Dirigido pelo aclamado cineasta espanhol J. A. Bayona, "O Impossível" (2012) é um drama biográfico de catástrofe que mergulha o público na devastadora experiência de uma família real durante o tsunami do Oceano Índico em 2004. O filme, estrelado por Naomi Watts, Ewan McGregor e um então jovem Tom Holland em sua estreia no cinema, é um retrato visceral e emocionante da luta pela sobrevivência e da resiliência do espírito humano diante da calamidade. Amplamente elogiado por sua direção impactante e pelas atuações intensas, a produção espanhola conquistou reconhecimento global e gerou discussões sobre sua abordagem narrativa.
Análise e Enredo
"O Impossível" nos transporta para o paradisíaco resort Orchid Beach, em Khao Lak, na Tailândia, onde a família Bennett – a médica Maria (Naomi Watts), seu marido Henry (Ewan McGregor) e os três filhos Lucas (Tom Holland), Thomas (Samuel Joslin) e Simon (Oaklee Pendergast) – desfruta das férias de Natal em dezembro de 2004. A atmosfera idílica é brutalmente interrompida na manhã de 26 de dezembro, quando um terremoto submarino massivo desencadeia uma das maiores catástrofes naturais da história: o tsunami do Oceano Índico.
A sequência inicial do tsunami é um feito cinematográfico de tirar o fôlego, elogiada por seu realismo e intensidade assustadora. Maria e Lucas são violentamente arrastados pela parede de água suja e repleta de destroços, sofrendo ferimentos graves, enquanto Henry e os dois filhos mais novos são levados em outra direção. A partir daí, o filme se divide para acompanhar as jornadas paralelas de Maria e Lucas, que lutam para sobreviver à devastação, e de Henry, que empreende uma busca desesperada por sua família em meio ao caos e à destruição generalizada.
A luta de Maria, gravemente ferida na perna e no peito, para se manter viva e proteger Lucas, é o coração da primeira metade do filme. Ela exige do filho mais velho uma maturidade precoce, incumbindo-o de responsabilidades que vão além de sua idade. Lucas, por sua vez, demonstra uma força e resiliência notáveis, ajudando não apenas a mãe, mas também outras vítimas que encontram pelo caminho, como o jovem Daniel. Enquanto isso, Henry, acreditando ter perdido Maria e Lucas, embarca em uma busca angustiante, guiado pela esperança e pela determinação de reencontrar seus filhos. Ele deixa Simon e Thomas sob os cuidados de outra família e percorre hospitais e centros de resgate, enfrentando a dura realidade da tragédia.
O Final e Seus Significados
O clímax emocional do filme ocorre no hospital improvisado de Takua Pa, onde Maria está recebendo tratamento para suas feridas potencialmente fatais. Lucas, seguindo a instrução de sua mãe para ajudar outros a procurar seus entes queridos, continua a vagar pelo hospital, quando inesperadamente vislumbra seu pai. Em uma das cenas mais comoventes, Henry, que estava prestes a partir, é alertado pelos gritos de Lucas, e então Simon e Thomas emergem de um caminhão de resgate, ouvindo o chamado do irmão mais velho. A família se reencontra em um abraço coletivo, um milagre de sobrevivência contra todas as probabilidades.
O final de "O Impossível" não se apoia em significados ocultos complexos, mas sim na força avassaladora da esperança e da reunião familiar. Após a reunião, Lucas informa Maria que viu Daniel, o garoto que ajudaram, reunido com seu pai no hospital. Maria é levada para uma cirurgia de emergência e, apesar de sua condição crítica, consegue sobreviver. A família é então transferida de avião-ambulância para Cingapura para que Maria receba tratamento médico adicional. A cena final mostra Maria olhando pela janela do avião, observando a devastação deixada para trás na Tailândia, chorando silenciosamente. É um momento de catarse e reflexão, que não busca oferecer uma mensagem simplista, mas sim transmitir a profunda gratidão pela vida e a imensidão da perda e da resiliência humana. O diretor Bayona declarou que sua intenção era que o público "passasse pela mesma jornada que os personagens" e não recebesse uma mensagem ao final, pois "ninguém deu uma mensagem a esta família".
Elenco e Atuações de Destaque
O elenco de "O Impossível" é amplamente aclamado por suas performances poderosas e realistas. Naomi Watts entrega uma atuação visceral como Maria, transmitindo a dor física e emocional da personagem com uma intensidade que lhe rendeu uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz, ao Globo de Ouro e ao Screen Actors Guild Award. Deborah Young, do The Hollywood Reporter, elogiou Watts por "conter uma enorme carga de emoção como a Maria machucada e sempre enfraquecida, cujas lágrimas de dor e medo nunca parecem falsas ou idealizadas".
Ewan McGregor, no papel de Henry, também recebeu elogios por sua interpretação de um pai desesperado, mas resiliente, em busca de sua família. A química entre Watts e McGregor e a profundidade de suas atuações são cruciais para a carga emocional do filme.
No entanto, o verdadeiro destaque para muitos foi o então desconhecido Tom Holland, em sua estreia no cinema, interpretando o filho mais velho, Lucas. Sua performance foi descrita como "extraordinária" e "bem além de seus anos", capturando o desespero, a coragem e a confusão de uma criança forçada a amadurecer rapidamente. Samuel Joslin (Thomas) e Oaklee Pendergast (Simon) também foram elogiados por suas atuações convincentes como os filhos mais novos.
Curiosidades de Bastidores e Produção
"O Impossível" é uma coprodução espanhola da Apaches Entertainment e Telecinco Cinema, dirigida por Juan Antonio Bayona, conhecido por seu trabalho em "O Orfanato". O orçamento do filme foi de cerca de US$ 45 milhões, e arrecadou mais de US$ 198,1 milhões globalmente, tornando-se um sucesso de bilheteria.
A produção se destacou pelo seu compromisso com a autenticidade. O filme é baseado na história real da família espanhola Belón-Álvarez, que de fato vivenciou o tsunami de 2004 em Khao Lak, Tailândia. María Belón, a mãe da família real, atuou como consultora para o filme, trabalhando de perto com o roteirista Sergio G. Sánchez e com Naomi Watts, para garantir que a "alma da história" fosse preservada. A própria Maria Belón escolheu Naomi Watts para interpretá-la, baseando-se em sua atuação em "21 Gramas".
As filmagens ocorreram em locações na Tailândia, incluindo o próprio resort onde a família Belón se hospedou, que foi reconstruído para a produção. Grande parte da sequência do tsunami foi recriada usando um gigantesco tanque de água na Ciudad de la Luz, em Alicante, Espanha, o maior da Europa. A equipe de efeitos especiais e visuais trabalhou por mais de um ano para garantir o realismo, combinando efeitos práticos com computação gráfica. Milhões de galões de água do mar foram usados, tingidos com corante alimentar para escurecer. Para as cenas que mostram a onda obliterando o resort, uma miniatura em grande escala do local foi construída. Muitos dos figurantes eram sobreviventes reais do tsunami.
Uma pequena, mas notável, "licença artística" foi a cor da bola que Lucas encontra durante o resgate: na vida real, era amarela, mas foi alterada para vermelha no filme para fins dramáticos ou simbólicos.
Polêmicas e Interpretações Conflitantes
Apesar do sucesso de crítica e público, "O Impossível" não esteve isento de polêmicas. A principal delas girou em torno da decisão de mudar a nacionalidade da família real, que era espanhola, para britânica (ou "ocidentalizada" para parecer britânica/americana). Críticos apontaram isso como um "whitewashing" (embranquecimento) da narrativa, sugerindo que o filme priorizou a identificação do público ocidental em detrimento da representação precisa das vítimas asiáticas da tragédia, que foram a vasta maioria.
O diretor J. A. Bayona e o roteirista Sergio G. Sánchez defenderam a escolha, argumentando que a nacionalidade da família não era relevante para a trama universal de sobrevivência e que eles queriam que o filme fosse o mais universal possível, onde "uma vez que a água chega, as nacionalidades desaparecem, as vidas sociais desaparecem, tudo". Ewan McGregor também abordou a controvérsia, destacando que o filme mostrava muitos tailandeses ajudando e salvando vidas, com enfermeiros e médicos tailandeses no hospital. Além disso, como mencionado, a própria María Belón aprovou a mudança e escolheu Naomi Watts para o papel.
Outra crítica, notada por alguns veículos, foi a impressão de que o filme focava nos "privilegiados" – uma família rica hospedada em um resort de luxo – e que a partida de um avião de seguradora de luxo, deixando para trás os mais miseráveis, podia ser "um tanto desconfortável". No entanto, muitos outros críticos reconheceram a intenção do filme de ser uma história íntima de uma família específica, sem diminuir a escala da tragédia geral, e que ele demonstrava a compaixão e a solidariedade humana que surgiram após o desastre.
Recepção e Legado do Filme
"O Impossível" recebeu avaliações majoritariamente positivas da crítica. No Rotten Tomatoes, o filme possui uma aprovação de 81% com base em 206 críticas, com um consenso que destaca a força da direção e das atuações, apesar de considerar o roteiro não tão poderoso quanto. No Metacritic, obteve uma pontuação média de 73 de 100, indicando "críticas geralmente favoráveis". Críticos como Roger Ebert deram ao filme uma avaliação perfeita, chamando-o de "um dos melhores filmes do ano" e elogiando as performances e a direção.
A produção foi elogiada por sua capacidade de recriar a devastação do tsunami com um realismo assustador, utilizando efeitos práticos e visuais de forma magistral. A manipulação emocional, embora notada por alguns como excessiva, foi geralmente vista como um reflexo genuíno da experiência da família Belón. Muitos sobreviventes do tsunami de 2004 também elogiaram a precisão do filme e sua ressonância emocional.
O legado de "O Impossível" reside em sua capacidade de contar uma história profundamente pessoal de sobrevivência em meio a uma catástrofe global, e em destacar a resiliência do espírito humano e a importância dos laços familiares. O filme também é notável por ter lançado a carreira internacional de Tom Holland, que se tornaria uma estrela global como o Homem-Aranha. Ele permanece como um dos dramas de catástrofe mais impactantes e discutidos da década de 2010.
Fontes Pesquisadas
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- https://cnnb.info/blogs/pop/o-impossivel-filme-que-revelou-tom-holland-e-baseado-em-historia-real/




























