Page 99 - Alice Spíndola - Perfil Biográfico
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Com seu olhar fenomênico, Alice consegue tirar
a respiração do leitor, pois, além de dominar a arte
de cerzir seus sonhos, parece estar nos ouvindo com
o ar de quem entende até a dor de nosso silêncio
no encanto de sofrer os seus mais belos instantes de
nostalgia, principalmente quando veleja a infância nos
arrebóis das Gerais.
E porque nasceu para fazer poesia, Alice
consegue nos levar, em gestação de vertigens, a uma
“sonâmbula vidraça de intensidade.” E é justamente
nesse ápice, quando nós a surpreendemos, isolada
do mundo, que o seu silêncio intensifica o suspense;
como se ela estivesse sentindo – ou tecendo –, em
êxtase, o aroma do absurdo no mesmo encontro da 155
ternura com a poesia mais rara. No estilo de quem
escreve, em partitura indelével, a alvorada de uma
nova era.
E vamos caminhando ao seu lado, com os
resmungos do mundo, sempre “em busca do sussurro
do último sonho, tentando descobrir, no deserto da
noite, o aroma de um novo silêncio na primeira
esquina da solidão.
Até quando se sente envolvida nesse silêncio novo
que mais parece um canto, Alice acaba descobrindo
que o eterno penetra no peso de existir, e, no pavor
peregrino de seu quarto, discretos sons de violino
acordam-lhe saudades de um tempo em que o

