Page 97 - Alice Spíndola - Perfil Biográfico
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UMA NOVA ALICE SPÍNDOLA



                                  Por Berredo de Menezes











                    á estava habituado a deliciar-me com os deslumbres             153
                    da poesia de Alice Spíndola, onde a gente acaba
               Jse deixando envolver pela beleza que ela sempre

               inventa tecendo até labirintos em nossa alma.
                     Mas, ao concluir a leitura de seu livro de contos

               – A CHAVE DE VIDRO –, inundou-me uma alegria
               ainda maior: a de descobrir a contista do inusitado,
               onde o espanto sobrevive com a mesma força que ela

               empresta à “idolatria da dúvida.”
                     Sob a magia do assombro, Alice vai costurando

               silêncios sem aflição ou fadiga; e, com o milagre das
               palavras, descobre a fórmula mágica de conceber
               “gestos em que a ternura permeia os intervalos da

               eternidade”, fazendo crescer o abismo dentro de nós.
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