Page 98 - Alice Spíndola - Perfil Biográfico
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Em cada conto, chega a ser palpável a existência

               de um clima de susto e de transe; e, quando menos
               se espera, até as cancelas do indecifrável vão se

               abrindo, para que o silêncio respire, na síntese do
               após, o lado sagrado da loucura, esse que só os
               poetas conseguem ver ouvindo a dor e o escuro do

               seu próprio silêncio.
                     E, nessa atmosfera de encantamentos, ou

               de misteriosa translucidez, não poderia deixar de
               haver, como fábrica de deslumbres, a mais tocante
               música de câmara espalhando o perfume de um

               novo silêncio, sobretudo quando Ana Luisa marca
               alucinógena presença.

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                     Mas, logo no conto seguinte, “a manhã de
               refaz do sono e veste-se de alegria. E á aí que Alice
               descobre, mesmo fingindo-se  de  ausente, que  a

               sensação de presença continua tangendo sonhos na
               solidão do seu vazio, precisamente porque ela sabe

               – com lucidez solar – que há uma figura encantadora
               causando fraturas nos seus pensamentos.Uma divina
               loucura, concordo!

                     Como é a própria Alice quem nos ensina que “o
               desejo é magia que não envelhece”, ela não tarda em

               revelar-nos que, no estalo das palavras, também se
               descobre a brisa em estado de perfume; e, ‘com mãos
               emolduradas pelo luar, acaba detendo o sonho, sem

               segurar o destino.”
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