Era uma quinta-feira quando o jovem Almeida chamou seu pai à mesa para contar lhe da decisão que tomara. Almeida decidira mudar-se para casa de um tio em outro estado. Ninguém poderia compreender o porquê daquilo. O convite que fora feito por seu tio já há alguns meses, não poderia ser menos tentador. Trágica mudança, em momento tão importante, a custo de nada. O pai do jovem escutou todos os argumentos de seu filho sem que qualquer um o justificasse; ficou quieto por quarenta segundos, depois fitou o rapaz e com um leve sorriso, balançou o pescoço positivamente.
Almeida tinha uma grande quantidade de amigos, os quais fazia questão de avisar, um a um. O primeiro, naturalmente, foi Antônio, seu grande amigo. Na sexta-feira ambos caminharam sem destino pela cidade, Almeida se concentrou em formular os mais convincentes argumentos. Nada convincente, porém Antônio que conhecia o amigo como ninguém, decidira esperar. Sentia incerteza, e acreditava que seria apenas mais uma de suas invenções.
— E a Maria... — Sussurrou Antônio.
— Vou conversar com ela amanhã...
Depois disto eles não tocaram no que se dizia respeito à partida do rapaz. Antônio se encantara com bela moça da faculdade, e isto renderia um bom papo até o final da noite. Quando já se despediam, Almeida reafirmou sua decisão, com tamanha certeza que quase se enganou. Nada serio, ainda não tinha ligado para seu tio, muito ainda poderia acontecer.
Eram quinze horas quando o jovem rapaz completou a terceira volta no quarteirão em que a garota morava. A janela aberta foi a pista que demonstrava a chegada do trabalho. Almeida não hesitou, bateu palmas e aguardou a chegada com uma dúvida no rosto, quase um sorriso.
Os planos de partida foram ditos enquanto caminhavam para sala. Maria foi à cozinha e voltou com um copo de água. Ela percebera como o jovem aparentava em calorado. Já sentados, Almeida contou tudo o que faria. Falou inevitável impossibilidade do contato conseqüência do distanciamento. Maria desejou ao amigo os mais felizes votos. Apenas Almeida não sentiu o frio. Naquela tarde não tinha mais dúvidas, sairia na quarta-feira.
Antônio permaneceu junto ao amigo, todo o domingo e segunda, na terça ligou dizendo ter que pernoitar na casa de um parente. Talvez não conseguisse chegar até a partida. Era apenas desculpa, ele não queria ver o amigo partir. Durante este último contato, Antônio hesitou alguns segundos, depois então perguntou se aquilo era mesmo necessário. Almeida se restringia em dizer que seria o melhor.
A terça foi no telefone. Almeida ligou pra todos amigos que pode. Todos lhe desejaram sorte, os melhores votos. Almeida dava ênfase ao dia e hora. “Cedo, sei... É que decidi fazer isto... Sabe? É melhor.”, era o que dizia sempre que estava nervoso.
A quarta-feira foi movimentada em sua casa, todos os parentes se reunião bem cedo para despedirem. Almeida se manteve sereno, conversava com todos, os abraçavam fortemente. As quatorze horas comunicou a todos que seguiria para rodoviária. “Vou sozinho, nada de despedidas”, dizia o garoto.
Sozinho na rodoviária o jovem garoto sentiu-se mal. Ficou inquieto ao observar o horizonte, a expectativa de alguém que não vinha. Todas as malas já estavam guardadas, o último passageiro entrou, faltava Almeida, que permanecia atento ao horizonte. Ninguém. Caminhando lentamente para o ônibus, relembrou todos seus amigos. Eles o amavam, eles o desejavam felicidade e sorte. Forte foi a melancolia que Almeida sentiu quando o ônibus iniciou se percurso. Todos o amava; Almeida era feliz por isto, mas ele sofria, sofria muito por ninguém ter lhe impedido.
Em um dia escuro e chuvoso Almeida partiu.
Silvio de Souza Lôbo Júnior (2005)
####### Acima, o texto original; abaixo, a versão corrigida em 2025. #######
Era uma quinta-feira quando o jovem Almeida chamou seu pai à mesa para contar-lhe da decisão que tomara. Almeida decidira mudar-se para a casa de um tio em outro estado. Ninguém conseguia compreender o porquê daquilo. O convite, que fora feito por seu tio há alguns meses, não poderia ser menos tentador. Trágica mudança, em um momento tão importante, a custo de nada. O pai do jovem escutou todos os argumentos de seu filho sem que nenhum deles o justificasse; ficou quieto por quarenta segundos, depois fitou o rapaz e, com um leve sorriso, acenou positivamente com a cabeça.
Almeida tinha uma grande quantidade de amigos, os quais fazia questão de avisar, um a um. O primeiro, naturalmente, foi Antônio, seu grande amigo. Na sexta-feira, ambos caminharam sem destino pela cidade, enquanto Almeida se concentrava em formular os argumentos mais convincentes. Não obteve sucesso. Antônio, que conhecia o amigo como ninguém, decidira esperar. Sentia incerteza e acreditava que seria apenas mais uma de suas invenções.
— E a Maria? — sussurrou Antônio.
— Vou conversar com ela amanhã...
Depois disso, eles não tocaram mais no que dizia respeito à partida do rapaz. Antônio se encantara com uma bela moça da faculdade, e isto rendeu um bom papo até o final da noite. Quando já se despediam, Almeida reafirmou sua decisão, com tamanha certeza que quase se enganou. Nada sério, ainda não tinha ligado para seu tio, muita coisa ainda poderia acontecer.
Eram quinze horas quando o jovem rapaz completou a terceira volta no quarteirão em que a garota morava. A janela aberta foi a pista de que ela havia chegado do trabalho. Almeida não hesitou, bateu palmas e aguardou que ela aparecesse, com uma dúvida no rosto, quase um sorriso.
Os planos de partida foram ditos enquanto caminhavam para a sala. Maria foi à cozinha e voltou com um copo de água. Ela percebera como o jovem aparentava acalorado. Já sentados, Almeida contou tudo o que faria. Falou sobre a inevitável impossibilidade de contato como consequência do distanciamento. Maria desejou ao amigo os mais felizes votos. Apenas Almeida não parecia sentir o frio da situação. Naquela tarde não tinha mais dúvidas: sairia na quarta-feira.
Antônio permaneceu junto ao amigo durante todo o domingo e a segunda-feira. Na terça, ligou, dizendo ter que pernoitar na casa de um parente. Talvez não conseguisse chegar a tempo para a partida. Era apenas uma desculpa; ele não queria ver o amigo partir. Durante esse último contato, Antônio hesitou alguns segundos, e então perguntou se aquilo era mesmo necessário. Almeida se restringia a dizer que seria o melhor.
A terça-feira foi gasta ao telefone. Almeida ligou para todos os amigos que pôde. Todos lhe desejaram sorte, os melhores votos. Almeida dava ênfase ao dia e à hora. “Cedo, sei... É que decidi fazer isto... Sabe? É melhor” — era o que dizia sempre que estava nervoso.
A quarta-feira foi movimentada em sua casa; todos os parentes se reuniram bem cedo para se despedirem. Almeida se manteve sereno, conversava com todos e os abraçava fortemente. Às quatorze horas, comunicou a todos que seguiria para a rodoviária. “Vou sozinho, nada de despedidas”, dizia o garoto.
Sozinho na rodoviária, o jovem garoto sentiu-se mal. Ficou inquieto ao observar o horizonte, na expectativa de alguém que não vinha. Todas as malas já estavam guardadas, o último passageiro entrou. Faltava Almeida, que permanecia atento ao horizonte. Ninguém. Caminhando lentamente para o ônibus, relembrou todos os seus amigos. Eles o amavam, desejavam-lhe felicidade e sorte. Forte foi a melancolia que Almeida sentiu quando o ônibus iniciou seu percurso. Todos o amavam; Almeida era feliz por isso, mas ele sofria, sofria muito por ninguém tê-lo impedido.
Deixe seu comentário - Leave a comment - Deja tu comentario - 发表评论 - अपनी टिप्पणी छोड़ें
O editor não se responsabiliza pelos comentários registrados aqui., El editor no se hace responsable de los comentarios registrados aquí., The editor is not responsible for the comments registered here., 编辑不对此处记录的评论负责。, संपादक यहाँ दर्ज की गई टिप्पणियों के लिए जिम्मेदार नहीं है।
Quatro envolvidos na morte de ciclista espancado no RJ estão presos
Os quatro homens envolvidos no espancamento que levou à morte de um ciclista na capital fluminense estão presos, conforme nota do governo estadual.
Os acusados são: os seguranças Davi Santos Machado e Jorge Luiz Ricardo Dias; e os entregadores por aplicativo Felipe Eduardo dos Santos Silva, 23 anos, e Ailton José da Silva, de 24 anos. O último se apresentou à polícia nesta sexta-feira (21).
Um outro entregador é investigado também, pois aparece nas imagens de câmeras de segurança desferindo um chute na cabeça da vítima. Ele ainda não foi identificado e está foragido.
Entenda o caso
Cláudio Rafael Landeiro Moreira, de 37 anos, saiu de casa, em Botafogo, às 22h30 da noite do último dia 11, para um passeio de bicicleta, como fazia habitualmente, segundo a família. A
Ele parou na Rua Barata Ribeiro e foi abordado pelo segurança de rua, Davi Santos Machado, que suspeitava que Cláudio Rafael teria roubado a bicicleta.
Ele passou a ser interrogado pelo segurança e os entregadores de aplicativo que estavam em bicicletas.
Por sofrer de transtornos psicológicos, Cláudio Rafael não conseguiu responder que a bicicleta pertencia a irmã.
Davi Machado agrediu a vítima com a primeira paulada. O outro segurança, Jorge Luiz, puxou a bicicleta de Cláudio Rafael. A vítima continuou sendo agredida com pauladas e chutes pelo grupo.
O ciclista saiu andando e sentou-se na portaria de um prédio, porém continuou sendo espancado.
Segundo a polícia, imagens das câmeras de segurança mostram que Cláudio Rafael levou 57 golpes com porrete desferidos por Davi, a maioria na cabeça, além de chutes e ter sido pisoteado na cabeça e em outras partes do corpo.
Após o espancamento, os agressores foram embora e a vítima permaneceu deitada no chão. Os bombeiros chegaram cerca de 30 minutos depois. Cláudio Rafael Moreira foi levado para o Hospital Miguel Couto. Ele não resistiu aos ferimentos e morreu na madrugada do dia 12.
O laudo do Instituto Médico Legal (IML) descreve que a causa da morte foi traumatismo craniano encefálico, lesões no baço e no rim esquerdo.
Mais de 3 milhões com benefícios federais são bloqueados em bets
Mais de 3 milhões de beneficiários de programas sociais federais, como o Bolsa Família, já foram impedidos de abrir ou manter contas em sites autorizados a explorar, no Brasil, as apostas de quota fixa, as chamadas bets.
Segundo a Secretaria de Comunicação Social (Secom), da Presidência da República, o bloqueio se tornou possível graças a uma funcionalidade do Sistema de Gestão de Apostas (Sigap), implementada em outubro de 2025.
Entre os impedidos, estão beneficiários dos seguintes programas:
Bolsa Família;
Benefício de Prestação Continuada (BPC);
Fundo de Financiamento Infantil (Fies);
programas de renegociação de dívidas, como o Desenrola Brasil.
O Módulo Impedidos foi desenvolvido pelo Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), atendendo a uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).
Em novembro de 2024, o STF determinou que o governo federal adotasse medidas para impedir o uso de recursos de programas sociais em apostas on-line, para evitar “impactos negativos sobre o orçamento das famílias e a saúde mental, especialmente de pessoas em situação de vulnerabilidade”.
O Sigap é uma plataforma tecnológica que permite a regulação, o monitoramento e a fiscalização do mercado de apostas no país. Capaz de processar cerca de 500 milhões de registros diários, o sistema já acumula mais de 5 milhões de arquivos operacionais em sua base de dados.
Segundo a Secom, é a partir das informações reunidas pelo Sigap que as empresas licenciadas identificam os usuários impedidos de se cadastrar ou de manter uma conta já cadastrada nas plataformas de apostas. A verificação automática é feita em tempo real, no âmbito do Módulo Impedidos, por cruzamento entre o CPF e outras informações fornecidas pelo usuário.
Quando o impedimento é identificado em conta já existente, a plataforma tem até três dias para encerrá-la e devolver ao usuário todo o saldo disponível. A decisão de negar cadastro ou encerrar conta é da própria operadora.
Não há intervenção manual nesse processo e o bloqueio não gera nenhuma outra penalidade ao usuário ou às empresas.
*Com informações da Secretaria de Comunicação Social (Secom), da Presidência da República.
Saiba como empresas devem prevenir riscos à saúde mental no trabalho
As empresas brasileiras passarão a ser obrigadas a identificar e tomar medidas para garantir a saúde mental e a segurança dos trabalhadores. É o que estabelece a Norma Regulamentadora 1 (NR-1). As sanções previstas às empresas que descumprissem a norma passariam a vigorar este mês, mas uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu a aplicação de multas outras sanções.
A aplicação da NR-1 foi um dos assuntos tratados no seminário Entre a norma e o real: desafios e perspectivas do mundo do trabalho, que ocorre nesta quinta-feira (20) e sexta-feira (21), na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em Belo Horizonte.
A NR-1 entrou em vigor em 26 de maio deste ano e passou a abranger os fatores de riscos psicossociais no gerenciamento de riscos ocupacionais.
“A norma obriga as empresas a identificar quais são os riscos para a saúde e a segurança dos trabalhadores e a tomar medidas de controle”, disse à Agência Brasil o auditor-fiscal do Trabalho Airton Marinho, representante da DS-MG/SINAIT, que mediou o debate sobre o assunto.
A NR-1 é uma norma de 2022, que teve a aplicação adiada em 2024 e 2025 e entrou em vigor em maio de 2026. Em junho, entretanto, uma decisão do Tribunal Superior do Trabalho (TST) suspendeu por 90 dias o efeito da norma na parte relacionada aos riscos psicossociais.
Esta semana, por unanimidade, o Plenário do STF referendou a decisão do ministro André Mendonça que suspendeu a aplicação de multas e outras sanções ligadas à inclusão de fatores de riscos psicossociais nas regras de gerenciamento de riscos no ambiente de trabalho.
Saúde mental
Dados da Previdência Social mostram que foram concedidos 546.254 benefícios por incapacidade temporária por transtornos mentais e comportamentais em 2025, aumento de 15,66% em relação ao ano anterior.
Os grupos de diagnósticos mais frequentes em 2025 foram os transtornos ansiosos e os episódios depressivos.
Os números não significam, entretanto, que todos os afastamentos tenham sido causados pelo trabalho. Eles ajudam a dimensionar o crescimento do adoecimento mental e reforçam a importância de discutir os fatores presentes na organização e nas condições de trabalho.
Airton Marinho informou que, na Europa, onde, teoricamente, as condições de trabalho são melhores do que as brasileiras, 19% dos afastamentos por doença mental são relacionados ao trabalho.
“Se a gente colocar esse item aqui, você vai ter uma ideia da dimensão disso no Brasil que, provavelmente, é até maior”, afirmou.
Redução de riscos
Segundo Marinho, excesso de trabalho, horas extras, trabalho noturno, violência no trabalho, bullying e assédio são alguns exemplos de fatores presentes no trabalho que podem afetar a saúde mental das pessoas.
“A NR-1 exige das empresas que elas tenham programas de redução desses riscos”, explicou o auditor.
Uma empresa de telemarketing, por exemplo, deverá adotar medidas para evitar a sobrecarga dos trabalhadores e possíveis problemas mentais decorrentes dela. Os bancos também deverão rever normas que estabelecem metas muito altas para gerentes e funcionários, com o objetivo de evitar o estresse.
Segundo Airton Marinho, a mesma preocupação se aplica aos trabalhadores de sistemas de produção submetidos a metas muito elevadas.
“Aumenta o risco de acidentes, aumenta o risco de outras doenças que a gente chama de psicossomáticas, como úlcera no estômago, pressão alta, problema de coração. Tudo isso tem um aumento nas empresas que demonstram excesso de riscos psicossociais.”
Alívio da tensão
Segundo o auditor-fiscal, as empresas já deveriam desenvolver por conta própria programas voltados ao alívio da tensão e da pressão no trabalho e ao controle da violência contra os trabalhadores.
Agora, por obrigação legal, com a vigência da NR-1, o Ministério do Trabalho passa a ter uma ferramenta para multar as empresas que não tenham programas nessa área, quando as sanções entrarem em vigor.
Uma empresa onde tenha ocorrido um suicídio que pudesse estar relacionado ao trabalho, por exemplo, deverá ter algum programa específico para tentar identificar a origem do problema e as medidas que poderiam ter evitado o episódio.
“Em alguns casos, recebem uma notificação para dar um prazo de pagamento. Pode também haver negociação de alguma situação que está sendo resolvida. Às vezes, a negociação é com o sindicato; às vezes, é uma negociação coletiva. Mas a obrigação do fiscal é verificar o cumprimento da lei. Se não estiver sendo cumprida, ele deve atuar com o poder de polícia, no caso a fiscalização”, explica Marinho.
Não há um valor específico para o descumprimento das normas relacionadas à saúde mental e aos fatores de risco psicossociais. A penalidade integra o rol geral de multas do Ministério do Trabalho, com valores definidos de acordo com o tamanho da empresa, a gravidade da situação e o número de empregados.
Marinho reconhece que são multas relativamente baixas, mas afirma que o valor pode aumentar caso a empresa receba várias penalidades.
Entrada em vigor
Por enquanto, a fiscalização deve priorizar orientação, instrução e notificação das organizações sobre a necessidade de adequação. Com a entrada em vigor da norma, constatado o descumprimento das obrigações, poderão ser adotadas as medidas administrativas cabíveis.
De acordo com as orientações do Ministério do Trabalho e Emprego, não existe um único questionário ou metodologia obrigatória para todas as organizações. A avaliação deve considerar a realidade de cada ambiente e estar integrada ao processo de Gerenciamento de Riscos Ocupacionais, observando também as demais normas vigentes.
Lésbicas cobram saúde integral, trabalho digno e fim de violências
Praticamente oito em cada dez mulheres lésbicas enfrentam diversos tipos de violência cotidianamente, como mostra o LesboCenso Nacional: Mapeamento de Vivências Lésbicas no Brasil, realizado pela Liga Brasileira de Lésbicas e pela Coturno de Vênus (Associação Lésbica Feminista de Brasília) e divulgado ainda em 2022. A lesbofobia ocupa a segunda posição em registros de violências, e o assédio moral e o sexual estão entre as formas mais recorrentes, de acordo com o levantamento.
Para marcar o combate à lesbofobia (preconceito, ódio ou discriminação contra mulheres que se relacionam com outras mulheres), o Dia Nacional do Orgulho Lésbico é lembrado nesta quarta-feira (19) no Brasil. O 19 de agosto simboliza, também, a luta pela visibilidade desse público e por avanços de direitos.
Para analisar as principais reivindicações, avanços e desafios dessa agenda social e econômica, a Agência Brasil entrevistou a assistente social Michele Seixas, coordenadora política nacional na Articulação Brasileira de Lésbicas (ABL).
Entre as prioridades listadas pela ativista social, está a busca por uma saúde integral de qualidade e por oportunidades para lésbicas no mercado de trabalho.
Saúde
A militante defende o atendimento qualificado no Sistema único de Saúde (SUS), para atender às especificidades de todos os corpos lésbicos, com profissionais de saúde capacitados. “A saúde é um gargalo para a população lésbica. Deparamo-nos com uma saúde que vem sendo invisibilizada e violada há muitos anos para nós.”
A assistente social Michele Seixas é especialista em direitos humanos, gênero e sexualidade e coordenadora da Articulação Brasileira de Lésbicas (ABL) - Foto: Michele Seixas/Arquivo pessoal
Michele Seixas lamenta que as lésbicas ainda sofram com o senso comum de preconceito e, nos atendimentos em saúde, exista um fundamentalismo religioso somado à falta de formação continuada em educação permanente em saúde.
Apesar do despreparo existente nos serviços de saúde ressaltado por Michele, ela cita que alguns municípios brasileiros até oferecem aulas online sobre a temática, mas a participação dos profissionais de saúde é voluntária e, na maior parte das vezes, ocorre em número reduzido.
Outro ponto exigido pelo movimento lésbico é que a entrevista clínica realizada por um profissional de saúde no início de um atendimento colete, obrigatoriamente, a informação de orientação sexual do paciente, a fim de direcionar o cuidado clínico adequado.
“Há alguns anos, não era obrigatório marcar raça/cor, durante a anamnese. Agora é. E precisa ser obrigatório preencher o quesito orientação sexual. Isso vai determinar como será o atendimento em saúde daquela lésbica.”
Direitos reprodutivos
Ao falar de direitos reprodutivos, Michele conclui que a Política de Planejamento Familiar no Brasil não assiste as lésbicas. Uma das reivindicações é que elas tenham acesso à dupla maternidade por via de reprodução humana.
“Toda mulher deve ter o direito de escolher ser ou não mãe. Mas, quando as lésbicas chegam a uma clínica da família, os próprios funcionários dizem que não sabem o que fazer conosco em pleno 2026”, critica.
Segundo Michele, na maioria das vezes, o direito de formar uma família fica restrito àquelas que tem melhores condições econômicas.
Assistência social
Outro ponto crítico é a falta de reconhecimento e de cadastramento de arranjos familiares de lésbicas nos programas da Política Nacional de Assistência Social (PNAS). “Famílias lésbico-afetivas não são reconhecidas como tal. Então, estas não são contabilizadas dentro da Política de Assistência Social no Brasil”, constata a representante da Articulação Brasileira de Lésbicas (ABL).
Mercado de trabalho
A lesbofobia também pauta a falta de acesso a postos de trabalho dignos que poderiam combater a vulnerabilidade social e a informalidade das mulheres lésbicas.
Michele Seixas, que também é especialista em direitos humanos, gênero e sexualidade no Departamento de Direitos Humanos, Saúde e Diversidade Cultural da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), aponta que as lésbicas que adotam uma identidade que desafia os padrões de gênero e o conceito de feminilidade passam por um processo de exclusão maior.
A rejeição à não conformidade de gênero recai com mais força nas lésbicas classificadas como desfeminilizadas (o termo abreviado é desfem).
“Lésbicas desfems, lésbicas caminhoneiras, lésbicas que não performam a feminilidade dos colonizadores tendem a passar por um processo de exclusão do mercado de trabalho”, aponta.
Michele relata casos de mulheres lésbicas que, para conseguir uma vaga de emprego, se ajustam para performar uma feminilidade padrão – usando maquiagem e roupas que não utilizam no dia a dia –, pois a não conformidade com esse estereótipo resulta em exclusão nos processos seletivos.
“Ela [a mulher lésbica] vive ainda uma vida totalmente escondida no trabalho. É sempre aquela solteira que não tem ninguém, porque ela não pode dizer, simplesmente, que é sapatão, que é casada ou namora [outra mulher]. Isso ainda perpassa nos nossos cotidianos.”
A especialista aponta a relação entre a lesbofobia e o racismo, pois a situação no ambiente de trabalho piora se essas mulheres lésbicas são negras.
Dados
O Brasil convive com a falta de estatísticas sobre mulheres lésbicas, o que limita a formulação de políticas públicas direcionadas à proteção de mulheres lésbicas.
Os únicos dados nacionais de referência permanecem restritos a levantamentos independentes. A estudiosa menciona o Dossiê do Lesbocídio (com dados de 2014 a 2017) produzido pelo Núcleo de Inclusão Social (NIS), vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e do Nós: Dissidências Feministas.
Em nível nacional, Michele relata ainda a primeira fase do Lesbocenso, divulgado em 2022. A segunda fase do mapeamento sociodemográfico das vivências de lésbicas e sapatão do Brasil está em andamento. A iniciativa é da Coturno de Vênus (Associação Lésbica Feminista de Brasília) e da Liga Brasileira de Lésbicas (LBL).
“Infelizmente, nós não temos dados produzidos pelo Estado sobre essas violências sobre os nossos corpos”, lamentou Michele.
Vitórias coletivas
Embora existam avanços, Michele contabiliza que estes decorrem de vitórias de toda a comunidade LGBTQIA+, como a adoção de filhos por casais homoafetivos e o casamento entre pessoas do mesmo sexo, garantido em todo o Brasil desde 2013. Porém, não há marcos exclusivos da pauta lésbica. "Conquista só nossa? Ainda nós não tivemos essa felicidade."
Viver sem violência
Casos de violências contra pessoas LGBTQIAPN+ podem ser denunciados no Disque Direitos Humanos, o Disque 100. O serviço do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) funciona diariamente, 24 horas por dia, incluindo sábados, domingos e feriados. O atendimento é imediato.
As denúncias de violações de direitos humanos são registradas e analisadas pela equipe do Disque 100 e, posteriormente, encaminhadas aos órgãos competentes (de proteção, defesa e responsabilização em direitos humanos). Em situações de emergência, a Polícia Militar local deve ser acionada pelo telefone 190.
Dia Nacional do Orgulho Lésbico é celebrado nesta quarta-feira
O Dia Nacional do Orgulho Lésbico é celebrado nesta quarta-feira (19). A data foi instituída com o objetivo de combater a lesbofobia – o preconceito, a rejeição ou o ódio contra mulheres lésbicas –, a violência com base em orientação sexual e identidade de gênero e também pela luta para conquistar direitos.
A iniciativa homenageia a mobilização do dia 19 de agosto de 1983, no Ferro’s Bar, no centro de São Paulo, quando mulheres lésbicas se recusaram a aceitar a discriminação e a violência dentro de um espaço e se levantaram contra a censura e a tentativa de silenciamento no local.
Neste dia, há 43 anos, a administração do espaço proibiu a venda e circulação do boletim Chana com Chana, produzida pelo Grupo Ação Lésbica Feminista (Galf) – coletivo que existiu de 1981 a 1990.
O chamado Levante do Ferro’s Bar tornou-se um marco da resistência lésbica brasileira por liberdade de expressão e direitos.
Esta foi a primeira manifestação organizada por lésbicas contra a discriminação, realizada em plena ditadura militar. Elas também reivindicaram o direito civil de existir, falar, circular e se organizar.
Entre as protagonistas da ocupação do espaço estava a ativista brasileira Rosely Roth (1959-1990 - imagem em destaque), considerada uma das pioneiras do movimento lésbico brasileiro.
Resistência lésbica
A publicação Chana com Chana foi o primeiro periódico brasileiro voltado exclusivamente para o público lésbico, criado em janeiro de 1981, em São Paulo. Ao todo foram publicadas 13 edições até 1987.
O boletim da imprensa alternativa trazia em suas páginas entrevistas e textos focados em política, artes e na luta por diretos civis de lésbicas, pela visibilidade da população LGBTQIAPN+ (lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros/travestis, queer, intersexo, assexuais, pansexuais, não-binários, o + é para outras identidades de gênero).
Mês da Visibilidade Lésbica
No Brasil, agosto é também chamado de Mês da Visibilidade Lésbica por ter duas datas de comemoração e marca um período de debates sobre direitos. Além do Dia Nacional do Orgulho Lésbico, há a celebração do Dia da Visibilidade Lésbica, em 29 de agosto.
A data foi criada há 30 anos por ativistas brasileiras durante o 1º Seminário Nacional de Lésbicas (Senale), ocorrido em 29 de agosto de 1996, no Rio de Janeiro.
Símbolo do movimento lésbico
Em janeiro de 2003, durante o III Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, ativistas lésbicas do Brasil, da América Latina e do Caribe aprovaram a incorporação de símbolos de lésbicas na tradicional bandeira arco-íris do movimento LGBT. O objetivo é promover a visibilidade à luta deste grupo pela garantia de direitos.
Bandeira com incorporação de símbolos - Bandeira lésbica brasileira/ Divulgação
A representatividade lésbica na bandeira é marcada por:
duplo espelho de Vênus: representa a atração e a união entre mulheres;
lábris (machado de dois gumes/dupla lâmina): usado por amazonas e simboliza a força e a independência das mulheres;
triângulo preto: tatuado nas prisioneiras lésbicas, pelos nazistas, nos campos de concentração;
Como denunciar
Caso de discriminação, violências e outros desrespeitos aos diretos de pessoas LGBTQIAPN+ devem ser denunciados no Disque Direitos Humanos, o Disque 100.
O serviço do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) funciona diariamente, 24 horas, por dia, incluindo sábados, domingos e feriados. O atendimento é imediato e é garantido o sigilo de quem liga.
As ligações podem ser feitas de todo o Brasil por meio de discagem direta e gratuita, de qualquer terminal telefônico fixo ou móvel. Basta discar o número 100.
Também é possível utilizar o Disque 100 por meio do Telegram, basta digitar “Direitoshumanosbrasil”, na busca do aplicativo.
Qualquer cidadão pode reportar algum fato relacionado a violações de direitos humanos, da qual seja vítima ou tenha conhecimento.
As denúncias de violações de direitos humanos são registradas e analisadas pela equipe do Disque 100 e, posteriormente, encaminhadas aos órgãos competentes (de proteção, defesa e responsabilização em direitos humanos).
Em situações de emergência, a Polícia militar local poderá ser acionada pelo telefone 190.
Festival de Inverno de Campina Grande vai até o dia 30 de agosto
A edição de número 51 do Festival de Inverno de Campina Grande vai até o dia 30 de agosto, com o tema "Território das Artes", e tem música, dança, teatro e cinema. O evento movimentará vários espaços da Rainha da Borborema, como o Teatro Municipal Severino Cabral, a Feira Central da cidade e o Parque Evaldo Cruz.
Na mostra de cinema, o festival destacará o protagonismo feminino no audiovisual brasileiro e homenageará a diretora Tizuka Yamasaki. A programação teatral reúne nomes e produções de diferentes regiões do país. Entre os destaques estão "Somos", do Núcleo Teatral da Paraíba; e "Não me entrego, não", protagonizado pelo ator baiano Othon Bastos.
Na mostra de dança, o público poderá conferir espetáculos como "The Jacksons Funk", com a The Jacksons Funk, de São Paulo e do Rio de Janeiro; e "Surto", da Geda Companhia de Dança, do Rio Grande do Sul. Além das coreografias "Xaxado", do Grupo Cabroar; e "Reisado", do Grupo de Cultura Nativa Tropeiros da Borborema; valorizando manifestações tradicionais da cultura nordestina.
Os shows musicais terão apresentações diárias, entre elas dos cantores Diogo Nogueira, Capilé e Augusto Arruda. Haverá ainda um coletivo reunindo quase dez bandas, que irão celebrar as várias vertentes do gênero rock, como thrash metal, gótico e pop nacional.
Os links de inscrição para as oficinas de cinema, música, teatro e dança estão disponíveis na bio do Instagram oficial do evento: @festivalinvernocg. Na mesma rede social também é possível consultar a programação dia a dia.
Festival de Gramado encerra mostras e premia vencedores
O maior evento do cinema brasileiro, o Festival de Gramado, entra na reta final. A programação desta sexta e sábado finaliza as mostras competitivas e entrega troféus aos vencedores. Gabriel Correa está de volta.
Nesta sexta-feira, as atividades começam com debates no Hotel Serra Azul, com as equipes do longa-metragem "Nosso Segredo", de curtas-metragens, além do documentário sobre o músico "Gonzaguinha, da Maior Liberdade".
Na mostra competitiva de Longas Gaúchos, ocorre a exibição de "Filhas da Lua", de Tatiana Sager, às duas da tarde. Também na sexta-feira, a atriz Maria Fernanda Cândido, que recebeu o Troféu Kikito de Cristal na noite anterior, participa de uma coletiva de imprensa.
Como filme de encerramento da edição número 54 do Festival de Gramado, será exibido, fora da competição, "La Perra", dirigido por Dominga Sotomayor, com Selton Mello no elenco. A coprodução internacional conta a relação entre uma mulher e uma cachorra em uma ilha remota.
A partir das oito da noite, acontece a premiação de Longas-Metragens Gaúchos e da mostra competitiva de Curtas Brasileiros.
No sábado, último dia do festival, a solenidade oficial de premiação ocorre a partir das oito da noite, com a entrega dos troféus Kikito, nas categorias de Longas-Metragens Brasileiros e Longas-Metragens Documentais.
Geometria em movimento: exposição mostra a arte de Sérvulo Esmeraldo
Em Recife, uma exposição gratuita na Caixa Cultural celebra a arte do escultor, pintor, desenhista e ilustrador cearense Sérvulo Esmeraldo. A mostra reúne cerca de 50 trabalhos do artista, criados ao longo de quase 70 anos de carreira.
A obra de Sérvulo Esmeraldo traz formas geométricas em técnicas que vão da gravura à escultura, passando por pinturas e relevos.
Cearense do Crato, Sérvulo nasceu em 1929, morou em Fortaleza, São Paulo e estudou belas artes em Paris. Foi nesse período que teve contato com a arte cinética, movimento que surgiu na França nos anos 50 e que explora a noção de movimento e de ilusão de ótica, com conceitos da matemática e da física. Dodora Guimarães, curadora e viúva do artista, fala sobre o trabalho de Sérvulo Esmeraldo na arte cinética.
“A participação de Sérgio de Esmeraldo nesse movimento destaca-se sobretudo pelo invento dos Excitáveis. Uma obra que ele desenvolveu utilizando a eletricidade estática. Sérgio de Esmeraldo foi um artista que uniu arte e ciência”.
Na década de 70, o artista voltou ao Brasil e fixou seu ateliê em Fortaleza, onde criou dezenas de esculturas públicas que se integram à paisagem da cidade. A exposição em Recife apresenta a produção tridimensional de Sérvulo Esmeraldo, com as séries “Planos e Volumes Virtuais”, “Sólidos Geométricos” e “Teoremas”.
Dodora Guimarães destaca a importância da geometria na obra do artista, que tinha preferência por uma figura em especial: “o seu amor pelo triângulo. Nós temos várias obras que investigam essa forma primária e que para Sérvulo Esmeraldo resumia a riqueza da natureza. Nós temos triângulos tanto em esculturas, como em desenhos, como também na série de gravuras expostas.”
Inventividade, rigor e experimentação fazem parte da trajetória do artista, pioneiro da arte cinética no Brasil, que morreu em 2017, aos 87 anos.
O público pode conferir a mostra “Esse é Sérvulo Esmeraldo” até o dia 25 de outubro, na Caixa Cultural Recife. Entrada gratuita.
Exposição em Niterói apresenta elementos do bordado e da folia de reis
Duas práticas da cultura popular se unem em uma diversificada exposição no Museu Janete Costa, em Niterói, no Rio de Janeiro. A mostra "O de dentro, o de fora" apresenta elementos da folia de reis, manifestação religiosa que celebra a visita dos Reis Magos ao menino Jesus, e do rico universo dos bordados. O nome da mostra faz referência à arte de bordar, que nasce dentro das casas, do gesto íntimo, e vai ganhando o mundo, em oposição à folia de reis, que vem de fora e vai ganhando a casa, transformando o espaço doméstico em lugar sagrado. Jorge Mendes, curador e responsável pela exposição, explica a ligação entre essas duas formas de arte.
"Embora o bordado e a folia de reis pareçam manifestações diferentes. Eles compartilham muitos pontos em comum, principalmente ligados à casa. O bordado tá ligado ao interior, ao cuidado, ao tempo dedicado com o tecido, a linha, e as histórias ali que são compartilhadas entre gerações. Já a folia tá ligada ao movimento, ao canto, às ruas, os encontros promovidos ali pelas comunidades. Mas ambos falam de pertencimento, de memória, de vínculos afetivos".
O curador destaca ainda que o bordado e a folia de reis, apesar de tradições antigas, continuam vivos e muito presentes na cultura brasileira, em diversos grupos e manifestações, e que a mostra é um ato de reconhecer essas práticas e as pessoas que se dedicaram a elas.
"Uma forma de reconhecimento. Tanto o bordado quanto a folia de reis chegaram até nós porque muitas pessoas dedicaram tempo, trabalho, afeto pra manter essas tradições vivas. Elas são práticas que carregam histórias e modos de viver que atravessam gerações".
Exposição em Niterói apresenta elementos do bordado e da folia de reis. Foto: cemef.uff/Instagram
Entre os elementos expostos estão indumentárias, um pequeno presépio, bandeiras de folia de reis e bordados diversos, incluindo trabalhos autorais assinados pelos artistas criadores. Jorge Mendes fala sobre a reação do visitante no contato com as obras.
"Tem sido uma experiência muito emocionante. Desde a abertura, com a apresentação da folia de reis o público ficou também muito emocionado. O que mais ouvimos lá dos visitantes são os relatos de memórias despertadas pela exposição. Algumas pessoas lembram das mães, das avós. Quando se deparam assim com uma toalha de mesa assim bordada, vão lembrar daquele almoço em família. Outras recordam passagem de folia de reis assim pelos seus bairros e comunidades".
E para quem também deseja se encantar e saber um pouco mais sobre essas artes, o endereço é Museu Janete Costa de Arte Popular, na Rua Presidente Domiciano, 178, no bairro de São Domingos, em Niterói. A mostra fica em cartaz até 1º de novembro, com entrada franca.
Mostra Sesc Cariri de Culturas começa hoje e vai até domingo
Dezenas de cidades do interior do Ceará recebem a partir desta quinta-feira (20) um dos festivais de cultura mais tradicionais da região. Até o próximo domingo, cerca de 28 municípios da Região do Cariri, entre eles, Barbalha, Crato, Nova Olinda e Juazeiro do Norte - recebem mais uma edição da Mostra Sesc Cariri de Culturas.
São 319 atividades abertas ao público, envolvendo mais de 2.600 artistas, entre músicos, escritores, mestres e brincantes de várias manifestações culturais. A programação terá exposições, shows, cafés literários, rodas de conversas, exibição de filmes, além de ações formativas e expressões da tradição.
Dez artistas se apresentam na Mostra. Entre eles, a cantora Maria Rita, com o seu mais novo trabalho “Redescobrir Vol. 2”, no sábado, a partir de oito da noite, no Parque da Cidade, em Barbalha. O mesmo espaço recebe em seguida o cantor e multi instrumentista cearense Leonardo de Luna, com o espetáculo “A Luz do Meu Forró”, celebrando a tradição a musicalidade nordestina.
Nas artes cênicas, uma das atrações é o espetáculo “Circo de los Pies”, que será realizado entre esta quinta até o próximo sábado (22) no Teatro Sesc do Crato, no Teatro Sesc Patativa do Assaré, em Juazeiro; e no Teatro Violeta Arraes, em Nova Olinda, respectivamente.
Para as crianças, além das várias ações formativas, o destaque é a programação da Mostrinha que reúne atrações voltadas para esse público. Haverá ainda exposição de livros e cordeis infantis, exposição de brinquedos do artesão Dim Brinquedim, espetáculo do cantor, compositor e pesquisador de música infantil, Rubinho do Vale, além de peças infantis como a do grupo Catarsis – Arte para infância e juventude.
Na área museológica, um dos destaques é a inauguração da 30ª unidade do Museu Orgânico do Sesc Ceará. O Museu Casa do Soldadinho do Araripe será inaugurado na cidade do Crato, às dez da manhã deste sábado. O novo espaço chama a atenção para o patrimônio natural da Chapada do Araripe, com suas fontes de água, trilhas, e que é o berço onde vive o pássaro Soldadinho-do-Araripe e diversas outras espécies.
O calendário dos 4 dias de evento já está disponível no site mostrasescdeculturas.com.br.
O mais recente e trágico ataque russo contra Kryvyi Rih matou pelo menos seis pessoas e deixou cerca de 91 feridas nesta sexta-feira, 21 de
...
Seis crianças entre as vítimas de ataque russo contra centro comercial em Kryvyi Rih
O mais recente e trágico ataque russo contra Kryvyi Rih matou pelo menos seis pessoas e deixou cerca de 91 feridas nesta sexta-feira, 21 de agosto de 2026. A ação criminosa utilizou drones e teve como alvo principal um movimentado shopping center na cidade natal do presidente ucraniano Volodymyr Zelensky
Dom Domenico Beneventi, à frente da Diocese de San Marino – Montefeltro, descreve o espírito com que a pequena República aguarda a visita
...
San Marino, Estado acolhedor e comprometido com a paz, diz bispo
Dom Domenico Beneventi, à frente da Diocese de San Marino – Montefeltro, descreve o espírito com que a pequena República aguarda a visita pastoral do Papa Leão XIV, agendada para este sábado, de agosto, e recorda as antigas raízes cristãs, o profundo senso de comunidade, os esforços do território em prol da reconciliação e da neutralidade ativa.
Na Somália, o colapso da ajuda (com uma redução de até 80% por parte de alguns doadores ocidentais) já diminuiu a cobertura dos serviços de saúde
...
Somália: fechamento de estruturas de saúde e nutrição agrava crise para crianças
Na Somália, o colapso da ajuda (com uma redução de até 80% por parte de alguns doadores ocidentais) já diminuiu a cobertura dos serviços de saúde em 30% e corre o risco de levar ao fechamento permanente de até 618 unidades de saúde em todo o país.
Provas do Encceja 2026 serão aplicadas no domingo em todo o país
Os inscritos no Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja) 2026 fazem as provas neste domingo (23) em todos os estados e no Distrito Federal.
A orientação do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) é que os participantes consultem previamente o endereço de aplicação da prova no Cartão de Confirmação da Inscrição, disponível na Página do Participante do Encceja. É preciso fazer o login com a conta da plataforma Gov.br.
O documento também apresenta informações como a data e os horários do exame, entre outros dados relacionados à participação. Apesar de não ser obrigatório, o porte do cartão de confirmação de inscrição no dia da prova é recomendado.
Além da Página do Participante, os candidatos podem consultar o local de provas pela central de atendimento do Inep, pelo telefone 0800 616161.
O Encceja é destinado a jovens e adultos que não concluíram seus estudos na idade apropriada para cada nível de ensino.
Data e horários
De acordo com o edital, as provas serão aplicadas nos turnos da manhã e da tarde deste domingo.
Pela manhã, os portões abrem às 8h e fecham às 8h45, no horário de Brasília. As provas começam às 9h e terminam às 13h.
Já na parte da tarde, os portões serão abertos às 14h30 e fechados às 15h15. A aplicação se inicia às 15h30 e vai até as 20h30.
Os participantes com direito a tempo adicional terão 60 minutos a mais, após os horários previstos para encerramento das provas, para finalizar o exame.
O que levar
O participante deve apresentar a via original do documento oficial de identificação para entrar na sala de aplicação do Encceja. Também deve portar caneta esferográfica de tinta preta fabricada com material transparente para transcrever a redação para a folha de redação e fazer as marcações no cartão-resposta da prova.
Os aparelhos eletrônicos devem ficar desligados, debaixo da carteira do candidato, dentro do envelope porta-objetos lacrado e identificado, desde o ingresso na sala de provas até a saída definitiva do local.
Provas
O exame será constituído de quatro provas objetivas, por nível de ensino, cada uma com 30 questões de múltipla escolha e uma proposta de redação.
Para o ensino fundamental, haverá quatro provas objetivas que avaliarão conhecimentos em: ciências, matemática, língua portuguesa, língua estrangeira moderna, artes, educação física e redação, redação, inglês, espanhol, artes e educação física, história, geografia, filosofia e sociologia.
Já o ensino médio cobrará conhecimentos de química, física e biologia, matemática, língua portuguesa com redação, inglês, espanhol, artes e educação física, história, geografia, filosofia e sociologia.
Encceja
As provas do Encceja Nacional avaliam competências, habilidades e saberes desenvolvidos no processo escolar ou extraescolar.
A participação é voluntária e gratuita, mas é necessário ter, no mínimo, 15 anos completos para o ensino fundamental e, no mínimo, 18 anos completos para o ensino médio na data de realização do exame.
Os resultados do exame podem ser utilizados pelas secretarias de Educação e pelos institutos federais que aderem ao Encceja como referência nos processos de certificação de conclusão do ensino fundamental e do ensino médio, conforme os critérios estabelecidos por cada instituição certificadora.
O exame também produz informações que podem ser utilizadas em estudos e análises sobre a educação de jovens e adultos, com base nos dados obtidos em sua aplicação.
STJ restabelece sanções a cursos de medicina com nota baixa no Enamed
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) suspendeu liminarmente a decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) e restabeleceu as medidas cautelares impostas pelo Ministério da Educação (MEC), em março deste ano, a 107 instituições de ensino superior com baixo desempenho no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) de 2025.
Entre as medidas previstas para essas instituições estão a suspensão da oferta de vagas vinculadas ao Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e ao Programa Universidade para Todos (Prouni), assim como de novos processos seletivos e vestibulares, e a redução do número de vagas autorizadas.
De acordo com o MEC, as medidas cautelares e as ações de supervisão impostas pela pasta têm como objetivo promover a melhoria da qualidade dos cursos de medicina e assegurar à população a excelência da formação dos futuros médicos.
“O MEC seguirá defendendo uma abordagem que valorize a formação de qualidade, a responsabilidade das instituições de ensino e o papel do Estado na indução de melhorias, assegurando o direito da população a serviços prestados por profissionais bem formados”, diz o comunicado publicado pelo ministério.
Instituições privadas de educação superior
Em nota à imprensa, a Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) – entidade que representa instituições e mantenedoras da educação superior privada em todo o país – diz ter tomado conhecimento da decisão proferida nesta quarta-feira (19) pelo STJ e que seguirá acompanhando o tema com serenidade e responsabilidade institucional. “A entidade informa que sua assessoria jurídica está analisando o teor da decisão e avaliará as medidas cabíveis.”
Enamed
Criado pelo MEC, o Enamed será aplicado obrigatoriamente a cada seis meses pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) a todos os estudantes concluintes de cursos de medicina no Brasil.
O exame tem duas funções principais: avaliar a formação médica no país e servir como critério para processos seletivos de residência médica de acesso direto, como no processo unificado do Exame Nacional de Residências (Enare).
Em junho deste ano, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) anunciou que o Enamed passa a valer como instrumento de avaliação da proficiência dos estudantes de medicina e da qualidade dos cursos de graduação.
A regra está prevista na nova política integrada para a formação em medicina no país, prevista na Medida Provisória n° 1370/2026. Com isso, os formados nesse curso somente vão poder realizar sua inscrição no Conselho Regional de Medicina (CRM) se tiverem rendimento suficiente no exame. O registro no conselho é obrigatório para o exercício legal da profissão de médico no Brasil.
O Enamed também substituirá integralmente a primeira fase (teórica) do Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos Expedidos por Instituição de Educação Superior Estrangeira (Revalida).
O graduado que não obtiver avaliação satisfatória no Enamed poderá refazê-lo em edições seguintes do exame, realizadas a cada seis meses, conforme a nova política integrada para formação médica.
UnB muda regras de ingresso para ampliar acesso às vagas de graduação
A Universidade de Brasília (UnB) anunciou, nesta quarta-feira (19), mudanças nas formas de ingresso primário nos cursos de graduação de oferta regular a partir de 2027. Não haverá alteração na quantidade total anual de vagas.
A nova política reorganiza a distribuição das vagas entre os semestres letivos e os quatro principais processos seletivos: o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), o Programa de Avaliação Seriada (PAS), o vestibular e o Acesso Enem.
Em resumo, no primeiro semestre letivo, serão distribuídas as vagas via duas modalidades: pelo Sisu e pelo Programa de Avaliação Seriada (PAS), respeitando os quatro graus de distribuição de vagas definidos pela nova política.
No segundo semestre letivo, as vagas serão distribuídas entre o vestibular tradicional e o Acesso Enem, na proporção de 50% das vagas para cada modalidade.
O decano de Ensino de Graduação da UnB, Tiago Coelho, explica que o foco das mudanças é otimizar o aproveitamento das vagas ofertadas pela instituição pública de ensino superior.
“Anualmente, a UnB oferta mais de 8,4 mil vagas, em 147 cursos de graduação. Essa política visa organizar os processos de ingresso primário para que possamos ampliar este acesso à nossa universidade.”
A definição está normatizada na Resolução nº 0130/2026 do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão da Universidade de Brasília (Cepe).
Ampliação do Sisu
O ingresso via Sistema de Seleção Unificada (Sisu) passa a abranger todos os cursos da UnB, com ingresso já no primeiro semestre de 2027.
Os candidatos poderão utilizar a nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para concorrer a todas as oportunidades disponibilizadas pela Universidade para o sistema nacional.
Até o momento, o Sisu era ofertado por adesão dos cursos de graduação. Em 2026, dos 147 cursos da UnB, apenas 47 tinham aderido ao sistema nacional.
Transição do PAS
Com a nova política de ingresso, os aprovados no Programa de Avaliação Seriada (PAS) da UnB irão entrar na universidade pública apenas no primeiro semestre de cada ano, a partir de 2029. Até o momento, as vagas do PAS eram distribuídas em dois semestres.
A UnB pede atenção para o período de transição do PAS. Em 2027 e 2028, a universidade manterá o ingresso pelo PAS em dois semestres anuais para preservar os ciclos em andamento, ou seja, para quem já está fazendo as avaliações dos ciclos (chamados de sub-programas) do PAS 2024-2026 e do PAS 2025-2027.
Como o ingresso apenas no primeiro semestre será a partir de 2029, a mudança valerá para quem vai fazer a primeira prova do PAS em 2026 e iniciará, desta forma, o ciclo 2026-2028. A UnB anunciou que lançará o edital do PAS 2026-2028 em breve.
O PAS é um processo seletivo da UnB que avalia o estudante em três etapas consecutivas (PAS 1, PAS 2 e PAS 3), realizadas no fim de cada um dos três anos letivos do ensino médio.
Vestibular tradicional
O ingresso pelo vestibular concentrará a oferta de vagas no segundo semestre letivo de cada ano. Antes da alteração, a prova do vestibular vinha sendo ofertada no primeiro semestre.
A seleção já valerá para aplicação do vestibular em novembro de 2026, com matrícula dos aprovados no respectivo curso somente no segundo semestre de 2027, como explica o professor Tiago Coelho.
“Divulgaremos os resultados em fevereiro de 2027, mas aquele candidato ou candidata que passar no vestibular vai entrar no segundo semestre de 2027.”
Acesso Enem
O Acesso Enem da UnB continua como forma de ingresso e, pela nova política, terá vagas destinadas somente no segundo semestre letivo, ao lado do Vestibular.
Apesar de utilizar o desempenho obtido nas provas do último Exame Nacional do Ensino Médio, o Acesso Enem é diferente do Sisu, pois é um processo seletivo próprio da UnB e guiado por edital próprio.
Os editais do Acesso Enem são destinados aos cursos presenciais de graduação, distribuídos nos quatro campi da UnB: Darcy Ribeiro (Asa Norte), Planaltina, Gama e Ceilândia.
Reaproveitamento de vagas ociosas
No caso de ausência de candidatos classificados para ocupar as vagas destinadas a um dos processos de seleção para ingresso primário na UnB, as vagas ociosas serão transferidas prioritariamente para outro processo de ingresso primário que ocorra no mesmo semestre, mediante critérios definidos em edital e observada a maior capacidade de preenchimento da modalidade substituta.
O objetivo é otimizar a ocupação das vagas de graduação disponibilizadas pela UnB.
A UnB fará o acompanhamento dos resultados, com avaliação periódica de indicadores como preenchimento das vagas, matrícula efetiva e vacância residual, o que permitirá que o modelo seja revisto para ajustar a distribuição de oportunidades entre as modalidades.
MEC lança diretrizes para ensino de arte na educação básica
A rede escolar de educação básica tem agora diretrizes para ensino de arte na educação básica brasileira. Nesta terça-feira (18), foi publicada no Diário Oficial da União a norma que trata a arte como campo de conhecimento.
O material foi produzido e aprovado, em março de 2026, pela Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação (CNE) e complementa a Base Nacional Comum Curricular (BNCC).
O documento destaca que o ensino e aprendizado das áreas artísticas devem ser organizados em quatro componentes curriculares, desde a educação infantil até o ensino médio. São eles: artes visuais, dança, música e teatro.
De acordo com Parecer CNE/CEB nº 2, a arte é um campo essencial à formação humana, capaz de promover a criatividade, o pensamento crítico e o diálogo com outras áreas.
O presidente do CNE, César Callegari, explica o que muda na educação brasileira.
“Não podemos mais falar de arte com improviso ou apenas para ilustrar festas e comemorações. A arte é fundamental para tudo, para o ensino da língua portuguesa, para física, para matemática. Essa articulação é que dá sentido maior àquilo que nós chamamos a formação integral do indivíduo”, pontuou.
A nova norma
As escolas devem ensinar sobre conteúdos, métodos, processos de criação, referências culturais e formas próprias de produzir conhecimento.
arte como prática integradora – deve ser vista como prática educativa com potencial para integrar experiências dentro e fora do ambiente escolar;
processos criativos e reflexivos – o ensino envolve criação, experimentação, apreciação e reflexão crítica, além da técnica e da reprodução;
contextualização e análise crítica – analisar obras em seus contextos históricos, sociais e culturais amplia o repertório cultural dos estudantes;
desenvolvimento integral do estudante – o ensino de arte favorece o desenvolvimento cognitivo, afetivo, social, cultural e estético dos estudantes.
As redes de educação devem definir uma carga horária equilibrada e coerente para cada componente curricular de arte, com a implementação de dois por ano, evitando sobreposições e garantindo a continuidade da aprendizagem.
Além disso, as escolas também deverão avaliar as condições físicas e pedagógicas para ofertar os componentes; elaborar planos com metas progressivas para melhorar espaços, materiais e recursos; integrar o espaço escolar com equipamentos culturais e artísticos locais; e fomentar parcerias com a comunidade para enriquecer a educação.
O texto destaca que, na educação básica, cada criança, jovem ou adulto aprende de um jeito único e essa singularidade deve ser respeitada.
Deveres das redes de ensino
Os sistemas de ensino estaduais, do Distrito Federal e municipais, em regime de colaboração com a União, devem assegurar a completa implementação desta resolução até o fim do prazo de vigência do Plano Nacional de Educação (PNE 2026-2036).
O PNE estabelece as diretrizes, metas e estratégias para a política educacional brasileira na próxima década.
O objetivo é reforçar a importância da arte na formação integral dos estudantes brasileiros.
Ensino integral acelera aprendizado de vulneráveis, aponta estudo
Os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2025 mostram que entre as 100 escolas de ensino médio de menor nível socioeconômico com melhor desempenho, 77 funcionam em formato 100% integral.
A análise inédita que cruza desempenho escolar do Ideb 2025 e o Indicador de Nível Socioeconômico (INSE) dos estudantes brasileiros foi feita pelo Instituto Sonho Grande e o Instituto Natura e mostra ainda que a escola de ensino médio de tempo integral tem performance superior em todos os níveis socioeconômicos.
O levantamento mais detalhado revela o maior ganho do tempo integral chega principalmente aos estudantes mais vulneráveis: as 1.166 escolas 100% integrais com menor nível socioeconômico (níveis II e III) apresentam uma vantagem de 0,6 pontos no Ideb em relação às 1.713 escolas parciais do mesmo nível –um desempenho 15% maior.
E quando comparado o ganho no Ideb com a jornada ampliada entre as escolas classificadas como níveis diferentes, nas mais vulneráveis o impacto é quase 70% superior ao registrado nas unidades de contextos menos vulneráveis.
O Instituto Natura Brasil conclui que a política do ensino integral leva mais oportunidades de aprendizagem a quem mais precisa, como constata a superintendente de Políticas Educacionais da instituição, Maria Slemenson.
Maria Slemenson, Superintendente do Instituto Natura Brasil. Foto: Divulgação Instituto Natura
“Por muito tempo, tratamos a qualidade educacional como consequência da riqueza do território. O que o ensino médio integral vem provando, edição após edição do Ideb, é que onde a política é priorizada e bem implementada, o resultado de aprendizagem se descola da renda da família e da capacidade fiscal do estado.”
Por isso, o Instituto Natura entende que o programa Escola em Tempo Integral do Ministério da Educação (MEC) é a política pública mais efetiva, atualmente, “para reduzir, de forma estrutural, a desigualdade educacional herdada pelo Brasil.”
Salto no SAEB equivale a anos extra de estudo
Os impactos das escolas de ensino médio 100% em tempo integral também se manifestaram nos resultados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB) 2025, que mede a qualidade do ensino nas escolas de todo o território nacional, a cada dois anos. Os alunos fazem provas nas disciplinas de matemática e língua portuguesa.
Em matemática, nas escolas de baixo nível socioeconômico, os alunos do ensino 100% integral obtiveram 23 pontos a mais no SAEB 2025 em relação aos estudantes do ensino parcial. Essa diferença de proficiência em matemática equivale a 4,6 anos a mais de aprendizado.
A especialista em educação do Instituto Natura Brasil aponta que o tempo estendido permite recompor as aprendizagens defasadas ao longo do ensino fundamental, na tentativa de neutralizar os gargalos na aprendizagem. “Isso só é possível porque o tempo extra é usado para dois movimentos que, em uma escola parcial, competem pelo mesmo período curto: avançar no conteúdo da série e, ao mesmo tempo, recompor o que ficou para trás”, disse Maria Slemenson.
Ela observa que nas unidades de tempo parcial, esse tipo de intervenção quase nunca cabe na grade, mas que nas escolas que funcionam em formato 100% integral, a recomposição das aprendizagens faz parte da rotina.
Já na língua portuguesa, na mesma comparação, o ganho foi de 21 pontos no SAEB 2025, o que representa uma aceleração de 3,2 anos de escolarização adicional para os jovens em situação de maior vulnerabilidade.
Maria Slemenson observa que o modelo de ensino integral impulsiona esse salto de leitura e escrita.
“O ganho em leitura e escrita se conecta ao tempo maior na escola, à maior proximidade com o corpo docente e à conexão com o projeto de vida, um dos pilares da política de ensino médio integral”.
Inclusão racial e equidade
Além do recorte de renda, os dados revelam que a vantagem do integral também é maior em escolas com maioria de matrículas de pessoas pretas, pardas ou indígenas (PPIs).
No Brasil, cerca de 74% das escolas 100% integrais do país atendem estudantes com maioria composta por PPIs, quando consideradas as escolas estaduais urbanas e com resultados divulgados no Ideb 2025.
Nas instituições de ensino médio onde os estudantes com perfil racial PPIs representam são mais de 80%, a nota média do Ideb alcança 4,9 no formato 100% integral, contra 4,3 no ensino parcial. Um avanço de 0,6 ponto.
Segundo o Instituto Natura Brasil, o resultado evidencia que a expansão do tempo integral tem contribuído diretamente para diminuir as disparidades de desempenho relacionadas à cor e à raça no ambiente escolar.
“A política de tempo integral já está majoritariamente a serviço de quem mais precisa dela. O Ideb comprova, com dado concreto, que o tempo integral tem um efeito equalizador racial, além do efeito socioeconômico”, celebra Maria Slemenson, do Instituto Natura.
O segredo do sucesso
Para o Instituto Natura, o sucesso e o impacto superior do ensino médio 100% integral no grupo de alunos de baixa renda não decorrem simplesmente do aumento de horas dentro da escola, mas sim de como esse tempo é utilizado.
O eixo pedagógico se sustenta em um conjunto interligado de pilares:
- construção do projeto de vida e protagonismo juvenil para estimular a autonomia e o planejamento de futuro dos jovens.
- acolhimento para oferecer acompanhamento socioemocional próximo e individualizado.
- aprendizado na prática para promover a conexão com o mundo real.
- orientação de estudos e tutoria para estruturar e potencializar a aprendizagem diária.
A superintendente do IN Maria Slemenson lista esse conjunto que posiciona a educação integral em vantagem em relação ao parcial, em especial, onde ela é mais necessária, nas regiões mais vulneráveis socioeconomicamente.
“Para o aluno de baixa renda, que muitas vezes não tem em casa o suporte, o acompanhamento ou a segurança que passam a existir dentro da escola de tempo integral, esse modelo pesa ainda mais.”
Por isso, o IN defende que a política de Ensino Médio Integral seja reconhecida, cada vez mais, como inegociável para o desenvolvimento do país, com benefícios da jornada ampliada, redução de vulnerabilidade social e maior proteção aos estudantes.
Desafios e gargalos
Em 2025, embora as escolas de ensino médio 100% integrais já somem 4.235 unidades no país (21% do total), elas respondem por cerca de 214 mil matrículas urbanas avaliadas.
Em contrapartida, o modelo de jornada parcial ainda concentra mais de 1 milhão de estudantes.
Ao analisar os principais gargalos enfrentados pelas redes estaduais para acelerar a transição do ensino parcial para integral em mais escolas, o Instituto Natura do Brasil avalia que a prioridade política explica o sucesso do modelo. A superintendente da instituição enfatiza que a maior barreira não é financeira, mas sim de gestão governamental sustentada ao longo do tempo.
“O Ideb 2025 mostra que estados com menos capacidade fiscal, quando tratam o tempo integral como prioridade de governo e não como projeto pontual, conseguem avançar tão rápido quanto, ou mais rápido, que estados mais ricos.”
Maria Slemenson ainda destacou o estado Piauí como referência nacional no ensino médio público e liderança nacional em educação profissional e tecnológica integrada. O estado nordestino foi pioneiro e é o único do Brasil com 100% das escolas estaduais de ensino médio em tempo integral.
“Essa transformação foi construída em poucos anos, entre 2022 e 2025, e prova que universalizar o tempo integral com qualidade é uma escolha possível mesmo para estados com menos recursos financeiros disponíveis”, ressaltou a especialista.
Palacete Imperial acumula denúncias de abandono no centro do Rio
Quem circula pelo centro do Rio de Janeiro, perto da região do Campo de Santana, pode observar um prédio centenário da cidade em completo estado de abandono. Uma situação que vem preocupando quem mora e frequenta a área todos os dias.
Interditado pela Defesa Civil desde 2008, o Palacete Imperial, localizado na esquina da Praça da República com a Rua Visconde do Rio Branco, abrigou diversas instituições desde a sua fundação em 1862. E testemunhou eventos importantes para a história do país, como a Proclamação da República, em 1889.
Porém, em 2026, o prédio acumula denúncias de depredação e ocupação irregular, além de problemas graves relacionados à estrutura. Moradores da área contam que o prédio está ocupado por pessoas em situação de rua, e que, apesar de promessas de revitalização, nenhum dos projetos foi finalizado.
O Palacete Imperial está sob propriedade da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) desde 1978, e já foi sede da Escola de Comunicação e do Instituto de Eletrotécnica. Mas desde 2012 a edificação, patrimônio tombado da cidade, passou a ser responsabilidade do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Obras - O objetivo era instalar no prédio o Centro Nacional de Arqueologia (CNA), porém as negociações não avançaram. Em nota, o Iphan informou que realizou obras emergenciais no Palacete Imperial, e que cumpriu todas as intervenções que cabiam a instituição no acordo com a UFRJ, incluindo a limpeza da edificação.
“O Iphan esclarece que a finalidade prevista para o imóvel era exclusivamente a instalação do Centro Nacional de Arqueologia (CNA). No entanto, diante da atual estrutura organizacional da autarquia e da implantação do CNA na sede do Instituto, em Brasília, o edifício deixou de atender à finalidade originalmente estabelecida”, informou a nota.
O Iphan também esclareceu que entrou com um pedido para encerrar o contrato de responsabilidade com a UFRJ, e o processo segue em tramitação.
Defesa Civil - Em resposta, o Centro de Operações Rio informou que a estrutura segue interditada pela Defesa Civil por risco de desabamento, que foram realizadas cerca de dez vistorias no local desde 2008, e que tanto o Iphan quanto à UFRJ foram notificados acerca dos problemas estruturais.
Além disso, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Licenciamento também emitiu vários atos de fiscalização para a tomada de providências.
Procurada pela a Agência Brasil para prestar esclarecimentos, a Universidade Federal do Rio de Janeiro não se manifestou até a publicação desta matéria.
*Estagiária sob responsabilidade da jornalista Mariana Tokarnia.
O Encceja é um exame gratuito, destinado a jovens e adultos que não concluíram os estudos na idade apropriada para cada nível de ensino. Os resultados do exame podem ser utilizados nos processos de certificação de conclusão do ensino fundamental e do ensino médio.
As provas serão aplicadas nos turnos da manhã e da tarde do domingo.
Pela manhã, os portões abrem às 8h e fecham às 8h45, no horário de Brasília. As provas começam às 9h e terminam às 13h.
Já na parte da tarde, os portões serão abertos às 14h30 e fechados às 15h15. A aplicação se inicia às 15h30 e vai até as 20h30.
Provas
Para o ensino fundamental, haverá quatro provas objetivas que avaliarão conhecimentos em: ciências, matemática, língua portuguesa, língua estrangeira moderna, artes, educação física e redação, redação, inglês, espanhol, artes e educação física, história, geografia, filosofia e sociologia.
Já o ensino médio cobrará temas de química, física e biologia, matemática, língua portuguesa com redação, inglês, espanhol, artes e educação física, história, geografia, filosofia e sociologia.
Inscrição para vestibular da Fuvest começa nesta segunda-feira
Começa ao meio-dia desta segunda-feira (17) o prazo de inscrição para o Vestibular 2027 da Universidade de São Paulo (USP). O processo seletivo receberá cadastros até 9 de outubro por meio da página oficial. A taxa cobrada para a participação é R$ 228.
O concurso manterá a oferta de 8.147 oportunidades em cursos de graduação, divididas entre diferentes perfis de concorrência. Serão 4.888 vagas para candidatos da modalidade Ampla Concorrência, 2.053 vagas para candidatos de escolas públicas e 1.206 vagas para candidatos autodeclarados pretos, pardos ou indígenas, egressos de escolas públicas.
A primeira etapa do vestibular, agendada para 1º de novembro, apresentará um novo formato. O caderno terá 80 questões de múltipla escolha, dez a menos do que nas edições anteriores, sem alteração na duração total de 5 horas.
Segundo a banca organizadora, a redução alinha-se a um modelo de avaliação mais interdisciplinar, focado na integração de conteúdos de diferentes disciplinas. A segunda etapa ocorrerá em 6 e 7 de dezembro.
Outra novidade é a inclusão de Fortaleza (CE) como polo de aplicação das provas, medida testada previamente durante os simulados organizados pela instituição. A expansão visa encurtar o trajeto de vestibulandos do Nordeste que tradicionalmente viajavam a São Paulo para prestar o exame, conforme explicou Gustavo Monaco, diretor-executivo da fundação.
Estudantes que demandam adaptações ou recursos de acessibilidade, como tempo estendido, provas em braile ou ampliadas, mobiliário adaptado e uso de próteses auditivas, devem formalizar o pedido no momento do cadastro, seguindo as diretrizes do Guia de Inclusão da instituição.
A organização alerta que beneficiados com gratuidade ou desconto na taxa não são inscritos de forma automática e precisam preencher o formulário do vestibular dentro do prazo.
A exigência também se aplica aos participantes dos simulados promovidos ao longo do ano. Além do canal eletrônico, haverá um ponto de atendimento presencial para inscrições na Feira USP e as Profissões, de 24 a 26 de setembro.
Principais datas:
9 de outubro – Encerramento das inscrições
21 de outubro – Divulgação dos locais de prova da 1ª Fase
1º de novembro – Provas da 1ª Fase
23 de novembro – Divulgação dos convocados e dos locais da prova da 2ª Fase
6 e 7 de dezembro – Provas da 2ª Fase
8 a 11 de dezembro – Provas de Competências Específicas
26 de janeiro de 2027 – Divulgação da 1ª Chamada para matrícula
*Estagiário da Agência Brasil sob supervisão de Odair Braz Junior
Na era da IA, inclusão digital deve ser crítica, defende educadora
O crescente uso de tecnologias como a internet, com destaque para a inteligência artificial (IA), deve ser acompanhado de pensamento crítico e não apenas entregá-las nas mãos de estudantes e professores.
A avaliação é da educadora Daniela Costa, consultora da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) para o Brasil.
“Até um determinado momento, a gente pensava em inclusão digital. Agora, a gente acrescentou duas palavrinhas: tem que ser uma educação, uma inclusão digital significativa e crítica”.
Daniela Costa é coordenadora da pesquisa TIC Educação, desenvolvida pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), uma organização sem fins lucrativos.
“Não dá mais para pensar só em entregar as tecnologias nas escolas, a gente precisa pensar em objetivos, motivos, riscos, oportunidades, o que fazer com as tecnologias e como educar os alunos para um uso mais crítico”, defendeu.
Encontro de educadores
A especialista participou do 4º Encontro de Educadores do Século XXI - Inteligência Artificial e o Futuro da Educação, realizado nesta sexta-feira (14), no Rio de Janeiro. O evento é organizado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).
Para abordar o tema, a consultora da Unesco apresentou dados que refletem avanços e preocupações sobre a relação entre estudantes com o ensino.
Pelo lado do avanço, ela mostrou que, na China, gravações de aulas de alta qualidade distribuídas a 100 milhões de estudantes rurais melhoraram os resultados deles em 32%. Além disso, diminuíram a desigualdade salarial entre populações urbanas e rurais em 38%.
Entre as preocupações, ela citou que a “simples proximidade” de um aparelho celular era capaz de distrair os estudantes e provocar um impacto negativo na aprendizagem em 14 países.
Para a professora, existe uma correlação negativa entre o excesso de uso de tecnologias digitais e a aprendizagem dos estudantes.
“Eu estou em aula, os meus alunos pegam o celular e pronto, acabou. Eles não têm mais atenção”.
Daniela apresentou dados do Cetic.br de que, no início de 2026, 51% das escolas afirmam que os estudantes não podem sequer levar o celular para a escola.
“Essas regras vão se tornando mais brandas de acordo com o nível de ensino”, complementa ela, apontando que no ensino médio, essa regra cai para 31% dos estabelecimentos.
“O celular tem que ficar em bolso, acessórios ou em locais da escola”, explica.
Pesquisa em vídeos
Daniela Costa chamou atenção também para o fato de que aplicativos de vídeo como YouTube e TikTok foram apontados por estudantes de ensino médio como o recurso digital mais utilizado para fazer pesquisas para trabalhos escolares.
O levantamento mostra que esses vídeos são utilizados por 89% dos alunos.
“A gente passa de uma pesquisa usando a linguagem verbal para uma pesquisa visual. É assistir um vídeo para se informar”, constata.
A segunda forma mais comum de pesquisa são sites de buscas, como o Google, utilizado por 88% dos estudantes.
Na sequência figuram sites como blogs e Wikipédia (72%) e plataformas de IA (70%). Livros digitais são a quinta forma mais comum (65%).
Ela assinala que apenas um terço dos estudantes brasileiros afirmam terem sido orientados sobre erros das IAs.
Sociedade e professores
A educadora acrescentou que dados revelam que os professores são referências para os alunos em como utilizar as tecnologias digitais.
De 2022 para 2024, o percentual de estudantes que declararam se informar sobre o uso com os professores passou de 44% para 56%.
No entanto, ela destacou a queda na proporção de professores que informaram terem passado por formação continuada sobre tecnologias digitais nos processos de ensino e aprendizagem.
Em 2021, 65% dos docentes declararam participação. Em 2024, eram 54%. “Esse número é baixo. Essa proporção representa metade dos professores”, lamenta.
“É como se, durante a pandemia, precisávamos falar sobre isso. Depois, não precisamos mais”, criticou.
Para a consultora da Unesco, é importante que a sociedade “se comprometa com esse ator que é o professor, o educador”.
“Não existe uma sociedade sem escolas, não existe uma sociedade sem professores, não existe educação e desenvolvimento integral dos estudantes sem esses elementos”, defende.
Enade divulga resultado de recurso sobre atendimento especializado
O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) divulga nesta sexta-feira (14) o resultado final dos recursos contra o indeferimento do pedido de atendimento especializado no dia de aplicação das provas do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) 2026 para cursos de bacharelado e tecnologia.
A publicação dos resultados ocorre exclusivamente pelo Sistema Enade. Para acessá-los, é preciso ter a senha da plataforma Gov.br.
O atendimento especializado é destinado aos participantes que necessitam de recursos específicos para realizar a prova em condições de igualdade com os demais candidatos, conforme as situações previstas no edital do exame. Entre elas estão as de pessoas com deficiência (PCD), gestantes, lactantes, diabéticos e idosos.
Provas
A aplicação da prova do Enade ocorrerá em 29 de novembro, em todos os estados e no Distrito Federal.
O exame terá duração total de quatro horas e será composto por duas partes. A primeira trata da formação geral e terá 15 questões de múltipla escolha.
A outra será específica de cada uma das 18 áreas avaliadas em cursos de bacharelado e tecnologia, entre elas: arquitetura e urbanismo, várias engenharias, ciências da computação e química.
A parte de componente específico de cada área de avaliação terá 30 questões de múltipla escolha e uma discursiva.
Esses dados contribuem para subsidiar os processos de avaliação de cursos de graduação e das instituições de educação superior (IES) e para compreender os resultados dos concluintes das graduações analisadas no Enade 2026.
Os candidatos também devem responder ao Questionário do Estudante. As informações servem para caracterizar o perfil dos participantes e o contexto de sua formação de nível superior.
Enade
O Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) avalia o rendimento dos estudantes ao fim dos cursos de graduação com o objetivo de verificar a aprendizagem dos conteúdos previstos nas diretrizes curriculares do curso, além do desenvolvimento de competências e habilidades necessárias à formação geral e profissional.
Os resultados do Enade e as respostas dos candidatos ao Questionário do Estudante são utilizados na composição dos Indicadores de Qualidade da Educação Superior dos cursos e das instituições de ensino.