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Lançado em 2005 e dirigido por Joe Wright em sua aclamada estreia na direção de longas-metragens, "Orgulho e Preconceito" é um filme de romance de época que transcende gerações, baseado no icônico romance de Jane Austen de 1813. O longa captura a essência da busca por amor e compreensão em uma sociedade regida por convenções sociais rígidas, apresentando a cativante história de Elizabeth Bennet (Keira Knightley) e o enigmático Sr. Darcy (Matthew Macfadyen). O filme foi um sucesso de bilheteria e crítica, elogiado por sua cinematografia exuberante, trilha sonora envolvente e atuações memoráveis, consolidando-se como uma das adaptações mais adoradas da obra de Austen.

Análise e Enredo

"Orgulho e Preconceito" de 2005 nos transporta para a Inglaterra rural do final do século XVIII, mais especificamente para Hertfordshire em 1797, uma escolha deliberada do diretor Joe Wright para explorar as tensões sociais pós-Revolução Francesa e adotar uma estética visual particular, diferente do período regencial mais comum em outras adaptações. A trama gira em torno da família Bennet, composta pelo Sr. Bennet (Donald Sutherland), sua esposa, a Sra. Bennet (Brenda Blethyn), e suas cinco filhas: Jane (Rosamund Pike), Elizabeth (Keira Knightley), Mary (Talulah Riley), Kitty (Carey Mulligan) e Lydia (Jena Malone).

Resumo Detalhado da História

A obsessão da Sra. Bennet é casar suas filhas com homens ricos, garantindo assim o futuro da família, já que a propriedade de Longbourn é vinculada à linha masculina e será herdada pelo primo Sr. Collins. A chegada do rico e solteiro Sr. Bingley (Simon Woods) e seu amigo, o altivo e misterioso Sr. Darcy (Matthew Macfadyen), à vizinha propriedade de Netherfield Park, causa grande alvoroço.

Jane, a filha mais velha e de temperamento doce, rapidamente desenvolve uma afeição mútua pelo Sr. Bingley. Elizabeth, a segunda filha, inteligente e espirituosa, é inicialmente repelida pela arrogância e presunção do Sr. Darcy, especialmente após ouvir seus comentários desdenhosos em um baile. Essa "primeira impressão" negativa, que foi inclusive o título original do romance de Jane Austen, estabelece o "preconceito" de Elizabeth contra Darcy.

Enquanto Jane se recupera de uma doença na casa dos Bingley, Elizabeth a visita e tem seus primeiros embates verbais com Darcy. O primo pedante, Sr. Collins (Tom Hollander), herdeiro de Longbourn, visita os Bennets e rapidamente propõe casamento a Elizabeth. Ela recusa veementemente, para o desespero de sua mãe e o alívio de seu pai, afirmando que só se casaria por amor. Charlotte Lucas (Claudie Blakley), a melhor amiga de Elizabeth, pragmaticamente aceita a proposta do Sr. Collins, chocando Lizzie.

A introdução do charmoso, mas inescrupuloso, Sr. Wickham (Rupert Friend) intensifica o preconceito de Elizabeth contra Darcy, já que Wickham o acusa de tê-lo privado de sua herança. A história de Wickham, no entanto, é uma farsa, e é revelada por Darcy em uma carta a Elizabeth após seu primeiro pedido de casamento. Darcy, em sua primeira declaração, embora apaixonado, é altivo e insultante, mencionando a inferioridade social da família Bennet e seus "modos rudes". Elizabeth o recusa furiosamente, citando seu tratamento a Wickham e sua interferência na relação entre Jane e Bingley.

A carta de Darcy revela a verdadeira natureza de Wickham: um homem que esbanjou a herança do pai de Darcy e tentou seduzir Georgiana, a irmã de Darcy, para fugir e obter sua fortuna. Elizabeth, chocada, começa a reavaliar seus julgamentos. Paralelamente, a fuga escandalosa de Lydia com Wickham ameaça arruinar a reputação da família Bennet. É o Sr. Darcy quem encontra os dois em Londres e arca com o dote de Lydia, assegurando seu casamento e salvando a honra dos Bennets, tudo isso em segredo.

Com o retorno de Bingley a Netherfield, ele propõe casamento a Jane, que aceita. Elizabeth, ciente da intervenção de Darcy, passa a vê-lo sob uma nova luz. A história culmina com a superação do orgulho de Darcy e do preconceito de Elizabeth, levando a um segundo pedido de casamento, aceito por Elizabeth, selando o amor entre os dois.

O Final do Filme: Explicações e Interpretações

O final de "Orgulho e Preconceito" (2005) é um ponto de discussão entre fãs e críticos, principalmente devido à existência de duas versões distintas. A versão britânica e internacional termina com Elizabeth contando a seu pai sobre seu noivado com Darcy e a subsequente aceitação dele, com o Sr. Bennet demonstrando seu alívio e afeição. Já a versão norte-americana inclui uma cena extra e mais "açucarada" após o casamento de Jane e Bingley, onde Elizabeth e Darcy estão nos jardins de Pemberley, trocando declarações de amor e carinhos, com ela o chamando de "Sr. Darcy" e ele a chamando de "Sra. Darcy".

A diferença nas terminações foi uma decisão de produção: testes de audiência no Reino Unido consideraram a cena do beijo em Pemberley "melosa" e "piegas", e o diretor Joe Wright concordou que não se encaixava com o tom mais sutil e contido da adaptação britânica. No entanto, para o público americano, acostumado a finais mais explícitos e românticos, a cena foi mantida para garantir maior apelo comercial. Wright chegou a brincar que "na América, vocês gostam de um pouco mais de açúcar no champanhe".

Independentemente da versão, o final simboliza a superação dos obstáculos centrais: o orgulho de Darcy em relação à posição social de Elizabeth e o preconceito de Elizabeth contra a arrogância inicial de Darcy. A cena final de aceitação pelo Sr. Bennet na versão britânica ressalta a importância da bênção paterna e do amor genuíno que transcende as expectativas sociais. A versão americana, com o beijo e as declarações íntimas, oferece um fechamento mais explícito e apaixonado para o casal. Ambas as versões, no entanto, reforçam a ideia de que o amor verdadeiro prevalece sobre as convenções sociais e os julgamentos precipitados.

Elenco e Atuações de Destaque

O elenco de "Orgulho e Preconceito" de 2005 é amplamente elogiado, com performances que deram nova vida aos amados personagens de Austen.

  • Keira Knightley como Elizabeth Bennet: A atuação de Knightley rendeu-lhe uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz e é frequentemente apontada como um dos pontos altos do filme. Inicialmente, Joe Wright teve reservas em escalá-la, temendo que ela fosse "bonita demais" para o papel de Elizabeth, que no livro é descrita como menos atraente que sua irmã Jane. No entanto, ele mudou de ideia após conhecê-la e perceber sua "atitude moleca", inteligência e energia. Sua Elizabeth é espirituosa, assertiva e cheia de vida, capturando a essência da heroína literária.
  • Matthew Macfadyen como Sr. Darcy: O Darcy de Macfadyen, com sua timidez e intensidade contidas, conquistou uma legião de fãs e é frequentemente comparado, de forma favorável, à icônica interpretação de Colin Firth na minissérie de 1995. A famosa cena em que ele flexiona a mão após ajudar Elizabeth a entrar na carruagem não estava no roteiro, sendo uma improvisação de Macfadyen durante um ensaio que Wright decidiu incluir. Outra curiosidade é que ele não leu o livro antes das filmagens, baseando sua atuação no roteiro.
  • Rosamund Pike como Jane Bennet: Pike entrega uma performance delicada e graciosa como a bela e bondosa Jane, a irmã mais velha dos Bennet. Ela foi a primeira escolha de Wright para o papel e chegou a recusar um papel em "Harry Potter e o Cálice de Fogo" para participar do filme.
  • Brenda Blethyn como Sra. Bennet: Blethyn brilha no papel da matriarca ansiosa e muitas vezes cômica, cuja principal preocupação é casar suas filhas. Sua interpretação equilibra o alívio cômico com a angústia de uma mãe.
  • Donald Sutherland como Sr. Bennet: Sutherland oferece uma interpretação calorosa e resignada do patriarca, que ama suas filhas, especialmente Elizabeth, e prefere a companhia de seus livros ao drama familiar.
  • Tom Hollander como Sr. Collins: Hollander é hilário e perfeitamente irritante como o primo pomposo e subserviente, com suas propostas de casamento desajeitadas.
  • Judi Dench como Lady Catherine de Bourgh: Mesmo com uma participação breve, Dame Judi Dench é formidável como a aristocrata esnobe e autoritária, tia de Darcy, que tenta impedir o casamento de Elizabeth. Suas cenas foram filmadas na primeira semana de produção, adicionando à sua aura de intimidação.

Curiosidades de Bastidores

  • **Período Histórico:** O filme não se passa na era regencial (1811-1820), como a maioria das adaptações, mas sim em 1797, quando Jane Austen escreveu o rascunho inicial do romance ("First Impressions"). Joe Wright optou por isso para fugir dos espartilhos de cintura alta e explorar a estética do final do século XVIII e o impacto da Revolução Francesa na sociedade britânica.
  • **Cabelos e Maquiagem:** Joe Wright baniu maquiagem pesada para as irmãs Bennet e insistiu que seus cabelos parecessem bagunçados pelo vento. Keira Knightley usou uma peruca em grande parte do filme e mangas longas para esconder os músculos que havia construído para outro papel ("Domino"). A intenção era dar uma estética mais "bagunçada" e realista à família.
  • **Imersão do Elenco:** Para criar uma química familiar autêntica, Joe Wright fez com que as atrizes que interpretavam as irmãs Bennet, juntamente com Tom Hollander (Sr. Collins), passassem um tempo juntas na locação da casa dos Bennet (Groombridge Place), antes do início das filmagens, jogando jogos e se familiarizando com o ambiente.
  • **O Toque de Mão do Sr. Darcy:** Uma das cenas mais icônicas e sutis, onde Darcy flexiona a mão após ajudar Elizabeth a entrar na carruagem, não estava no roteiro. Foi uma improvisação de Matthew Macfadyen durante um ensaio, que o diretor Joe Wright gostou tanto que pediu para ser repetida.
  • **Contribuição Secreta:** A roteirista vencedora do Oscar Emma Thompson, fã de Austen, contribuiu com um polimento de diálogo não creditado para o roteiro, incluindo a famosa fala de Charlotte Lucas: "Não me julgue, Lizzy", que foi improvisada por Thompson.
  • **Muitas Versões:** O roteiro passou por 10 versões antes da equipe se decidir pela final.
  • **Leitura da Elizabeth:** Na cena de abertura, Elizabeth Bennet é vista lendo um livro fictício chamado "First Impressions", que era o título de trabalho de Jane Austen para o romance "Orgulho e Preconceito" antes de sua publicação. Se você pausar e der zoom, verá que é o texto de "Orgulho e Preconceito" com os nomes dos personagens alterados.
  • **Locações Reais:** O filme foi quase inteiramente filmado em locações reais, com o salão de baile de Meryton sendo o único cenário construído. Burghley House serviu como a casa de Lady Catherine de Bourgh (Rosings).

Polêmicas e Interpretações Conflitantes

O filme "Orgulho e Preconceito" de 2005, embora amplamente aclamado, gerou algumas controvérsias e debates, especialmente entre os "Janeites" (fãs fervorosos de Jane Austen) e em comparação com a minissérie da BBC de 1995.

  • **Fidelidade ao Livro vs. Adaptação Modernizada:** Muitos fãs do livro e da adaptação de 1995 criticaram o filme de 2005 por se desviar de certos detalhes do romance em prol de uma narrativa mais condensada e visualmente romântica. Elementos como a representação da casa dos Bennet como mais rústica e com animais, ou a forma como a etiqueta social é mostrada, foram vistos como menos fiéis. O filme também é acusado de focar excessivamente em "planos de porcos e lama" em detrimento de pontos importantes da trama.
  • **Elizabeth de Keira Knightley:** A escolha de Keira Knightley gerou debate. Embora elogiada por sua atuação, alguns a consideraram "bonita demais" para Elizabeth, que no livro não é a mais bela das irmãs. Outros a defenderam, afirmando que a beleza é subjetiva e que Knightley capturou a inteligência e o espírito da personagem.
  • **As Duas Finais:** A existência de duas terminações diferentes (a "europeia" mais contida e a "americana" com o beijo explícito e a cena "Mrs. Darcy") foi uma fonte significativa de discussão. Enquanto alguns apreciaram o final mais romântico para o público dos EUA, outros o consideraram desnecessariamente "sexualizado", "piegas" e "não-Austen".
  • **Mr. Darcy de Matthew Macfadyen:** Embora hoje aclamado, a escolha de Macfadyen para Darcy inicialmente gerou ceticismo devido à sombra de Colin Firth. No entanto, sua interpretação trouxe uma nova profundidade, retratando um Darcy mais introspectivo e reservado, o que muitos consideraram uma abordagem refrescante.
  • **Ritmo e Cortes:** Para condensar a história em 127 minutos, subtramas e personagens secundários foram cortados ou minimizados, o que alguns fãs lamentaram. A "cena da chuva" do primeiro pedido de casamento, embora intensa e memorável, não existe no livro, sendo uma criação do filme.

Recepção e Legado do Filme

"Orgulho e Preconceito" (2005) foi um sucesso de bilheteria e crítica.

  • **Bilheteria:** Com um orçamento de US$ 28 milhões, o filme arrecadou US$ 121,6 milhões mundialmente. Na re-exibição de 2025 para celebrar seu 20º aniversário, o filme arrecadou quase o mesmo valor de seu fim de semana de estreia original na América do Norte, demonstrando seu apelo duradouro.
  • **Crítica:** O filme recebeu críticas predominantemente positivas. Foi elogiado por sua direção visualmente deslumbrante, que apresenta "tonalidades pastel, cores suaves e locações românticas", e por sua capacidade de evocar a paixão e o romance da obra de Austen. A interpretação de Keira Knightley como Elizabeth foi amplamente elogiada.
  • **Prêmios e Nomeações:** O filme recebeu quatro indicações ao Oscar: Melhor Atriz para Keira Knightley (tornando-a a terceira mais jovem indicada na época), Melhor Direção de Arte, Melhor Figurino e Melhor Trilha Sonora Original (Dario Marianelli). Também foi indicado a dois Globos de Ouro (Melhor Filme de Comédia ou Musical e Melhor Atriz para Knightley) e ganhou o BAFTA de Melhor Estreia de um Escritor, Diretor ou Produtor Britânico para Joe Wright.
  • **Legado:** A adaptação de Joe Wright é considerada uma das mais populares e amadas do romance de Jane Austen. A "dança" visual dos sentimentos e a química entre Keira Knightley e Matthew Macfadyen deixaram uma marca indelével. O filme é frequentemente atribuído por introduzir novas gerações à obra de Austen e por reavivar o interesse em romances de época. Apesar das comparações inevitáveis com a minissérie de 1995, a versão de 2005 conseguiu criar sua própria identidade e se estabeleceu como um clássico moderno. Sua estética e abordagem, que priorizam a emoção e o visual, são vistas como um marco nas adaptações de Jane Austen, inspirando uma geração de românticos.

Fontes Pesquisadas

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  • https://bravo.abril.com.br/memoria/orgulho-e-preconceito-classico-jane-austen-sucesso/

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