Page 77 - Alice Spíndola - Perfil Biográfico
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mesma época, fora traduzido por Jean-Paul Mestas.

               E, ele, próprio, verteu livros de poemas deste poeta
               francês para o idioma de Lisboa. António Salvado foi

               diversas vezes editado em JALONS, na França.
                     Hoje, o albicastrense António Salvado comemora
               seus cinquenta e cinco anos de literatura e de vida lite-

               rária, exibindo vasto acervo bibliográfico, celebrando
               edificante convívio internacional. Sobretudo, o fato de,

               com persistência, conseguir ser o que escolheu ser:
               um magnífico poeta. Façanha que tanto nos orgulha.



                     Jornal de Oleiros – Quais as dominantes que,
               para sí, estruturam a poesia de António Salvado?

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                     Alice Spíndola – Nem eu, nem você podemos
               analisar, em poucas palavras, a poesia deste poeta.
               António Salvado sabe que seu fazer poético não é um

               exercício de modéstia. Com toda certeza, tomemos,
               por exemplo, OBRA III, livro arrojado, em que Salva-

               do carrega sua resistência ao ordinário, sua integrida-
               de, o domínio do artífice sobre si mesmo. Nas entreli-
               nhas, uma crítica, e uma ironia saudável. Convence o

               leitor com sua alta poesia e não se abdica de mostrar
               seu fascínio pelas sílabas toantes, pelo decassílabo e,

               em especial, o soneto. Através deste fascínio, o poeta
               lida com a sedução da palavra, e compõe poemas
               de alta lavra. A poesia de António Salvado, portanto,

               se estrutura em cuidadosas sintaxes gerando versos
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