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Parte III, Capítulo 01.
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   ALEXbotaotexto

  PARTE TRÊS

Não havia tristezas para Leonardo acostumado à vida nova. Não mais se importava em deixar a luzes acesas, em trocar a água da piscina a cada ordem de Sandrinha, ou nos altos gastos de supermercado. Há meses não perguntava, se poderia ajudar em algo, e por três vezes pegou dinheiro na escrivaninha do escritório onde Alex sempre deixava, sem dar motivo.

— “Mudou um pouco. — disse Alex ao telefone — Tenho fé nele... Sim, farei o que me aconselha”.

E terminada a ligação, chamou o amigo para conversar, teve que insistir para que tivesse a atenção de Léo naquele mesmo dia.

— O Tio decidiu por cortar grande parte do que me enviava mensalmente. — disse Alex enquanto sentava.

Na sala de frente a Alex, Léo permaneceu distante e em pé.

Alex continuou:

— Ele não vê proveito no que estou fazendo, e eu não posso questioná-lo. Afirmou que, se quero é escrever, não precisarei de muito, e que eu posso me arranjar com menos, nas palavras dele, ser mais humilde. Poderei até vir a aprender mais. Ele enfatizou que, se de fato eu busco responsabilidades; deveria conseguir um emprego e me sustentar. Tive que dar razão a ele.

— Quanto ele vai lhe enviar? — perguntou Léo sem qualquer constrangimento.

— O que lhe for de seu juízo.

— Eu não ajudei muito, eu confesso que acreditei estar com um milionário excêntrico e até me constrangia em oferecer minha humilde ajudar. Vamos ver com seu tio o quanto ele lhe envia, as compras nos fazemos... Não tem certeza do quanto ele irá enviar?

— Certeza só do fato de que não poderemos pagar esta casa.

— Uma menor, piscina? — perguntou Léo que se inquietava caminhando pela sala.

— O cortiço. Creio que seja uma boa opção.

— Eu não posso morar no cortiço! — exclamou Léo — Muitas coisas mudaram. Tenho novas obrigações.

— Desculpe- Léo, é tudo, sinto, mas é isso.

Alex seguiu ao quarto e deixou seu amigo se remoendo por suas preocupações; por Sandrinha.

Tudo o que tinham era um mês, Léo continuava frustrado, passou duas semanas antes de contar a sua namorada sobre o que chamou de catástrofe.

— O tio de Alex quer que ele volte, ele não quer. E o tio contrariado cortou toda a mesada! — inventava Léo.

A jovem ficou intrigada, e muito especulava, em procura pela solução do impasse.

— O Alex deve alugar um quarto até que eles façam as pazes. Não deve demorar muito. Eu volto para casa dos meus pais até que tudo se aquiete. — continuava Léo dando a cada afirmação o tom de desastre.

Dissimulado ele ia tentando convencer Sandrinha. E a garota fingia preocupar-se mais com a situação do que com que perda. 

Nada podendo ser feito, Léo acompanhou o amigo até o cortiço.

— A resposta amanhã? — ironizou o dono do cortiço. Demorou bastante este amanhã.

Neste clima Léo despediu de Alex. Por um instante Alex duvidou que tivesse alcançado mesmo um de seus objetivos. Ele balançou a cabeça como se quisesse esquecer o que acontecia, e tratou de montar seu computador para atualizar os fatos ocorridos. Escreveu e descreveu rapidamente, objetos coloridos, corpos suados, ou flores quase murchas. Tratou de dizer os fatos sem julgamento a espera de que, se um dia alguém se aventurasse a ler aquelas linhas, pudesse por si só fazer seus julgamentos e quem sabe, verdadeiramente compreender o que estava escrito. A realidade e fantasias misturavam-se, em meio a pautas e laudas. Uma história confusa que nunca negou ser. Fazia se letra a letra. Uma melodia sem harmonia que lhe trazia conforto na solidão que lhe invadia.

Irônico! Sair do isolamento para aprender a fazer amigos, fazê-los. Para quê? Para sofrer. E como sofria! Nunca sentira tão sozinho, como nas noites em que escrevia. E por isto saia a caminhar, esperando encontrar pessoa amiga a lhe prestar um favor. Dar lhe alguma palavra para que seus ouvidos pudessem ouvir. E quando ouvia corria para o quarto, para o computador, e descrevia uma longa história.

Não demoraria para ver-se como um louco. Mas ninguém o via. E assim seguia, um maluco em seus devaneios escritos. Sem censura, sem limites.

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