1. Introdução: O Espelho de Uma Era
A trajetória da revista Playboy no Brasil, entre os anos de 1975 e 2010, transcende a simples publicação de nus artísticos; ela constitui um documento histórico vibrante sobre a evolução dos costumes, da estética e da própria cultura de celebridade no país. Durante essas três décadas e meia, estampar a capa da publicação não era apenas um contrato profissional, mas um rito de consagração que atestava o auge da carreira de uma mulher. Ser convidada significava habitar o imaginário coletivo de uma nação continental, representando não apenas a beleza física, mas o carisma, o talento e a relevância profissional em áreas que iam da teledramaturgia ao esporte de alto rendimento.
Este relatório dedica-se a examinar, com minúcia e respeito, as mulheres extraordinárias que protagonizaram essas páginas. A análise não se limita à fotografia, mas expande-se para compreender o contexto biográfico e profissional que as alçou à posição de musas nacionais. Observa-se que a revista funcionou como um termômetro social: nos anos 70, desafiou a censura da ditadura militar; nos anos 80, celebrou a abertura política e a diversidade; nos anos 90, surfou na estabilidade econômica do Plano Real com recordes de vendas inalcançáveis hoje; e nos anos 2000, refletiu a nova dinâmica da fama instantânea gerada pelos reality shows.
Ao longo desta narrativa, trataremos cada personalidade com a admiração que seus legados merecem, reconhecendo que, por trás de cada ensaio, havia uma profissional em busca de afirmação, liberdade artística ou independência financeira, muitas vezes enfrentando o julgamento de uma sociedade em transformação.
2. A Década de 1970: Pioneirismo Sob a Sombra da Censura
O nascimento da revista no Brasil foi um parto difícil, marcado pela vigilância constante do regime militar. A simples existência de uma publicação erótica de alto nível era, por si só, um ato de ousadia editorial liderado por Roberto Civita e a Editora Abril. As mulheres que aceitaram posar neste período inicial foram verdadeiras desbravadoras, navegando em águas turvas onde a fronteira entre a arte e a proibição era desenhada pelo humor dos censores federais.
2.1. 1975: O Nascimento Disfarçado e a Confusão das Musas
Em agosto de 1975, o Brasil viu chegar às bancas a "Revista do Homem". O Ministro da Justiça da época, Armando Falcão, vetou terminantemente o uso do nome Playboy, considerado subversivo e imoral para os padrões da família tradicional defendidos pelo governo.1
O Caso Lívia Mund e Rosicleide
A edição inaugural carrega uma das histórias mais curiosas e emblemáticas do amadorismo romântico daquela fase. A capa apresentava a modelo Rosicleide, uma mulher de beleza clássica e serena. No entanto, o "recheio" da revista — o ensaio principal — trazia a deslumbrante modelo Lívia Mund.
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Contexto Profissional: Lívia Mund era uma modelo de grande requinte, cuja imagem já estava associada à sofisticação.
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A Polêmica Editorial: A decisão de não colocar Lívia na capa deveu-se a um conflito interno na Editora Abril: ela já estampava a capa da revista feminina Nova naquele mesmo mês. Para não "cansar" a imagem da modelo ou gerar conflito de interesses nas bancas, optou-se por Rosicleide na capa da revista masculina, criando uma dissonância que se tornou anedota histórica. Ambas, contudo, merecem o crédito de terem inaugurado uma era, emprestando sua beleza para testar os limites da liberdade de expressão no Brasil.1
2.2. A Consolidação do Nome e a Chegada das Atrizes
Foi apenas em 1978 que a revista conseguiu a liberação para ostentar seu nome original e o icônico logotipo do coelho. Com essa vitória institucional, iniciou-se um movimento de atração de grandes estrelas da televisão, que começavam a ver na publicação um veículo de prestígio e não apenas de exposição.
Betty Faria (1978): A Primeira Grande Estrela
A atriz Betty Faria foi a pioneira entre as grandes estrelas da TV Globo a aceitar o convite, marcando um ponto de inflexão na credibilidade da revista.3
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Atividade de Sucesso: Betty não era apenas uma atriz; era um furacão cultural. Em 1975, ela havia protagonizado Pecado Capital, uma das novelas de maior sucesso da história, interpretando a complexa Lucinha. Mais do que isso, em 1978, ela estava no centro das atenções pelo filme A Dama do Lotação, baseado na obra de Nelson Rodrigues. No cinema, Betty quebrou tabus sobre a sexualidade feminina, interpretando uma mulher que buscava satisfação fora do casamento.
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Impacto: Seu ensaio na Playboy foi uma extensão natural de sua persona pública: uma mulher forte, dona de seu corpo e de seus desejos. Ao posar, Betty sinalizou para toda a classe artística que a nudez podia ser tratada com elegância e empoderamento.1
3. A Década de 1980: A Era de Ouro, Diversidade e Superproduções
Com a abertura política gradual e a redemocratização, os anos 80 representaram a "Era de Ouro" da revista. As vendas estabilizaram-se em patamares altíssimos, com média de 400 mil exemplares por edição.1 Foi a década em que a revista se tornou uma "instituição nacional", trazendo entrevistas históricas (como a de Fidel Castro) e ensaios que misturavam arte, moda e a beleza exuberante da mulher brasileira.
3.1. Sônia Braga: A Projeção Internacional da Beleza Morena
A atriz Sônia Braga protagonizou capas em 1984 e 1986, trazendo para a revista o peso de uma carreira que já cruzava fronteiras.4
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Atividade de Sucesso: Sônia era, indiscutivelmente, a maior estrela do Brasil. Sua interpretação em Gabriela (1975) e Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976) a transformou no arquétipo da beleza brasileira: morena, sensual e intensa. Nos anos 80, ela consolidava sua carreira internacional com O Beijo da Mulher Aranha (1985), que lhe renderia uma indicação ao Globo de Ouro.
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O Ensaio Artístico: Diferente de modelos que seguiam roteiros pré-estabelecidos, Sônia imprimiu sua marca autoral nos ensaios. Suas fotos eram estudos de luz e sombra, celebrando a naturalidade de sua pele e a força de seu olhar. Ela não posava apenas para o público masculino, mas para a posteridade, consolidando sua imagem de ícone pop global.5
3.2. Vera Fischer: A Deusa Platinada (1982)
Em 1982, a revista rendeu-se à majestade de Vera Fischer. Ex-Miss Brasil (1969), Vera atingiu na década de 80 um auge de beleza que a tornou quase mítica.7
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Atividade de Sucesso: Vera brilhava na novela Brilhante (1981-1982), de Gilberto Braga, interpretando Luiza. Sua presença em cena era magnética, e a novela explorava sua sofisticação como designer de joias.
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O Fascínio: O ensaio de Vera Fischer é frequentemente citado como um dos mais belos da história. Ela foi retratada com uma aura de "diva do cinema clássico", uma Marilyn Monroe tropical. A admiração por Vera transcendia o erotismo; era uma reverência a uma beleza que parecia inalcançável. Relatos de profissionais que trabalharam com ela, inclusive dublês de corpo, destacam sua generosidade e a perfeição estética que ela mantinha, confirmando o título de "Deusa" que a imprensa lhe conferia.8
3.3. Luiza Brunet: A Personificação da Moda Brasileira
Durante toda a década, Luiza Brunet foi a figura onipresente, a "top model" que definiu o padrão de beleza dos anos 80.10
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Atividade de Sucesso: Luiza começou como modelo exclusiva das calças Dijon, uma marca que se tornou febre nacional graças, em grande parte, ao corpo escultural de Luiza. Além disso, ela reinou absoluta no Carnaval como Rainha de Bateria da Portela (e depois da Imperatriz Leopoldinense), levando o glamour das passarelas para a Avenida.
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Legado: Seus múltiplos ensaios para a revista (e outras publicações do gênero) ajudaram a profissionalizar a carreira de modelo no Brasil. Luiza provou que era possível transitar entre a moda, a publicidade e o nu artístico mantendo uma imagem de extrema classe e respeito.11
3.4. Marcos de Ruptura e Polêmicas Históricas
Roberta Close (1984): A Quebra de Paradigmas
Em 1984, a revista protagonizou um ato de vanguarda social ao estampar Roberta Close na capa, sob a manchete "A Mulher Mais Bonita do Brasil".12
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Atividade de Sucesso: Roberta era a vedete máxima do Carnaval e modelo de sucesso internacional, desfilando para grifes de alta costura como Thierry Mugler. Sua beleza era tão impactante que desafiava as convenções de gênero da época.
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A Polêmica e a Aceitação: Sendo uma mulher transexual (termo pouco usado na época, que preferia eufemismos), sua capa gerou um debate nacional sem precedentes. A revista vendeu cerca de 300 mil exemplares, um sucesso estrondoso. O ensaio foi conduzido com extrema delicadeza, focado na silhueta feminina e no mistério, sem expor a genitália, o que aumentou o fascínio. Roberta abriu portas para a discussão sobre identidade de gênero no Brasil décadas antes do assunto se tornar pauta comum, sendo tratada com carinho e admiração por sua estética inquestionável.13
Claudia Ohana (1985): O Naturalismo em Debate
A atriz Claudia Ohana, conhecida por seu talento e intensidade dramática, protagonizou em fevereiro de 1985 um ensaio que entrou para o folclore nacional.12
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A Polêmica: As fotos mostravam Claudia ao natural, mantendo seus pelos pubianos sem depilação, algo comum na Europa mas que chocou o público brasileiro, já habituado a padrões estéticos mais artificiais. O "estilo Claudia Ohana" virou termo popular.
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Releitura: Hoje, o ensaio é revisitado sob uma ótica feminista e de aceitação do corpo, celebrando a coragem da atriz em não se submeter às pressões estéticas da indústria e manter sua autenticidade.15
Luciana Vendramini (1987): A Lolita Brasileira
A capa de Luciana Vendramini ilustra as complexidades éticas da época. Luciana ganhou fama nacional ao disputar uma vaga de Paquita no Xou da Xuxa, perdendo o concurso mas ganhando o público pela sua beleza angelical.12
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A Polêmica: O ensaio foi realizado quando ela ainda era menor de idade (17 anos) e publicado logo após completar 18. Anos mais tarde, a própria Luciana descreveu a experiência como traumática, revelando que era virgem e sentiu-se exposta de uma forma que não tinha maturidade para processar. Este episódio serve como um lembrete importante sobre a vulnerabilidade das jovens estrelas diante da máquina da fama nos anos 80.16
Hortência Marcari (1988): A Força da Atleta
A revista inovou ao convidar Hortência, a rainha do basquete brasileiro.17
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Atividade de Sucesso: Hortência era uma das maiores atletas do mundo, maior pontuadora da história da seleção. Sua fama vinha do suor, da garra e das vitórias em quadra.
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Significado: O ensaio provou que a feminilidade não era oposta à força física. Hortência foi retratada com elegância, mostrando que uma campeã olímpica e pan-americana também podia ocupar o espaço de musa, inspirando mulheres a abraçarem a prática esportiva sem medo de perderem sua "feminilidade".18
4. A Década de 1990: Recordes de Vendas e Fenômenos de Massa
A década de 90, especialmente após a estabilização econômica do Plano Real em 1994, marcou o apogeu comercial da Playboy Brasil. Sob a direção de Ricardo Setti, a revista atingiu números de tiragem que hoje parecem ficção científica. As musas vinham de dois grandes polos: as novelas globais e os programas de auditório popularescos, como o Domingão do Faustão e o Programa H.
Tabela 1: As Edições Mais Vendidas da Década de 90 (Estimativas)
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Posição |
Estrela (Capa) |
Data |
Vendas Aprox. |
Atividade Principal na Época |
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1º |
Joana Prado (Feiticeira) |
Dez/1999 |
1.247.000 |
Assistente de Palco (Programa H) |
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2º |
Suzana Alves (Tiazinha) |
Mar/1999* |
~1.200.000 |
Assistente de Palco (Programa H) |
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3º |
Scheila Carvalho |
Fev/1998 |
845.000 |
Dançarina (É o Tchan) |
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4º |
Scheila Carvalho & Sheila Mello |
Set/1999 |
838.000 |
Dançarinas (É o Tchan) |
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5º |
Marisa Orth |
Ago/1997 |
835.000 |
Atriz (Sai de Baixo) |
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6º |
Joana Prado (2ª capa) |
Ago/2000 |
804.000 |
Musa Pop / Modelo |
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7º |
Carla Perez |
Out/1996 |
778.000 |
Dançarina (É o Tchan) |
Nota: Os dados variam levemente entre fontes, mas a liderança de Joana Prado é consenso histórico.1
4.1. O Fenômeno "É o Tchan": As Dançarinas do Brasil
O grupo de pagode baiano "É o Tchan" não dominou apenas as rádios, mas também as bancas de revista. As dançarinas, escolhidas muitas vezes por voto popular em programas de TV, tornaram-se celebridades instantâneas.
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Carla Perez (1996, 1998, 2000): A "Loira do Tchan" original possuía um carisma infantil e um corpo exuberante. Seu primeiro ensaio foi um sucesso estrondoso. Uma curiosidade controversa ocorreu em uma de suas capas, onde posou com um Papai Noel cuja mão parecia tocar seus seios, gerando críticas de setores mais conservadores, mas sem abalar sua popularidade imensa.12
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Scheila Carvalho (1998): A morena mineira venceu um concurso disputadíssimo no Faustão. Seu ensaio solo é um dos mais vendidos da história, refletindo a adoração do público por sua beleza clássica e sorriso cativante. Scheila manteve-se na mídia por décadas, provando ser mais que uma dançarina passageira.21
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Sheila Mello (1998): A substituta de Carla Perez, também eleita por concurso, trouxe uma beleza atlética e moderna. O ensaio conjunto com Scheila Carvalho em 1999 foi um marco de marketing, unindo as duas maiores paixões nacionais da época.20
4.2. Adriane Galisteu: A Fênix (1995)
Em agosto de 1995, a revista trouxe Adriane Galisteu em um ensaio histórico na Grécia.23
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Contexto Dramático: Adriane era conhecida mundialmente como a namorada de Ayrton Senna, tragicamente falecido em 1994. Ela enfrentou um luto público doloroso e, por vezes, a hostilidade de parte da imprensa e da família do piloto.
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A Virada: O ensaio representou sua independência financeira e o início de sua construção como estrela solo. Com um cachê especulado em R$ 500 mil a R$ 1 milhão (valores altíssimos para a época), ela posou de forma solar e elegante. Anos mais tarde, Adriane voltaria a polemizar em outro ensaio, aparecendo em uma foto depilando-se ("a foto da gilete"), reafirmando sua personalidade ousada e desafiadora.12
4.3. Marisa Orth: O Humor como Afrodisíaco (1997)
A capa de Marisa Orth em 1997 é um exemplo brilhante de como o carisma pode impulsionar vendas.25
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Atividade de Sucesso: Marisa interpretava a personagem "Magda" no sitcom Sai de Baixo. Magda era uma caricatura da mulher fútil e pouco inteligente, mas extremamente sensual.
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O Êxito: A revista brincou com essa dualidade. O público, que adorava a personagem, descobriu na atriz uma mulher deslumbrante e inteligente. Vender mais de 800 mil exemplares provou que o humor e a sensualidade formam uma combinação poderosa no gosto brasileiro.1
4.4. As Mascaradas de Luciano Huck: Joana Prado e Suzana Alves
No final da década, o apresentador Luciano Huck, em seu programa H na Band, criou dois fenômenos pop que dominariam o imaginário erótico do país.
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Joana Prado (A Feiticeira - 1999): Com véu cobrindo o rosto e biquíni minúsculo, a Feiticeira dançava e "enfeitiçava" adolescentes. O mistério e o corpo atlético criaram uma demanda reprimida gigantesca. Sua capa de dezembro de 1999 é a recordista absoluta de vendas, um marco cultural que encerrou o milênio. Hoje, Joana vive uma vida religiosa e familiar nos EUA, tendo se distanciado da personagem, mas seu impacto na época foi inegável.1
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Suzana Alves (Tiazinha - 1999/2000): Vestida com lingerie preta, máscara estilo "Mulher Gato" e chicote, a Tiazinha trazia uma aura de dominatrix leve para a TV aberta. Seu sucesso foi avassalador, gerando álbuns musicais e produtos licenciados. Seus ensaios foram sucessos de venda massivos, consolidando a estética "girl power" da época.28
5. A Década de 2000: Reality Shows, Celebridades Pop e Renovação
A virada do milênio trouxe mudanças no perfil do consumidor e das celebridades. O surgimento dos reality shows, especificamente o Big Brother Brasil (BBB), criou uma nova fábrica de musas, que passaram a dividir as bancas com as atrizes de novela, que mantinham seu prestígio inabalável.
5.1. O Efeito Big Brother Brasil
O BBB tornou-se a maior vitrine de beleza do país, e a Playboy soube capitalizar essa exposição imediata.
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Sabrina Sato (2003): Revelada no BBB3, Sabrina conquistou o país com sua espontaneidade, sotaque caipira e corpo escultural. Seu ensaio foi um dos maiores sucessos da década (mais de 600 mil exemplares), impulsionando sua carreira para se tornar uma das apresentadoras mais amadas e bem pagas do Brasil, integrante chave do programa Pânico na TV.30
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Grazi Massafera (2005): Vice-campeã do BBB5 e ex-Miss Paraná, Grazi foi a escolhida para a edição de 30 anos da revista.
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Contexto: Na época, ela sofria preconceito por ser ex-BBB e tentava iniciar sua carreira de atriz. O ensaio, fotografado em locações rústicas que remetiam à sua origem humilde, foi de uma beleza tocante. Ele serviu como um cartão de visitas de sua elegância natural. Hoje, Grazi é uma atriz premiada e respeitada, tendo superado todos os estigmas iniciais, e sua capa permanece como um registro do início dessa jornada vitoriosa.33
5.2. As Musas das Novelas e da Música
Mesmo com os realities, a TV Globo e a música pop continuaram a produzir ícones.
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Juliana Paes (Maio 2004): Juliana vivia um momento de glória interpretando a manicure Jaqueline Joy na novela Celebridade. A metalinguagem era perfeita: a personagem buscava a fama a qualquer custo, e a atriz, já famosa, consagrava-se como o símbolo sexual máximo do Brasil na época. Seu ensaio, sob a lente de J.R. Duran, é lembrado pela sensualidade brejeira e sorriso fácil, características marcantes de Juliana.35
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Kelly Key (Dezembro 2002): A cantora pop dominava as paradas com hits como "Baba Baby". Ela representava uma nova geração de mulheres jovens, diretas e que falavam abertamente sobre relacionamentos e domínio. Com um cachê estimado em R$ 1,5 milhão (o segundo maior da história), seu ensaio provou a força do mercado fonográfico adolescente.1
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Flávia Alessandra (2006 e 2009): A atriz posou em dois momentos de auge: primeiro como a vilã Cristina de Alma Gêmea (sucesso estrondoso de audiência) e depois como a protagonista de Caras & Bocas. Flávia trouxe para a revista a beleza da mulher madura, mãe e profissional bem-sucedida, mantendo a tradição das grandes atrizes globais na capa.37
5.3. Cleo Pires: A Atitude Rock and Roll (2010)
Encerrando nosso recorte temporal, em agosto de 2010, a revista celebrou seus 35 anos com Cleo (na época assinando Cleo Pires).
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Atividade de Sucesso: Filha de Glória Pires e Fábio Jr., Cleo brilhava na novela Caminho das Índias.
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O Ensaio: Cleo impôs condições que refletiam a modernidade dos novos tempos: pediu que suas fotos não tivessem retoques excessivos de Photoshop, valorizando a beleza real e suas tatuagens. O ensaio foi aclamado pela autenticidade e pela conexão com a história da mãe, que também fora capa, fechando um ciclo geracional de beleza e talento.1
6. As Controvérsias e o Direito ao Esquecimento
Não se pode contar a história da Playboy sem mencionar os momentos de tensão e as figuras que, hoje, buscam reescrever sua relação com a publicação.
O Caso Xuxa Meneghel
A "Rainha dos Baixinhos", Xuxa, posou para a revista no início dos anos 80, antes de se tornar o maior ídolo infantil da América Latina.
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A Polêmica: Com a mudança radical em sua carreira para o público infantil, Xuxa passou décadas lutando judicialmente para impedir a republicação e a circulação dessas imagens antigas. Em processos contra emissoras de TV e motores de busca, ela buscou o "direito ao esquecimento", argumentando que a exposição dessas fotos prejudicava sua imagem junto ao seu público-alvo e causava danos morais. É fundamental respeitar sua trajetória e entender que o contexto de uma modelo em início de carreira nos anos 80 era muito diferente da responsabilidade de uma apresentadora infantil nos anos 90.38
7. Conclusão
A coleção de capas da Playboy Brasil até 2010 forma um mosaico fascinante da mulher brasileira. De Lívia Mund a Cleo, passando pela revolução de Roberta Close, a força de Hortência, a alegria das dançarinas do É o Tchan e a sofisticação de Vera Fischer e Maitê Proença, a revista documentou a evolução da beleza em todas as suas formas.
Estas mulheres não foram apenas corpos expostos; foram profissionais que utilizaram a plataforma para alavancar carreiras, afirmar independências, sustentar famílias e, muitas vezes, desafiar os preconceitos de suas épocas. Olhar para trás, para esse acervo, é reconhecer com carinho e respeito o papel que cada uma desempenhou na construção da cultura pop nacional. Elas permanecem, na memória afetiva do país, como musas eternas.
8. Opinião
Fora os tabus estúpidos, é prazeroso saber que muitas mulheres, tão zelosas de sua saúde física e mental, fizeram de seus ensaios fotográficos verdadeiras apresentações artísticas, engrandecendo-se com elegância e força.
Ninguém tolera mais a imposição de que seu corpo da mulher e seus pensamentos sejam uma propriedade do pai, irmãos e marido. Registro as homenagens as mulheres que, por sua conduta pessoal, afastou a ideia mesquinha de comercialização em prol de criar ARTE.
Referências citadas
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Há 40 anos, Roberta Close se tornava a primeira mulher trans a estampar a capa da Playboy no Brasil e o sucesso foi estrondoso: 300 mil exemplares vendidos! - Purepeople, acessado em fevereiro 19, 2026, https://www.purepeople.com.br/noticia/ha-40-anos-roberta-close-se-tornava-a-primeira-mulher-trans-a-estampar-a-capa-da-playboy-no-brasil-e-o-sucesso-foi-estrondoso-300-mil-exemplares-vendidos_a414175/1
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ELA DÁ CLOSE: BREVES NOTAS SOBRE A IMAGEM DE ROBERTA CLOSE PELA REVISTA MANCHETE E A CONSTRUÇÃO DE IDENTIDADES | Realize Editora, acessado em fevereiro 19, 2026, https://editorarealize.com.br/artigo/visualizar/5752
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QUIZ PRO GUI #09 - QUAIS AS 10 PLAYBOYS MAIS VENDIDAS DA HISTÓRIA DO BRASIL? PARTE 2 - YouTube, acessado em fevereiro 19, 2026, https://www.youtube.com/shorts/Fz0vM4ikfuY
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Carla Perez, Sheilas e mais: as musas do axé que posaram na Playboy, acessado em fevereiro 19, 2026, https://old.folhadoprogresso.com.br/carla-perez-sheilas-e-mais-as-musas-do-axe-que-posaram-na-playboy/?print=print
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Scheila Carvalho, Sheila Mello e Carla Perez recordistas da Playboy - Bahia Notícias, acessado em fevereiro 19, 2026, https://www.bahianoticias.com.br/holofote/noticia/11016-scheila-carvalho-sheila-mello-e-carla-perez-recordistas-da-playboy
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'Vai pedindo cabide, pendurando a roupinha': amigo bilionário e mentor de Ayrton Senna incentivou Adriane Galisteu a posar nua para 'Playboy' - Purepeople, acessado em fevereiro 19, 2026, https://www.purepeople.com.br/noticia/adriane-galisteu-na-playboy-doc-revela-conselho-de-amigo-intimo-de-ayrton-senna-para-famosa-posar-nua-e-sem-roupa-para-revista-tirar-a-roupinha_a413501/1
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Fã divulga foto de Adriane Galisteu para a Playboy que Senna 'censurou', acessado em fevereiro 19, 2026, https://www.correiobraziliense.com.br/webstories/flipar/2025/04/7115638-fa-divulga-foto-de-adriane-galisteu-para-a-playboy-que-senna-censurou.html
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Marisa Orth – Wikipédia, a enciclopédia livre, acessado em fevereiro 19, 2026, https://pt.wikipedia.org/wiki/Marisa_Orth
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Playboy da Feiticeira bate recorde histórico de vendas | Diário do Grande ABC, acessado em fevereiro 19, 2026, https://www.dgabc.com.br/Noticia/185022/playboy-da-feiticeira-bate-recorde-historico-de-vendas
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Joana Prado recorda início de carreira como Feiticeira e fala sobre arrependimento, acessado em fevereiro 19, 2026, https://www.maisnovela.com.br/famosos/joana-prado-recorda-inicio-de-carreira-como-feiticeira-e-fala-sobre-arrependimento.phtml
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Tiazinha do H, programa do Luciano Huck na Band (1998) - YouTube, acessado em fevereiro 19, 2026, https://www.youtube.com/watch?v=Y7x7Ay9JIlo
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Suzana Alves – Wikipédia, a enciclopédia livre, acessado em fevereiro 19, 2026, https://pt.wikipedia.org/wiki/Suzana_Alves
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Sabrina Sato no BBB 3: Relembre a participação da apresentadora em 2003 - YouTube, acessado em fevereiro 19, 2026, https://www.youtube.com/watch?v=THtl9C_zj5E
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Sabrina, Grazi… As ex-bbbs que mais venderam revistas peladas - Correio Braziliense, acessado em fevereiro 19, 2026, https://www.correiobraziliense.com.br/diversao-e-arte/2025/01/7032452-sabrina-grazi-as-ex-bbbs-que-mais-venderam-revistas-peladas.html
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De Grazi Massafera a Sabrina Sato, relembre ensaios nus de ex-BBBs - ACidade ON, acessado em fevereiro 19, 2026, https://www.acidadeon.com/lazer-e-cultura/de-grazi-massafera-a-sabrina-sato-relembre-ensaios-nus-de-ex-bbbs/
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Relembre, em 30 fotos, a trajetória de Grazi Massafera, que completa 30 anos nesta quinta-feira, 28 - Ego, acessado em fevereiro 19, 2026, https://ego.globo.com/famosos/fotos/2012/06/relembre-em-30-fotos-trajetoria-de-grazi-massafera-que-completa-30-anos.html
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Em 15 anos, como Grazi Massafera passou de ex-BBB a atriz respeitada? - Notícias da TV, acessado em fevereiro 19, 2026, https://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/celebridades/em-15-anos-como-grazi-massafera-passou-de-ex-bbb-atriz-respeitada-32448
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Juliana Paes Maio, 2004 2 | PDF - Scribd, acessado em fevereiro 19, 2026, https://es.scribd.com/document/842966406/Juliana-Paes-Maio-2004-2
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Kelly Key - Medley: A Loirinha, o playboy e o negão - Então beija | DVD Ao Vivo - YouTube, acessado em fevereiro 19, 2026, https://www.youtube.com/watch?v=SD9NzOZjDHE
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Flávia Alessandra – Wikipédia, a enciclopédia livre, acessado em fevereiro 19, 2026, https://pt.wikipedia.org/wiki/Fl%C3%A1via_Alessandra
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Record terá de pagar 100 000 reais de indenização à apresentadora Xuxa | VEJA SÃO PAULO, acessado em fevereiro 19, 2026, https://vejasp.abril.com.br/cidades/xuxa-processa-record/
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Xuxa perde recurso na Justiça contra Google por causa de filme polêmico. Entenda, acessado em fevereiro 19, 2026, https://www.purepeople.com.br/noticia/xuxa-perde-recurso-na-justica-contra-google-por-causa-de-filme-polemico-entenda_a174219/1
























