carga horária equilibrada e coerente para cada componente curricular de arte, com a implementação de dois por ano, evitando sobreposições e garantindo a continuidade da aprendizagem.
Além disso, as escolas também deverão avaliar as condições físicas e pedagógicas para ofertar os componentes; elaborar planos com metas progressivas para melhorar espaços, materiais e recursos; integrar o espaço escolar com equipamentos culturais e artísticos locais; e fomentar parcerias com a comunidade para enriquecer a educação.
O texto destaca que, na educação básica, cada criança, jovem ou adulto aprende de um jeito único e essa singularidade deve ser respeitada.
Deveres das redes de ensino
Os sistemas de ensino estaduais, do Distrito Federal e municipais, em regime de colaboração com a União, devem assegurar a completa implementação desta resolução até o fim do prazo de vigência do Plano Nacional de Educação (PNE 2026-2036).
O PNE estabelece as diretrizes, metas e estratégias para a política educacional brasileira na próxima década.
O objetivo é reforçar a importância da arte na formação integral dos estudantes brasileiros.
Ensino integral acelera aprendizado de vulneráveis
Os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2025 mostram que entre as 100 escolas de ensino médio de menor nível socioeconômico com melhor desempenho, 77 funcionam em formato 100% integral.
A análise inédita que cruza desempenho escolar do Ideb 2025 e o Indicador de Nível Socioeconômico (INSE) dos estudantes brasileiros foi feita pelo Instituto Sonho Grande e o Instituto Natura e mostra ainda que a escola de ensino médio de tempo integral tem performance superior em todos os níveis socioeconômicos.
O levantamento mais detalhado revela o maior ganho do tempo integral chega principalmente aos estudantes mais vulneráveis: as 1.166 escolas 100% integrais com menor nível socioeconômico (níveis II e III) apresentam uma vantagem de 0,6 pontos no Ideb em relação às 1.713 escolas parciais do mesmo nível –um desempenho 15% maior.
E quando comparado o ganho no Ideb com a jornada ampliada entre as escolas classificadas como níveis diferentes, nas mais vulneráveis o impacto é quase 70% superior ao registrado nas unidades de contextos menos vulneráveis.
O Instituto Natura Brasil conclui que a política do ensino integral leva mais oportunidades de aprendizagem a quem mais precisa, como constata a superintendente de Políticas Educacionais da instituição, Maria Slemenson.
Maria Slemenson, Superintendente do Instituto Natura Brasil. Foto: Divulgação Instituto Natura
“Por muito tempo, tratamos a qualidade educacional como consequência da riqueza do território. O que o ensino médio integral vem provando, edição após edição do Ideb, é que onde a política é priorizada e bem implementada, o resultado de aprendizagem se descola da renda da família e da capacidade fiscal do estado.”
Por isso, o Instituto Natura entende que o programa Escola em Tempo Integral do Ministério da Educação (MEC) é a política pública mais efetiva, atualmente, “para reduzir, de forma estrutural, a desigualdade educacional herdada pelo Brasil.”
Salto no SAEB equivale a anos extra de estudo
Os impactos das escolas de ensino médio 100% em tempo integral também se manifestaram nos resultados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB) 2025, que mede a qualidade do ensino nas escolas de todo o território nacional, a cada dois anos. Os alunos fazem provas nas disciplinas de matemática e língua portuguesa.
Em matemática, nas escolas de baixo nível socioeconômico, os alunos do ensino 100% integral obtiveram 23 pontos a mais no SAEB 2025 em relação aos estudantes do ensino parcial. Essa diferença de proficiência em matemática equivale a 4,6 anos a mais de aprendizado.
A especialista em educação do Instituto Natura Brasil aponta que o tempo estendido permite recompor as aprendizagens defasadas ao longo do ensino fundamental, na tentativa de neutralizar os gargalos na aprendizagem. “Isso só é possível porque o tempo extra é usado para dois movimentos que, em uma escola parcial, competem pelo mesmo período curto: avançar no conteúdo da série e, ao mesmo tempo, recompor o que ficou para trás”, disse Maria Slemenson.
Ela observa que nas unidades de tempo parcial, esse tipo de intervenção quase nunca cabe na grade, mas que nas escolas que funcionam em formato 100% integral, a recomposição das aprendizagens faz parte da rotina.
Já na língua portuguesa, na mesma comparação, o ganho foi de 21 pontos no SAEB 2025, o que representa uma aceleração de 3,2 anos de escolarização adicional para os jovens em situação de maior vulnerabilidade.
Maria Slemenson observa que o modelo de ensino integral impulsiona esse salto de leitura e escrita.
“O ganho em leitura e escrita se conecta ao tempo maior na escola, à maior proximidade com o corpo docente e à conexão com o projeto de vida, um dos pilares da política de ensino médio integral”.
Inclusão racial e equidade
Além do recorte de renda, os dados revelam que a vantagem do integral também é maior em escolas com maioria de matrículas de pessoas pretas, pardas ou indígenas (PPIs).
No Brasil, cerca de 74% das escolas 100% integrais do país atendem estudantes com maioria composta por PPIs, quando consideradas as escolas estaduais urbanas e com resultados divulgados no Ideb 2025.
Nas instituições de ensino médio onde os estudantes com perfil racial PPIs representam são mais de 80%, a nota média do Ideb alcança 4,9 no formato 100% integral, contra 4,3 no ensino parcial. Um avanço de 0,6 ponto.
Segundo o Instituto Natura Brasil, o resultado evidencia que a expansão do tempo integral tem contribuído diretamente para diminuir as disparidades de desempenho relacionadas à cor e à raça no ambiente escolar.
“A política de tempo integral já está majoritariamente a serviço de quem mais precisa dela. O Ideb comprova, com dado concreto, que o tempo integral tem um efeito equalizador racial, além do efeito socioeconômico”, celebra Maria Slemenson, do Instituto Natura.
O segredo do sucesso
Para o Instituto Natura, o sucesso e o impacto superior do ensino médio 100% integral no grupo de alunos de baixa renda não decorrem simplesmente do aumento de horas dentro da escola, mas sim de como esse tempo é utilizado.
O eixo pedagógico se sustenta em um conjunto interligado de pilares:
- construção do projeto de vida e protagonismo juvenil para estimular a autonomia e o planejamento de futuro dos jovens.
- acolhimento para oferecer acompanhamento socioemocional próximo e individualizado.
- aprendizado na prática para promover a conexão com o mundo real.
- orientação de estudos e tutoria para estruturar e potencializar a aprendizagem diária.
A superintendente do IN Maria Slemenson lista esse conjunto que posiciona a educação integral em vantagem em relação ao parcial, em especial, onde ela é mais necessária, nas regiões mais vulneráveis socioeconomicamente.
“Para o aluno de baixa renda, que muitas vezes não tem em casa o suporte, o acompanhamento ou a segurança que passam a existir dentro da escola de tempo integral, esse modelo pesa ainda mais.”
Por isso, o IN defende que a política de Ensino Médio Integral seja reconhecida, cada vez mais, como inegociável para o desenvolvimento do país, com benefícios da jornada ampliada, redução de vulnerabilidade social e maior proteção aos estudantes.
Desafios e gargalos
Em 2025, embora as escolas de ensino médio 100% integrais já somem 4.235 unidades no país (21% do total), elas respondem por cerca de 214 mil matrículas urbanas avaliadas.
Em contrapartida, o modelo de jornada parcial ainda concentra mais de 1 milhão de estudantes.
Ao analisar os principais gargalos enfrentados pelas redes estaduais para acelerar a transição do ensino parcial para integral em mais escolas, o Instituto Natura do Brasil avalia que a prioridade política explica o sucesso do modelo. A superintendente da instituição enfatiza que a maior barreira não é financeira, mas sim de gestão governamental sustentada ao longo do tempo.
“O Ideb 2025 mostra que estados com menos capacidade fiscal, quando tratam o tempo integral como prioridade de governo e não como projeto pontual, conseguem avançar tão rápido quanto, ou mais rápido, que estados mais ricos.”
Maria Slemenson ainda destacou o estado Piauí como referência nacional no ensino médio público e liderança nacional em educação profissional e tecnológica integrada. O estado nordestino foi pioneiro e é o único do Brasil com 100% das escolas estaduais de ensino médio em tempo integral.
“Essa transformação foi construída em poucos anos, entre 2022 e 2025, e prova que universalizar o tempo integral com qualidade é uma escolha possível mesmo para estados com menos recursos financeiros disponíveis”, ressaltou a especialista.
Palacete Imperial acumula denúncias de abandono no centro do Rio
Quem circula pelo centro do Rio de Janeiro, perto da região do Campo de Santana, pode observar um prédio centenário da cidade em completo estado de abandono. Uma situação que vem preocupando quem mora e frequenta a área todos os dias.
Interditado pela Defesa Civil desde 2008, o Palacete Imperial, localizado na esquina da Praça da República com a Rua Visconde do Rio Branco, abrigou diversas instituições desde a sua fundação em 1862. E testemunhou eventos importantes para a história do país, como a Proclamação da República, em 1889.
Porém, em 2026, o prédio acumula denúncias de depredação e ocupação irregular, além de problemas graves relacionados à estrutura. Moradores da área contam que o prédio está ocupado por pessoas em situação de rua, e que, apesar de promessas de revitalização, nenhum dos projetos foi finalizado.
O Palacete Imperial está sob propriedade da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) desde 1978, e já foi sede da Escola de Comunicação e do Instituto de Eletrotécnica. Mas desde 2012 a edificação, patrimônio tombado da cidade, passou a ser responsabilidade do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Obras - O objetivo era instalar no prédio o Centro Nacional de Arqueologia (CNA), porém as negociações não avançaram. Em nota, o Iphan informou que realizou obras emergenciais no Palacete Imperial, e que cumpriu todas as intervenções que cabiam a instituição no acordo com a UFRJ, incluindo a limpeza da edificação.
“O Iphan esclarece que a finalidade prevista para o imóvel era exclusivamente a instalação do Centro Nacional de Arqueologia (CNA). No entanto, diante da atual estrutura organizacional da autarquia e da implantação do CNA na sede do Instituto, em Brasília, o edifício deixou de atender à finalidade originalmente estabelecida”, informou a nota.
O Iphan também esclareceu que entrou com um pedido para encerrar o contrato de responsabilidade com a UFRJ, e o processo segue em tramitação.
Defesa Civil - Em resposta, o Centro de Operações Rio informou que a estrutura segue interditada pela Defesa Civil por risco de desabamento, que foram realizadas cerca de dez vistorias no local desde 2008, e que tanto o Iphan quanto à UFRJ foram notificados acerca dos problemas estruturais.
Além disso, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Licenciamento também emitiu vários atos de fiscalização para a tomada de providências.
Procurada pela a Agência Brasil para prestar esclarecimentos, a Universidade Federal do Rio de Janeiro não se manifestou até a publicação desta matéria.
*Estagiária sob responsabilidade da jornalista Mariana Tokarnia.
O Encceja é um exame gratuito, destinado a jovens e adultos que não concluíram os estudos na idade apropriada para cada nível de ensino. Os resultados do exame podem ser utilizados nos processos de certificação de conclusão do ensino fundamental e do ensino médio.
As provas serão aplicadas nos turnos da manhã e da tarde do domingo.
Pela manhã, os portões abrem às 8h e fecham às 8h45, no horário de Brasília. As provas começam às 9h e terminam às 13h.
Já na parte da tarde, os portões serão abertos às 14h30 e fechados às 15h15. A aplicação se inicia às 15h30 e vai até as 20h30.
Provas
Para o ensino fundamental, haverá quatro provas objetivas que avaliarão conhecimentos em: ciências, matemática, língua portuguesa, língua estrangeira moderna, artes, educação física e redação, redação, inglês, espanhol, artes e educação física, história, geografia, filosofia e sociologia.
Já o ensino médio cobrará temas de química, física e biologia, matemática, língua portuguesa com redação, inglês, espanhol, artes e educação física, história, geografia, filosofia e sociologia.
Inscrição para vestibular da Fuvest começa nesta segunda-feira
Começa ao meio-dia desta segunda-feira (17) o prazo de inscrição para o Vestibular 2027 da Universidade de São Paulo (USP). O processo seletivo receberá cadastros até 9 de outubro por meio da página oficial. A taxa cobrada para a participação é R$ 228.
O concurso manterá a oferta de 8.147 oportunidades em cursos de graduação, divididas entre diferentes perfis de concorrência. Serão 4.888 vagas para candidatos da modalidade Ampla Concorrência, 2.053 vagas para candidatos de escolas públicas e 1.206 vagas para candidatos autodeclarados pretos, pardos ou indígenas, egressos de escolas públicas.
A primeira etapa do vestibular, agendada para 1º de novembro, apresentará um novo formato. O caderno terá 80 questões de múltipla escolha, dez a menos do que nas edições anteriores, sem alteração na duração total de 5 horas.
Segundo a banca organizadora, a redução alinha-se a um modelo de avaliação mais interdisciplinar, focado na integração de conteúdos de diferentes disciplinas. A segunda etapa ocorrerá em 6 e 7 de dezembro.
Outra novidade é a inclusão de Fortaleza (CE) como polo de aplicação das provas, medida testada previamente durante os simulados organizados pela instituição. A expansão visa encurtar o trajeto de vestibulandos do Nordeste que tradicionalmente viajavam a São Paulo para prestar o exame, conforme explicou Gustavo Monaco, diretor-executivo da fundação.
Estudantes que demandam adaptações ou recursos de acessibilidade, como tempo estendido, provas em braile ou ampliadas, mobiliário adaptado e uso de próteses auditivas, devem formalizar o pedido no momento do cadastro, seguindo as diretrizes do Guia de Inclusão da instituição.
A organização alerta que beneficiados com gratuidade ou desconto na taxa não são inscritos de forma automática e precisam preencher o formulário do vestibular dentro do prazo.
A exigência também se aplica aos participantes dos simulados promovidos ao longo do ano. Além do canal eletrônico, haverá um ponto de atendimento presencial para inscrições na Feira USP e as Profissões, de 24 a 26 de setembro.
Principais datas:
9 de outubro – Encerramento das inscrições
21 de outubro – Divulgação dos locais de prova da 1ª Fase
1º de novembro – Provas da 1ª Fase
23 de novembro – Divulgação dos convocados e dos locais da prova da 2ª Fase
6 e 7 de dezembro – Provas da 2ª Fase
8 a 11 de dezembro – Provas de Competências Específicas
26 de janeiro de 2027 – Divulgação da 1ª Chamada para matrícula
*Estagiário da Agência Brasil sob supervisão de Odair Braz Junior
Na era da IA, inclusão digital deve ser crítica, defende educadora
O crescente uso de tecnologias como a internet, com destaque para a inteligência artificial (IA), deve ser acompanhado de pensamento crítico e não apenas entregá-las nas mãos de estudantes e professores.
A avaliação é da educadora Daniela Costa, consultora da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) para o Brasil.
“Até um determinado momento, a gente pensava em inclusão digital. Agora, a gente acrescentou duas palavrinhas: tem que ser uma educação, uma inclusão digital significativa e crítica”.
Daniela Costa é coordenadora da pesquisa TIC Educação, desenvolvida pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), uma organização sem fins lucrativos.
“Não dá mais para pensar só em entregar as tecnologias nas escolas, a gente precisa pensar em objetivos, motivos, riscos, oportunidades, o que fazer com as tecnologias e como educar os alunos para um uso mais crítico”, defendeu.
Encontro de educadores
A especialista participou do 4º Encontro de Educadores do Século XXI - Inteligência Artificial e o Futuro da Educação, realizado nesta sexta-feira (14), no Rio de Janeiro. O evento é organizado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).
Para abordar o tema, a consultora da Unesco apresentou dados que refletem avanços e preocupações sobre a relação entre estudantes com o ensino.
Pelo lado do avanço, ela mostrou que, na China, gravações de aulas de alta qualidade distribuídas a 100 milhões de estudantes rurais melhoraram os resultados deles em 32%. Além disso, diminuíram a desigualdade salarial entre populações urbanas e rurais em 38%.
Entre as preocupações, ela citou que a “simples proximidade” de um aparelho celular era capaz de distrair os estudantes e provocar um impacto negativo na aprendizagem em 14 países.
Para a professora, existe uma correlação negativa entre o excesso de uso de tecnologias digitais e a aprendizagem dos estudantes.
“Eu estou em aula, os meus alunos pegam o celular e pronto, acabou. Eles não têm mais atenção”.
Daniela apresentou dados do Cetic.br de que, no início de 2026, 51% das escolas afirmam que os estudantes não podem sequer levar o celular para a escola.
“Essas regras vão se tornando mais brandas de acordo com o nível de ensino”, complementa ela, apontando que no ensino médio, essa regra cai para 31% dos estabelecimentos.
“O celular tem que ficar em bolso, acessórios ou em locais da escola”, explica.
Pesquisa em vídeos
Daniela Costa chamou atenção também para o fato de que aplicativos de vídeo como YouTube e TikTok foram apontados por estudantes de ensino médio como o recurso digital mais utilizado para fazer pesquisas para trabalhos escolares.
O levantamento mostra que esses vídeos são utilizados por 89% dos alunos.
“A gente passa de uma pesquisa usando a linguagem verbal para uma pesquisa visual. É assistir um vídeo para se informar”, constata.
A segunda forma mais comum de pesquisa são sites de buscas, como o Google, utilizado por 88% dos estudantes.
Na sequência figuram sites como blogs e Wikipédia (72%) e plataformas de IA (70%). Livros digitais são a quinta forma mais comum (65%).
Ela assinala que apenas um terço dos estudantes brasileiros afirmam terem sido orientados sobre erros das IAs.
Sociedade e professores
A educadora acrescentou que dados revelam que os professores são referências para os alunos em como utilizar as tecnologias digitais.
De 2022 para 2024, o percentual de estudantes que declararam se informar sobre o uso com os professores passou de 44% para 56%.
No entanto, ela destacou a queda na proporção de professores que informaram terem passado por formação continuada sobre tecnologias digitais nos processos de ensino e aprendizagem.
Em 2021, 65% dos docentes declararam participação. Em 2024, eram 54%. “Esse número é baixo. Essa proporção representa metade dos professores”, lamenta.
“É como se, durante a pandemia, precisávamos falar sobre isso. Depois, não precisamos mais”, criticou.
Para a consultora da Unesco, é importante que a sociedade “se comprometa com esse ator que é o professor, o educador”.
“Não existe uma sociedade sem escolas, não existe uma sociedade sem professores, não existe educação e desenvolvimento integral dos estudantes sem esses elementos”, defende.
Enade divulga resultado de recurso sobre atendimento especializado
O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) divulga nesta sexta-feira (14) o resultado final dos recursos contra o indeferimento do pedido de atendimento especializado no dia de aplicação das provas do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) 2026 para cursos de bacharelado e tecnologia.
A publicação dos resultados ocorre exclusivamente pelo Sistema Enade. Para acessá-los, é preciso ter a senha da plataforma Gov.br.
O atendimento especializado é destinado aos participantes que necessitam de recursos específicos para realizar a prova em condições de igualdade com os demais candidatos, conforme as situações previstas no edital do exame. Entre elas estão as de pessoas com deficiência (PCD), gestantes, lactantes, diabéticos e idosos.
Provas
A aplicação da prova do Enade ocorrerá em 29 de novembro, em todos os estados e no Distrito Federal.
O exame terá duração total de quatro horas e será composto por duas partes. A primeira trata da formação geral e terá 15 questões de múltipla escolha.
A outra será específica de cada uma das 18 áreas avaliadas em cursos de bacharelado e tecnologia, entre elas: arquitetura e urbanismo, várias engenharias, ciências da computação e química.
A parte de componente específico de cada área de avaliação terá 30 questões de múltipla escolha e uma discursiva.
Esses dados contribuem para subsidiar os processos de avaliação de cursos de graduação e das instituições de educação superior (IES) e para compreender os resultados dos concluintes das graduações analisadas no Enade 2026.
Os candidatos também devem responder ao Questionário do Estudante. As informações servem para caracterizar o perfil dos participantes e o contexto de sua formação de nível superior.
Enade
O Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) avalia o rendimento dos estudantes ao fim dos cursos de graduação com o objetivo de verificar a aprendizagem dos conteúdos previstos nas diretrizes curriculares do curso, além do desenvolvimento de competências e habilidades necessárias à formação geral e profissional.
Os resultados do Enade e as respostas dos candidatos ao Questionário do Estudante são utilizados na composição dos Indicadores de Qualidade da Educação Superior dos cursos e das instituições de ensino.
Estudante deve comprovar até hoje informações de inscrição no Prouni
Os estudantes que foram pré-selecionados na segunda chamada do Programa Universidade para Todos (Prouni), do segundo semestre de 2026, devem ficar atentos ao prazo final para comprovar as informações da inscrição. Até esta sexta-feira (14), a documentação pode ser entregue presencialmente no local de oferta do curso ou encaminhada virtualmente para a instituição privada de ensino superior onde foi pré-selecionado.
O Prouni oferece bolsas de estudo integrais (que custeiam 100% do valor da mensalidade) e bolsas parciais (50% do valor da mensalidade) em cursos de graduação e sequenciais de formação específica, em faculdades privadas.
Documentação
A documentação comprobatória exigida para esta fase do Prouni está descrita no edital do processo seletivo - informações socioeconômicas pessoais e dos componentes do grupo familiar do estudante.
A faculdade privada onde o candidato foi pré-selecionado poderá escolher se a documentação poderá ser entregue presencialmente ou online.
Nesse caso, a instituição deverá disponibilizar em suas páginas eletrônicas na internet campo específico para o encaminhamento do material.
No momento em que receber os documentos dos candidatos à bolsa, a instituição deverá emitir um documento que confirme a entrega.
A instituição ainda poderá solicitar documentos complementares, quando necessário.
Nova oportunidade
Os candidatos que, até o momento, não foram pré-selecionados em nenhuma das duas chamadas do Prouni do segundo semestre terão nova oportunidade por meio da lista de espera.
Para participar dessa etapa, será necessário manifestar interesse nos dias 26 e 27 de agosto.
A divulgação do resultado da lista de espera será no dia 1° de setembro e a comprovação das informações de inscrição dos pré-selecionados deverá ser feita entre 1° e 14 de setembro.
Bolsas de estudo
Neste segundo semestre, o programa federal oferece 471.304 bolsas de estudos parciais e integrais em 380 cursos de graduação de 879 instituições privadas de ensino superior.
Do total de bolsas ofertadas, 219.725 foram integrais e 251.579 parciais (50% do valor do curso).
Ações afirmativas
O programa reserva vagas a candidatos que atendem aos critérios da política de ações afirmativas do programa, incluindo pessoas com deficiência e candidatos autodeclarados indígenas, pretos ou pardos.
Para pessoas com deficiência, foram ofertadas 35.365 bolsas; para pretos, pardos e indígenas, 188.880; e, para a ampla concorrência, as demais 247.059 bolsas de estudo.
Cronograma
Confira o cronograma completo da segunda chamada do Prouni 2/2026:
- comprovação de informações da inscrição dos pré-selecionados na 2ª chamada: 5 a 14 de agosto;
- lista de espera: 26 e 27 de agosto;
- resultado da lista de espera: 1º de setembro;
- comprovação das informações da inscrição dos pré-selecionados em lista de espera: 1º a 14 de setembro.
Prouni
O Programa Universidade para Todos tem como público-alvo o estudante brasileiro sem diploma de curso superior.
Os processos seletivos ocorrem duas vezes ao ano, com oportunidades para ingresso no primeiro e no segundo semestre letivos.
A classificação para a seleção do Prouni considera as notas obtidas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para a classificação dos candidatos.
Mais informações sobre as regras do processo seletivo Prouni do segundo semestre deste ano estão no edital público do MEC nº 51/2026.