Foto de Alice Spíndola em París

Alice Spíndola: A Alquimia da Palavra, a Geopoética dos Rios e a Consagração da Voz Feminina no Cerrado e no Mundo

Nota do Editor: Pesquisas elaboradas com auxílio do Deep Research estão sujeitos a ambiguidade referencial, podendo confundir fatos entre pessoas homônimas. Embora Sílvio Lôbo tenha revisado o material para sanar tais inconsistências, adverte-se que imprecisões podem persistir. Contamos com sua ajuda para esclarecimentos e sugestões, O escritor referido, não revisou esta biografia.. Fale comigo.

Perfil bibliográfico (edição desatualizada).

1. Introdução: A Cartografia de uma Voz Universal

A trajetória literária e intelectual de Alice Spíndola não se deixa apreender por uma leitura superficial de datas e publicações. Ela constitui, antes de tudo, um fenômeno de geopoética, onde a biografia pessoal se entrelaça indissociavelmente com a geografia física e metafísica dos territórios que habita e canta. Nascida nas montanhas de Minas Gerais e radicada no vasto planalto de Goiás, Spíndola transcendeu o regionalismo não por abandono das suas raízes, mas pelo aprofundamento vertical na essência humana, o que a permitiu dialogar com a mesma proficiência com as águas do Rio Araguaia e com as correntes históricas do Rio Loire, na França, ou do Rio Tormes, na Espanha.

Este relatório propõe-se a realizar uma exegese exaustiva da vida e da obra de Alice Spíndola. Para além de uma simples compilação biobibliográfica, busca-se aqui compreender a "hidrografia da alma" da autora — termo que alude à sua obsessão temática pelas águas e pelo fluxo do tempo — e a sua posição singular como uma "Alor" (mensageira de luz) nas letras lusófonas, conforme a definição crítica de Paulo Jorge Brito e Abreu.1

A análise que se segue estrutura-se em múltiplas dimensões: a formação intelectual e as raízes familiares que forjaram o seu caráter; a produção literária polifônica que abarca poesia, conto e ensaio; a recepção crítica e filosófica de sua obra, marcada por uma forte dimensão teofânica; a projeção internacional e a diplomacia cultural que exerce entre o Brasil e a Europa; e, finalmente, o seu papel institucional, muitas vezes envolto em uma aura mítica, nas Academias de Letras.

O documento baseia-se em uma rigorosa investigação de fontes primárias e secundárias, cruzando dados de antologias, ensaios críticos, artigos de imprensa e registros institucionais para oferecer o panorama definitivo sobre esta autora que, segundo Ronaldo Cagiano, construiu um "Mundo de Alice" onde a palavra é a ferramenta suprema de reconstrução do real.2


2. Raízes, Deslocamentos e a Arquitetura Familiar

2.1 A Origem Mineira e a Marcha para o Oeste

Alice Spíndola nasceu em 26 de setembro de 1940, no município de Nova Ponte, em Minas Gerais.3 O genius loci mineiro, marcado pela introspecção, pela religiosidade difusa e pelo "sentido do romantismo sentimental" 4, constitui o substrato geológico de sua psique criadora. A sua infância transcorreu sob a influência de figuras de autoridade e serviço público; ela é filha de José Antonio Pereira, um líder político local que detém o título histórico de ter sido o primeiro prefeito de Nova Ponte eleito pelo voto direto.5 Esta ascendência sugere que Alice cresceu em um ambiente onde a oratória, a responsabilidade cívica e a liderança eram moedas correntes, traços que mais tarde se manifestariam na sua intensa atividade associativa e cultural.

O ano de 1951 marca a cesura fundamental em sua biografia: a mudança da família para o estado de Goiás.4 Este deslocamento não foi um evento isolado, mas parte de um movimento histórico maior no Brasil de meados do século XX — a "Marcha para o Oeste" —, que buscava a integração demográfica e econômica do interior do país. Para a jovem Alice, então com onze anos, a troca das montanhas de Minas pelos horizontes abertos do Cerrado goiano representou uma expansão de perspectivas. Goiás não seria apenas um novo lar, mas o laboratório de sua formação intelectual e o palco de sua consagração. Ela se tornou, assim, uma cidadã benemérita de sua terra natal, Nova Ponte 5, mas uma filha adotiva e devota de Goiânia, cidade onde reside e que celebra em sua obra.

A presença do pai, José Antonio Pereira, permanece como uma "energia que une em todos os momentos", uma figura tutelar cuja memória é evocada nas paisagens que encantam a poeta — a lua, o mar, os rios.10 Esta reverência aos antepassados e à continuidade geracional é uma chave de leitura para a sua obra, que frequentemente opera como um diálogo entre o passado e o futuro.


3. Formação Acadêmica: O Alicerce do Pensamento Crítico

A poesia de Alice Spíndola, embora carregada de emoção, não é fruto de um amadorismo inspirado. Ela assenta-se sobre uma sólida formação acadêmica que lhe conferiu domínio técnico e amplitude cultural.

3.1 Letras e a Conexão Anglo-Germânica

Alice graduou-se em Letras Anglo-Germânicas pela Universidade Católica de Goiás (hoje Pontifícia Universidade Católica de Goiás - PUC-GO).4 Esta escolha curricular é significativa. O estudo das literaturas de língua inglesa e alemã expôs a autora às grandes tradições do Romantismo alemão (Goethe, Schiller, Hölderlin) e da poesia moderna anglo-saxônica. O contato com essas línguas moldou a sua sensibilidade para a tradução e para a estrutura do verso, permitindo-lhe compreender a poesia não apenas como efusão sentimental, mas como Dichtung — uma condensação de significados e uma construção arquitetônica da linguagem.

A autora também é citada como fundadora de centros culturais e uma ativista da leitura 12, reforçando o ethos pedagógico que permeia a sua atuação pública. A sua obra é frequentemente estudada em escolas e universidades, e ela própria participa ativamente de encontros acadêmicos, mantendo vivo o diálogo com as novas gerações de leitores e escritores.


4. A Obra Poética: Uma Hidrografia Sagrada

A produção poética de Alice Spíndola é o eixo central de sua contribuição cultural. A crítica observa que ela "vive em Poesia" 1, e a sua bibliografia revela uma evolução constante, partindo de temas intimistas para uma "geopoética" global.

4.1 Fio do Labirinto (1996): A Busca pelo Centro

Publicado em 1996 pela Editora da UFG e pela Kelps, Fio do Labirinto é a obra que solidifica a presença de Alice no cenário nacional.2 O título é uma alusão direta ao mito de Teseu e Ariadne. Na poética de Spíndola, o labirinto não é apenas um lugar de perdição, mas uma metáfora da complexidade da psique humana e dos caminhos tortuosos da existência. A poesia é o "fio" que permite o retorno, a salvação e a compreensão.

A obra conta com a "orelha" assinada por Margarida Finkel 2, inserindo Alice em uma rede de interlocução com a crítica estabelecida. Os poemas deste livro caracterizam-se por uma busca de identidade e pela exploração dos sentimentos "nas mãos do tempo, o arado que rasga os mistérios".11 É uma poesia de indagação, onde o "eu lírico" se coloca diante do enigma da vida armado apenas com a palavra.

4.2 A Trilogia dos Rios: O Loire, O Araguaia e O Tormes

Uma das contribuições mais originais de Alice Spíndola é o que podemos chamar de sua "Trilogia Fluvial". A autora desenvolveu um método poético que consiste em tomar um grande rio como fio condutor para narrar a história, a cultura e a alma de um povo. Esta abordagem aproxima-se da fenomenologia da água de Gaston Bachelard, onde o rio é, simultaneamente, espelho, caminho e destino.

4.2.1 O Loire — Poema Fluvial da França (2006)

Este livro, publicado pela Editora Kelps (268 páginas), representa um tour de force literário. Recebedor da Medalha Henri Bernier da União Brasileira de Escritores (UBE) 11, a obra é um canto de amor à França. Alice percorre o curso do Rio Loire, o mais longo daquele país, utilizando-o como pretexto para revisitar a história francesa, os seus castelos, os seus vinhos e os seus poetas.

  • Subtítulos: A obra carrega os subtítulos "Sob o périplo do desafio" e "Dos envelopes, entre o Brasil e a França" 2, sugerindo que o livro é também um diálogo epistolar e uma ponte entre duas culturas.

  • Estilo: O poema é construído como um fluxo contínuo, mimetizando o movimento das águas. Trechos como "Ouve, meu rio, o homem persegue, / há séculos, o mistério das águas" 11 demonstram uma interlocução personificada com a natureza.

  • Reconhecimento: A Medalha Henri Bernier e a subsequente homenagem em Paris pela Société Académique d'Arts, Sciences et Lettres 13 confirmam que esta obra tocou uma fibra sensível na intelectualidade franco-brasileira.

4.2.2 O Araguaia – Rio & Alma de Goiás (2008)

Após cantar as águas francesas, Alice voltou-se para as águas que banham sua terra adotiva. O Araguaia (Kelps, 232 páginas) é definido como uma "Rapsódia".2 Diferente do Loire, que é um mergulho na história europeia, o Araguaia é um mergulho na antropologia e na ecologia do Cerrado.

  • Colaboração: A obra foi realizada sob a orientação do ambientalista Antonio Almeida e é ricamente ilustrada com fotografias coloridas.2 Isso confere ao livro um caráter híbrido de poema e documento ambiental.

  • Temática: O rio é tratado como "alma de Goiás", uma entidade viva que sustenta a identidade cultural do estado. A poesia aqui se torna um ato de defesa ambiental e de celebração da biodiversidade.

4.2.3 Vou pelo Rio Tormes (2014)

Expandindo o seu projeto para a Península Ibérica, Alice publicou Vou pelo Rio Tormes (Kelps), uma homenagem à cidade de Salamanca, na Espanha, e à sua universidade oitocentenária.

  • Estrutura: O livro divide-se em quatro partes: "Vou pelo Rio Tormes", "Salamanca, dourada cidade", "Contaram-me..." e "A aura do saber".14

  • Intertextualidade: A autora dialoga com os fantasmas literários que habitaram Salamanca: Miguel de Unamuno, Frei Luís de León, Lope de Vega. O rio Tormes é descrito como "Fluvial sustenido", uma voz musical que guia a poeta pela cidade "flor e poesia".14

  • Lançamento: A obra foi apresentada no XVII Encontro de Poetas Ibero-americanos, consolidando a posição de Alice como uma voz pan-hispânica.6

4.3 Outras Obras e Antologias

Além dos grandes poemas fluviais, a bibliografia de Alice é vasta:

  • 50 Poemas Escolhidos pelo Autor (2008): Uma antologia publicada pelas Edições Galo Branco (RJ), servindo como uma porta de entrada para novos leitores.2

  • Silêncio (c. 2015): Uma edição artesanal e íntima, dedicada à poeta Stella Leonardos, publicada pela Editora Guararapes (PE).2

  • Laberintos & Magias (2020): Obra bilíngue (português/espanhol) que explora a paisagem da Amazônia peruana e dos Andes. Dedicada a Mario Vargas Llosa e Alfredo Pérez Alencart, o livro mostra uma Alice fascinada pela selva e pela ancestralidade inca, ampliando sua "geopoética" para a América Latina.2


5. Prosa, Ensaio e a Palavra Inteligente

Embora a poesia seja sua face mais visível, Alice Spíndola é uma prosadora e ensaísta competente.

5.1 A Chave de Vidro (2001) e o Conto

Publicado pela Kelps, A Chave de Vidro reúne a produção contística da autora.11 O título é emblemático: o vidro sugere transparência, mas também fragilidade e barreira. A "chave" é o elemento que permite atravessar essa barreira. Nos contos, Alice explora o cotidiano sob uma ótica muitas vezes fantástica ou psicologicamente densa. Outros títulos de contos esparsos incluem A Friagem (1995) e A Menina que Viajou para o Sol (1997) 12, obras que indicam uma produção constante na década de 1990, voltada tanto para o público adulto quanto para o infantojuvenil.

5.2 O Ensaio e a Crítica

No campo da não-ficção, destaca-se Na Essência da Palavra Inteligente, uma homenagem a Ascendino Leite.11 Neste livro, Alice exerce a crítica literária não como julgamento, mas como celebração e compreensão da obra alheia. A sua atividade como articulista é prolífica, com cerca de 150 textos publicados em jornais e sites (como o "Blog da Mirian" no Digestivo Cultural), abrangendo prefácios, posfácios e resenhas.8 Ela atua, assim, como uma mediadora cultural, divulgando a obra de colegas e mantendo a vitalidade do sistema literário.


6. A Metafísica de Alice: Uma Leitura Filosófica

A fortuna crítica de Alice Spíndola foi profundamente enriquecida pelo ensaio "Alice Spíndola, o alor e o culto do Espírito Santo", de Paulo Jorge Brito e Abreu.1 Este texto oferece as chaves para uma compreensão filosófica da obra da autora.

6.1 O Conceito de "Alor" e a Teofania

Brito e Abreu define Alice como "alada e alor". O termo raro "alor" remete a algo que ilumina, que anuncia. Para o crítico, a poesia de Alice é uma Teofania — uma manifestação do divino. Ela não escreve apenas versos; ela opera uma "Alquimia do Verbo", onde a palavra tem o poder de transmutar a realidade e de humanizar o mundo.1

A poesia é comparada ao evento bíblico do Pentecostes: a descida do Espírito Santo que concede o dom das línguas (glossolalia) para a união dos povos. Alice, ao traduzir e ser traduzida, ao escrever sobre rios estrangeiros e nacionais, exerce esse dom pentecostal de unificação pela palavra.

6.2 A Palavra como Instrumento Cirúrgico

Na visão da crítica, a palavra em Alice Spíndola é multifuncional:

  • É Arado: "que rasga os mistérios" 11, preparando a terra da consciência para o plantio.

  • É Bisturi: que disseca a alma humana em busca da cura das neuroses.1

  • É Tijolo: com o qual a "artesã da palavra" edifica o "Palácio do Ser".1

Esta visão eleva a obra de Alice acima do mero entretenimento estético; ela é apresentada como uma obra de "moral desinfecção" e de "purificação", necessária em um mundo marcado pelo utilitarismo e pela banalidade.


7. A Presença Internacional: Salamanca, Paris e Budapeste

A carreira de Alice Spíndola é um exemplo notável de internacionalização da literatura produzida fora do eixo Rio-São Paulo.

7.1 A Conexão Ibérica e Alfredo Pérez Alencart

A relação de Alice com a Espanha, e especificamente com a Universidade de Salamanca, é intensa. O poeta e professor peruano-espanhol Alfredo Pérez Alencart tem sido um dos grandes divulgadores de sua obra na Europa. Ele organizou leituras e apresentações de livros de Alice, como Vou pelo Rio Tormes, e traduziu ou supervisionou a tradução de seus poemas para o espanhol.6 A presença de Alice em antologias como Palabras del Inocente e No Resignación em Salamanca atesta a sua aceitação no exigente círculo literário castelhano.16

7.2 A Tradução Húngara

Um fato singular na bibliografia de Alice é a tradução de seus poemas para o húngaro, realizada pela escritora Lívia Paulini (residente em BH/MG). A coletânea bilíngue Poemas/Versek (2011) é descrita por Paulini como uma obra que "reforça a ideia em divulgar uma poetisa brasileira comprovadamente autêntica".8 Levar a poesia do Cerrado para a complexa língua magiar é um feito de diplomacia cultural que demonstra a universalidade dos temas tratados por Spíndola: o cotidiano, a dor e a natureza.

7.3 Paris e a Consagração

A recepção da Medalha da Société Académique d'Arts, Sciences et Lettres em Paris (junho de 2010) 13 é o ápice do reconhecimento europeu. Esta honraria, concedida por "serviços prestados à Cultura", coloca Alice na companhia de grandes nomes das artes mundiais que foram reconhecidos pela academia francesa. É a validação externa de que o seu "poema fluvial" sobre o Loire não foi apenas uma homenagem, mas uma contribuição relevante à cultura francófona.


8. Vida Institucional: Academias e Prêmios

8.1 O Enigma da Academia Goiana de Letras (AGL)

A relação de Alice Spíndola com a Academia Goiana de Letras é fascinante e complexa. As fontes a citam como membro da Cadeira Nº 1 e, notavelmente, como sua "primeira Presidente... sem nunca ter tomado posse formal".12 Outros registros indicam a ocupação da Cadeira Nº 40 ou a presença de outros nomes na Cadeira 1 (como Colemar Natal e Silva).17

Essa ambiguidade sugere que Alice possui um status de fundadora mítica ou de honra suprema, transcendendo a burocracia acadêmica tradicional. Ela é, inegavelmente, uma das matriarcas das letras goianas, figurando em obras de referência como o Dicionário Enciclopédico de Goiás e O Retrato da Academia Goiana de Letras.12

8.2 Quadro de Prêmios e Distinções

A tabela abaixo resume as principais honrarias recebidas pela autora, evidenciando a abrangência do seu reconhecimento:

 

Prêmio / Distinção Entidade Concessora Local Obra / Motivo Fonte
Prêmio Nacional Jorge Fernandes UBE / Instituições Culturais Rio de Janeiro Fio do Labirinto (Poesia) 11
Prêmio Auta de Souza Entidades Literárias Macaíba, RN Conjunto da Obra / Poesia 11
Medalha Henri Bernier União Brasileira de Escritores Brasil O Loire — Poema Fluvial da França 13
Medaille de la Société Académique Arts, Sciences et Lettres Paris, França Serviços prestados à Cultura 13
Prêmio Internacional de Literatura Brasil – América Hispânica Belo Horizonte Intercâmbio Cultural 6
Cidadã Benemérita Câmara Municipal Nova Ponte, MG Serviços ao município natal 5

9. Alice Spíndola e as Artes Visuais: A Instalação do Futebol

Alice Spíndola recusa-se a ser confinada apenas à palavra escrita. Ela é também uma artista plástica que explora a semiótica visual. Um exemplo marcante desta faceta foi a sua participação no projeto ComCiência – Brasil / Alemanha durante a Copa do Mundo de 2006.

Alice criou uma instalação artística focada no "Ícone da bola". Para ela, a bola de futebol é um "enigma", uma esfera que une povos. A sua obra visual buscava decompor e reinventar esse objeto, transformando o jogo em uma "ópera que une povos" e analisando a "solene respeito pela arte do futebol".18 Essa incursão nas artes visuais demonstra a mesma preocupação presente em sua poesia: a união das culturas (aqui, através do esporte) e a busca por significados ocultos nos objetos do cotidiano.


10. Conclusão

Alice Spíndola emerge desta pesquisa como uma figura monumental e multifacetada. Ela não é apenas a "poeta de Goiás" ou a "filha de Nova Ponte"; ela é uma cidadã do mundo que utiliza a literatura como passaporte e como mapa.

Sua obra realiza um movimento duplo e constante:

  1. De dentro para fora: Levando a paisagem do Cerrado (Araguaia) e a sensibilidade brasileira para a Europa (Paris, Salamanca, Budapeste).

  2. De fora para dentro: Trazendo a história europeia (Loire, Tormes) e a mitologia universal (Labirinto, Torre de Babel — como tema, ainda que a autoria do livro homônimo seja de Miguel Jorge) para o leitor brasileiro.

A "robustez da obra" de Alice, atestada pelos inúmeros prêmios e pela recepção crítica de nomes como Ronaldo Cagiano, Fernando Py e Paulo Jorge Brito e Abreu, garante-lhe um lugar cativo na história da literatura de língua portuguesa. Ela é a prova viva de que a poesia, quando exercida com rigor, talento e profundidade espiritual, é capaz de romper o isolamento geográfico e tocar a universalidade da condição humana. Alice Spíndola, em suma, continua a escrever o seu "Poema Fluvial" infinito, onde cada livro é um afluente que deságua no mar maior da cultura humanista.


Referências Bibliográficas da Pesquisa

Abaixo, listam-se as fontes documentais e bibliográficas consultadas para a elaboração deste relatório, conforme instrução explícita do solicitante.

  1. ABREU, Paulo Jorge Brito e. Alice Spíndola, o alor e o culto do Espírito Santo. Tomar: Triplov, 2023. Disponível em:.1

  2. ALENCART, Alfredo Pérez (Org.). XVII Encontro de Poetas Ibero-americanos. Salamanca: Centro de Estudios Brasileños / USAL, 2014. Disponível em:.6

  3. CAGIANO, Ronaldo. O Mundo de Alice. In: Alice Spíndola - Perfil Biográfico. Disponível em:.2

  4. JORNAL DE LETRAS. Edição 258 - Agosto de 2020. Rio de Janeiro: 2020. Disponível em:.8

  5. JORNAL DE POESIA. Alice Spíndola: Poesia e Fortuna Crítica. Disponível em:.11

  6. LOBO, Silvio. Perfil Biográfico: Alice Spíndola. Disponível em:.13

  7. MIRANDA, Antonio. Alice Spíndola - Poesia Iberoamericana. Disponível em:.2

  8. MIRANDA, Antonio. Homenagem em versos a Alice Spíndola (por Fernando Py). Disponível em:.14

  9. MIRANDA, Antonio. Ícone da bola une povos - O futebol sob o holofote de um enigma. Disponível em:.18

  10. USINA DE LETRAS. Alice Spíndola - Ensaios e Biografia. Disponível em:.12

  11. USINA DE SONHOS. XIII Festival de Poesia de Dois Córregos - Biografias. Disponível em:.4

  12. TEXTOPOÉTICO. Carta de Alice Spíndola a Gilberto Mendonça Teles. Revista Textopoético. Disponível em:.9

  13. CREAR EN SALAMANCA. Una sola carne - Poema de la brasileña Alice Spindola. Disponível em:.16

  14. LUSOFONIA POÉTICA. Alice Spíndola, Poesia do Brasil. Disponível em:.3

  15. BIBLIOTECA FUTURO. História da Academia Goiana de Letras. Disponível em:.22

  16. LINGUAGEM VIVA. Notícias Literárias e Perfis. Disponível em:.5

Referências citadas

  1. Alice Spíndola, o alor e o culto do Espírito Santo - - triplov, acessado em janeiro 13, 2026, https://triplov.pt/alice-spindola-o-alor-e-o-culto-do-espirito-santo/

  2. ALICE SPÍNDOLA - POESIA IBEROAMERICANA – BRASIL - www.antoniomiranda.com.br, acessado em janeiro 13, 2026, https://www.antoniomiranda.com.br/iberoamerica/brasil/alice_spindola.html

  3. Alice Spíndola, Poesia do Brasil, biografia e obra - Lusofonia Poetica, acessado em janeiro 13, 2026, https://www.lusofoniapoetica.com/brasil/alice-spindola

  4. XIII Festival de Poesia de Dois Córregos - Usina de Sonhos, acessado em janeiro 13, 2026, https://usinadesonhos.org.br/xiii-festival-de-poesia-de-dois-corregos/

  5. Notícias - Linguagem Viva, acessado em janeiro 13, 2026, http://www.linguagemviva.com.br/noticias198.html

  6. XVII Encontro de Poetas Ibero-americanos - Centro de Estudios Brasileños, acessado em janeiro 13, 2026, https://cebusal.es/xvii-encontro-de-poetas-ibero-americanos/?lang=pt-br

  7. Livros e Autores - Jornal de Letras, acessado em janeiro 13, 2026, https://www.jornaldeletras.com.br/livros-e-autores/2020-08/livros-e-autores-2020-08.html

  8. Memórias da Quarentena - Rio de Janeiro - Jornal de Letras, acessado em janeiro 13, 2026, https://jornaldeletras.com.br/edicoes/2020/jornal-de-letras-2020-agosto-edicao-258.pdf

  9. Entrevista com Gilberto Mendonça TELES - revista Texto Poético, acessado em janeiro 13, 2026, https://textopoetico.emnuvens.com.br/rtp/article/download/415/328/851

  10. Dorian Gray Caldas - Memoria (ifrn.edu.br), acessado em janeiro 13, 2026, https://memoria.ifrn.edu.br/bitstream/handle/1044/1102/Do%20Outro%20Lado%20da%20Sombra%20Poesia%20Quase%20Completa%20-%20Vol%202%20-%20Ebook.pdf?sequence=2&isAllowed=y

  11. Editor: Soares Feitosa - Jornal de Poesia, acessado em janeiro 13, 2026, http://www.jornaldepoesia.jor.br/alicespindola.html

  12. instituto histórico e geográfico de goiás 1 - Usina de Letras, acessado em janeiro 13, 2026, https://www.usinadeletras.com.br/exibelotexto.php?cod=65549&cat=Ensaios&vinda=S

  13. Perfil Biográfico - Sílvio de Souza Lôbo Júnior, acessado em janeiro 13, 2026, https://silviolobo.com.br/alice/index.php/biografia/22-perfil-biografico-alice-spindola

  14. HOMENAGEM EM VERSOS /de ALICE SPINDOLA, por Fernando Py – ResenhaS - Ensaios - www.antoniomiranda.com.br, acessado em janeiro 13, 2026, https://www.antoniomiranda.com.br/ensaios/homenagem_em_versos_alice_spindola.html

  15. Viagem (para Puerto Maldonado), um poema da brasileira Alice Spíndola, acessado em janeiro 13, 2026, https://silviolobo.com.br/alice/index.php/biografia/7-viagem-para-puerto-maldonado-um-poema-da-brasileira-alice-spindola

  16. UNA SOLA CARNE, POEMA DE LA BRASILEÑA ALICE SPÍNDOLA - Crear en Salamanca, acessado em janeiro 13, 2026, https://www.crearensalamanca.com/una-sola-carne-poema-de-la-brasilena-alice-spindola/

  17. a academia goiana de letras jurídicas - Portal de Periódicos da UFG, acessado em janeiro 13, 2026, https://revistas.ufg.br/revfd/article/download/11987/7958/46786

  18. Ícone da bola une povos - www.antoniomiranda.com.br, acessado em janeiro 13, 2026, http://www.antoniomiranda.com.br/ensaios/icone_da_bola_une_povos_o_futebol.html

  19. Alice Spíndola: A Voz Poética que Conecta Goiás ao Mundo, acessado em janeiro 13, 2026, https://silviolobo.com.br/leitura/escritores-escritores-xix/1311-alice-spindola-a-voz-poetica-que-conecta-goias-ao-mundo

  20. Perfil Biográfico - Sílvio de Souza Lôbo Júnior, acessado em janeiro 13, 2026, https://silviolobo.com.br/leitura/escritora-alice-spindola/1323-perfil-biografico

  21. ALICE SPÍNDOLA, O ALOR E O CULTO DO ESPÍRITO SANTO, acessado em janeiro 13, 2026, https://silviolobo.com.br/alice/index.php/biografia/32-alice-spindola-o-alor-e-o-culto-do-espirito-santo

  22. Academia Goiana de Letras (História e Antologia) - Biblioteca do Futuro, acessado em janeiro 13, 2026, https://bibliotecafuturo.com.br/wp-content/uploads/tainacan-items/52/6184/Geraldo-Coelho-Vaz_Academia-Historia-e-Antologia_2008.pdf

  23. fundações da modernidade literária no cerrado - Biblioteca do Futuro, acessado em janeiro 13, 2026, https://bibliotecafuturo.com.br/wp-content/uploads/tainacan-items/59/735/capaGoiania-mesclado.pdf

  24. Viajante da Estrela - Linguagem Viva, acessado em janeiro 13, 2026, http://www.linguagemviva.com.br/306.pdf

  25. ENTRE LEQUES E REMINISCÊNCIAS, A VOZ LÚCIDA DE RAQUEL NAVEIRA - Linguagem Viva, acessado em janeiro 13, 2026, http://www.linguagemviva.com.br/379.pdf

  26. Mundo guarani: raízes entrelaçadas - Linguagem Viva, acessado em janeiro 13, 2026, http://www.linguagemviva.com.br/422.pdf

Nota do Editor: Pesquisas elaboradas com auxílio do Deep Research estão sujeitos a ambiguidade referencial, podendo confundir fatos entre pessoas homônimas. Embora Sílvio Lobo tenha revisado o material para sanar tais inconsistências, adverte-se que imprecisões podem persistir. Contamos com sua ajuda para esclarecimentos e sugestões, O escritor referido, não revisou esta biografia..Fale comigo.

No comments

Deixe seu comentário.

In reply to Some User