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Em breve um acervo de revistas do século XX. (Saiba mais)
Temos 1274 convidados e nenhum membro online

Dentre 58% das mulheres que nunca apostaram, 12% são afetadas por parentes ou amigos que apostam. Somadas, mais da metade das mulheres no Brasil (54%) sente o efeito direto das bets, sendo apostadoras ou não.
A fundadora e diretora do estúdio Clarice, Beatriz Della Costa, explica que essa é a primeira pesquisa sobre o impacto das bets que traz a perspectiva não somente da apostadora, mas de quem é afetado por quem aposta.
Ela enfatiza que as experiências colocadas lado a lado conseguem dar uma visão mais completa da crise:
"O impacto das bets vai muito além da crise financeira e afeta as estruturas familiares. Essa análise mostra que é possível pensar não apenas na contenção da crise, mas na prevenção da mesma."
O levantamento inédito mostra também que as mulheres com filhos apostam cerca de 1,6 vez mais do que mulheres sem filhos (72% das apostadoras têm filhos).
No recorte racial, 45% das mulheres autodeclaradas pardas afirmaram que apostam ou já apostaram; 39% são brancas e 37%, mulheres pretas.
Um dos achados da pesquisa é sobre as diferenças de gênero dos apostadores: para o apostador homem, ter filhos atenua o julgamento. Já para a apostadora, é o contrário: com filhos, ela é mais culpada e mais questionada como provedora.
Para a cientista social Beatriz Della Costa, esse é um sintoma dos papéis sociais historicamente atribuídos a homens e mulheres.
"O homem é visto como alguém que está tentando sustentar a família – esse é um papel honrável que, em alguma medida, o redime. A mulher, por outro lado, sofre uma cobrança social muito maior enquanto gestora do lar: o papel fundamental atribuído a ela pela sociedade é o do cuidado, e por isso ela sofre um julgamento muito maior quando não cumpre a função designada."
Os relatos das apostadoras confirmam a dinâmica para jogar: elas apostam sozinhas e escondem o jogo dos parentes por vergonha.
O segredo gera culpa ao mesmo tempo em que coloca em risco as relações mais fundamentais. Entre as apostadoras, 30% delas costumam jogar mais à noite ou de madrugada do que em qualquer outro momento do dia, contra 20% homens.
Entre os entrevistados, 15% dos brasileiros acreditam que alguém que mora com eles faz apostas online, mas não conta a ninguém e faz dívidas escondidas.
A pesquisa revela que, para a mulher, a aposta nasce menos como lazer ou entretenimento e mais como uma estratégia de administração financeira e sobrevivência doméstica para cobrir despesas essenciais, por exemplo pagar boletos, comprar comida ou itens para os filhos.
A especialista em mulheres e poder explica que as apostadoras não estão correndo atrás de uma vida luxuosa.
"Elas querem viver com um pouco mais de dignidade: para além das necessidades imediatas, querem levar os filhos ao cinema, pedir um delivery e pagar o material escolar sem se preocupar com a conta de luz no final do mês."
As apostas online se infiltraram nos lares brasileiros com a fama de renda fácil. Segundo Della Costa, as plataformas atuam em duas frentes. Primeiramente, tentam seduzir pela promessa de vida digna - a conta paga, a mesa farta, o presente para os filhos. Ao mesmo tempo que as apostas se associam ao dever do cuidado, papel historicamente atribuído às mulheres.
"O desejo de cuidar da família e prover para os filhos é o mais explorado pelas [casas de] apostas."
Por lei, as apostas são proibidas para menores de 18 anos no Brasil. Mas, as apostas chegam a crianças e adolescentes por influência de fora de casa — amigos, escola, redes sociais — ou, em alguns casos, pelas próprias mães, para quem jogar junto pode ser vivido como companhia e vigilância.
Os dados da pesquisa identificaram que burlar a regra dos 18 anos passa, quase sempre, pelo uso do Cadastro de Pessoa Física (CPF) de um adulto da casa, com ou sem consentimento.
O jogo é encarado pela apostadora como estratégia de investimento. Em alguns casos, o envolvimento é tão intenso que a aposta passa a ser encarada como trabalho.
O estudo descobriu que as casas de apostas online conseguiram incutir a ideia de que existem macetes e estratégias para vencer jogos de azar, inclusive em cassinos online.
Essa ideia falsa influencia a percepção das apostadoras, pois 25% das mulheres (e cerca de 40% das apostadoras frequentes) acreditam que é preciso "habilidade ou expertise" para vencer as apostas. Por esse motivo, elas buscam se especializar.
A diretora do estúdio Clarice defende que, para desmistificar essa ilusão é preciso restringir a publicidade sobre as apostas online.
"Cursos, coaches e conteúdos com dicas e macetes precisam ser veementemente banidos. As restrições aos jogos de cassino online, que ainda são permeados pela ilusão da 'habilidade' e que concentram a maior parte das apostadoras, também devem ser consideradas", diz Della Costa.
Para 67% das entrevistadas, as apostas estão acabando com as famílias brasileiras (ante 59% dos homens).
Além da perda financeira, eles percebem que os jogos levam para dentro de casa brigas, agressões, mentiras e o adoecimento mental: 23% dos brasileiros presenciaram ou conhecem alguma situação em que as apostas contribuíram para casos de violência dentro das famílias.
Nas entrevistas, as mulheres impactadas por um familiar apostador são as que mais percebem a violência. Falam de comportamentos agressivos, xingamentos e perda de controle quando os companheiros perdem.
Outra parte diz ter filhos endividados com agiotas e a sensação de insegurança que passa a acompanhar a família. Entre os efeitos declarados pelas impactadas na própria vida ou na família:
Entre os impactados, 40% acreditam que as apostas online afetam a capacidade da pessoa viciada em relação a trabalhar ou gerar renda (36% entre as mulheres e 45% entre os homens).
Quando questionadas se alguma vez pegou dinheiro emprestado para fazer apostas online, 7% das mulheres apostadoras declaram ter pegado dinheiro emprestado com agiotas.
E 8% das mulheres impactadas declaram que elas próprias ou alguém próximo precisou fazer empréstimo com agiotas, como os filhos endividados, o que aumentou a sensação de insegurança nos lares das brasileiras.
Entre as apostadoras, cerca de metade (49%) jogam em cassinos online (como roleta, Tigrinho e caça-níquel) e 29% em jogos de sorte instantânea (crash games como Aviator ou raspadinhas), 26% em bets de futebol, com atrativos pelo resultado e ciclo imediatos de ganho ou perda.
O estudo identifica que as plataformas capturam o imaginário feminino por três meios:
A pesquisa apurou que 72% das mulheres acreditam que a publicidade das apostas contribui para que as pessoas apostem mais do que deveriam.
Entre as entrevistadas, 79% das mulheres afirmam que as redes sociais passaram a mostrar mais conteúdos de apostas depois de seu primeiro acesso às plataformas. Quem aposta com mais frequência percebe mais (82,2%) do que quem aposta raramente (73,2%).
A percepção das entrevistadas é de que quanto mais alta é a classe social, maior a percepção do aumento de conteúdo de apostas.
O Brasil tem forte apoio à proibição das apostas. As mulheres são as que mais cobram uma solução para o problema: 62% defendem a proibição dos jogos online no país ante 50% dos homens. A posição que se mantém majoritária independente do viés político.
"Isso sinaliza aos políticos que existe apetite na opinião pública por medidas de combate às bets", diz a coordenadora do estudo
A conclusão da pesquisa traz diretrizes em três eixos de combate às bets:
Na opinião dos entrevistados, 45% aprovam o bloqueio do Pix em apostas para quem recebe benefícios sociais e 32% teriam interesse em um canal anônimo de apoio. Esse índice sobe para 57% entre quem aposta com frequência.
Em relação à publicidade, 41% das mulheres concordam que as casas de apostas online podem continuar operando no Brasil, mas devem ser proibidas de fazer propaganda. Entre os homens, o percentual é maior (47%).
O relatório foi feito a partir de estudos qualitativos e quantitativos (para mensurar o tamanho do fenômeno em números nacionais) realizados em junho e agosto de 2026.
As entrevistas qualitativas ouviram 60 pessoas, sobretudo mulheres de 18 a 58 anos, das classes C, D e E, residentes em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco e Sergipe.
Na enquete quantitativa, foram ouvidos 2.008 homens e mulheres em todo o país, de acordo com a distribuição da população contada no Censo demográfico de 2022 e na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 2025, ambos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A suspensão preventiva da funcionalidade foi determinada pela Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), no último dia 12. A medida foi imposta para frear episódios de violência e de coação de menores de 18 anos de idade, como o que culminou com o suicídio de uma adolescente de 13 anos, moradora de Naviraí (MS), em 22 de julho.
Notícias relacionadas:
“Em cumprimento à determinação da ANPD, suspendemos os recursos de vídeo do Discord no Brasil”, assegurou a companhia em nota divulgada na tarde desta segunda-feira (17).
Hoje terminava o prazo que a agência regulamentadora estabeleceu para a companhia cumprir a determinação.
Segundo a empresa, a suspensão das transmissões ao vivo e de compartilhamentos de vídeos não afeta as comunicações por texto e áudio e outros recursos da plataforma. Além disso, a companhia afirma que está “dialogando” com representantes da ANPD em busca de uma solução que lhe permita restabelecer as transmissões de vídeo para os usuários brasileiros.
“O vídeo é uma parte importante e muito valorizada da experiência no Discord, permitindo que nossos usuários se comuniquem e criem conexões significativas ao compartilhar experiências, jogar juntos e manter contato com amigos e familiares”, acrescentou o Discord.
A empresa classificou a morte da adolescente de Naviraí como “um caso devastador”, resultado de uma “situação muito séria”, uma “campanha coordenada de violência extrema conduzida em múltiplas plataformas” digitais.
Conforme a Agência Brasil noticiou, a ANPD determinou que a plataforma suspendesse preventivamente as transmissões ao vivo e os compartilhamentos de vídeos no Brasil após a Superintendência de Fiscalização identificar falhas na proteção aos usuários, principalmente de crianças e adolescentes.
“A medida cautelar de suspensão da funcionalidade de lives foi determinada pela Superintendência de Fiscalização em função de evidências robustas de que a empresa não adotou medidas razoáveis para prevenir e mitigar riscos de acesso, exposição, recomendação ou facilitação de contato com conteúdos ou práticas que representem graves violações de direitos de crianças e adolescentes no âmbito do seu serviço”, detalhou a agência reguladora responsável por zelar pela devida proteção de dados pessoais e pela aplicação do do Estatuto Digital da Criança do Adolescente (ECA Digital).

Foram fiscalizadas 1.042 empresas e 43.806 empregados. Nesse período, 4.566 trabalhadores tiveram seus contratos formalizados no curso do ato fiscal, enquanto 7.731 casos de trabalho análogo ao de escravo foram identificados.
O trabalho escravo é um dos temas principais do seminário Entre a Norma e o Real: Desafios e Perspectivas do Mundo do Trabalho, que ocorre nos próximos dias 20 e 21, na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em Belo Horizonte.
O evento é promovido pela Delegacia Sindical de Minas Gerais do Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais do Trabalho (DS-MG/SINAIT), em parceria com a Clínica de Trabalho Escravo e Tráfico de Pessoas da Faculdade de Direito da UFMG (CTETP/UFMG).
O diretor da Delegacia Sindical de Minas Gerais do SINAIT, auditor-fiscal do trabalho Rogério Lopes da Costa Reis contou à Agência Brasil que as empresas fiscalizadas têm prazo administrativo de dez dias para defesa, após o conhecimento do auto de infração, e mais dez dias para apresentar recurso, se a decisão for julgada procedente.
No final, ficando caracterizado o trabalho escravo, o nome da empresa passa a figurar, pelo prazo de dois anos, na listagem de empregadores que submeteram trabalhadores a trabalho escravo. E pagam multas também.
As multas são administrativas, representadas pelos próprios autos de infração lavrados. Esses autos incluem não só autuações referentes à irregularidade de ter trabalhadores na informalidade, que é a autuação por falta de registro, mas também a autuação por questões da segurança e saúde, como não entrega de equipamentos de proteção individual (EPIs), não fornecimento de banheiro, não fornecimento de água, dependendo de cada caso, disse Costa Reis.
Segundo o diretor, às vezes as empresas fazem um termo de ajustamento de conduta, na própria ação, com o Ministério Público do Trabalho (MPT), que também pode definir valores a serem quitados como dano moral individual ao trabalhador, bem como dano moral coletivo.
No caso de falta de registro, por exemplo, uma pequena empresa paga multa de R$ 800 para cada trabalhador sem registro. Esse valor sobe para R$ 3 mil por trabalhador sem registro, para uma empresa de maior porte.
Pela caracterização de trabalho escravo, porém, a multa é quase irrisória e não chega a R$ 500, disse o auditor-fiscal do Trabalho.
Costa Reis adverte, por outro lado, que a empresa autuada e julgada procedente pela caracterização de trabalho escravo sofrerá repercussões negativas da parte das instituições financeiras ao ter seu nome incluído na lista de trabalho escravo.
Para ele, o seminário vai aproximar a experiência da fiscalização do debate acadêmico e jurídico.
“A legislação estabelece direitos e parâmetros fundamentais para a proteção de quem trabalha, mas a realidade encontrada pelos auditores-fiscais muitas vezes revela situações de extrema vulnerabilidade e violações, demonstrando assim que parte da sociedade está longe de promover a dignidade no mundo do trabalho”.
Para Costa Reis, o evento vai aproximar fiscalização, universidade, operadores do Direito e a sociedade para discutir caminhos concretos de enfrentamento dessas violações.
De 2013 a 2026, os auditores-fiscais do Trabalho de Minas Gerais libertaram 3.676 pessoas vítimas de tráfico. O auditor Costa Reis esclareceu que as ações tentam sempre evitar que a exploração acabe caracterizando trabalho análogo ao de escravo, além de exploração sexual.
“Para ter o tráfico de pessoas, você tem que ter, pelo menos, uma oferta enganosa da coisa. Por exemplo, falam que você pode vir que vai receber tudo. Chega lá, é tudo diferente. O alojamento não é adequado, o contratante começa a cobrar, a pessoa começa a ter dívida. Aí caracteriza esse tráfico”.
Os auditores-fiscais enfrentam também resistência da parte de mulheres vítimas de tráfico sexual, que não querem ser caracterizadas como prostitutas.
A Auditoria Fiscal do Trabalho vem combatendo o trabalho escravo desde 1995, quando foram realizadas as primeiras ações, que eram centralizadas em Brasília.
“Os grupos especiais de trabalho, a análise, a fiscalização móvel eram todos gerenciados, planejados e executados pelo órgão central, na capital federal”.
Minas Gerais foi o primeiro estado do Brasil a ter uma equipe específica de combate ao trabalho análogo ao de escravo, o que ocorreu a partir de 2013. Costa Reis afirmou que, por isso, Minas Gerais sempre apresenta os maiores números frente aos demais estados brasileiros, “porque a gente tem uma grande experiência nesse período todo”.
A auditoria adquiriu procedimentos a serem usados nas operações, porque não se trata de uma fiscalização normal.
"Você tem que ir com proteção policial, porque nós já tivemos casos de colegas que foram assassinados em Unaí. Então, a gente sempre toma toda precaução para fazer essa fiscalização. Às vezes, há muita resistência da parte do empregador e, também, até do trabalhador pela caracterização de trabalho escravo”, explicou.
A Chacina de Unaí ocorreu em 28 de janeiro de 2004, quando três auditores-fiscais do trabalho e um motorista do Ministério do Trabalho foram assassinados em uma emboscada na zona rural de Unaí (MG) durante fiscalização de combate ao trabalho escravo.
Pela instrução normativa, os auditores-fiscais do Trabalho são obrigados a fazer a comunicação ao empregador de que tem que paralisar as atividades dos trabalhadores que estão na condição de trabalho análogo ao de escravo, fazer o acerto dos contratos de trabalho, se eles estiverem na informalidade, e efetuar o pagamento das rescisões contratuais, como se fosse demissão sem justa causa.
“Porque o trabalhador não tem culpa da situação em que ele foi encontrado. A culpa é toda do empregador e ele deve ser responsabilizado por isso. Na conversa com esses empregadores, eles sempre falam assim: 'Eu estou fazendo um grande favor por dar emprego para essas pessoas, que não têm condição boa'”.
Costa Reis argumenta que as pessoas têm de ter, no mínimo, o marco legal brasileiro de trabalho, que inclui o registro em carteira, a garantia de que a empresa vai fornecer os equipamentos para que o trabalhador realize suas tarefas.
“É isso que acontece ainda, não só no meio rural, mas também no meio urbano, como os casos de trabalho escravo doméstico. A pessoa não recebe nenhum salário e, muitas vezes, é impedida até de ter contato com a família”.

A ativista foi morta com 25 tiros (a maioria no rosto) quando estava no sofá de casa, na comunidade de Pitanga dos Palmares, na cidade de Simões Filho (BA).
“Acredito que, apesar dos desafios cotidianos, que existem em muitas comunidades quilombolas, a gente tem feito um bom trabalho ao preservar o legado dela”, afirma o neto, Wellington Pacífico, de 25 anos de idade, em entrevista à Agência Brasil.
Wellington estava na casa, com mais duas crianças da família, quando a avó foi assassinada. A morte de Bernadete foi a segunda grande perda do rapaz. O pai dele, o também ativista Flávio Pacífico, o Binho, de 36 anos, também foi assassinado no ano de 2017.
“São feridas que não foram reparadas. Para a nossa comunidade, é uma dor perder minha avó, perder meu pai e ainda por cima viver, conviver com a impunidade de não haver justiça.”
Ele recorda que a avó buscava justiça por Binho. “Apesar dessa injustiça, a gente se esforça para motivar as boas memórias, semear novas expectativas e ressignificar tudo o que aconteceu”.
Faz parte dessa ressignificação transformar o luto em luta. “Entendo que eu devo me qualificar cada dia mais para que eu possa ajudar de alguma forma as pessoas.”
Wellington, que está no Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos (PPDDH), resolveu ingressar no curso de direito em uma faculdade da Bahia, para lutar por justiça por sua família e pelas comunidades quilombolas no Estado.
“Tive minha família destruída, atravessada por tragédias, tendo que se reconstruir a cada dia. Essas vivências me fizeram ter outro olhar para o direito”, afirmou.
Ele conta que os acusados pela morte da avó estão presos. Dois dos acusados tiveram julgamento em abril. Arielson da Conceição dos Santos (o executor) foi condenado a mais de 40 anos de prisão e Marílio dos Santos, um dos envolvidos no planejamento do crime, recebeu pena de 29 anos e 9 meses.
Outros três acusados aguardam julgamento, que deve ocorrer em outubro, segundo estimativa da família. O processo tramita em segredo, e o Tribunal de Justiça da Bahia não confirmou a data do julgamento.
“A gente espera que a justiça seja feita. Toda vez que falarmos da Mãe Bernadete, a gente tem que falar do Binho do Quilombo. Suspeitos foram presos e depois soltos. Eu diria até que há risco de vitimar outras lideranças.”
Wellington afirma que é necessário manter esses crimes sob visibilidade no País. “A gente aprende muito quando os holofotes se apagam.”
Ainda na intenção de manter o legado de Mãe Bernadete, a família deve promover um novo festival de cultura e arte quilombola. À frente da iniciativa, está o filho dela, Jurandir Pacífico. Ele diz que o legado da mãe e do irmão o inspira a trabalhar em projetos que mobilizem a própria comunidade e também outros quilombos.
Ele acrescenta que busca parcerias para os projetos a fim de que nada seja interrompido, como os festivais, os cursos de artesanato e a cozinha solidária. "Estamos buscando políticas públicas para as comunidades quilombolas”.
A ativista Selma Dealdina, da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq) conhecia de perto o trabalho de Mãe Bernadete. Ela estará nesta segunda na missa em homenagem à amiga. Emocionada, ela contextualiza que a brutalidade da morte de Bernadete deixa um recado dolorido.
“A gente espera mais do Estado Brasileiro na proteção dos defensores e defensoras de direitos humanos, das lideranças quilombolas que fazem a luta pela terra, que fazem a luta para salvaguardar os territórios.”
A Conaq emitiu nota em que exige a responsabilização dos acusados da morte de Bernadete, a segurança das lideranças quilombolas, além da resolução dos conflitos fundiários.
"A violência contra lideranças quilombolas não é um fenômeno isolado. Ela está diretamente relacionada aos conflitos territoriais, às ameaças, à presença de grupos criminosos e à insuficiência das políticas de proteção para defensoras e defensores de direitos humanos", lembra a entidade.
“Lembramos a mulher que cuidava, liderava, ensinava, acolhia e enfrentava as injustiças. carregava a força de sua ancestralidade.”
A Conaq acrescenta que Bernadete fez de sua existência uma “trincheira” em defesa de seu povo e que, três anos depois do assassinato, a voz da ativista continua ecoando nos quilombos.
“Sua memória está nas mulheres quilombolas que seguem ocupando espaços de decisão, está nas comunidades que resistem às ameaças e lutam pelo direito de existir com dignidade.”
Pitanga dos Palmares é uma comunidade quilombola reconhecida pela Fundação Cultural Palmares desde 2005 e descende de uma fazenda-latifúndio falida. A titulação, que pode proteger as terras da especulação imobiliária, está a cargo do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). O processo aguarda a desapropriação de terras particulares e de terras do estado da Bahia.
A historiadora baiana Valdecir Nascimento, fundadora do Odara - Instituto da Mulher Negra, destaca que as mulheres negras, defensoras de direitos humanos, são vítimas do racismo, da violência doméstica e de outras violações. “As desigualdades no Brasil têm cor e gênero. Esse conjunto de violências nos deixa acuada na luta por garantia de direitos.”
O racismo, articulado com o sexismo, mantém as mulheres negras em uma condição de vulnerabilidade. Levantamento da Conaq mostrou que o assassinato de Bernadete não foi isolado. Pelo menos 22 mulheres foram mortas entre 2016 e 2024 e outras 33 foram ameaçadas apenas entre os anos de 2021 e 2023.
Somente 12,6% dos mais de 1 milhão de brasileiros quilombolas estão em territórios demarcados. “Precisamos estar seguros no nosso território”, diz Selma Dealdina.
Diante da situação, a Conaq apresentou um plano emergencial de proteção de mulheres quilombolas a fim de ser apresentado ao poder público. “Para que as pessoas não sintam medo de fazer a luta pela terra”, defendeu a ativista da Conaq.

A explosão ocorreu no sétimo andar do edifício número 71 da Rua Araújo Porto Alegre. O atentado de 19 de agosto de 1976 destruiu dois banheiros próximo à sala da presidência da entidade. Houve estragos em salas vizinhas, no elevador e em outros dois andares. Ninguém se feriu.
Uma das principais fontes de pesquisa para a publicação foi a edição de julho-agosto de 1976 do Boletim ABI, publicada logo após o atentado terrorista. A ABI traz detalhes também de documentos produzidos pelos órgãos de informação da ditadura militar.
Entre eles, um informe confidencial do Serviço Nacional de Informações (SNI), de setembro de 1976, disponibilizado pelo projeto Memórias Reveladas, do Arquivo Nacional.
De acordo com a ABI, o registro do SNI impressiona pelo grau de informação de que dispunham os órgãos de segurança sobre acontecimentos, reuniões e movimentações da entidade.
“Esse registro ajuda, assim, a dimensionar o aparato de vigilância política que atuava naquele período”, afirma a associação.
A publicação, editada pelo conselheiro da associação Geraldo Cantarino, traz fotografias de como ficaram as áreas atingidas do prédio de 13 andares, inaugurado em 1938, considerado referência da arquitetura moderna brasileira. Até hoje o endereço é sede da ABI.
O grupo paramilitar de extrema-direita Aliança Anticomunista Brasileira (AAB) assumiu a autoria do atentado em um panfleto deixado no prédio após a explosão.
A organização acusava a ABI de estar “totalmente dominada pelos comunistas” e afirmava que a entidade havia sido escolhida para receber a “primeira advertência”.
“Ao defender a liberdade de imprensa, os direitos humanos e a livre manifestação do pensamento, tornou-se também alvo da intolerância de grupos radicais de extrema-direita, contrários aos incipientes movimentos de abertura política – a chamada ‘distensão’ do regime ditatorial”, explica o atual presidente da ABI, Octávio Costa.
À época, a ABI era presidida pelo jornalista Barbosa Lima Sobrinho. No corpo da instituição havia nomes como Alberto Dines, Maurício Azêdo, Marcelo Beraba e Odylo Costa Filho.
Para a ABI, o atentado de 50 anos atrás não deve ser visto isoladamente. Fazia parte de um cenário de violência e intimidação política “que buscava conter qualquer possibilidade de avanço das liberdades democráticas”.
Naquele mesmo dia, uma bomba atribuída à mesma organização clandestina foi colocada na sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), no Rio de Janeiro. O artefato não explodiu por causa de uma falha no mecanismo de detonação.
A publicação lançada neste sábado contextualiza que o país sofreu outros atentados que tinham o objetivo de impedir a distensão da ditadura militar. O general Ernesto Geisel, que tinha assumido a Presidência em 1974, defendia uma abertura “lenta, gradual e segura”.
No dia seguinte, 20 de agosto, duas bombas do tipo coquetel molotov foram jogadas de madrugada na 1ª Auditoria da 3ª Circunscrição Militar de Porto Alegre, provocando princípio de incêndio.
Cerca de duas semanas depois, em 4 de setembro de 1976, uma bomba de fabricação caseira explodiu de madrugada no Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), em São Paulo.
O Jornal do Brasil, um dos periódicos mais importantes da época, informou que, entre agosto e novembro de 1976, aconteceram nove atentados terroristas no Rio de Janeiro, oito deles assumidos pela AAB. “Apesar disso, o aparato de inteligência e repressão nunca chegou aos autores dos atentados”, acrescenta a ABI.
No dia 19, às 17h, a ABI fará um ato no sétimo andar o prédio-sede para lembrar os 50 anos do atentado. Também será colocada uma placa com frase de repúdio ao terrorismo e de valorização da democracia.
“A Casa do Jornalista permanecerá vigilante diante de qualquer ameaça ao Estado Democrático de Direito”, conclui Octávio Costa.
O Parque Eurípedes Ferreira Lins, em Manaus, já está de portas abertas para a 48ª edição da ExpoAgro. 

O evento segue até o dia 23 de agosto, reunindo atividades técnicas, competições agropecuárias e equestres, exposições, ações de qualificação, programação infantil e apresentações culturais. A expectativa é que cerca de 230 mil visitantes circulem pela feira agropecuária durante os oito dias de programação, que conta com 600 expositores com perspectiva de gerar 260 milhões de reais em negócios.
A programação técnica começa nesta segunda-feira e vai até o próximo sábado. Os conteúdos incluem defesa sanitária vegetal e animal, boas práticas de manejo, agricultura familiar, associativismo e cooperativismo, piscicultura, aquariofilia, pesca esportiva, além de painéis, palestras, treinamentos sobre o plantio da mandioca, tucumã e cupuaçu e sobre o setor de meliponicultura, solo, compostagem e biofertilizantes.
No campo dos negócios, empreendedorismo e meio ambiente, terão momentos voltados para o crédito rural, agroindústria, Selo Arte, Reserva Legal, recuperação de áreas degradadas, bioeconomia, entre outros temas.
A ExpoAgro também terá a 3ª Corrida da Expoagro, rodeio, leilões, espaços gastronômicos, concurso de raças, torneiro leiteiro, exposição de animais, máquinas e tecnologias voltadas ao campo.
Os shows musicais acontecem sempre no período noturno com nomes como Klessinha, Humberto & Ronaldo, Tarcísio do Acordeon e Raí Saia Rodada.
1:53Para marcar o Dia Nacional do Patrimônio Cultural e a abertura da 19ª Semana Estadual do Patrimônio Cultural, celebrados nesta segunda-feira (17), Pernambuco vai ganhar dez novos patrimônios vivos da cultura popular do estado.

Estão sendo homenageados mestres, mestras, detentores do saber e grupos de diferentes tradições culturais, após deliberação do Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural.
Entre eles: o Barracão Mãe Nadja e o Maracatu Cruzeiro do Forte, em Recife; o Grêmio Recreativo Escola de Samba Preto Velho, de Olinda; a Família Vitalino, de Caruaru; e o Mestre João Paulo, de Nazaré da Mata.
Com os novos reconhecimentos, Pernambuco chega agora a 125 guardiões da cultura popular. Que são aqueles que disseminam e fazem a manutenção de várias manifestações culturais e religiosas da cultura ancestral de Pernambuco, nos mais diferentes segmentos.
A família Vitalino, por exemplo, é responsável por manter vivo o legado de Mestre Vitalino, um dos maiores símbolos da cultura popular brasileira, de transformar o barro em arte, na região do Alto do Moura.
Desde a primeira edição do concurso, no ano de 2005, a Política Pública de Patrimônio Vivo tem a premissa de valorização da pessoa e dos grupos e comunidades como promotores da transmissão dos saberes tradicionais.
Os guardiões da cultura popular recebem uma bolsa ou pensão de incentivo mensal; e, em contrapartida, promovem oficinas e o repasse de suas artes e técnicas aos jovens.
1:42
O programa Viva Maria desta segunda-feira, 17, segue em ritmo de celebração pelos seus 45 anos, com o projeto “Viva Maria na Academia”. Lançado em março deste ano, o projeto já identificou cerca de 30 trabalhos acadêmicos que têm o programa como objeto de pesquisa e analisam sua trajetória e contribuição para a comunicação pública e para a luta pelos direitos das mulheres.
A convidada desta edição é a jornalista paraense Gabriela Sobral Marques Feitosa, autora do trabalho “Viva Maria: uma voz em prol das mulheres no rádio”, defendido em 2012, no Instituto de Educação Superior de Brasília, o IESB.
Gabriela conta que seu interesse pelo programa surgiu depois de assistir, na TV Brasil, a uma reportagem do Caminhos da Reportagem sobre a trajetória de Mara Régia e sua atuação na Rádio Nacional da Amazônia. Paraense e amazônida, a pesquisadora se identificou com a relação construída pelo programa com as mulheres da região e com a capacidade do rádio de levar informação e cidadania.
Para desenvolver a pesquisa, Gabriela consultou arquivos dos jornais Correio Braziliense e Jornal de Brasília, além de bibliografia sobre mobilização social, comunicação popular e educomunicação. A partir da análise de conteúdo de diferentes edições do programa, ela investigou a contribuição do Viva Maria para a mobilização das mulheres e para a comunicação de interesse público.
O trabalho também aborda a relação do programa com o movimento de mulheres e destaca referências como o Centro Feminista de Estudos e Assessoria, o CFEMEA.
Na entrevista, Gabriela fala ainda sobre a importância de preservar, por meio da pesquisa acadêmica, a memória de um programa que há 45 anos articula informação, cidadania e defesa dos direitos das mulheres pelas ondas do rádio.
O Viva Maria também convida pesquisadores que tenham produzido artigos, trabalhos de conclusão de curso, dissertações ou teses sobre o programa a participar do projeto “Viva Maria na Academia”. Os interessados podem enviar informações sobre suas pesquisas para: [email protected].

Pela primeira vez Brasília tem uma Virada Cultural. Inspirada no sucesso que o evento já tem em São Paulo, o Sesc-DF trouxe para a capital federal uma grande celebração da cultura, da arte e da diversidade, com 36 horas ininterruptas de programação gratuita.
O evento começou na manhã deste sábado (15) e só vai terminar às oito da noite deste domingo. O Setor Comercial Sul virou o grande palco de arte e de cultura de Brasília neste fim de semana.
A programação reúne música, festas, arte urbana, humor, performances, economia criativa e diferentes manifestações culturais. São nove palcos espalhados pela região, além de atividades no Teatro Sesc Silvio Barbato.
Mais do que um grande festival, agora a capital federal também passa a escrever a própria história com uma Virada Cultural, valorizando a produção local e conectando a cena brasiliense a grandes nomes da cultura nacional.
A Virada tem a participação de festas e coletivos consagrados do Distrito Federal como Sarau Secreto, Play, Boogie, Balada em Tempos de Crise, Vapor, Crema, Balansoul, Makossa, Pequila, Baile da Cabra, Choro no Eixo, Samba da Passarinha, Buraco do Tatu e o Samba da Tia Zélia.
A ideia é que a população ocupe o centro da cidade com cultura, diversidade e participação popular.

1:33
As histórias de quem viveu e ainda vive o futebol de várzea de perto são contadas numa série de vídeos realizados pelo Museu da Pessoa. A coleção digital foi lançada no Museu do Futebol, em São Paulo, e reúne relatos de 17 personagens.

Um dos curadores do projeto, o jornalista esportivo José Trajano, fala sobre a diversidade presente no universo da várzea.
“Tem pioneiros, tem mulheres que jogam, mulheres que são treinadoras, tem um grande artilheiro que vai completar 1.000 gols, tem muita história interessante nessas seis histórias [...] O futebol de várzea tem muita resistência, tem resiliência, consegue sobreviver mesmo diante de tantas mudanças.”
Entre as mudanças está a perda de espaço diante da especulação imobiliária. Um caso recente é do Grêmio Esportivo Cruz da Esperança, no Campo de Marte, que abrigava o futebol de várzea desde a década de 1960 e que foi demolido pela prefeitura para a construção de um parque. Trajano comenta a dificuldade enfrentada pelo esporte amador com o corte dos gramados.
“Ali se reuniam e jogavam várias equipes de futebol de várzea. O que vai sobrar para elas é um espaço muito pequeno, com dinheiro cobrado. A organização diz que um dia fará vários campos de futebol para que futebol seja praticado por essas equipes e outras equipes com gramado sintético, o que perde totalmente a história. Querem transformar o futebol de várzea numa coisa dos novos tempos, que não tem nada a ver com o futebol de várzea raiz”.
Outra equipe que jogava no Complexo do Campo de Marte é o Clube Aliança da Casa Verde, que havia se tornado uma referência para o futebol de várzea feminino. Soraia Marques Trindade nunca pisou em campo como jogadora, mas tem mais de 20 anos de história entre os clubes Aliança e Bola Preta, e é uma das pessoas que deixaram seu relato no Museu da Pessoa. No depoimento em vídeo disponível no site do museu, ela conta que espera maior reconhecimento do futebol feminino.
"Eu gostaria que os governantes dessem mais atenção para o futebol feminino e que eu tivesse meu campo para eu continuar meu trabalho que eu fiz tantos anos da minha vida"
As histórias narradas no projeto, como a da Soraia, extrapolam o futebol em si: revelam a força da comunidade, as formas de se organizar e de resistir às transformações da cidade, e como a várzea constitui a identidade de quem está envolvido, não apenas de jogadores.
O futebol de várzea de São Paulo surgiu em campos improvisados às margens dos rios e córregos da cidade ao longo do século 20 e é parte inseparável da cultura popular paulistana.
A coleção digital “Memórias do Futebol de Várzea” está disponível no site museudapessoa.org
"Tertuliano foi um dos Padres da Igreja que reforçou a fé em único Deus em Três Pessoas. Desta forma Ele disse que a Regra de Fé consistia em
..."Tertuliano foi um dos Padres da Igreja que reforçou a fé em único Deus em Três Pessoas. Desta forma Ele disse que a Regra de Fé consistia em crer que há um só Deus, que é o Criador do mundo. Ele criou todas as coisas do nada por meio da mediação do seu Verbo, gerado antes de todas as coisas. Este Verbo é chamado seu Filho."
Dom Mário Spaki, bispo de Paranavaí, comenta o Evangelho de Mateus 19,23-30
"O cinema é uma das novas formas de evangelização que devemos abraçar plenamente", afirma o cineasta da Costa do Marfim Jean- Charles Agnikoi
..."O cinema é uma das novas formas de evangelização que devemos abraçar plenamente", afirma o cineasta da Costa do Marfim Jean- Charles Agnikoi Bitty. Ele procura transformar o cinema num "autêntico instrumento pastoral — capaz de tocar corações e chegar ao maior número de pessoas, sejam elas cristã ou não" — e apoiar a Igreja Católica africana na sua missão de evangelização.
Quem circula pelo centro do Rio de Janeiro, perto da região do Campo de Santana, pode observar um prédio centenário da cidade em completo estado de abandono. Uma situação que vem preocupando quem mora e frequenta a área todos os dias. 

Interditado pela Defesa Civil desde 2008, o Palacete Imperial, localizado na esquina da Praça da República com a Rua Visconde do Rio Branco, abrigou diversas instituições desde a sua fundação em 1862. E testemunhou eventos importantes para a história do país, como a Proclamação da República, em 1889.
Porém, em 2026, o prédio acumula denúncias de depredação e ocupação irregular, além de problemas graves relacionados à estrutura. Moradores da área contam que o prédio está ocupado por pessoas em situação de rua, e que, apesar de promessas de revitalização, nenhum dos projetos foi finalizado.
O Palacete Imperial está sob propriedade da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) desde 1978, e já foi sede da Escola de Comunicação e do Instituto de Eletrotécnica. Mas desde 2012 a edificação, patrimônio tombado da cidade, passou a ser responsabilidade do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Obras - O objetivo era instalar no prédio o Centro Nacional de Arqueologia (CNA), porém as negociações não avançaram. Em nota, o Iphan informou que realizou obras emergenciais no Palacete Imperial, e que cumpriu todas as intervenções que cabiam a instituição no acordo com a UFRJ, incluindo a limpeza da edificação.
“O Iphan esclarece que a finalidade prevista para o imóvel era exclusivamente a instalação do Centro Nacional de Arqueologia (CNA). No entanto, diante da atual estrutura organizacional da autarquia e da implantação do CNA na sede do Instituto, em Brasília, o edifício deixou de atender à finalidade originalmente estabelecida”, informou a nota.
O Iphan também esclareceu que entrou com um pedido para encerrar o contrato de responsabilidade com a UFRJ, e o processo segue em tramitação.
Defesa Civil - Em resposta, o Centro de Operações Rio informou que a estrutura segue interditada pela Defesa Civil por risco de desabamento, que foram realizadas cerca de dez vistorias no local desde 2008, e que tanto o Iphan quanto à UFRJ foram notificados acerca dos problemas estruturais.
Além disso, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Licenciamento também emitiu vários atos de fiscalização para a tomada de providências.
Procurada pela a Agência Brasil para prestar esclarecimentos, a Universidade Federal do Rio de Janeiro não se manifestou até a publicação desta matéria.
*Estagiária sob responsabilidade da jornalista Mariana Tokarnia.

O Encceja é um exame gratuito, destinado a jovens e adultos que não concluíram os estudos na idade apropriada para cada nível de ensino. Os resultados do exame podem ser utilizados nos processos de certificação de conclusão do ensino fundamental e do ensino médio.
Pela manhã, os portões abrem às 8h e fecham às 8h45, no horário de Brasília. As provas começam às 9h e terminam às 13h.
Já na parte da tarde, os portões serão abertos às 14h30 e fechados às 15h15. A aplicação se inicia às 15h30 e vai até as 20h30.
Para o ensino fundamental, haverá quatro provas objetivas que avaliarão conhecimentos em: ciências, matemática, língua portuguesa, língua estrangeira moderna, artes, educação física e redação, redação, inglês, espanhol, artes e educação física, história, geografia, filosofia e sociologia.
Já o ensino médio cobrará temas de química, física e biologia, matemática, língua portuguesa com redação, inglês, espanhol, artes e educação física, história, geografia, filosofia e sociologia.
Começa ao meio-dia desta segunda-feira (17) o prazo de inscrição para o Vestibular 2027 da Universidade de São Paulo (USP). O processo seletivo receberá cadastros até 9 de outubro por meio da página oficial. A taxa cobrada para a participação é R$ 228.

O concurso manterá a oferta de 8.147 oportunidades em cursos de graduação, divididas entre diferentes perfis de concorrência. Serão 4.888 vagas para candidatos da modalidade Ampla Concorrência, 2.053 vagas para candidatos de escolas públicas e 1.206 vagas para candidatos autodeclarados pretos, pardos ou indígenas, egressos de escolas públicas.
A primeira etapa do vestibular, agendada para 1º de novembro, apresentará um novo formato. O caderno terá 80 questões de múltipla escolha, dez a menos do que nas edições anteriores, sem alteração na duração total de 5 horas.
Segundo a banca organizadora, a redução alinha-se a um modelo de avaliação mais interdisciplinar, focado na integração de conteúdos de diferentes disciplinas. A segunda etapa ocorrerá em 6 e 7 de dezembro.
Outra novidade é a inclusão de Fortaleza (CE) como polo de aplicação das provas, medida testada previamente durante os simulados organizados pela instituição. A expansão visa encurtar o trajeto de vestibulandos do Nordeste que tradicionalmente viajavam a São Paulo para prestar o exame, conforme explicou Gustavo Monaco, diretor-executivo da fundação.
Estudantes que demandam adaptações ou recursos de acessibilidade, como tempo estendido, provas em braile ou ampliadas, mobiliário adaptado e uso de próteses auditivas, devem formalizar o pedido no momento do cadastro, seguindo as diretrizes do Guia de Inclusão da instituição.
A organização alerta que beneficiados com gratuidade ou desconto na taxa não são inscritos de forma automática e precisam preencher o formulário do vestibular dentro do prazo.
A exigência também se aplica aos participantes dos simulados promovidos ao longo do ano. Além do canal eletrônico, haverá um ponto de atendimento presencial para inscrições na Feira USP e as Profissões, de 24 a 26 de setembro.
9 de outubro – Encerramento das inscrições
21 de outubro – Divulgação dos locais de prova da 1ª Fase
1º de novembro – Provas da 1ª Fase
23 de novembro – Divulgação dos convocados e dos locais da prova da 2ª Fase
6 e 7 de dezembro – Provas da 2ª Fase
8 a 11 de dezembro – Provas de Competências Específicas
26 de janeiro de 2027 – Divulgação da 1ª Chamada para matrícula
*Estagiário da Agência Brasil sob supervisão de Odair Braz Junior

A avaliação é da educadora Daniela Costa, consultora da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) para o Brasil.
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“Até um determinado momento, a gente pensava em inclusão digital. Agora, a gente acrescentou duas palavrinhas: tem que ser uma educação, uma inclusão digital significativa e crítica”.
Daniela Costa é coordenadora da pesquisa TIC Educação, desenvolvida pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), uma organização sem fins lucrativos.
“Não dá mais para pensar só em entregar as tecnologias nas escolas, a gente precisa pensar em objetivos, motivos, riscos, oportunidades, o que fazer com as tecnologias e como educar os alunos para um uso mais crítico”, defendeu.
A especialista participou do 4º Encontro de Educadores do Século XXI - Inteligência Artificial e o Futuro da Educação, realizado nesta sexta-feira (14), no Rio de Janeiro. O evento é organizado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).
Para abordar o tema, a consultora da Unesco apresentou dados que refletem avanços e preocupações sobre a relação entre estudantes com o ensino.
Pelo lado do avanço, ela mostrou que, na China, gravações de aulas de alta qualidade distribuídas a 100 milhões de estudantes rurais melhoraram os resultados deles em 32%. Além disso, diminuíram a desigualdade salarial entre populações urbanas e rurais em 38%.
Entre as preocupações, ela citou que a “simples proximidade” de um aparelho celular era capaz de distrair os estudantes e provocar um impacto negativo na aprendizagem em 14 países.
Para a professora, existe uma correlação negativa entre o excesso de uso de tecnologias digitais e a aprendizagem dos estudantes.
“Eu estou em aula, os meus alunos pegam o celular e pronto, acabou. Eles não têm mais atenção”.
Ela lembra que o Brasil tem Lei Federal 15.100, de janeiro de 2025, que proíbe uso de celular durante a aula, recreio ou intervalos.
Daniela apresentou dados do Cetic.br de que, no início de 2026, 51% das escolas afirmam que os estudantes não podem sequer levar o celular para a escola.
“Essas regras vão se tornando mais brandas de acordo com o nível de ensino”, complementa ela, apontando que no ensino médio, essa regra cai para 31% dos estabelecimentos.
“O celular tem que ficar em bolso, acessórios ou em locais da escola”, explica.
Daniela Costa chamou atenção também para o fato de que aplicativos de vídeo como YouTube e TikTok foram apontados por estudantes de ensino médio como o recurso digital mais utilizado para fazer pesquisas para trabalhos escolares.
O levantamento mostra que esses vídeos são utilizados por 89% dos alunos.
“A gente passa de uma pesquisa usando a linguagem verbal para uma pesquisa visual. É assistir um vídeo para se informar”, constata.
A segunda forma mais comum de pesquisa são sites de buscas, como o Google, utilizado por 88% dos estudantes.
Na sequência figuram sites como blogs e Wikipédia (72%) e plataformas de IA (70%). Livros digitais são a quinta forma mais comum (65%).
Ela assinala que apenas um terço dos estudantes brasileiros afirmam terem sido orientados sobre erros das IAs.
A educadora acrescentou que dados revelam que os professores são referências para os alunos em como utilizar as tecnologias digitais.
De 2022 para 2024, o percentual de estudantes que declararam se informar sobre o uso com os professores passou de 44% para 56%.
No entanto, ela destacou a queda na proporção de professores que informaram terem passado por formação continuada sobre tecnologias digitais nos processos de ensino e aprendizagem.
Em 2021, 65% dos docentes declararam participação. Em 2024, eram 54%. “Esse número é baixo. Essa proporção representa metade dos professores”, lamenta.
“É como se, durante a pandemia, precisávamos falar sobre isso. Depois, não precisamos mais”, criticou.
Para a consultora da Unesco, é importante que a sociedade “se comprometa com esse ator que é o professor, o educador”.
“Não existe uma sociedade sem escolas, não existe uma sociedade sem professores, não existe educação e desenvolvimento integral dos estudantes sem esses elementos”, defende.

A publicação dos resultados ocorre exclusivamente pelo Sistema Enade. Para acessá-los, é preciso ter a senha da plataforma Gov.br.
A aplicação da prova do Enade ocorrerá em 29 de novembro, em todos os estados e no Distrito Federal.
O exame terá duração total de quatro horas e será composto por duas partes. A primeira trata da formação geral e terá 15 questões de múltipla escolha.
A outra será específica de cada uma das 18 áreas avaliadas em cursos de bacharelado e tecnologia, entre elas: arquitetura e urbanismo, várias engenharias, ciências da computação e química.
A parte de componente específico de cada área de avaliação terá 30 questões de múltipla escolha e uma discursiva.
Esses dados contribuem para subsidiar os processos de avaliação de cursos de graduação e das instituições de educação superior (IES) e para compreender os resultados dos concluintes das graduações analisadas no Enade 2026.
Os candidatos também devem responder ao Questionário do Estudante. As informações servem para caracterizar o perfil dos participantes e o contexto de sua formação de nível superior.
O Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) avalia o rendimento dos estudantes ao fim dos cursos de graduação com o objetivo de verificar a aprendizagem dos conteúdos previstos nas diretrizes curriculares do curso, além do desenvolvimento de competências e habilidades necessárias à formação geral e profissional.
Os resultados do Enade e as respostas dos candidatos ao Questionário do Estudante são utilizados na composição dos Indicadores de Qualidade da Educação Superior dos cursos e das instituições de ensino.

A lista dos pré-selecionados neste processo seletivo está disponível no Portal Único de Acesso ao Ensino Superior, na parte do Prouni.
A documentação comprobatória exigida para esta fase do Prouni está descrita no edital do processo seletivo - informações socioeconômicas pessoais e dos componentes do grupo familiar do estudante.
A faculdade privada onde o candidato foi pré-selecionado poderá escolher se a documentação poderá ser entregue presencialmente ou online.
Nesse caso, a instituição deverá disponibilizar em suas páginas eletrônicas na internet campo específico para o encaminhamento do material.
No momento em que receber os documentos dos candidatos à bolsa, a instituição deverá emitir um documento que confirme a entrega.
A instituição ainda poderá solicitar documentos complementares, quando necessário.
Os candidatos que, até o momento, não foram pré-selecionados em nenhuma das duas chamadas do Prouni do segundo semestre terão nova oportunidade por meio da lista de espera.
Para participar dessa etapa, será necessário manifestar interesse nos dias 26 e 27 de agosto.
A divulgação do resultado da lista de espera será no dia 1° de setembro e a comprovação das informações de inscrição dos pré-selecionados deverá ser feita entre 1° e 14 de setembro.
Neste segundo semestre, o programa federal oferece 471.304 bolsas de estudos parciais e integrais em 380 cursos de graduação de 879 instituições privadas de ensino superior.
Do total de bolsas ofertadas, 219.725 foram integrais e 251.579 parciais (50% do valor do curso).
O programa reserva vagas a candidatos que atendem aos critérios da política de ações afirmativas do programa, incluindo pessoas com deficiência e candidatos autodeclarados indígenas, pretos ou pardos.
Para pessoas com deficiência, foram ofertadas 35.365 bolsas; para pretos, pardos e indígenas, 188.880; e, para a ampla concorrência, as demais 247.059 bolsas de estudo.
- comprovação de informações da inscrição dos pré-selecionados na 2ª chamada: 5 a 14 de agosto;
- lista de espera: 26 e 27 de agosto;
- resultado da lista de espera: 1º de setembro;
- comprovação das informações da inscrição dos pré-selecionados em lista de espera: 1º a 14 de setembro.
O Programa Universidade para Todos tem como público-alvo o estudante brasileiro sem diploma de curso superior.
Os processos seletivos ocorrem duas vezes ao ano, com oportunidades para ingresso no primeiro e no segundo semestre letivos.
A classificação para a seleção do Prouni considera as notas obtidas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para a classificação dos candidatos.
Mais informações sobre as regras do processo seletivo Prouni do segundo semestre deste ano estão no edital público do MEC nº 51/2026.

Gordon foi embaixador dos Estados Unidos no Brasil entre 1961 e 1966 e teria participado do planejamento do golpe de Estado ocorrido em 1964, que depôs o presidente brasileiro João Goulart e impôs ao país uma ditadura militar que durou 20 anos (1964-1985).
A “Operação Brother Sam” consistiu no envio de uma força-tarefa naval com destino ao litoral brasileiro em apoio ao levante dos quartéis que derrubou o presidente João Goulart com um golpe de Estado. Com a vitória rápida dos golpistas, a força-tarefa não chegou a entrar em ação em águas territoriais brasileiras.

A nova regra está na resolução nº 2/2026 da Comissão Nacional de Residência Multiprofissional em Saúde, em conjunto com a Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação (MEC). A medida foi publicada no Diário Oficial da União desta quarta-feira (12) e começará a valer em 30 dias.
De acordo com o texto, a iniciativa tem o objetivo de garantir o desenvolvimento integral das competências profissionais e a qualificação do atendimento prestado ao SUS, além de fortalecer o ensino integrado à assistência prestada nas unidades de saúde do país.
A norma também estabelece critérios para o recebimento cumulativo de bolsas de ensino, pesquisa e extensão ou auxílios de apoio financeiro. O MEC ressalta que a participação em cursos e projetos externos deve ser compatível com os objetivos do programa de residência.
A Comissão de Residência Multiprofissional (Coremu), órgão colegiado responsável pela coordenação, organização, supervisão e avaliação dos programas de residência, deverá autorizar previamente o aproveitamento acadêmico da participação do residente em ofertas educacionais, como parte da carga horária do Programa de Residência em Área Profissional da Saúde.
O aproveitamento fica limitado a 240 horas por ano de residência.
Os residentes continuam impedidos de acumular empregos ou atividades que inviabilizam a carga horária da residência e o recebimento dos benefícios não pode configurar vínculo empregatício ou exercício de atividade profissional.
Também não podem exercer atividades que entrem em conflito com a rotina e a prática assistencial do programa de residência.
Quem descumprir as regras pode sofrer sanções administrativas e perder os benefícios.

A documentação pode ser entregue presencialmente no local de oferta de curso ou encaminhada virtualmente para a instituição privada de ensino superior onde foi pré-selecionado, conforme orientação da própria instituição.
O Prouni oferece bolsas de estudo integrais (que custeiam 100% do valor da mensalidade) e bolsas parciais (50% do valor da mensalidade) em cursos de graduação e sequenciais de formação específica, em faculdades privadas.
A documentação comprobatória exigida para esta fase do Prouni está descrita no edital do processo seletivo. Entre elas, as informações socioeconômicas pessoais e dos componentes do grupo familiar do estudante.
A faculdade privada onde o candidato foi pré-selecionado poderá escolher se a documentação poderá ser entregue
Neste caso, a instituição deverá disponibilizar em suas páginas eletrônicas na internet campo específico para o encaminhamento do material.
No momento em que receber os documentos dos candidatos à bolsa, a instituição deverá emitir um documento que confirme a entrega.
A instituição ainda poderá solicitar documentos complementares, quando necessário.
Nova oportunidade de conquistar uma vaga
Os candidatos que, até o momento, não foram pré-selecionados em nenhuma das duas chamadas do Prouni do segundo semestre terão nova oportunidade por meio da lista de espera.
Para participar dessa etapa, será necessário manifestar interesse nos dias 26 e 27 de agosto.
A divulgação do resultado da lista de espera será no dia 1° de setembro e a comprovação das informações de inscrição dos pré-selecionados deverá ser feita entre 1° e 14 de setembro.
Neste segundo semestre, o programa federal oferece 471.304 bolsas de estudos parciais e integrais em 380 cursos de graduação de 879 instituições privadas de ensino superior.
Do total de bolsas ofertadas, 219.725 foram integrais e 251.579 parciais (50% do valor do curso).
O programa reserva vagas a candidatos que atendem aos critérios da política de ações afirmativas do programa, incluindo pessoas com deficiência e candidatos autodeclarados indígenas, pretos ou pardos.
Para pessoas com deficiência, foram ofertadas 35.365 bolsas; para pretos, pardos e indígenas 188.880; e, para a ampla concorrência, as demais 247.059 bolsas de estudo.
Confira o cronograma completo da segunda chamada do Prouni 2/2026:
-comprovação de informações da inscrição dos pré-selecionados na 2ª chamada: 5 a 14 de agosto;
-lista de espera: 26 e 27 de agosto;
-resultado da lista de espera: 1º de setembro;
-comprovação das informações da inscrição dos pré-selecionados em lista de espera: 1º a 14 de setembro.
O Programa Universidade para Todos tem como público-alvo o estudante brasileiro sem diploma de curso superior.
Os processos seletivos ocorrem duas vezes ao ano, com oportunidades para ingresso no primeiro e no segundo semestre letivos.
A classificação para a seleção do Prouni considera as notas obtidas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para a classificação dos candidatos.
Mais informações sobre as regras do processo seletivo Prouni do segundo semestre deste ano estão no edital público do MEC nº 51/2026.

Quando soube que a proposta do MP era desenvolver um quizz, jogo de perguntas e respostas, o ex-aluno da área de programação de jogos digitais da Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec) levantou a mão para discordar.
A ideia que ele deu foi “simples”, resume: as pessoas precisavam classificar, entre várias atribuições do poder público, qual era do MP-RJ, considerando as regiões do estado.
“É uma forma criativa de ensinar às pessoas o que é o Ministério Público e o que ele faz. As pessoas tinham um minuto e 40 segundos para fazerem sua melhor pontuação e ganharem o melhor brinde, que era um ecobag”.
Aluno do segundo período do curso de Sistemas de Informação da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), Arthur surpreende ao destacar que gosta da parte humana de sua formação.
“O curso é interessante, sobretudo pelo lado humano da coisa. Porque, quando você produz um jogo, normalmente ele visa ao lucro, mas também é preciso que a pessoa se divirta. Então, tem que conciliar a parte capitalista da coisa com a parte humana”.
Ele chegou a cursar Ciência da Computação no Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca do Rio de Janeiro (Cefet-RJ), mas mudou de área em busca desse equilíbrio maior entre ser humano e tecnologia.
“Foi a melhor decisão que eu poderia ter tomado”, disse ele, que agora está em sua primeira experiência profissional.
O jovem integrou o grupo de trabalho liderado pela procuradora de Justiça Elisa Fraga. Ela conta que Arthur trabalhou em conjunto com o Laboratório de Inovação do MP-RJ, que o ajudou no visual do jogo.
“Mas todo o sistema, como funciona, foi concebido por ele”, afirmou Elisa Fraga. “Ele tem 19 anos, chegou aqui querendo trabalhar com gamificação, mas nós não temos um setor específico desse assunto, e ele trabalha, então, com o pessoal de tecnologia da informação (TI), da Coordenadoria de Segurança e Inteligência”.
A procuradora afirmou que esperava que o jogo fosse agradar, mas não imaginava que seria o sucesso que foi no evento.
“Foi muito bom, surpreendente. Nós fizemos questão que ele [Arthur] estivesse lá, presente, e todo mundo o identificou como o idealizador do projeto; ele foi reconhecido por todos, pela equipe e pelo procurador-geral, como o autor. Foi uma forma de mostrar que os estagiários são capazes”.
“Eu disse para ele, lá no festival, que ele tinha que aproveitar aquela oportunidade, que aquilo ali era uma porta que estava se abrindo para ele. Um futuro muito grande”, comentou Elisa Fraga.
Ter o trabalho reconhecido pelo procurador-geral de Justiça, Antonio José Campos Moreira, foi algo que emocionou Arthur.
“Ele apertou minha mão e falou: Esse é o cara”, lembra. “Conseguir um elogio da entidade máxima do MP é muito difícil e extraordinário. E eu consegui. É importantíssimo, porque o MP precisava muito falar com o público jovem e conseguiu. É importante essa comunicação”.