Explore a trajetória dos grandes nomes das letras em nossa seção dedicada a escritores de língua portuguesa e espanhola. Aqui, você encontrará biografias detalhadas, o legado de suas principais obras e o reconhecimento de suas carreiras através de prêmios e honrarias. Mergulhe na riqueza literária de autores que moldaram a nossa cultura e história através da palavra escrita.


Em breve um acervo de revistas do século XX. (Saiba mais)

O documento traz dez propostas que incluem paridade entre homens e mulheres nos espaços de poder, fim da violência política de gênero e raça, combate ao machismo e a violência contra mulheres, políticas de cuidados e renda e justiça climática.
“Palavras bonitas sobre mulheres já existem em quantidade suficiente no Brasil. O que esperamos é compromisso que caiba em três critérios: sua sugestão tem meta? Tem orçamento? Tem prazo? Um compromisso que não responde a essas três perguntas não muda a vida de nenhuma mulher”.
1 - Assumir a paridade como meta. Definir prazos e metas numéricas para ampliar a presença de mulheres, em toda a sua diversidade, nos cargos eletivos, cargos de nomeação, lideranças do Legislativo e na direção dos partidos.
2 - Fazer valer as cotas eleitorais
3 - Fazer a Lei 14.192/2021 funcionar na prática e no ambiente digital.
4 - Definir metas e orçamento próprio para evitar a violência antes que ela aconteça, com educação para a igualdade, e responder, quando ela ocorre, com serviços especializados em todo o país, medidas protetivas cada vez mais eficazes, investigação e respostas rápidas.
5 - Tratar o machismo como problema público, com uma estratégia permanente e financiada para mudar as normas que naturalizam a violência e limitam os direitos das mulheres. Envolver homens e meninos, responsabilizar agentes públicos e empresas que reproduzem estereótipos
6 - Garantir formação, contrato formal, salário digno e proteção social às trabalhadoras do cuidado
7 - Garantir às mulheres salário igual, trabalho formal e proteção social
8 - Fazer o financiamento climático chegar a quem protege o território
9 - Garantir a participação paritária e efetiva de mulheres, especialmente indígenas, negras, quilombolas e de povos e comunidades tradicionais, em órgãos de governança climática e na formulação e implementação de políticas
10 - Garantir que toda política climática questione a quem ela alcança e quem ela deixa de fora. Isso significa gênero e raça como critério obrigatório.

Andrea*, que trabalha como autônoma, recorda que, na infância, chegou a levar tapas, desde criança até a adolescência em casa (principalmente do pai). “Eu não vou fazer igual”, garante.
O diagnóstico teve como propósito identificar o que leva pais, mães e cuidadores a baterem em seus filhos com enfoque maior na primeira infância, faixa etária até os 6 anos de idade. A alegação dos pais é que a palmada serve para “disciplinar” as crianças.
“As famílias sequer consideram o tapa ou a chinelada como violência. Pelo contrário, elas distinguem a palmada do espancamento que elas acham, de fato, errado”, afirma a pesquisadora Luiza Teixeira, especialista de Proteção à Criança do Unicef no Brasil.
Ela considera que o Brasil tem regramento e iniciativas adequadas para receber denúncias de violências contra crianças e adolescentes. Para a pesquisadora, é necessário trabalhar de forma preventiva com as famílias e reunir alternativas para capacitar os profissionais que lidam com crianças.
A lei Menino Bernardo (conhecida como Lei da Palmada), por exemplo, tem 12 anos de existência. “O que o estudo mostra é que essa lei é pouco conhecida pelas famílias e é interpretada a partir de normas sociais que ainda legitimam a violência como forma de educar”. A legislação integra o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que existe desde 1990. Para a pesquisadora, é necessário comunicar de forma mais eficiente com os pais.
O levantamento dos pesquisadores do Unicef ouviu 214 pessoas em regiões de vulnerabilidade, de violência, incluindo pais, cuidadores e lideranças comunitárias. Foram 123 no Rio de Janeiro (na Grande Pavuna e Grande Jacarepaguá), 37 no Recife (no bairro do Ibura) e 54 em Manaus (na Colônia Antônio Aleixo e na comunidade Parque das Tribos).
“Quando se trata de violência contra crianças e adolescentes, acontece em todas as esferas e em todas as classes sociais. A violência ainda é naturalizada. As crianças não são vistas como pessoas, mas como objeto e propriedade dos pais”, diz a pesquisadora.
Nessas comunidades, segundo ela, uma situação que os pesquisadores identificaram é que muitas famílias usam a violência, equivocadamente, para “colocar a criança na linha”.
Uma das conclusões da pesquisa é que faltaria repertório aos pais para disciplinar sem violência, há ações tomadas na emoção em meio às birras, e isso é seguido de arrependimento. De acordo com o Unicef, a criação no Brasil ainda é vista como assunto privado, e isso costuma silenciar a comunidade.
A instituição identificou falta de capacitação dos profissionais da rede de proteção sobre como orientar as famílias a educar sem violência e também dificuldade para que os serviços públicos cheguem às famílias.
“Se quisermos reduzir a violência contra crianças e adolescentes, precisamos enfrentar as normas sociais enraizadas que ainda veem a prática como natural e necessária, além de garantir serviços públicos que apoiem as famílias e possam prevenir a violência antes que ela aconteça”, afirma Luiza Teixeira.
Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, no ano passado mais de 60 mil casos de maus-tratos ou de lesão corporal em contexto de violência doméstica contra crianças e adolescentes foram registrados no Brasil (106% a mais do que em 2024).
Entre as recomendações do estudo, a entidade pede aos governantes que fortaleçam a prevenção da violência, com apoio a profissionais da rede de proteção, para que saiam da mera reação aos casos para a prevenção. Além disso, destaca a necessidade de campanhas que ensinem a estabelecer limites sem violência. “É preciso ainda garantir que essas campanhas dialoguem com as realidades dos territórios mais vulneráveis”.
Para a psicóloga infantil Mara Gomes, que atua em Brasília, na primeira infância a criança está passando por um período intenso de desenvolvimento cognitivo, emocional, social e neuropsicológico. “O cérebro ainda está amadurecendo, principalmente os sistemas envolvidos em inibição de impulsos, planejamento, flexibilidade cognitiva e autorregulação emocional”, destaca.
Isso significa que a criança sente emoções muito intensas, mas ainda não tem recursos suficientes para administrar sozinha as situações. Ela identifica que, quando os pais batem na criança, ela vai apresentar sinais de submissão ou até de agressividade. “Eu sempre digo aos pais de meninas: ‘você admitiria que a sua filha, na vida adulta, tenha um namorado que a agrida?’ Eu explico que ela pode achar natural a relação de amor e violência”, exemplifica.
A psicóloga indica que é necessário trabalhar essa autorregulação emocional com as crianças porque elas não têm ainda maturidade para isso. “É importante acolher e colocar limites. Ter uma conversa honesta com a criança desde pequenininha é sempre importante”, lembra.
No campo educacional, a pedagoga Marília Paiva, que atua em São Paulo na área da neurociência aplicada à educação, explica que procura orientar os professores a olharem as situações de conflito de forma sensível. “Onde o adulto enxerga uma birra, essa criança está assumindo esse comportamento, mas ela também está tentando se comunicar. E a criança precisa do adulto para ajudá-la a se regular”.
A especialista, que trabalha na Rede Fadelito de educação infantil, diz que a criança ainda está desenvolvendo controle inibitório, tolerância à frustração e flexibilidade cognitiva. Nas situações de birra e de desregulação infantil, o adulto precisa seguir quatro passos, segundo a pedagoga. O primeiro passo é se regular e assumir a postura de estar com as suas emoções também sob controle. A segunda fase seria acolher e validar o sentimento dessa criança.
Na sua opinião, o terceiro passo é o de limitar. Reconhecer o sentimento, mas indicar que ela não pode fazer tudo. Por fim, quando a criança está mais disponível para ouvir, é necessário ensinar, afirma a educadora. Isso porque muitas vezes há uma falha do adulto que quer conduzir o comportamento da criança no momento em que ela não está disponível para ouvir. “A palmada não educa a criança e constrange, além de gerar medo”.

Entre outros pontos, o protocolo determina que o primeiro atendimento à vítima de violência seja realizado por um profissional de segurança pública e que este deve garantir o encaminhamento imediato da vítima à unidade pública de saúde, assim como realizar o registro da ocorrência.
O chamado Protocolo Intersetorial de Atendimento e Resposta Integrada em Situações de Violência, destinado a orientar a atuação das autoridades em casos de violências física e sexual contra mulheres, crianças, adolescentes e pessoas em situação de vulnerabilidade.
A lei também determina realização de perícia por perito não oficial nomeado pela autoridade competente nas localidades em que não houver órgão de perícia oficial de natureza criminal.
Em relação aos profissionais de saúde e de segurança pública, o treinamento “específico e periódico” visa garantir atendimento baseado na não revitimização.
A Lei n° 15.516, de 22 de setembro de 2026 altera outra normativa, a Lei nº 12.845 de 1º de agosto de 2013, chamada de Lei do Minuto Seguinte e que assegurava às vítimas de violência sexual o atendimento imediato pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Entre as medidas já previstas estavam amparos médico, psicológico e social, exames preventivos e informações sobre direitos e a obrigatoriedade de notificação a autoridade competente, no prazo de 24 horas, dos casos em que houver indícios ou confirmação de violência sexual, para as providências cabíveis e para fins estatísticos.
Entre outros pontos, o protocolo estabelecido pela nova legislação determina:
Além disso, a lei determina que a a conclusão e encaminhamento do laudo pericial à autoridade policial devem ser feitos no prazo máximo de dez dias corridos. Outro ponto de destaque determina que as autoridades precisarão adotar todas as medidas necessárias para a preservação do local do crime e das provas materiais que possam contribuir para a investigação.
O Conselho Tutelar deverá ser comunicado, no caso de a vítima ser criança ou adolescente, e poderá, autorizar e adotar os procedimentos necessários, com base no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990.
Nos casos de descumprimento do protocolo, que resultem em revitimização ou prejuízo à investigação ou à proteção da vítima, a autoridade poderá configurar o crime de violência institucional, nos termos da Lei de Abuso de Autoridade (Lei nº 13.869, de 5 de setembro de 2019), sem prejuízo das demais sanções.

A universitária foi encontrada morta no último dia 13 de setembro, no pátio de um edifício residencial, onde morava com o namorado e familiares dele, localizado no bairro Aldeota, em Fortaleza.
O perito chefe da Pefoce, Júlio Torres, disse, em entrevista coletiva, que as imagens das câmeras de monitoramento captam uma parte da trajetória da queda, não o momento em que ela se precipita, o que corrobora para a conclusão da perícia até o momento.
"A conclusão do nosso laudo pericial criminal, é que houve uma precipitação voluntária do rooftop [uma espécie de terraço descoberto], onde ela caiu de posição vertical. Tem uma câmera que corrobora com essa dinâmica", disse.
Ontem (22), a Polícia Civil do Ceará (PCCE) prendeu preventivamente João Munhoz Neto, de 34 anos. Ele já havia prestado depoimento à polícia na noite dessa segunda-feira (21) e foi ouvido novamente após a prisão. O celular de João Munhoz Neto foi apreendido e passa por análise.
O delegado-geral da Polícia Civil do Estado, Marcio Gutierrez, informou ainda que João Neto teria tentado obstruir as investigações, com destruição de provas.
“Uma possibilidade ali de destruição de provas, de sonegação de provas, juntado isso às informações de abuso psicológico, de que ele não tinha qualquer intenção de colaborar com os esclarecimentos dos fatos, por isso que a gente representou pela prisão preventiva dele”.
De acordo com o delegado, a polícia investiga relatos de que uma pessoa teria sido chamada para limpar o apartamento e que imóvel foi colocado à venda após a morte de Isabelle.
“Ele [João Munhoz Neto] compareceu ao imóvel para procurar o celular da Isabelle. Ele proibiu a entrada da família no condomínio, falou para o administrador do condomínio que não era para permitir a entrada de qualquer familiar. Ele desativou o perfil nas redes sociais e também não atendeu aos chamados que foram feitos”, disse o delegado Marcio Gutierrez.
Em entrevista à imprensa em Fortaleza, a advogada de João Munhoz Neto disse que ele não tem relação com a morte da namorada e não estava no local no momento.
Ainda na terça-feira, a mãe de Isabelle, a professora Isorlanda Caracristi, disse, em uma rede social, que a prisão do namorado representa o início de um "processo de justiça":
"Recebi hoje a certidão de óbito da minha filha. Eu sonhei um dia receber um certificado de conclusão de curso, o diploma dela de direito, formatura. Jamais passou pela minha cabeça receber a certidão de óbito. Com a prisão preventiva dele, hoje eu sinto dentro do meu coração que o processo de justiça pela morte da minha filha se inicia", disse.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social, além de João, prestaram depoimento mais sete pessoas. Novos depoimentos estão marcados para os próximos dias.
Celulares, dispositivos eletrônicos e imagens de câmeras ainda estão sendo analisados, bem como diversas outras diligências sendo efetuadas.
A Pefoce informou que produziu dez laudos periciais e que outros três laudos estão em fase de conclusão. As perícias foram realizadas no apartamento, no terraço do prédio e no local onde o corpo da estudante caiu na mesma noite da ocorrência.
O corpo foi submetido a exame necroscópico detalhado. O laudo cadavérico apontou como causa da morte politraumatismo, com lesões no corpo da vítima compatíveis com o impacto contra o solo.
A necropsia não constatou que a jovem estivesse grávida. Exames laboratoriais apontaram negativo para presença de substâncias tóxicas.
A morte da estudante ganhou repercussão depois que a mãe de Isabelle divulgou um vídeo, na sexta-feira (18), expondo a situação e cobrando justiça pela morte da filha.
A professora relatou que o último contato com Isabelle foi por meio de duas mensagens no WhatsApp no começo da noite de domingo. Em uma das mensagens, Isabelle pediu que a mãe olhasse uma comida que ela havia deixado na airfryer. Na outra, ela disse: “Mãe, eu te amo”.
A mãe de Isabelle relatou que não houve mais respostas para as mensagens enviadas e acreditava que o silêncio se devia ao fato de a filha estar dormindo.
Ao permanecer sem respostas da filha na manhã da segunda-feira (14), Isorlanda tentou contato com o namorado João Munhoz Neto por ligações e mensagens e descobriu ter sido bloqueada por ele.
“Para a minha surpresa, eu estava bloqueada, eu fui tentar pelo Instagram dele, bloqueada. No outro Instagram pessoal, bloqueada. Totalmente bloqueada, bloqueada. Aí eu me desesperei”, relatou.
Isorlanda disse ainda que só soube da morte da filha quando foi acompanhada do filho e irmão de Isabelle, ao condomínio onde ela morava com o namorado, a sogra e um irmão dele. Isorlanda e o filho foram comunicados pela síndica que Isabelle tinha morrido na noite anterior.
* Texto atualizado às 18h59 para ajuste e inclusão de informação

Mais da metade (54%) também deixou de comparecer a um compromisso de trabalho ou recusou um convite desse tipo pelos mesmos motivos. E um quinto (21%) já desistiu de fazer alguma capacitação, incluindo faculdade.
Entrevistas feitas com 564 mulheres de diferentes idades, classes e regiões do país mostraram que a insegurança ou violência é o principal impedimento, indicado por 32% delas. A falta de dinheiro (22%) figura em segundo lugar, seguida pela precariedade do transporte público (15%), que não atende devidamente, e a distância dos lugares onde precisam ir (14%).
A sensação de insegurança faz com que a maioria evite certos bairros ou regiões da cidade (87%) e planeje horários (73%). Também para se proteger, 63% já evitaram algum meio de transporte e 60% fizeram outro caminho até o destino.
Para uma das mulheres que respondeu a pesquisa, a aprovação em uma graduação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) não foi considerada de fato uma vitória. Ela relatou que desistiu de fazer o curso porque não chegaria a tempo ao campus, uma vez que ela deixou de andar de ônibus depois de ter sido assaltada diversas vezes.
Outro aspecto relevante é a preocupação com o assédio sexual. O levantamento constatou que 89% relatam ter sido vítimas em pelo menos um tipo de veículo, com predominância de ônibus (68,8%), deslocamentos a pé (60,8%) e de metrô ou trem (50,2%). A bicicleta e a moto por aplicativo aparecem como os que as deixam menos vulneráveis, mas são citadas, ainda assim, por 6,6% e 4,1% das participantes.
Os carros por aplicativo são opção recorrente de oito em cada dez mulheres ouvidas na pesquisa (80%). Apesar de custarem mais caro para 67% das entrevistadas de periferias e áreas com desfalques estruturais e de transporte.
No total, 68% das entrevistadas declararam não ter veículo próprio e 52% gastam mais de uma hora por dia em deslocamento. Quase metade (45%) avalia como piores as condições de mobilidade de seus endereços, na comparação com o centro da cidade, e 33% classifica o transporte público de seu respectivo bairro como ruim ou péssimo.
Outra conclusão é a de que, de fato, a renda define o quanto de acesso elas têm a determinados modais. Oito em cada dez (80,3%) mulheres de baixa renda usam ônibus regularmente, contra 52,1% entre as de alta renda. O carro próprio, por outro lado, é usado regularmente por 40,6% destas, contra apenas 8,3% das mulheres de baixa renda.
Uma das tarefas atribuídas historicamente às mulheres, o cuidado também estabelece certas rotinas adotadas por elas. Segundo o estudo, 54% das entrevistadas afirmam que exercem esse tipo de trabalho sozinhas, ante 38% que dizem dividi-lo com outras pessoas.
Tais dados explicam por que o trajeto de muitas mulheres não se limita à casa-trabalho e vice-versa, incluindo paradas no meio do caminho. As que planejam sozinhas os percursos relacionados ao cuidado, como escola, idas a consultas médicas e farmácias e compras são 43%, sendo que 44% escolhem o veículo que vão utilizar com base nessas responsabilidades.
Os carros por aplicativo são acionados por 53% quando transportam dependentes, sejam eles filhos, idosos ou pessoas com deficiência.
A etapa quantitativa foi feita entre 8 de junho e 9 de julho de 2026, com 564 mulheres entre 18 e 60 anos, com foco nas capitais São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Curitiba, Porto Alegre, Brasília, Manaus e Belém, além de outras 73 cidades brasileiras.
As organizações também colheram contribuições de especialistas ligadas a temas como planejamento urbano, direito à cidade, mobilidade feminina, desigualdades territoriais, periferias e mobilidade ativa.
Ariano Suassuna, criador do Movimento Armorial, agora é oficialmente patrono da cultura do Recife.

A lei que reconhece a importância de um dos maiores autores brasileiros para a cultura e a literatura pernambucana, nordestina e nacional, foi sancionada esta semana.
O prefeito do Recife, Victor Marques, afirma que a homenagem formaliza um reconhecimento já presente na identidade cultural da cidade.
"Esse é um ato representativo, simbólico e formal de algo que a cidade já vive. Ariano, que é um grande nome da cultura, da literatura brasileira — não só nordestina, brasileira —, e dizer que ano que vem é o centenário dele, com certeza o Recife, que era a sua casa, vai fazer uma bonita e bela homenagem nesse centenário", explica.
Um dos netos do escritor, João Suassuna, participou da cerimônia de sanção da lei.
Para ele, o título consolida o vínculo entre Ariano e o povo recifense.
"É a gente ter efetivamente sedimentado, não mais só no coração, mas da alma do povo recifense Ariano como patrono da cultura de Recife. Um amor de A a Zélia, um amor de Ariano por Recife e pela cultura recifense, pernambucana, nordestina e brasileira", fala.
João destaca que a homenagem também reverencia Dona Zélia, companheira de Ariano por 67 anos e apontada pelo próprio escritor como inspiração para uma mudança importante em sua trajetória literária.
"Eu digo que o amor de Ariano por Recife é um amor de A a Zélia. Ariano, que antes de Zélia só escrevia tragédias, foi Zélia quem inspirou o riso, a graça, a leveza de Ariano, foi esse Ariano que eu conheci como neto. E a partir disso ele dizia uma coisa muito bonita: 'Quando eu conheci Zélia foi como se meu coração e minha alma tivessem se aberto para a vida e para a alegria do mundo'. Ele complementava dizendo: 'Foi ela quem permitiu a irrupção em minha vida do riso a cavalo e do galope do sonho'", conta.
Ariano Suassuna nasceu em João Pessoa em 1927 e foi radicado no Recife a partir de 1938.
Ele dedicou grande parte de seus 87 anos de vida à literatura e às artes.
Foi romancista, dramaturgo, poeta, professor, artista plástico e advogado, além de ocupar cadeiras nas Academias Brasileira, Paraibana e Pernambucana de Letras.
Foi na capital pernambucana que se formou em Direito e iniciou a carreira artística que o tornaria um dos maiores intelectuais do país.
Autor de obras como "O Auto da Compadecida", que ganhou adaptações para o teatro, o cinema e a televisão, Ariano também participou de importantes movimentos culturais e educacionais ao lado de nomes como Hermilo Borba Filho, Paulo Freire e Francisco Brennand.
Entre seus legados, o mais conhecido é o Movimento Armorial, criado e lançado por ele em outubro de 1970, no Recife.
A iniciativa buscava desenvolver uma arte erudita genuinamente brasileira a partir das raízes da cultura popular nordestina, unindo elementos do universo popular e da tradição erudita.
O movimento valorizava as tradições sertanejas e combatia a descaracterização cultural provocada pela reprodução de modelos estrangeiros.
Para Suassuna, o folclore não era uma manifestação estática, mas uma fonte viva e sofisticada para a criação artística.
Com esse propósito, o Armorial reuniu diferentes expressões culturais, como literatura, música, teatro, dança, artes plásticas e xilogravura.
O movimento é considerado um dos principais marcos da trajetória de Ariano Suassuna e um dos fundamentos para o reconhecimento dele como patrono da cultura do Recife.
3:47O Festival de Parintins, importante manifestação do Amazonas e um dos mais tradicionais da cultura popular brasileira, é o grande homenageado da exposição "Boi-Bumbá de Parintins: do Brincar ao Futuro", em cartaz no Centro Sebrae de Referência do Artesanato Brasileiro, na cidade do Rio de Janeiro.

A mostra retrata não apenas o espetáculo dos bois Caprichoso e Garantido, mas também o que está nos bastidores da festa, como o trabalho dos artistas envolvidos, técnicas, referências culturais e os saberes e a força das comunidades que mantém viva essa tradição.
A curadora Rozana Trilha explica que uma das ideias da exposição é relacionar a tradição do festival com outras manifestações da cultura brasileira.
“A gente quer que a mostra possa dialogar, reverenciar, as tradições do nosso país. Então, a gente está trazendo na primeira sala o Carnaval, o São João, o Círio de Nazaré, o Bumba Meu Boi do Maranhão. E por meio do Boi-Bumbá de Parintins, nós estamos homenageando e fazendo também com que as pessoas possam entender que nós precisamos ter orgulho das nossas manifestações culturais”.
A mostra, dividida em três grandes espaços, conta com 300 peças, apresentando personagens marcantes do espetáculo como o Curupira, a Iara e o Boto Cor-de-Rosa.
Outro destaque são os bonecos do Mini Boi, miniaturas de Boi-Bumbá que surgiram do amor das crianças pelo espetáculo.
A curadora dá mais detalhes.
“Em uma das salas da exposição temos a Sala dos Encantados, que são os verdadeiros guardiões espirituais da Amazônia. E nessa sala, os visitantes vão poder ver o Curupira, a Matita Pereira, a Iara, a Vitória-Régia, o Mapinguari, o Boto Cor-de-Rosa e a Cobra Grande. E para além disso, além da gente trazer o Boi Grande, nós colocamos na exposição também o Mini Boi, o Mini Boi Caprichoso e Mini Boi Garantido”.
A mostra, que está em cartaz desde julho, tem atraído um grande número de visitantes, entre eles estudantes de diversas escolas, que aprendem mais sobre a cultura popular.
Rozana destaca a reação do público.
“A exposição não é só algo bonito. Eu acho que ela está encantando por conta dessa tradição, porque as pessoas sentem que tem história, porque as pessoas sabem que tem verdade. As pessoas vivem e se emocionam com o festival”.
O Festival de Parintins é realizado anualmente em junho na Ilha de Tupinambarana, no Amazonas, e tem raízes no Bumba Meu Boi nordestino. Os bois Garantido, vermelho, e Caprichoso, azul, surgiram no início do século 20 nas camadas populares, onde brincantes dançavam em frente às casas em troca de comida.
A mostra "Boi-Bumbá de Parintins: do Brincar ao Futuro" fica em cartaz até 27 de março do ano que vem. A entrada é franca.
3:22Pela primeira vez, o Iphan - Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - tombou um quilombo urbano no estado do Rio de Janeiro. O pioneiro é o Quilombo Ferreira Diniz, localizado no bairro da Glória, centro da capital fluminense.

Ele integra uma lista de 54 dessas comunidades certificadas em todo o território fluminense, de acordo com a Associação Estadual das Comunidades Quilombolas. O reconhecimento ocorreu durante reunião, esta semana, do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, que formalizou a inscrição no Livro de bens relacionados à presença e trajetória das comunidades quilombolas.
Segundo o Instituto, o tombamento se justifica pela importância histórica, cultural e social do quilombo para essa comunidade, formada a partir da criação do espaço, em 1950. Superintendente do Iphan no Rio, Patrícia Corrêa afirma que a medida visa a proteção dos direitos dos quilombolas.
"O tombamento do Quilombo Ferreira Diniz, ele não diz respeito apenas à proteção de um território, ele diz respeito à proteção de uma trajetória de resistência de uma comunidade. A gente tá falando de proteger e reconhecer e sobretudo garantir os modos de vida e as referências materiais e imateriais que constituíram a história do povo brasileiro. A gente garante com esse tombamento o direito à identidade, direito à memória e à reparação histórica ao povo quilombola".
A história do território começa com Maria Isabel Ferreira - descendente de africanos escravizados, que foi morar no local com o marido, Antônio Dias Peçanha. Atualmente, o espaço é ocupado por cerca de 70 pessoas, descendentes das famílias Ferreira e Diniz. Uma delas é a presidente da Associação da Comunidade do Quilombo Urbano, Érida Ferreira. Nascida e criada lá, ela afirma que preservar a cultura quilombola significa diversificar o modo de contar a história do Brasil.
"O significado e a importância de manter uma comunidade quilombola é garantir que a gente tenha um futuro com mais diversidade cultural, com mais participação da população negra. Você preservar uma cultura quilombola é você poder contar uma outra história do Brasil também, mas uma história viva. Esse território, ele é da maneira como ele é porque essa comunidade tá aqui. O quintal do quilombo sempre foi esse lugar de agregar e de receber pessoas".
Essa aproximação ocorre com a prática de atividades que vão desde rodas de capoeira a apresentações musicais e artísticas. No entanto, o evento que mais movimenta o Quilombo Ferreira Diniz é a feijoada da Tia Cida - que ocorre toda sexta-feira, ao som de uma roda de samba. Tia Cida conta que a culinária tem um papel importante na sua vida.
"Foi através da feijoada que eu criei meus filhos, onde eu criei meus netos, minha bisnetas. É a minha história, a minha vida. Eu faço da feijoada um espaço onde as pessoas possam vir e se sentir felizes e comerem e cantar e dançar, conhecer a nossa história, conhecer a nossa sentir a energia que esse espaço tem".
Além do reconhecimento do Quilombo, a reunião do Conselho do Iphan aprovou o registro do Cortejo da Cavalaria de São Gonçalo e São Benedito, e o tombamento da Capela do Cristo Operário, ambos do estado de São Paulo.
Outra medida foi revalidar os registros do Fandango Caiçara - festa que ocorre no Paraná e em São Paulo, e da Festa do Pau da Bandeira de Santo Antônio, celebrada no Ceará.
*Sob supervisão de Vitória Elizabeth
3:18Os blocos de rua interessados em participar do carnaval 2027 na cidade do Rio de Janeiro tem só até esta quinta-feira (24) para se cadastrar na Riotur. As inscrições começaram em 24 de agosto e são feitas pelo site riotur.prefeitura.rio.

Mas, essa é apenas a primeira etapa do processo. A autorização para os desfiles está prevista para ser anunciada em 15 de janeiro, depois que todos os órgãos públicos envolvidos na festa, como as Polícias Civil e Militar e o Corpo de Bombeiros, terminarem o planejamento de logística, segurança e infraestrutura para receber os milhares de foliões em toda a cidade.
Até lá, os organizadores dos blocos devem enviar para a Riotur documentos e roteiro das ruas por onde vão passar, a localização final do cortejo e o calendário das apresentações.
Em 2026, foram mais de 460 desfiles autorizados no período oficial da folia, entre os dias 13 e 18 de fevereiro.
1:08A coleção de calçados que une design contemporâneo aos grafismos e saberes ancestrais da Ilha do Marajó será apresentada na Semana de Moda de Milão dentro de uma missão internacional que conecta a Amazónia, periferias de São Paulo e mercado europeu de moda. O projeto reúne a Dotz com direção criativa de Rodrigo Doxandabarat, responsável pelo design, silhuetas e materiais da coleção. O Instituto Costurando Sonhos Brasil, fundado pela paraense Sueli Feio, que articula o projeto e produz os componentes artesanais, e o artesão do Instituto Tucunaré da Ilha do Marajó, Miquéias Caldas da Silva, detalha a construção da arte.

A arte marajoara em si, ela tem mudado e impactado, né, socialmente e financeiramente as famílias que trabalham em cima dessa cultura. E, pessoalmente, para mim, o significado maior é dizer que participar da Semana de Moda em Milão, Itália, é ter um reconhecimento...
A missão internacional acontece de 20 a 30 de setembro de 2026, com a apresentação da coleção marcada para 23 de setembro. O projeto simboliza uma ponte entre dois territórios de saberes populares: o Marajó, com a sua cultura tradicional, e Paraisópolis, com a sua experiência em empreendedorismo e economia criativa.
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