Data do Ocorrido: 04/06/2010 Localização: Contagem (MG) Data de Nascimento: 22/02/1985 (25 anos) Data de Falecimento: 09/06/2010 Sexo: Feminino
Eliza Silva Samudio, 25 anos, está desaparecida e o goleiro Bruno, do Flamengo, é apontado como suspeito do sumiço e assassinato da ex-namorada.
Eliza Samudio está desaparecida há quase um mês desde que contou a amigas que viajaria para Minas Gerais a pedido do atleta, de acordo com elas.
A Polícia Civil de Contagem (região metropolitana de Belo Horizonte), que investiga o caso, informou que trabalha com a hipótese de a jovem ter sido vítima de homicídio no sítio de Bruno, em Ribeirão das Neves (Grande Belo Horizonte).
"Temos informações de que o Bruno veio para BH com Eliza Samudio e a criança. Ele é o principal suspeito do sumiço dela. Infelizmente, tudo indica que ela esteja morta, até porque uma mãe não abandona um filho de 4 meses. Já estamos com equipes nas ruas em em busca do corpo dela", afirmou o investigador da delegacia de Homicídios de Contagem Marco Antônio Fonseca.
O advogado e conselheiro do Flamengo Michel Assef afirmou que o goleiro nega ter participação no sumiço da ex-namorada.
"Eu falei com o Bruno sobre essa acusação e ele me disse que não sabe de nada e não tem nada a ver com isso. O fato da polícia suspeitar de alguém não constitui nenhum crime."
Dia 25/06, a polícia localizou o suposto filho do goleiro, de 4 meses, que sumiu no início do mês junto com sua mãe, Eliza Samudio, em uma casa no bairro Liberdade, em Contagem.
De acordo com a polícia, o bebê estava com familiares no sítio de Bruno, mas na semana passada foi levado à casa de uma amiga de Dayane Souza, mulher do goleiro.
"Prendemos em flagrante Dayane entregando a criança a uma amiga. Ela foi autuada por falta de documentação e subtração de incapaz. Dayane disse, durante depoimento na delegacia, que o bebê é filho de Bruno e ElizaSamudio, mas não soube explicar por que estava com ele. Ela foi liberada, em seguida, por não ter antecedentes criminais e o neném foi levado para um abrigo pelo Conselho Tutelar", e entregue ao avô materno, pai da modelo Eliza Samudio no dia 27/06 em Contagem.
Bruno deve ser chamado para prestar depoimento nesta semana. A polícia encontrou a criança após receber uma denúncia de que Eliza Samudio havia sido "violentamente espancada" dentro do sítio do jogador. A delegacia de Contagem investiga acusação de que as roupas da estudante foram queimadas no local.
"Desconheço inteiramente que a criança estava com o Bruno. Ele disse que estava o tempo inteiro aqui no Rio, inclusive ele treinou normalmente no Flamengo e disse que não sabe de nada", declarou o advogado Assef.
Em outubro do ano passado, Eliza Samudio registrou queixa contra o atleta sob acusação de sequestro, ameaça e agressão na Deam (Delegacia de Atendimento à Mulher), de Jacarepaguá, na zona oeste do Rio. Na ocasião, Bruno negou qualquer ameaça ou agressão a ela.
O Flamengo anunciou que o goleiro Bruno permanece afastado do time durante as investigações.
Além de Bruno, também foram presos por suspeita de envolvimento no caso um amigo dele, Luiz Henrique Romão, conhecido como Macarrão, e a mulher do atleta, Dayane Souza.
Apesar do corpo de Eliza Samudio não ter sido localizado, o delegado responsável pelo caso afirma que ElizaSamudio está morta e relata que foi morta com requintes de crueldade e sofreu muito antes de morrer.
Disse o delegado: "-Foi uma agonia descomunal. Ninguém pode sequer imaginar o que essa moça sofreu antes de morrer".
Primo de Bruno conta mais detalhes do caso Eliza Samudio
Sérgio Rosa Sales é considerado pela polícia testemunha-chave do crime
De acordo com a matéria veiculada em 24/10/2010, o "Fantástico" teve acesso a um vídeo com imagens inéditas gravadas no sítio do goleiro Bruno, em Esmeraldas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. No vídeo, anexado ao processo judicial que apura o desaparecimento de Eliza Samúdio, Sérgio Rosa Sales, primo de Bruno, reconstitui para a polícia o que aconteceu no sítio nos dias anteriores ao desaparecimento da ex-amante do jogador. Ele conta, com detalhes, o que aconteceu também depois que Bruno, Macarrão e o menor chegaram ao sítio sem Eliza.
Sérgio é considerado pela polícia a testemunha-chave do caso. Porque, desde o início das investigações, nunca mudou o depoimento. Segundo Sérgio, a última vez que ele viu Eliza no sítio foi quando ela deixou o local, acompanhada de seu filho. Macarrão e o menor teriam levado a moça em um carro.
Sobre o desabafo de Bruno na noite do crime, por exemplo, Sérgio disse no interrogatório: "Não era melhor você ter resolvido isso na justiça?" Aí Bruno disse: "já tá feito, cara".
Corpo de Eliza Samudio foi concretado e até hoje não foi encontrado pela polícia
No vídeo da reconstituição, ele diz a mesma coisa:
Policial - E você falou o que com o Bruno?
Sérgio - Por que não resolveu na justiça.
Policial - E ele?
Sérgio - Ele falou que já tava feito. Aí começou a chorar.
Este mês, a juíza que cuida do caso permitiu que, por medida de segurança, Sérgio não fosse às audiências. O primo do ex-goleiro está separado dos outros presos porque estaria sendo pressionado por advogados de outros envolvidos.
Segundo as investigações, Eliza foi assassinada no dia 9 de junho deste ano. Mas até agora o corpo não foi encontrado. Oito pessoas são acusadas pelos crimes de sequestro, cárcere privado, homicídio, ocultação de cadáver, formação de quadrilha e corrupção de menores.
Há também um menor de idade que confessou ter agredido Eliza Samudio a coronhadas horas antes do desaparecimento. O nome do menor, que já está cumprindo medida sócio-educativa, foi suprimido desta reportagem. Agora a justiça vai decidir se os demais acusados vão a júri popular.
O vídeo
Sérgio diz aos policiais que estava na porta da sala quando viu Eliza pela primeira vez. Era manhã do dia 8 de junho, véspera da morte.
Policial - Quem tava com você, do lado de fora aí?
Sérgio - O Macarrão.
Policial - E ele falou o que com você?
Sérgio - Que não era pra mim entrar.
Policial - Tá. Aí você perguntou pra ela alguma coisa?
Sérgio - Não, tava fechado. Perguntei pra ele por que eu não podia. Falou: eu não devo satisfação.
Sérgio mostra onde Eliza estava machucada. Segundo o primo de Bruno, ela estava sozinha com o bebê no colo. Sérgio continuava sem poder entrar na sala.
No interrogatório, Sérgio contou que na noite do dia 9, quando Eliza foi levada do sítio, Bruno saiu às 19h num carro Fiat Uno. No vídeo, o primo do ex-goleiro repete a informação.
Sérgio - O Bruno saiu foi sete horas.
Segundo o primo do ex-goleiro, duas horas depois Macarrão e o menor apareceram do lado de fora da casa com Eliza e o bebê. Macarrão carregava uma mala vermelha. Todos entraram em outro carro, um Ford modelo Ecosport.
Policial - E como é que foi a mala dela?
Sérgio - Vermelha.
Policial - Quem que botou?
Sérgio - O macarrão.
Policial - Botou aonde?
Sérgio - Na traseira do carro, no porta-mala.
Sergio diz que Macarrão e o menor não deixaram ele se aproximar.
Alegaram que iam dar um passeio, e Eliza parecia bem.
Policial - E eles falaram o que pra você?
Sérgio - Só mandou sair, pra ficar lá no fundo, lá, que eles só iam passear com a menina.
Sérgio - Tava tranquila, tava normal.
Policial - Tava normal com eles. Falava alguma coisa ela, falou nada?
Sérgio - Não.
Policial - E o machucado dela?
Sérgio - Não tava sangrando, tava sem curativo.
Policial - E a criança?
Sérgio - Tava no colo dela.
Horas mais tarde, segundo Sérgio, Bruno, Macarrão e o menor voltaram. Sem Eliza e o bebê.
Policial - Quem que chega três horas da manhã?
Sérgio - O menor, o Bruno e o Macarrão.
Policial - Chegou em qual carro?
Sérgio - Ecosport.
Policial - Os três no mesmo carro?
Sérgio balança a cabeça afirmativamente.
Macarrão e o menor, segundo Sérgio, trataram de queimar a mala vermelha de Eliza.
Policial 1 - Exatamente aqui que queimou.
Policial 2 - Tá filmando aí.
Policial - Ilumina aqui com outra lanterna mais forte.
Câmera mostra local, que tem carvão e manchas
Policial - Quem tava? Quem tava?
Sérgio - O menor e o Macarrão.
Policial - Aí o Bruno chegou aqui...
Sérgio - Ele falou: "volta, que eu vou conversar com os menino". Aí ele levou os menino pra lá.
Policial - Que que eles tavam conversando?
Sérgio - Eles tavam lá no fundo.
Policial - Mais assim gesticulando muito...
Sérgio - Tava xingando, os meninos só escutando.
Sérgio - Aí falei cadê a menina? Pro Bruno. Aí o menor falou pra mim: já era.
No depoimento na delegacia, Sérgio acrescenta que o ex-goleiro ainda disse: "acabou esse tormento".
Segundo o primo de Bruno, foi o menor de idade quem informou que Eliza tinha sido entregue ao ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola.
São as palavras do menor que Sérgio reproduz ao contar como Eliza foi morta por Bola.
Sérgio - Falou com ela assim: "vira de costas".
Ela falou com o cara: "ô moço, eu não quero apanhar mais não". Ele falou com ela assim: "cê não vai apanhar, não; cê vai morrer. Diz que ele foi e deu uma gravata nela. Aí, quando ela caiu, diz que o Macarrão foi e chutou ela.
O menor de idade chegou a detalhar, para Sérgio e para a polícia, como o ex-policial teria se livrado do corpo de Eliza. O cadáver teria sido cortado em pedaços e dado como comida a cães da raça rotweiller.
Sérgio - Tinha dois cachorro.
Policial - Qual eram os cachorros?
Sérgio - Rotweiller.
Policial - Rotweiller?
Sérgio - É.
Policial - Quem tava te contando isso?
Sérgio – O menor.
Policial - E ele tava te contando normal ou tava...
Policial - Tava feliz?
Sérgio - Tava.
Policial - E o Bruno?
Sérgio - Bruno, não.
Policial - O Bruno tava como?
Sérgio - Tava sério, de cabeça baixa.
Policial - Assustado... Alguém parecia que tava assustado?
Sérgio - Assustado, não. Tava arrependido.
O menor acabou mudando o depoimento. Seu advogado relata: "Eu perguntei pra ele, escuta, diga pra mim a verdade e o que que há de mentira, o que que não é real nessa história. Ele disse "doutor, eu inventei a primeira mentira e aí não teve mais jeito porque os delegados foram me pressionando, pressionado, pressionando, e eu dizia o que vinha na minha cabeça e deu no que deu."
Até agora, Sérgio não mudou o relato. O advogado dele, Marco Antônio Siqueira, acha que se ele resolver mudar no depoimento à justiça pagará pela mudança. Segundo ele, “uma certeza eu tenho: que se ele mudar pra tentar beneficiar a, b ou c, certamente ele será condenado.”
Ércio Quaresma, o advogado de Bruno, não pôde gravar entrevista. O escritório dele informou que o advogado estaria internado num hospital. Ninguém da equipe de Ércio quaresma foi indicado para se manifestar sobre a reconstituição. A partir do mês que vem, em novembro, a justiça começará a ouvir os acusados.
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Programa oferece cursos gratuitos sobre IA para professores
Professores da educação básica e do ensino superior poderão participar de cursos gratuitos sobre inteligência artificial (IA), ferramentas digitais e segurança no ambiente online. As capacitações serão oferecidas a partir de 14 de outubro e abordam desde o uso de recursos de IA no planejamento de aulas até temas relacionados à proteção de crianças e adolescentes na internet.
Entre os cursos disponíveis estão formações sobre a utilização do Microsoft Copilot em atividades pedagógicas. Os conteúdos incluem orientações para elaboração de planos de aula, criação de comandos para sistemas de inteligência artificial (prompt) e desenvolvimento de assistentes virtuais para apoiar atividades educacionais.
Outra curso abordará o uso de ferramentas de IA na produção de materiais didáticos. As aulas apresentarão possibilidades de criação de conteúdos visuais, interativos e gamificados, além de discutir aspectos éticos relacionados ao uso dessas tecnologias na educação.
A programação prevê ainda um módulo sobre os direitos de crianças e adolescentes no ambiente digital. A proposta é orientar educadores sobre situações envolvendo exposição online de estudantes, uso de tecnologias no ambiente escolar e aplicação da legislação de proteção de crianças e adolescentes.
Os cursos integram o programa Professor 4.0, iniciativa da Escola Superior de Redes (ESR) em parceria com a Microsoft. Segundo a instituição, o programa foi criado para ampliar a preparação dos educadores para o uso de tecnologias digitais e para os desafios trazidos pela expansão da inteligência artificial nos processos de ensino e aprendizagem.
Serviço
Cursos disponíveis:
Produtividade com Microsoft Copilot;
Criação de prompts para inteligência artificial;
Desenvolvimento de agentes no Copilot Studio;
Tecnologias educacionais e IA na docência;
ECA Digital na educação básica: da lei à prática pedagógica.
As inscrições podem ser feitas pela internet, na página do programa, onde também estão disponíveis informações sobre carga horária, certificação e conteúdo das aulas.
Alcolumbre marca votação da PEC da segurança pública para terça-feira
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), marcou para próxima terça-feira (3) a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 18 de 2025, conhecida como PEC da Segurança Pública.
De autoria do Executivo, a proposta estabelece penas mais duras e regimes de prisão mais restritos para chefes de facções e milícias e cria um novo pacto federativo entre União, estados e municípios para o enfrentamento ao crime no Brasil.
Além da medida ser a principal aposta do governo para combater as organizações criminosas no país, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometeu criar um ministério da segurança pública com a promulgação da emenda.
Aprovada na Câmara em março deste ano, a PEC da Segurança Pública teve a análise concluída na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado no último dia 14 de outubro.
A PEC
Entre outras medidas, a PEC propõe a constitucionalização do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP), alterando o Artigo 144 da Carta Magna, que trata da segurança pública.
A proposta inclui que a segurança deve ser exercida “em regime de cooperação federativa” e “por meio da atuação integrada e descentralizada” das diferentes instituições que trabalham com o tema.
“Art. 144-A. Os órgãos de segurança pública articular-se-ão em regime de cooperação federativa, por meio do Sistema Único de Segurança Pública, destinado a assegurar a eficiência da prevenção, da persecução e da execução penal”, define o texto.
Facções e milícias
Além de penas mais duras para chefes de facções e milícias, a PEC restringe ou veda a progressão de regime, do aberto para o semiaberto, por exemplo, para lideranças dessas organizações, que terão que cumprir penas em unidades de segurança máxima.
Também são previstas medidas patrimoniais contra o produto do crime, a responsabilização de pessoas jurídicas envolvidas e a proteção a denunciantes e seus familiares.
Outra novidade da PEC é a possibilidade de criação de polícias municipais de natureza civil, submetidas ao controle externo do Ministério Público, com a atribuição de realizar policiamento ostensivo e comunitário no âmbito das cidades onde atuarão.
A PEC ainda amplia atribuições da Polícia Rodoviária Federal (PRF), prevê a criação de polícias municipais e aumenta a vinculação do orçamento público para segurança pública.
A proposta também prevê a criação do Sistema de Políticas Penais, responsável pelo sistema prisional brasileiro, e autoriza União, estados e municípios a atuarem conjuntamente na legislação sobre segurança pública, organização de polícias, guardas municipais e sistema socioeducativo.
Fundos de financiamento
Segundo a PEC, 50% dos recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) e do Fundo Penitenciário Nacional (Funpen) serão repassados pela União para os estados e municípios, excluídas despesas de custeio e investimento da polícia penitenciária nacional do Funpen.
“As regras de financiamento fortalecem o FNSP e o Funpen, criam vinculações e blindagens orçamentárias e garantem repasses obrigatórios. Essas medidas aumentam a previsibilidade financeira, garantindo a perenidade das ações policiais”, escreveu o relator da PEC na CCJ, senador Rogério Carvalho (PT-SE).
A PEC ainda prevê que 10% do superávit financeiro anual do Fundo Social, ligado ao pré-sal, sejam destinados aos fundos da segurança, "reforçando o financiamento contínuo das políticas nacionais de segurança pública e execução penal".
Justiça intima Jairinho a justificar apelação por morte de Henry Borel
O desembargador Joaquim Domingos de Almeida Neto, da 7ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), determinou a intimação da defesa do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, a apresentar as razões que embasam a apelação contra a sentença do 2º Tribunal do Júri da Capital, que o condenou a 43 anos, 9 meses e 20 dias de reclusão pela morte do menino Henry Borel, à época com 4 anos, ocorrida em março de 2021.
O Conselho de Sentença do II Tribunal do Júri da Capital condenou Jairinho por homicídio qualificado (com agravantes por meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa da vítima e com causa de aumento de pena por Henry ser menor de 14 anos), além de tortura e coação no curso do processo.
A sentença foi lida pela juíza Elizabeth Machado Louro, presidente do júri, na madrugada do dia 4 de junho de 2026.
De acordo com o despacho do desembargador Joaquim Domingos, após a apresentação das razões pela defesa do Jairinho, o Ministério Público do Rio de Janeiro, a assistente de acusação e a defesa de Monique Medeiros deverão se manifestar sobre as razões da apelação do ex-vereador.
A mãe do menino, Monique Medeiros, também ré na mesma sessão de julgamento, foi condenada pelo Conselho de Sentença por crime de tortura por omissão. Como já havia cumprido o tempo de prisão preventiva, a pena foi considerada encerrada.
O Ministério Público recorreu da absolvição de Monique Medeiros e o caso está na Justiça.
“A sentença será objeto de recurso, uma vez que, em uma primeira quesitação, Monique foi considerada responsável pela morte dolosa de Henry. Assim, entendemos que ela também deveria ter sido condenada pelo homicídio doloso”, afirmou o promotor de Justiça Fábio Vieira, que atuou no júri.
O promotor destacou que Monique ignorou diversos sinais de alerta sobre o risco que Jairo representava para ela e para o filho.
“Monique, consciente e voluntariamente, enquanto mãe da vítima e garantidora legal de Henry Borel, omitiu-se de sua responsabilidade, concorrendo eficazmente para a consumação do crime de homicídio de seu filho, uma vez que, sendo conhecedora das agressões que o menor sofria por parte do padrasto e estando presente no local e no dia dos fatos, nada fez para evitá-las ou afastá-lo do nefasto convívio com o denunciado Jairo”, relatou o promotor.
Acordo Mercosul-UE eleva exportações brasileiras em 21%
O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia apresenta resultados positivos para as exportações brasileiras. De maio a setembro, nos primeiros cinco meses de aplicação provisória do tratado, as vendas de produtos beneficiados pela redução ou eliminação de tarifas de importação ao mercado europeu cresceram 21%, em comparação com o mesmo período de 2025.
Entre os produtos que registraram os maiores avanços estão abacates frescos, mel e óleo de milho, cujas exportações subiram 421%, 367% e 266%, respectivamente.
Os dados foram divulgados na quinta-feira (29) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
A entrada em vigor das preferências tarifárias em 1º de maio deste ano ampliou a competitividade de produtos brasileiros no mercado europeu e abriu novas possibilidades para empresas nacionais.
Destaques
Além dos produtos agropecuários, diferentes segmentos da indústria brasileira também apresentaram crescimento nas vendas à União Europeia.
Confira os principais avanços registrados de maio a setembro de 2026, em relação aos mesmos meses de 2025:
Abacates frescos: 421%;
Mel: 367%;
Óleo de milho: 266%;
Ferrossilício-manganês: 173%;
Alumínio em bruto: 107%;
Óleos combustíveis: 102%;
Etanol: 95,2%;
Óleo essencial de laranja: 75,8%;
Maçãs frescas: 29%.
Outro destaque foi o setor de equipamentos elétricos. As exportações brasileiras de transformadores elétricos, que não haviam registrado vendas no período equivalente de 2025, alcançaram US$ 39 milhões de maio a setembro deste ano.
Orientação
Para facilitar o aproveitamento das condições negociadas, o MDIC oferece materiais técnicos e orientações no Portal Siscomex.
O conteúdo reúne informações sobre as exigências necessárias para que os produtos brasileiros tenham acesso às preferências tarifárias previstas no tratado.
Entre os materiais disponíveis estão:
Manual de regras de origem: explica os critérios que os produtos devem cumprir para receber os benefícios tarifários;
Manual de desgravação tarifária: apresenta os cronogramas de redução e eliminação de tarifas;
Manual de indicações geográficas: reúne informações sobre a proteção de produtos vinculados a determinadas regiões;
Tabelas de preferências tarifárias: permitem consultar as condições negociadas para o comércio entre os dois blocos.
Negociação
As negociações entre Mercosul e União Europeia começaram em 1999 e se estenderam por mais de duas décadas. Os instrumentos do acordo foram assinados em janeiro deste ano, e a aplicação provisória das disposições comerciais teve início em 1º de maio.
O tratado prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas de importação, além de estabelecer regras para facilitar e ampliar as relações comerciais entre os países participantes.
O acordo conecta mercados que reúnem aproximadamente 720 milhões de pessoas e têm Produto Interno Bruto (PIB) combinado superior a US$ 22 trilhões.
A União Europeia figura entre os principais parceiros comerciais do Brasil. Com a ampliação do acesso ao mercado europeu, a expectativa é diversificar os destinos das exportações brasileiras, fortalecer a competitividade das empresas nacionais e ampliar a participação do país no comércio internacional.
Cena Musical, da TV Brasil exibe show exclusivo do sambista Caxtrinho
Com o show exclusivo Queda Livre, o cantor e compositor Caxtrinho repensa o samba a partir de uma estética experimental e enxerga o país pela perspectiva da Baixada Fluminense no programa Cena Musical que a TV Brasil exibe neste sábado (31), às 23h.
A performance baseada no repertório autoral do álbum homônimo mostra o reflexo de um Rio de Janeiro pouco visto pela mídia e próximo do cotidiano das pessoas. A produção gravada pela emissora pública em setembro no Espaço Cultural BNDES é apresentada pela jornalista e cantora Bia Aparecida e tem direção de Waldecir de Oliveira.
Guiado por composições de teor pop, repletas de suingue e críticas sociais, o espetáculo reafirma Caxtrinho como uma voz potente da Baixada Fluminense. Sob a perspectiva do samba, o bamba transforma o palco em espaço de experimentação, identidade e crítica social com seu violão percussivo.
A apresentação do músico da nova geração Caxtrinho (voz e violão) reúne outros artistas no palco. A produção conta com Eduardo Manso (guitarra e eletrônicos), Vovô Bebê (guitarra), João Luiz (baixo) e Kalebe (bateria).
O conteúdo inédito fica disponível no app TV Brasil Play e no Youtube do canal. Na nova temporada, o Cena Musical traz depoimentos dos convidados e bastidores das gravações. A sequência reúne shows de astros como Leila Pinheiro, Claudio Jorge, Moyseis Marques e o grupo BossaCucaNova entre outras personalidades do cancioneiro nacional.
Cena Musical, da TV Brasil, exibe Queda Livre, show exclusivo do sambista Caxtrinho . Foto -André Telles / Espaço Cultural
Sobre a produção
Lançado em 2007, o Cena Musical é um programa da TV Brasil que leva ao público performances inéditas da música nacional. Desde 2017, os shows são gravados no Espaço Cultural BNDES, no Rio de Janeiro.
Na nova leva de episódios, a atração exibe apresentações exclusivas de personalidades de vários gêneros. Waldecir de Oliveira faz a direção artística do programa.
"Estou muito feliz em celebrar a estreia de uma nova temporada do Cena Musical na TV Brasil. É muito especial apresentar um programa que acredita na força e na diversidade da música nacional e abre espaço, de forma democrática, para diferentes sons, sotaques, histórias e gerações", conta Bia Aparecida.
A apresentadora considera a música uma das maiores riquezas culturais do país. "Ela é sofisticada, inventiva e profundamente conectada com quem somos. Os convidados mostram a grandeza e a diversidade desse cenário. O programa Cena Musical é esse lugar de encontro, descoberta e celebração da nossa cultura e estou bem animada para dividir essa nova temporada com o público", completa.
Diretor artístico da atração, Waldecir de Oliveira explica a proposta da nova temporada. "O Cena Musical reafirma a sua importância como um espaço plural e necessário para a música brasileira. O programa amplia a visibilidade de artistas de diferentes regiões, estilos e trajetórias para valorizar a riqueza cultural do país e fortalecer a circulação da produção nacional para novos públicos", afirma.
Família denuncia agressão a Marielle em grupo de WhatsApp da PUC-Rio
A filha de Marielle Franco, Luyara Franco, denunciou nas redes sociais uma ofensa à vereadora carioca assassinada em 2018. Segundo a postagem, foram feitos comentários racistas contra Marielle em um grupo de WhatsApp por um aluno da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio).
"Mais uma vez, atacam a memória da minha mãe com o ódio e o racismo. Dói, revolta, mas não vai nos silenciar. Racismo é crime! Exigimos respeito, apuração e posicionamento da PUC-Rio", afirmou Luyara, em postagem compartilhada com o Instituto Marielle Franco.
Segundo Luyara, uma pessoa teria usado o termo "macaca" e questionado como Marielle teria pagado a própria faculdade. Marielle foi aluna da PUC-Rio, onde cursou sociologia.
"A gente está falando de uma mulher negra, que ocupou a universidade, que construiu sua trajetória com muito trabalho, inteligência e compromisso com a transformação da sociedade. Uma mulher que teve sua vida interrompida pela violência política e que mesmo depois de ser assassinada, continua sendo alvo de racismo", diz Luyara.
"Isso não é brincadeira, não é opinião, não é liberdade de expressão. Racismo é crime", acrescenta.
O crime de racismo está previsto na Constituição Federal. Trata-se de crime inafiançável e imprescritível, ou seja, não caduca, com pena de reclusão e multa.
Em nota, a PUC-Rio diz que recebeu denúncias pela Ouvidoria e pelo Canal Externo de Denúncias e que foi aberta investigação interna para apurar o ocorrido e adotar todas as medidas administrativas e legais cabíveis.
“A PUC-Rio rechaça veementemente qualquer ato discriminatório, incluindo racismo e injúria racial”, e acrescenta: “Como universidade confessional e comunitária, a PUC-Rio emitiu uma nota de repúdio, divulgada a toda a comunidade universitária, reafirmando seu compromisso com a promoção de uma educação antirracista e com a preservação da memória de Marielle Franco”, diz a universidade.
Ofensa em ato
Recentemente, Marielle foi alvo de outra ofensa, no último dia 13, em ato perto da PUC-Rio, por apoiadores do então presidenciável Flávio Bolsonaro (PL).
Em vídeos que circularam nas redes sociais, bolsonaristas ironizaram o assassinato de Marielle Franco. Um dos manifestantes falou em um carro de som: "Marielle está com papai do céu", e acrescentou, "ou no colo do capeta".
O caso ganhou repercussão. Também na ocasião, nas redes sociais, Luyara Franco, e a irmã de Marielle, a deputada federal eleita Anielle Franco (PT), publicaram vídeos defendendo a vereadora.
Assassinato de Marielle
O crime ocorreu em março de 2018. O carro da vereadora Marielle Franco foi alvejado quando ela saia de ato no centro do Rio. Ela e o motorista Anderson Gomes foram assassinados.
Assassinos confessos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, os ex-policiais militares Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz foram condenados em 2024.
Funai aciona PF e pede apuração de casos de ataques contra indígenas
Indígenas do Mato Grosso do Sul seguem denunciando a escalada das ameaças e da violência contra suas comunidades após o encerramento do segundo turno das eleições presidenciais, no domingo (25).
Entre os ataques está o incêndio da casa da rezadeira de 90 anos Ñandesy Roberta, na aldeia Jaguapiré, em Tacuru, a cerca de 427 quilômetros de Campo Grande, na manhã de quinta-feira (29).
De acordo com a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), o incêndio foi criminoso e, além da casa da idosa, destruiu instrumentos sagrados usados em rituais tradicionais do povo Kaiowá e Guarani, “representando uma grave violação não só aos direitos indígenas, mas também à liberdade religiosa”.
Em um vídeo divulgado nas redes sociais nesta sexta-feira (30), Voninho Guarani Kaiowá, um dos coordenadores da Apib, afirma que os ataques e as ameaças contra as comunidades Guarani Kaiowá se intensificaram nos últimos dias.
“Repudiamos todos estes acontecimentos e cobramos de todas as autoridades [públicas] competentes que nos ajudem investigando as pessoas, para que os responsáveis sejam punidos na forma da lei”, disse Voninho.
Diante da gravidade dos relatos, o Ministério dos Povos Indígenas e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) informaram que acionaram a Polícia Federal (PF) e estão acompanhando as denúncias de violência e ameaça contra os Guarani Kaiowá.
“O Ministério da Justiça também requisitou, de todas as corregedorias estaduais e do Distrito Federal, todas as denúncias que estão chegando, para a gente centralizar aqui, no âmbito do governo federal”, declarou o ministro.
Segundo Voninho, as ocorrências envolvem ataques, ameaças e atropelamentos que já resultaram em mortes
Um desses casos ocorreu em Tacuru, na noite de domingo (25).
Pouco após a divulgação do resultado do segundo turno da disputa presidencial, mensagens de áudio atribuindo ao voto indígena a vitória do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva começaram a circular nas redes sociais. Em uma delas, um homem não identificado sugere envenenar a água que abastece uma aldeia indígena da cidade.
“Cê tá doido, rapaz. [Nós - ou como] que ajuda essas praga. E essas praga do demônio. Mas fazer o quê, né? A gente não pode fazer nada. Já falei. Tinha que ponhar [sic] veneno na água”, diz o homem cujo nome não foi divulgado, mas que o prefeito Rogério Torquetti (PSDB) já confirmou ser um servidor público municipal.
Em um vídeo postado em seu perfil no Instagram, Torquetti se refere à repercussão pública ao áudio como um “assunto chato demais da conta” e diz que o autor da mensagem é um “excelente servidor” e destaca que, em nenhum momento, o homem mencionou os indígenas.
“O servidor diz que teria que pôr veneno na água e matar todo mundo, sem citar nenhum tipo de gente”, acrescentou o prefeito, explicando que, ainda assim, a prefeitura afastou temporariamente o servidor de suas funções e instaurou um processo administrativo disciplinar a fim de apurar a conduta do servidor.
Ainda de acordo com o prefeito, o autor da mensagem não trabalha no setor de abastecimento, nem dirige carros-pipas da prefeitura, conforme algumas postagens em redes sociais sugeriram.
Em outro áudio, um segundo servidor municipal ofende os indígenas por, segundo ele, terem votado no candidato petista. Em seguida, o homem, cuja identidade também não foi divulgada, passa a ameaçar um suposto interlocutor a quem chama de Índio.
“Vou te dar um recado bem duro e bem claro. Cê sabe onde eu moro. Eu tô aqui em casa. Quer resolver na pancada, você pode vir aqui. Na pancada, na bala, do jeito que você quiser”, escreveu o servidor.
Apuração
Em nota, o Ministério Público Federal em Mato Grosso do Sul (MPF-MS) informou que, com base nas denúncias que a Apib encaminhou a órgãos federais, instaurou procedimentos para “apurar a veracidade das acusações” e garantir a proteção dos territórios indígenas.
O órgão, contudo, descartou a existência de crimes em ao menos um dos casos já apurados.
Em Naviraí, a cerca de 350 quilômetros de Campo Grande, o procurador responsável pelo inquérito, Marco Antonio Delfino Rufino, concluiu que as denúncias de supostos homicídios por conflitos políticos não passavam de “boatos” e que imagens fora de contexto foram “falsamente associadas a um suposto ataque contra indígenas”.
Se em Naviraí o MPF deu por esclarecidas as denúncias, que classificou como desinformação, no caso de Tacuru o órgão estabeleceu um prazo de 48 horas para que a prefeitura preste informações sobre a atuação dos servidores municipais, recomendando a instauração de processo administrativo disciplinar e o afastamento cautelar dos envolvidos.
Indígenas de MS denunciam casos de violência e ameaças após eleição
Após o resultado das eleições presidenciais no domingo, indígenas da etnia Guarani Kaiowá do Mato Grosso do Sul fizeram diversas denúncias de casos de violência que envolvem tentativas de assassinatos e até ameaça de envenenamento da água da comunidade.
Segundo o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), ao menos cinco casos de assassinatos de indígenas na região desde sábado (24) estão sendo investigados.
O coordenador do Cimi em Mato Grosso do Sul, Matias Benno Rempel, diz que os indígenas relataram diversos casos de intimidações durante a eleição. “Caminhonetes que rodavam pelo território e algumas agressões aos indígenas para tentar causar pânico na comunidade e evitar que eles fossem votar”.
Mas ele ressalta que a violência no estado é constante.
“Agora temos holofotes para a região. Mas o que aconteceu essa semana, as tentativas de assassinatos, elas ocorrem o tempo todo com a população indígena Guarani Kaiowá. Essa violência que está sendo chamada de violência pós eleitoral, ela é um componente permanente de milícias do campo”, disse.
A Fundação Nacional do Índio (Funai), o Ministério dos Povos Indígenas (MPI) e a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) encaminharam pedidos ao Ministério Público Federal e à Polícia Federal para investigar os casos. Um deles envolve um atropelamento de indígena de forma proposital na cidade de Coronel Sapucaia, no sudoeste do estado, na fronteira com o Paraguai.
Segundo dados da Apib, entre 2022 e 2026, seis indígenas da etnia Guarani Kaiowá foram assassinados no estado de Mato Grosso do Sul.
Envenenamento da água
Outra denúncia investigada pelo MPF é a de uma ameaça de envenenar a água usada pela comunidade em retaliação ao resultado da eleição presidencial.
Em um áudio que foi atribuído a um funcionário da prefeitura de Tacuru, no extremo sul do estado, o homem diz ao interlocutor que os indígenas deveriam ser mortos por terem votado no candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT): Na gravação ele fala: “ponha (sic) veneno na água, (vamos) matar essas praga na água”.
Segundo o coordenador do departamento jurídico da Apib, Ricardo Terena, a água na região é difícil e as comunidades indígenas dependem de caminhões pipa. E após a divulgação dos áudios, muitos passaram a não consumir mais essa água. O MPF de Mato Grosso do Sul deu um prazo de 24 horas para que a prefeitura de Tacuru esclareça se os áudios são verdadeiros, quem é o autor das ameaças e quais medidas estão sendo tomadas.
Mães da Penha cobram justiça por mortes na Operação Contenção
"Não existe uma lei para quem mora em um condomínio da Barra da Tijuca e outra para quem mora na favela", afirmou, nesta quarta-feira (28), a confeiteira Tauã Brito, no ato em memória às vítimas da Operação Contenção. A incursão policial deixou 122 pessoas mortas nos Complexos da Penha e do Alemão, na zona norte da cidade do Rio de Janeiro, em outubro de 2025. Em 40 anos, foi a operação mais letal do estado.
Durante ato em memória das vítimas, nesta quarta, na Vila Cruzeiro, na Penha, Tauã fez um discurso emocionado em nome das famílias. Ela cobrou o resultado das investigações sobre as execuções, denunciou a naturalização da violência e afirmou que o direito à vida não é determinado pelo endereço das pessoas.
"Justiça não pode ser um privilégio de quem tem dinheiro, mora em condomínio ou ocupa cargo de poder". Para ela, hoje, "a polícia mata por causa do CEP".
"Um CEP que muitas vezes parece determinar quem terá seus direitos respeitados e quem será tratado como um corpo descartado", afirmou. "E eu não estou aqui dizendo isso porque quero que os crimes sejam ignorados, não. Eu estou dizendo que qualquer pessoa que cometa um crime precisa responder perante a lei. Mas responder perante a lei é diferente de ser executado", completou.
Rio de Janeiro (RJ), 28/10/2026 – As mães Tauã Brito e Rakhel Rios no ato no Complexo da Penha em memória aos mortos na Operação Contenção. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Tauã lembrou que, em maio de 2025, o Rio de Janeiro fez a maior apreensão de armas da história, em um condomínio na Barra da Tijuca, um bairro de classe média alta, na zona sudoeste. Na ocasião, a polícia prendeu sete pessoas com 240 armas e milhares de munições que seriam do tráfico de drogas. Ninguém foi morto ou baleado.
“Segurança de verdade é proteger a vida. E é isso que estamos pedindo hoje”, reiterou a confeiteira.
As mães, no discurso de Tauã, também criticaram o uso das mortes da Operação Contenção com fins políticos, para a promoção pública. E cobraram o resultado da investigação criminal das mortes. Passado o ano, relataram que não tiveram acesso aos laudos das perícias, tampouco, aos depoimentos dados aos investigadores após a tragédia.
Hoje, a Human Rights Watch divulgou nota denunciado evidências graves de desvio de conduta da polícia na operação. A organização internacional destacou a manipulação de câmeras corporais e sugeriu mortes intencionais, sendo 40% atingidos na cabeça, 60% baleadas quatro vezes ou mais e 75% receberam também um tiro nas costas. O posicionamento da entidade destaca ainda que nenhuma das mortes foi filmada pelos agentes.
Rio de Janeiro (RJ), 28/10/2026 – Ato no Complexo da Penha em memória de um ano pelos 122 mortos na Operação Contenção. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Maria Edvalda Cândida de Souza, mãe de Cleiton Cesar, de 32 anos, também assassinado, reforçou a cobrança: "Nosso coração está despedaçado por falta de respostas, a Justiça está para prender e não matar, né?", declarou. "Cleiton era um filho querido, amado pela família. Nós vamos buscar respostas, quero Justiça para meu filho".
Dona de um salão de beleza, Ana Paula Muniz, mãe de Diego dos Santos, de 30 anos, também rejeitou a execução como resposta à criminalidade. Ela lembrou da alegria e do sorriso do filho, que antes trabalhava em shopping.
"Enterrei meu filho um dia antes do aniversário dele", lembrou. "Quero saber como foi, são muitas perguntas, aguardamos um laudo [da perícia da morte] que esclareça".
Rio de Janeiro (RJ), 28/10/2026 – Ana Paula Muniz e Maryelen Muniz, mãe e irmã de Diego Muniz, no ato no Complexo da Penha. Foto:Fernando Frazão/Agência Brasil
Durante o ato, jovens ativistas também cobraram ações do Estado na favela. E denunciaram que a rotina na comunidade, em relação ao crime, não mudou. Eles querem que a atuação do Poder Público não se limite a operações, mas que fortaleça serviços públicos e projetos sociais.
"Temos sonhos aqui dentro, existe vida e esperança", afirmou Natan da Silva. Ele também cobrou uma mudança de postura violenta da polícia com a juventude negra da periferia.
Na manifestação, que contou ainda com apresentações de crianças e jovens, roda de capoeira e poesia, outras lideranças também falaram do assédio do crime aos mais jovens e cobram mais ações para juventude.
Jéssica Soares de Oliveira, moradora da Penha, lembrou que a operação deixou famílias enlutadas, crianças traumatizadas e moradores impactados com as cenas. Os mortos foram retirados da mata por parentes e enfileirados na Vila Cruzeiro em imagens chocantes que rodaram o mundo. Ela foi à manifestação prestar solidariedade.
"Eu tenho um filho de dez anos e mesmo que eu fale com o meu filho qual caminho ele tem que andar, que mostre o certo, porque ele é o meu único filho, e a gente, aqui, vive com medo", revelou.
O problema foi revelado pelo portal UOL, no dia 20 de outubro. De acordo com a reportagem, 181 logins e senhas de usuários, dados cadastrais de mais de 6 mil agentes de segurança e orientações para replicar a interface da plataforma ficaram expostos em um repositório público por aproximadamente 11 meses.
Esse material permitiu o acesso de terceiros a imagens de mais de 58 mil câmeras, incluindo as de creches, escolas, hospitais, unidades básicas de saúde e centros de atenção psicossocial. Também era possível consultar cadastros de pessoas físicas (CPF), nomes e placas de veículos, além da inserção de dados no sistema.
O CNDH argumenta que a falta de medidas de segurança, como autenticação de duas etapas e senhas dedutíveis, colocou em risco dados sigilosos de agentes de segurança e imagens das câmeras de espaços públicos.
Além disso, o conselho diz que “durante 11 meses, quem tivesse as credenciais poderia observar a cidade e localizar pessoas determinadas”.
“Podem ter sido rastreados o trajeto de policiais, guardas civis e policiais penais entre suas bases e residências; a rotina de militares das Forças Armadas; o trabalho de advogados e jornalistas, com risco ao sigilo profissional e da fonte. Todas essas pessoas ficaram sujeitas ao risco de serem identificadas, acompanhadas e perseguidas por terceiros desconhecidos, sem qualquer possibilidade de saber que eram observadas. O dano tem, portanto, natureza transindividual”, informou o conselho.
Para além do risco de perseguição, o programa Smart Sampa estaria violando regras estabelecidas pelo próprio conselho, na Resolução CNDH nº 17/2025, que dispõe sobre o uso de tecnologias de reconhecimento facial em espaços públicos dos estados e do Distrito Federal
A manutenção de credenciais de acesso ativas, vulneráveis e sem mecanismos de autenticação em dois fatores ao longo de 11 meses afronta diretamente a obrigação de segurança prevista no artigo 3º, parágrafo 1º.
A utilização de credenciais previsíveis e compartilhadas compromete a integridade dos registros de auditoria, impossibilitando a identificação individualizada dos acessos e violando o artigo 4º, inciso V.
Também houve violação do art. 4º, VIII. O fato de que a exposição foi descoberta pela imprensa, e não pelos controles do sistema, revela a ausência da supervisão exigida pelo artigo.
O CNDH informou que comunicará o ocorrido ao Ministério Público do Estado de São Paulo e ao Ministério Público Federal, recomendando a instauração de inquérito civil e o ajuizamento de ação civil pública contra o município.
O conselho emitiu ainda uma notificação para o MPSP, solicitando a suspensão do uso do sistema, a preservação dos registros e a reparação dos danos morais coletivos causados aos direitos difusos e coletivos.
A Agência Brasil procurou a prefeitura de São Paulo para um posicionamento, mas até a publicação deste texto não houve resposta.
*Estagiário da Agência Brasil sob supervisão de Odair Braz Junior.
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Programa oferece cursos gratuitos sobre IA para professores
Professores da educação básica e do ensino superior poderão participar de cursos gratuitos sobre inteligência artificial (IA), ferramentas digitais e segurança no ambiente online. As capacitações serão oferecidas a partir de 14 de outubro e abordam desde o uso de recursos de IA no planejamento de aulas até temas relacionados à proteção de crianças e adolescentes na internet.
Entre os cursos disponíveis estão formações sobre a utilização do Microsoft Copilot em atividades pedagógicas. Os conteúdos incluem orientações para elaboração de planos de aula, criação de comandos para sistemas de inteligência artificial (prompt) e desenvolvimento de assistentes virtuais para apoiar atividades educacionais.
Outra curso abordará o uso de ferramentas de IA na produção de materiais didáticos. As aulas apresentarão possibilidades de criação de conteúdos visuais, interativos e gamificados, além de discutir aspectos éticos relacionados ao uso dessas tecnologias na educação.
A programação prevê ainda um módulo sobre os direitos de crianças e adolescentes no ambiente digital. A proposta é orientar educadores sobre situações envolvendo exposição online de estudantes, uso de tecnologias no ambiente escolar e aplicação da legislação de proteção de crianças e adolescentes.
Os cursos integram o programa Professor 4.0, iniciativa da Escola Superior de Redes (ESR) em parceria com a Microsoft. Segundo a instituição, o programa foi criado para ampliar a preparação dos educadores para o uso de tecnologias digitais e para os desafios trazidos pela expansão da inteligência artificial nos processos de ensino e aprendizagem.
Serviço
Cursos disponíveis:
Produtividade com Microsoft Copilot;
Criação de prompts para inteligência artificial;
Desenvolvimento de agentes no Copilot Studio;
Tecnologias educacionais e IA na docência;
ECA Digital na educação básica: da lei à prática pedagógica.
As inscrições podem ser feitas pela internet, na página do programa, onde também estão disponíveis informações sobre carga horária, certificação e conteúdo das aulas.
O objetivo é conhecer o perfil dos estudantes no momento do ingresso na educação superior. Os inscritos deverão acessar o Sistema Enade para responder ao questionário. É preciso fazer login com a conta da plataforma Gov.br.
O documento reúne perguntas sobre informações socioeconômicas que permitem a compreensão das características dos novatos no ensino superior. As respostas devem contribuir para melhorar os processos de avaliação da educação superior brasileira, de acordo com o Inep.
Preenchimento obrigatório
O questionário é destinado aos estudantes inscritos pelas instituições de educação superior que iniciaram, em 2026, e estão devidamente matriculados em um curso de bacharelado ou superior de tecnologia de uma das áreas avaliadas descritas no edital.
Eles devem ter até 25% da carga horária mínima do currículo do curso integral.
Embora os iniciantes estejam dispensados de fazer a prova do Enade, o preenchimento do questionário é obrigatório para atestar a situação de regularidade no exame.
Enade
O Enade 2026 será aplicado nas seguintes modalidades:
Enade de Bacharelados de Cursos Superiores de Tecnologia para concluintes e ingressantes;
Enade para os cursos de Medicina (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica - Enamed);
Enade das Licenciaturas, que corresponde à avaliação teórica para aqueles que se preparam para a carreira de professor.
O Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) avalia o rendimento dos estudantes com o objetivo de verificar a aprendizagem dos conteúdos previstos nas diretrizes curriculares do curso, além do desenvolvimento de competências e habilidades necessárias à formação geral e profissional.
Os resultados do Enade e as respostas dos candidatos ao Questionário do Estudante são usados na composição dos Indicadores de Qualidade da Educação Superior dos cursos e das instituições de ensino.
Inscrições para o Programa Futuras Cientistas vão até 6 novembro
Foram prorrogadas para o dia 6 de novembro as inscrições para a Imersão Científica 2027 do Programa Futuras Cientistas. São oferecidas 470 vagas gratuitas para estudantes e professoras da rede pública estadual participarem de atividades em universidades, laboratórios e instituições de pesquisa das cinco regiões do país.
O programa do Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (Cetene), unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), aproxima meninas e mulheres da rotina de pesquisa nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática.
Das vagas disponíveis, 320 são destinadas a alunas do 2º ano do ensino médio regular, integral, semi-integral ou técnico da rede pública estadual. As outras 150 são para professoras da rede pública estadual. Cada candidata deve escolher um dos 114 projetos de trabalho disponíveis. Desse total, 20 são oferecidos na modalidade remota.
Documentos
Para participar, as estudantes devem enviar o boletim escolar, e as professoras, o diploma de graduação em licenciatura.
Os docentes precisam ter cadastro na Plataforma Lattes, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), além de apresentar a documentação prevista no edital.
O edital reserva ainda 30% das vagas para candidatas pretas, pardas, indígenas ou quilombolas. Também há vagas destinadas a pessoas com deficiência e a mulheres transexuais, travestis e mulheres intersexo.
Atividades
A Imersão Científica coloca as participantes em contato com ambientes de pesquisa e com diferentes etapas da produção do conhecimento. Durante as atividades, estudantes e professoras podem acompanhar pesquisadores, conhecer técnicas e equipamentos e desenvolver experiências relacionadas aos projetos escolhidos.
As atividades terão carga horária de 80 horas distribuídas em 20 dias úteis. Cada participante selecionado receberá um auxílio de R$ 300, pago em parcela única pelo CNPq.
Escolas públicas têm até sábado para regularizar pendências com FNDE
O prazo para que as redes de ensino de todo o país regularizem pendências junto ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) termina neste sábado (31). Somente com a situação regularizada as escolas que aderiram ao Programa Dinheiro Direto na Escola Equidade (PDDE Equidade) ficam aptas a receber os recursos federais.
O programa destina recursos financeiros extras às escolas públicas de educação básica que atendem a populações historicamente excluídas.
O objetivo é fortalecer a superar desigualdades educacionais, promover a inclusão social e reconhecer as diversidades nas redes estaduais, municipais e do Distrito Federal.
Responsabilidade
De acordo com o Ministério da Educação (MEC), a escola com mais de 50 estudantes matriculados, segundo o Censo Escolar da Educação Básica, deverá constituir o representante legal da Unidade Executora Própria (UEx) para receber os recursos do PDDE.
As Unidades Executoras Próprias são entidades privadas, sem fins lucrativos, que representam as escolas públicas ou privadas de educação especial.
Em escolas menores, os recursos são transferidos para a prefeitura, que se encarrega de fazer a execução.
O dirigente da UEx será o responsável pela regularização de pendências junto ao FNDE.
As secretarias estaduais e municipais de educação devem apoiar e orientar as escolas sobre as providências necessárias para regularização de eventuais pendências identificadas.
Regularização
O MEC disponibilizou o Guia de Resolução de Pendências, acessível pelo portal do Ministério, voltado a gestores e equipes técnicas.
O documento reúne orientações sobre as diferentes situações que podem impedir o recebimento dos recursos, explica como identificá-las e apresenta o passo a passo para regularizar cada uma delas.
Os recursos do PDDE Equidade são para promover a melhoria das condições de oferta de materiais, da infraestrutura física da unidade e da qualidade do ensino em contextos de maior vulnerabilidade social e educacional.
Os valores que cada unidade recebe variam conforme o número de estudantes e o programa aderido.
A política pública repassa recursos para diversas frentes de ensino, entre elas a educação especial inclusiva; educação do campo; indígena e quilombola; educação bilíngue de surdos e educação de jovens e adultos (EJA) e educação das relações étnico-raciais.
MEC Idiomas inclui curso gratuito de coreano, com aulas e exercícios
K-pop, K-drama, skincare e culinária. O estilo sul-coreano tem despertado cada vez mais o interesse dos brasileiros, que agora podem aprender o idioma do país asiático gratuitamente na plataforma MEC Idiomas, do Ministério da Educação (MEC).
O portal e o aplicativo do MEC Idiomas já disponibilizavam os cursos gratuitos de inglês e espanhol. O novo curso contará com atividades interativas, exercícios de escrita e pronúncia e aulas com vídeo, para ajudar os estudantes a avançarem gradualmente no idioma.
O MEC Idiomas é um portal e aplicativo gratuito de aprendizagem de línguas, com cursos organizados em etapas do nível básico ao avançado.
Em cada um dos idiomas oferecidos (inglês, espanhol e coreano), as aulas estão organizadas em seis níveis (A1 a C2), contendo de quatro a seis módulos por nível, cada um com 10 a 15 aulas. A plataforma disponibiliza cerca de 800 aulas.
Alfabeto hangul
O coreano será o primeiro idioma do MEC Idiomas a utilizar um sistema de escrita diferente do alfabeto latino.
Por isso, um dos destaques é o aprendizado do hangul, o sistema de escrita oficial da língua coreana. O alfabeto é formado por 24 letras básicas: 14 consoantes e dez vogais. Combinadas, elas formam blocos que representam sílabas.
Na nova aba Letras, do MEC Idiomas, os estudantes poderão ouvir o som de cada letra, consultar sua romanização — representação da pronúncia com caracteres latinos — e acompanhar o próprio progresso.
Um guia apresentará o alfabeto passo a passo. Já as atividades de escrita orientarão a realização dos traços e oferecerão retorno imediato sobre os exercícios.
Sons e letras
A prática também envolverá a associação entre sons e letras. Em uma atividade, será possível ouvir um áudio e identificar a letra correspondente. Em outra, o estudante verá a letra na tela e escolherá, entre diferentes opções, o som adequado.
Os exercícios estarão disponíveis tanto na aba Letras quanto nas aulas de coreano.
Expressões do dia a dia
Além de conhecer e estudar o alfabeto, o usuário poderá praticar conversas cotidianas. As atividades pretendem simular situações reais de comunicação, para facilitar a aprendizagem.
Em um dos exercícios, o estudante acompanhará uma conversa e escolherá a resposta mais adequada.
As alternativas apresentarão a escrita em coreano e a pronúncia, e o sistema explicará por que determinada resposta funciona naquele contexto.
Prática oral
Outro recurso será a prática oral. Os diálogos cotidianos permitirão acompanhar cada fala com áudio, pronúncia e significado, respeitando o ritmo de aprendizagem de cada pessoa.
O estudante poderá ouvir uma frase, acompanhar sua pronúncia e repeti-la em voz alta, usando o microfone do dispositivo.
Caso não possa falar naquele momento, haverá a opção de continuar a aula sem realizar o exercício oral.
Aulas com vídeo
As aulas com vídeo também integrarão a experiência de aprendizagem. Nelas, expressões em coreano serão apresentadas com a romanização e a tradução em português.
A narração explicará o uso das expressões, com legendas que poderão ser ativadas ou desativadas.
MEC Idiomas
Os estudantes têm acesso às seguintes ferramentas:
teste de proficiência;
trilha de aprendizagem (aula e reforço);
teste ao fim dos módulos;
recurso de fala e prática;
agente de Inteligência Artificial para dúvidas e prática de conversação.
De acordo com o Ministério da Educação (MEC), atualmente, são mais de 774 mil matrículas ativas em inglês e espanhol.
Desse total, 581.705 são em língua inglesa, o equivalente a 75,1%, e 192.996 em espanhol, que correspondem a 24,9%.
Os usuários de 18 a 34 anos representam 60,5% das matrículas, com maior concentração na faixa dos 25 aos 34 anos.
Enem: mulheres e pardos lideram inscrições; confira o painel do Inep
As mulheres representam 63,98% das 5.051.345 inscrições confirmadas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2026. Em números absolutos, elas são 3.232.013 inscritas. Já os homens correspondem a 36,02%, totalizando 1.819.332 inscritos.
Os dados constam do Painel Enem 2026, disponibilizado para consulta pública pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
Os dados permitem conhecer o perfil dos inscritos por sexo, faixa etária, cor/raça, situação escolar e distribuição geográfica, bem como informações sobre gratuidade da inscrição e aprovação de solicitações de atendimentos especializados.
As informações podem ser consultadas por unidade da federação e permite comparar a distribuição dos participantes em todo os indicadores.
Faixa etária
Dos 5,05 milhões de inscritos, o maior grupo é o dos jovens de 17 e 18 anos, que representam a metade (50,7%) dos participantes.
De acordo com os dados do painel, os grupos por faixa etária estão assim distribuídos:
com 17 anos, são 1.292.082 inscritos;
com 18 anos, são 1.269.907 inscritos;
com até 16 anos, são 691.633 inscritos;
com 19 anos, são 463.720 inscritos;
com 20 anos, são 235.457 inscritos;
entre 21 a 30 anos, são 725.118 inscritos;
entre 31 e 59 anos, são 359.607 inscritos; e
com mais de 60 anos, são 13.821 inscritos;
Cor e raça
Com dados consolidados em setembro de 2026, o indicador de cor/raça registra as categorias parda, branca, preta, amarela, indígena e não declarada, assim distribuídas:
parda: 2.078.015 inscrições, sendo 1.530.186 gratuitas e 547.829 pagas;
branca: 1.825.230 inscrições, sendo 932.181 inscrições gratuitas e 893.049 pagas;
não declarada: 495.553 inscrições, sendo 478.309 inscrições gratuitas e 17.244 pagas;
preta: 556.824 inscrições, sendo 424.540 inscrições gratuitas e 132.284 pagas;
amarela: 57.702 inscrições, sendo 35.088 inscrições gratuitas e 22.614 pagas; e
indígena: 38.021 inscrições, sendo 31.807 inscrições gratuitas e 6.214 pagas.
Situação escolar
Em relação à trajetória escolar, entre os mais de 5,05 milhões de inscritos, 2.364.868 estão cursando a última série ou ano do ensino médio, o que corresponde ao grupo mais numeroso – 46,82%.
Os demais estão distribuídos desta forma:
1.610.522 – concluíram o ensino médio;
1.015.127 – cursam o ensino médio, mas não o concluirão em 2026;
60.828 – não cursam o ensino médio.
Atendimento especializado
A ferramenta desta edição do Enem também reúne dados sobre as 138.329 solicitações de atendimento especializado confirmadas pelo Inep.
Entre as condições que mais motivaram as solicitações estão os participantes com déficit de atenção ( 51.724, ou 37,39%); candidatos com Transtorno do Espectro Autista (34.723, ou 25,1%); baixa visão (9.792 candidatos, 7,04%); e deficiência intelectual (8.922 candidatos, 6,45%).
Entre os recursos de acessibilidade solicitados no ato da inscrição, destacam-se o tempo adicional, com 77.956 solicitações (34,47%); a correção diferenciada, com 42.379 (18,74%); e o auxílio para leitura, com 28.042 (12,40%).
O painel interativo apresenta outros quantitativos de recursos de acessibilidade, como salas acessíveis, auxílio para transcrição, prova em braile e tradutor-intérprete de Língua Brasileira de Sinais (Libras), uso do aparelho auditivo ou implante coclear.
Gratuidade
Dos 5.051.345 inscritos confirmados no Enem 2026, 3.432.111 se inscreveram gratuitamente, enquanto outros 1.619.234 participantes tiveram o pagamento confirmado pelo Inep.
Têm direito à gratuidade quem se enquadra em pelo menos um dos seguintes perfis, conforme as regras do Inep:
estudantes matriculados no terceiro ano do ensino médio em escola pública no ano da edição do exame;
estudantes que cursaram todo o ensino médio em escola da rede pública ou como bolsista integral em escola privada, desde que a renda familiar seja igual ou inferior a um salário mínimo e meio por pessoa; e
Inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais do governo federal (CadÚnico), com renda familiar per capita de até meio salário mínimo.
Enem 2026
O Enem é considerado a principal forma de entrada na educação superior no Brasil, por meio de programas federais como o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), o Programa Universidade para Todos (Prouni) e o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).
As instituições de ensino públicas e privadas usam os resultados das provas para selecionar os estudantes.
Os resultados individuais do exame também podem ser aproveitados em processos seletivos de instituições de ensino de Portugal que tenham convênio com o Inep.
Desde a edição de 2025, o Enem também voltou a certificar a conclusão do ensino médio para os candidatos a partir dos 18 anos.
Pela primeira vez, o Enem também terá como objetivo avaliar o domínio das competências e habilidades esperadas no fim do ensino médio, integrando o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb).
Inep divulga local de provas do Enem 2026; saiba como conferir
Os participantes do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026 já podem conferir os locais onde farão as prova nos domingos 8 e 15 de novembro.
O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) disponibilizou, nesta terça-feira (27), o Cartão de Confirmação de Inscrição do Enem com a informação.
Para acessar o documento, basta o inscrito acessar a Página do Participante. É preciso usar a senha da plataforma Gov.br.
Além da informação sobre os locais de prova, o Cartão de Confirmação traz o número de inscrição, a data e o horário. Caso o inscrito tenha direito a atendimento especializado ou ao tratamento pelo nome social autorizado pelo Inep, os dados também estarão registrados.
O Inep avisa que não é obrigatório levar o Cartão de Confirmação de Inscrição nos dias de aplicação do Enem, mas recomenda levá-lo para evitar erros.
Dois dias de provas
As provas serão aplicadas em dois domingos de novembro, nos dias 8 e 15, no turno da tarde, nas 27 unidades da federação.
De acordo com o edital desta edição, o primeiro dia do Enem terá duração de cinco horas e 30 minutos. Neste dia, os candidatos farão a redação e os exames de linguagens (língua portuguesa, literatura, língua estrangeira, artes, educação física e tecnologias da informação), códigos e suas tecnologias e ciências humanas (história, geografia, filosofia e sociologia) e suas tecnologias.
No segundo dia, os estudantes farão provas de ciências da natureza e suas tecnologias (biologia, química e física) e matemática. Os participantes terão cinco horas para fazer as provas. São 45 questões em cada área do conhecimento.
Saiba tudo sobre o exame no Guia do Enem, disponibilizado pelo Ministério da Educação (MEC).
Enem 2026
Nesta edição, o Ministério da Educação (MEC) registrou mais de 5 milhões de inscrições.
O Enem é considerado a principal forma de entrada na educação superior no Brasil, por meio de programas federais como o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), o Programa Universidade para Todos (Prouni) e o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).
As instituições de ensino públicas e privadas usam os resultados das provas para selecionar os estudantes.
Os resultados individuais do exame também podem ser aproveitados em processos seletivos de instituições de ensino de Portugal que tenham convênio com o Inep.
Desde a edição de 2025, o Enem também voltou a certificar a conclusão do ensino médio para os candidatos a partir dos 18 anos.
Pela primeira vez, o Enem também terá como objetivo avaliar o domínio das competências e habilidades esperadas no fim do ensino médio, integrando o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb).
Fies 2: inscrições gratuitas para vagas remanescentes estão abertas
As inscrições para as vagas remanescentes do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), referentes ao segundo semestre de 2026, foram abertas nesta segunda-feira (26).
Os estudantes interessados poderão se inscrever gratuitamente até 3 de novembro, exclusivamente pelo Portal Único de Acesso ao Ensino Superior. É preciso fazer login pela conta da plataforma Gov.br.
O programa oferece financiamento para estudantes que desejam cursar o ensino superior em faculdades privadas bem avaliadas pelo Ministério da Educação (MEC).
O Fies cobre as mensalidades do curso e permite que o estudante pague, com condições facilitadas, o valor financiado após a conclusão da graduação.
Nesta edição, as vagas remanescentes destinam-se exclusivamente à contratação do financiamento no segundo semestre letivo deste ano, sem possibilidade de extensão do prazo.
Uma das etapas do processo seletivo vai verificar se os candidatos pré-selecionados têm condições de acompanhar as atividades acadêmicas e concluir o semestre com aproveitamento suficiente.
Quem pode participar
Para participar, é necessário ter feito o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) a partir de 2010, com média igual ou superior a 450 pontos nas cinco provas de conhecimentos e nota acima de zero na redação.
O estudante não pode ter participado do exame como treineiro.
O candidato também precisa ter renda familiar mensal bruta por pessoa de até três salários mínimos, de acordo com o edital, que trata da ocupação das vagas.
Na parte acadêmica, o candidato pré-selecionado deve ter condições de cumprir a frequência mínima exigida pela instituição privada de ensino superior neste segundo semestre letivo de 2026.
Vagas
Ao todo, são 50 mil vagas distribuídas pelo país.
O edital reserva 50% dessas vagas remanescentes a candidatos com renda familiar mensal por pessoa de até meio salário mínimo e inscrição atualizada no Cadastro Único para Programas Sociais do governo federal (CadÚnico). Para essa verificação, serão consideradas as informações cadastrais atualizadas até 8 de outubro de 2026.
Os estudantes pré-selecionados nessa modalidade poderão solicitar financiamento de até 100% dos encargos educacionais, conforme as regras do programa.
O resultado da chamada única está previsto para 16 de novembro.
Recife abrirá 34 creches no domingo para facilitar o voto dos pais
Ao menos 34 creches municipais do Recife (PE) vão funcionar das 8h às 13h deste domingo (25), segundo turno das eleições gerais, para acolher as crianças de eleitoras e eleitores que não têm com quem deixá-las enquanto vão às urnas.
Segundo a prefeitura da capital pernambucana, 176 crianças de até 3 anos de idade foram inscritas para participar da iniciativa. As inscrições terminaram na última quarta-feira (21).
Inicialmente, a Secretaria Municipal de Educação anunciou a intenção de abrir até 136 creches, mas acabou redefinindo o número de unidades necessárias em função da demanda.
Ainda de acordo com a pasta, quase mil profissionais da rede de ensino municipal se inscreveram espontaneamente para participar da ação. A prefeitura promete pagar uma gratificação para todos que efetivamente trabalharem no domingo, seguindo critérios preestabelecidos pela gestão municipal.
As crianças que ficarem aos cuidados dos trabalhadores vão participar de atividades lúdicas e recreativas. Em nota, a secretária municipal de Educação, Cecília Cruz, explicou que a proposta é que mães, pais e responsáveis tenham uma alternativa de acolhimento para os filhos enquanto se deslocam aos locais de votação.
"Organizamos a abertura das unidades de acordo com a demanda das famílias, para que esse atendimento seja realizado de forma responsável e atenda às necessidades identificadas”, acrescentou a secretária.
Aberta inscrição para seleção de professor elaborador do Enade 2027
Os professores da educação superior de todo o país interessados em ser colaboradores do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) para elaborar e revisar itens/questões do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) 2027 podem se candidatar até 14 de dezembro.
Os colaboradores irão integrar o Cadastro de Elaboradores e Revisores de Itens da Educação Superior (Ceres).
O banco armazena questões de qualidade técnica que permitam a montagem de provas capazes de verificar com maior precisão a proficiência dos estudantes com relação a conteúdos, habilidades e competências nas provas do Enade.
Quem pode se cadastrar
A seleção contemplará professores de 17 áreas de bacharelado e de cursos superiores de tecnologia.
Também é necessário exercer ou ter exercido atividade docente, nos últimos 24 meses, em curso da área para a qual deseja se inscrever.
De acordo com o edital da seleção (nº 160/2026), as áreas contempladas são: agronomia, biomedicina, educação física, enfermagem, engenharia florestal, farmácia, fisioterapia, fonoaudiologia, medicina veterinária, nutrição, odontologia, serviço social, turismo e zootecnia; e três de cursos superiores de tecnologia: estética e cosmética, gastronomia e radiologia.
Para participar da seleção, o candidato deverá ter diploma de graduação de nível superior, devidamente registrado, conforme os requisitos específicos da área pretendida.
Inscrições
Ao fazer a inscrição, o candidato deverá preencher as informações solicitadas, indicar as áreas de interesse e anexar a documentação que comprove as exigências.
Entre os documentos obrigatórios estão o diploma de graduação, a declaração de exercício de atividade docente (assinada pelo dirigente da instituição de educação superior ou pelo coordenador do curso) e o termo de conhecimento, compromisso e sigilo e o termo de responsabilidade.
Caso o candidato opte por concorrer em mais de uma área, será necessário apresentar uma declaração específica para cada uma delas.
Seleção
O processo seletivo é dividido em três etapas:
Eliminatória: análise da documentação exigida (requisitos básicos).
Classificatória: pontuação com base nos títulos de pós-graduação, tempo de docência no ensino superior e experiência em elaboração/revisão de itens ou participação em comissões do Inep e de outros exames/concursos.
Resultado: divulgação dos candidatos aprovados e pré-selecionados para as fases de capacitação e oficina de Itens do Enade, com possibilidade de recurso administrativo contra a decisão que indefere a sua inscrição.
Capacitação
Os colaboradores selecionados serão convocados para uma capacitação obrigatória, realizada de forma remota, prevista para ocorrer entre abril e maio de 2027.
Somente após a etapa de capacitação, os docentes podem ser convocados para participar de oficinas de elaboração e revisão de itens.
O Inep avisa que a convocação para a capacitação não garante a participação nas oficinas, que estão previstas para ocorrer de 14 de maio a 21 de junho de 2027, também no formato remoto.