A Cartografia Poética e Intelectual de um Escritor de Duas Margens
Nota do Editor: Pesquisas elaboradas com auxílio do Deep Research estão sujeitos a ambiguidade referencial, podendo confundir fatos entre pessoas homônimas. Embora Sílvio Lôbo tenha revisado o material para sanar tais inconsistências, adverte-se que imprecisões podem persistir. Contamos com sua ajuda para esclarecimentos e sugestões, O escritor referido, não revisou esta biografia.. Fale comigo.
1. Introdução: O Poeta como Ponte Transatlântica
A literatura contemporânea em língua espanhola encontra em Alfredo Pérez Alencart uma das suas figuras mais singulares e multifacetadas. Situado na confluência de dois mundos — a exuberância telúrica da Amazónia peruana e a tradição humanista secular de Salamanca —, Alencart construiu uma obra que transcende as fronteiras geográficas e genéricas. Ele não é apenas um poeta; é um jurista, um ensaísta, um antologista prolífico e, acima de tudo, um gestor cultural que redefiniu o diálogo poético entre a América Latina, a Península Ibérica e a Europa.
Este relatório propõe-se a realizar uma análise exaustiva e definitiva sobre a trajetória de Alfredo Pérez Alencart. O objetivo é dissecar não apenas a cronologia dos seus feitos, mas a mecânica interna da sua poética, as raízes filosóficas do seu pensamento jurídico e a dimensão política da sua atuação como dinamizador cultural. Através de um exame minucioso de fontes primárias e secundárias, críticas literárias, artigos de opinião e registos académicos, este documento estabelece a relevância de Alencart como uma voz imprescindível para a compreensão da poesia hispânica do século XXI.
A estrutura deste estudo abrange desde as origens biográficas em Puerto Maldonado até à consolidação académica na Universidade de Salamanca, passando pela análise profunda dos seus ciclos criativos — do telurismo de Madre Selva à mística de Cristo del Alma — e culminando na avaliação do seu impacto institucional através dos "Encuentros de Poetas Iberoamericanos". A riqueza do material analisado permite traçar o perfil de um autor que, segundo a crítica especializada, opera como um "lago de duas margens", unindo a modernidade estética com a profundidade ancestral e teológica.1
2. Fundamentos Biográficos: Raízes, Diáspora e Arraigo
A biografia de Alfredo Pérez Alencart não é um mero acessório à sua obra; é a substância da qual ela emana. A tensão dialética entre a selva de origem e a pedra de destino molda a sua identidade literária e pessoal.
2.1. O Berço Amazónico: Puerto Maldonado e a Memória Germinal
Nascido em 1962 em Puerto Maldonado, capital do departamento de Madre de Dios, no Peru 2, Alencart carrega consigo a marca indelével da Amazónia. Esta região, caracterizada pela sua biodiversidade avassaladora e pelos rios imponentes como o Madre de Dios e o Tambopata, não é apenas o cenário da sua infância, mas o "locus" mítico da sua sensibilidade poética. A selva, descrita em sua obra posterior como "nutricia", "feraz" e "inacabável" 3, imprimiu no jovem Alencart uma consciência ecológica precoce e uma percepção do tempo distinta da linearidade ocidental urbana.
A genealogia de Alencart é fundamental para compreender a sua abertura cultural. A figura do avô Alfredo e do brasileiro Don Pedro de Alencar surgem como patriarcas de uma linhagem fronteiriça.3 A proximidade geográfica com o Brasil influenciou profundamente a sua formação, dotando-o de uma afinidade natural com a língua e a cultura portuguesas, o que mais tarde se manifestaria no seu intenso trabalho de tradução e colaboração com poetas lusófonos. A sua infância foi povoada por personagens que mais tarde ganhariam vida nos seus versos: colonos, balseros, migrantes e povos originários, compondo um mosaico humano que reflete a diversidade antropológica da região.3
O reconhecimento da sua terra natal chegou de forma contundente. Em 2002, ano do centenário de Puerto Maldonado, a municipalidade declarou-o "Filho Ilustre", e a Universidade Nacional Amazónica de Madre de Dios (UNAMAD) concedeu-lhe a distinção de ser o seu primeiro Professor Honorário.4 Estas honrarias sublinham que, apesar da distância física imposta pela migração, o vínculo espiritual e cultural com a Amazónia permanece intacto, servindo de fonte perene para a sua criação literária.
2.2. A Travessia para o Velho Mundo: A Chegada a Salamanca
A migração de Alencart para Espanha marca o ponto de inflexão na sua trajetória. A escolha de Salamanca não foi aleatória; a cidade, com a sua universidade de oito séculos, representa o coração do humanismo hispânico. Alencart chegou para realizar estudos superiores e acabou por fazer da cidade a sua morada definitiva, num processo de "enraizamento" que não implicou o esquecimento das suas origens.2
Na Universidade de Salamanca (USAL), Alencart doutorou-se e iniciou uma carreira académica brilhante. Desde 1987, exerce a docência como professor de Direito do Trabalho.2 Esta integração na academia espanhola permitiu-lhe aceder a uma plataforma privilegiada de difusão cultural. Ele habita o espaço físico e simbólico onde caminharam figuras como Fray Luis de León e Miguel de Unamuno. A influência destes mestres é palpável na sua obra: de Fray Luis, herda a busca pela harmonia e a serenidade; de Unamuno, a angústia existencial e a luta com a fé.5
2.3. Vida Familiar e a Construção do Afeto
A vida pessoal de Alencart em Salamanca é marcada pela estabilidade e pela profundidade dos laços afetivos. Casado com a fotógrafa e poeta Jacqueline Alencar, a sua companheira é frequentemente a musa e a interlocutora da sua poesia amorosa, como se observa na antologia Una sola carne.6 Jacqueline não é apenas uma presença doméstica, mas uma parceira ativa nos seus projetos culturais, colaborando com fotografias e na organização de eventos literários.7
O seu filho, José Alfredo Pérez Alencar, segue as pegadas literárias do pai, demonstrando que a vocação para as letras se tornou um património familiar. José Alfredo, também formado em Direito pela USAL, é autor de livros como Pasiones cinéfilas e Iuris Tantum, e colabora nas plataformas digitais coordenadas pelo pai.8 Esta continuidade geracional reforça a ideia de Alencart de que a família é uma "pátria" portátil, um refúgio de valores e memória que se preserva independentemente da geografia.9
3. O Ciclo Amazónico e a Poética Telúrica
A produção literária de Alencart inicia-se e renova-se constantemente através do retorno à Amazónia. Este ciclo não é um exercício de costumbrismo ou folclore, mas uma elaboração estética e ética de alta densidade.
3.1. Madre Selva (2002): A Fundação do Mito
Publicado em Espanha, Madre Selva é considerado a pedra angular da sua poesia amazónica. O livro preenche um vazio histórico na literatura de Madre de Dios, oferecendo uma voz lírica a uma região muitas vezes esquecida ou tratada apenas como reserva de recursos naturais.4
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Temáticas: A obra aborda a magnificência da natureza e a tragédia da sua destruição. Poemas como "Soliloquio ante el río Amarumayo" personificam a paisagem, transformando o rio num interlocutor divino e histórico.
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Personagens e Denúncia: Alencart dá voz aos marginalizados. Em "No dejaron cazar a don Luis Sanihue", ele denuncia a burocracia estatal e a incompreensão moderna face aos modos de vida indígenas.10 O poema não é apenas um lamento; é um ato de "ecopoesia" política, exigindo respeito pela sabedoria ancestral.
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Estética: A linguagem mimetiza a densidade da floresta tropical, rica em adjetivação e imagens sensoriais, mas contida pelo rigor formal aprendido na tradição clássica espanhola.
3.2. Selva que cabes en el tamaño de mi corazón (2022): A Suma Amazónica
Esta antologia monumental, publicada em Lima com 246 páginas, reúne a poesia amazónica de Alencart de diferentes etapas, funcionando como um testamento definitivo da sua fidelidade à terra natal.3
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Análise Crítica: O crítico Enrique Sánchez Hernani destaca o "vasto registo" da obra, que vai da confissão íntima ao reclamo ecologista. Hernani observa que, apesar da longa residência em Espanha, a memória da "selva nutricia" permanece vívida e operante na escrita de Alencart. O livro é descrito como uma "lua cheia", uma presença insoslayable na tradição poética peruana.3
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O Rio como Metáfora do Tempo: A presença constante do rio (Amarumayo/Madre de Dios) serve como metáfora heraclitiana. O fluir das águas é o fluir do tempo e da memória. Para Alencart, escrever sobre a selva é uma forma de "remontar o Tempo" e acender a memória contra o esquecimento.3
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Ecologia Espiritual: A defesa da natureza em Alencart não é secular; é sagrada. Ele vê a selva como uma manifestação do divino, um "paraíso" que deve ser preservado da cobiça humana. A sua poesia atua como um escudo místico contra a depredação ambiental.3
3.3. Outros Poemas e Referências Amazónicas
A temática amazónica permeia outras obras e poemas dispersos. A menção a frutos como a castanha e a siringa, e a povos como os mashcos e machiguengas, serve para ancorar o texto numa realidade concreta, evitando a abstração excessiva. Alencart assume-se como um guardião da memória destes povos, enriquecendo o idioma castelhano com a terminologia e a cosmovisão da floresta.9
4. O Ciclo Teológico: Mística e Fé na Modernidade
Paralelamente ao veio telúrico, Alencart desenvolveu uma das obras de poesia religiosa mais consistentes e profundas da atualidade. A sua fé cristã (de matriz protestante/evangélica) dialoga abertamente com a tradição mística católica espanhola e com a teologia contemporânea.
4.1. Cristo del Alma (2009): A Humanização do Divino
Esta obra é frequentemente citada como o cume da sua poesia espiritual. Escrita num período de intensa inspiração de três meses, após cinco anos de gestação reflexiva e leitura bíblica 11, Cristo del Alma é uma interlocução direta com Jesus.
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Comparação com os Clássicos: A crítica literária coloca Cristo del Alma na linhagem de obras-primas como De los nombres de Cristo de Fray Luis de León e El Cristo de Velásquez de Miguel de Unamuno.5 Enquanto Fray Luis procura a harmonia dos nomes divinos e Unamuno explora a agonia do Cristo na cruz, Alencart foca-se no "Cristo do Alma", uma presença interior e viva que acompanha o homem nas suas tribulações diárias.
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Teologia Poética: O livro afasta-se da religiosidade institucional e dogmática. Alencart critica a "oficialidade religiosa" e prefere um retorno às fontes bíblicas (tradução de Casiodoro de Reina) e uma fé vivencial.5 Xavier Oquendo nota que a poesia de Alencart transita entre a angústia existencial (influência de Kierkegaard) e a certeza da presença de Deus.1
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Estrutura e Estilo: Composto por 50 poemas divididos em cinco secções, o livro utiliza uma linguagem que mistura a elevação bíblica com a crueza da realidade social. O Cristo de Alencart é o Deus dos pobres, dos injustiçados, que caminha "longe dos prelados" e "longe do óbolo às estátuas".12
4.2. Cartografía de las revelaciones (2011) e a Sacralidade da Palavra
Nesta obra, Alencart expande a sua pesquisa espiritual para a própria natureza da poesia.
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A Palavra como Revelação: Ana Russo, na sua análise, observa que para Alencart o sagrado não é apenas a divindade transcendente, mas também o ato poético em si. O poeta é um alquimista que trabalha no "sistema solar do êxtase", transformando a palavra em revelação.12
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A Eucaristia Poética: A obra convida a uma "celebração da Vida verdadeira", focada na "Sagrada Llaga" de Jesus como fonte de proteção e vibração. Há uma recusa das formas e convenções mortas em favor de uma fé viva e pulsante.12
4.3. Prontuario de infinito e a Dimensão Profética
Mencionado como parte da sua trilogia teológica, Prontuario de infinito (2012) continua a exploração dos temas da transcendência e da eternidade.12 A voz de Alencart assume aqui tonalidades proféticas, alertando para a finitude humana e a necessidade de ancorar a existência em valores eternos. A sua poesia funciona como um "prontuário", um guia de emergência para a alma em tempos de crise espiritual.
5. A Poética do Afeto: Amor, Família e Memória
A terceira grande vertente da obra de Alencart é a poesia dedicada aos afetos humanos: o amor conjugal, a filiação e a amizade.
5.1. Una sola carne: O Cântico ao Amor Conjugal
A antologia Una sola carne reúne a poesia amorosa de Alencart, focada quase exclusivamente na figura da sua esposa, Jacqueline.
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O Amor como Refúgio: Sylvia Miranda, no seu ensaio sobre a obra, destaca como Alencart constrói "delicados e seguros laços" através da palavra poética.6 O amor não é apresentado como uma paixão fugaz, mas como uma construção histórica e biográfica ("uma só carne"), capaz de resistir às intempéries da vida.
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A Musa Real: Diferente das musas idealizadas e inatingíveis da tradição petrarquista, a mulher em Alencart é concreta, companheira de luta e de criação. Ela é invocada para "esposar com invocações" e "assediar as partes mortais" do poeta com a sua respiração, funcionando como uma âncora de eternidade no quotidiano.13
5.2. Perú en alto (2020) e a Identidade Familiar
Nesta antologia, Alencart entrelaça a identidade nacional com a identidade familiar.
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Genealogia Poética: O poeta define-se como um homem em quem "infância e família palpitam". Poemas como "La casa de mis padres" são tributos aos progenitores e à terra que o viu nascer. A família é elevada à categoria de pátria portátil; onde está a família, está o Peru e está o lar.9
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Resiliência na Pandemia: Publicada durante a crise global da COVID-19, a obra assume também um caráter de resistência. Valoriza a vida e o desenvolvimento pessoal através da leitura e da memória, contrapondo a criação à destruição causada pelo vírus.9
5.3. El pie en el estribo e a Amizade
A amizade é outro pilar central. O poeta português António Salvado, ao analisar El pie en el estribo, descreve Alencart como um "irmão" e "companheiro".
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O Cavaleiro da Esperança: Salvado utiliza a metáfora do cavaleiro ("com o pé no estribo") para descrever a atitude de Alencart perante a vida: sempre pronto para a partida, para a descoberta e para a luta. A amizade é vista como um refúgio contra a "maldade que espreita como uma caixa de surpresas".14
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Homenagens aos Amigos: A obra de Alencart está repleta de dedicatórias e poemas a amigos poetas, como José María Muñoz Quirós, a quem dedicou apresentações e ensaios, celebrando a "pureza refinada" da sua poesia.15
6. O Jurista e o Poeta Social: A Intersecção entre Lei e Verso
Alfredo Pérez Alencart é um exemplo raro de simbiose entre a carreira jurídica e a vocação literária. Longe de serem esferas separadas, o Direito e a Poesia alimentam-se mutuamente na sua visão do mundo.
6.1. Carreira Académica em Direito do Trabalho
Como Professor Titular de Direito do Trabalho e da Segurança Social na Universidade de Salamanca, Alencart possui uma produção académica robusta.
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Publicações Jurídicas: Entre os seus trabalhos destacam-se obras sobre a segurança e saúde no trabalho, como El derecho comunitario europeo de la seguridad y la salud en el trabajo (1993) e artigos sobre a democracia interna nos sindicatos.1617 A sua tese e investigação focam-se na proteção do trabalhador, um tema que exige sensibilidade para com a vulnerabilidade humana.
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Visão Humanista do Direito: Alencart não vê o Direito como um mero conjunto de normas frias, mas como uma ferramenta de justiça social. Esta perspectiva humanista transborda para a sua poesia.
6.2. A Poesia Social: "Música e Razão"
Quando questionado se é um "poeta social", Alencart responde afirmativamente, mas com nuances. Ele rejeita o panfleto ideológico, mas abraça o compromisso ético.
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O Poeta como Cirurgião: Alencart compara o poeta a um cirurgião que detecta as patologias da sociedade — a injustiça, a pobreza, a corrupção — e as expõe. A sua poesia é um diagnóstico e, por vezes, uma tentativa de cura.18
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Temas de Denúncia: Em poemas como "Humillación de la pobreza", ele denuncia a exploração infantil e a "órbita asquerosa da cobiça".9 A sua crítica não poupa nem as instituições políticas nem as religiosas, sempre que estas falham na sua missão de proteger os mais fracos.
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Defesa de Colegas: A sua postura ética estende-se à defesa de outros escritores perseguidos. O caso de Harold Alvarado Tenorio na Colômbia é paradigmático: Alencart usou a sua plataforma para defender o poeta colombiano contra a perseguição judicial do Ministério da Cultura, argumentando que a poesia e a crítica não devem ser silenciadas pela ameaça de prisão, demonstrando uma solidariedade transnacional.15
7. Gestão Cultural: Os Encontros de Poetas Iberoamericanos
Talvez a contribuição mais tangível de Alencart para a literatura contemporânea seja o seu trabalho monumental como coordenador dos "Encuentros de Poetas Iberoamericanos" em Salamanca.
7.1. História e Impacto dos Encontros
Desde 1998, Alencart dirige estes encontros anuais, patrocinados pela Fundação Salamanca Cidade de Cultura e Saberes.2 Sob a sua liderança, o evento cresceu para se tornar uma referência incontornável no calendário literário mundial.
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A Salamanca Poética: Durante os dias do encontro (geralmente em outubro), Salamanca transforma-se na capital da poesia ibero-americana. Poetas de dezenas de países reúnem-se para leituras, apresentações de livros e debates, criando uma rede de contactos que fortalece a comunidade literária.19
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Ponte com o Brasil e Portugal: Uma característica distintiva da gestão de Alencart é a inclusão sistemática de poetas lusófonos. Ele quebrou a barreira linguística que muitas vezes separa a América hispânica do Brasil, traduzindo e promovendo autores como António Salvado, Albano Martins e muitos outros.204
7.2. As Antologias Monumentais
Cada edição do encontro resulta na publicação de uma antologia massiva, coordenada por Alencart. Estas obras são documentos históricos que cartografam o estado da poesia atual.
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Bajo la sombra de los vencejos (XXVIII Encontro): Homenagem a Carmen Martín Gaite, Gabriel Chávez Casazola e Carlos Aganzo. Ilustrada por Miguel Elías e disponível para descarga livre em Tiberíades.4
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Para sitiar el asombro (XXVII Encontro): Homenagem a Pío E. Serrano e José María Muñoz Quirós. Reuniu poetas como Antonio Colinas e Hugo Francisco Rivella.4
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De aquende y allende (XXVI Encontro): Homenagem a Jaime Siles e Mía Gallegos.4
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Carne del cielo: Uma antologia temática sobre o Natal, reunindo 83 poemas inéditos de 47 poetas vivos, demonstrando a capacidade de Alencart de mobilizar a comunidade poética em torno de temas espirituais.21
7.3. O Prémio Internacional de Poesia Pilar Fernández Labrador
Alencart é também uma figura chave no prestigiado "Prémio Internacional de Poesia Pilar Fernández Labrador". Como coordenador literário e jurado, ele ajuda a descobrir e consagrar novas vozes da poesia ibero-americana, garantindo a qualidade e a transparência do certame.22
8. O Editor e o Ativista Digital: Tiberíades e Crear en Salamanca
Na era digital, Alencart soube adaptar-se e criar plataformas que amplificam o alcance da poesia.
8.1. Tiberíades: A Rede Cristã Ibero-Americana
Como presidente da "Red Iberoamericana de Poetas y Críticos Literarios Cristianos", Alencart dirige o portal Tiberíades.
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Missão: O site promove a literatura escrita por cristãos (protestantes e católicos) com qualidade estética, fugindo ao gueto da "literatura religiosa" de baixa qualidade.
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Acesso Livre: Uma das políticas mais louváveis de Alencart é a disponibilização gratuita de livros em formato digital (e-books). Obras suas como Veinticuatro poetas portugueses e antologias dos encontros estão acessíveis a qualquer leitor com internet, democratizando o acesso à cultura.4
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Prémio Rey David: Através de Tiberíades, Alencart organiza o "Prémio Rey David de Poesia Bíblica Iberoamericana", que tem tido um enorme sucesso de convocatória, atraindo centenas de poetas de dezenas de países e recebendo cobertura mediática internacional.4
8.2. Crear en Salamanca
Alencart é um colaborador central da revista digital Crear en Salamanca.
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Conteúdo Diversificado: Na plataforma, ele publica não apenas poesia, mas entrevistas (como a realizada ao poeta português Albano Martins 15), ensaios sobre cinema e necrológicas literárias.
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Arquivo Visual: As suas publicações são frequentemente ilustradas pelo pintor Miguel Elías, criando um diálogo fértil entre a palavra e a imagem, uma marca registada das suas edições.21
9. Fortuna Crítica, Prémios e Reconhecimento Internacional
A relevância de Alfredo Pérez Alencart é atestada não só pela sua prolífica produção, mas pela receção crítica e pelos prémios acumulados.
9.1. Prémios e Distinções
A lista de galardões recebidos por Alencart reflete o reconhecimento da sua obra em múltiplos países 2222:
| Ano | Prémio / Distinção | País Outorgante | Motivo |
|---|---|---|---|
| 2002 | Filho Ilustre | Peru (Pto. Maldonado) | Centenário da cidade |
| 2002 | Professor Honorário (UNAMAD) | Peru | Mérito académico |
| 2009 | Prémio Internacional Vicente Gerbasi | Venezuela | Conjunto da obra |
| 2012 | Prémio Jorge Guillén | Espanha | Excelência poética |
| 2015 | Prémio Humberto Peregrino | Brasil | Laços com a lusofonia |
| 2017 | Medalha Mihai Eminescu | Roménia | Reconhecimento europeu |
| 2025 | Prémio Internazionale "Città del Galateo" | Itália | Trajetória literária |
9.2. A Voz dos Pares e da Crítica
A obra de Alencart tem sido celebrada por alguns dos maiores nomes da literatura hispânica.
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Gonzalo Rojas: O Prémio Cervantes chileno referiu-se a ele como "único na sua luz, na sua grandeza, no seu diálogo com a Poesia".423
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António Salvado: O poeta português vê em Alencart um "profeta que reconstrói mitos", destacando a sua humildade e pureza de coração.14
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Enrique Sánchez Hernani: O crítico peruano coloca a antologia Selva que cabes... como uma obra que deve ser adicionada à história da tradição poética peruana "em muito bom lugar".3
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Estudos Académicos: A sua poesia foi objeto de seis livros de ensaio e teses, com a participação de mais de duzentos académicos de quatro continentes, reunidos em obras como Arca de los afectos e La órbita poética de A. P. Alencart de Jaime García Maffla.24
9.3. Tradução e Universalidade
O facto de a sua poesia ter sido traduzida parcialmente para 50 idiomas (incluindo alemão, russo, coreano, árabe, vietnamita, etc.) 25 demonstra que a "poética do asombro" de Alencart toca em cordas universais. A sua capacidade de falar da aldeia (Puerto Maldonado) e atingir o universal confirma a máxima de Tolstoi, mas com um toque amazónico-castelhano.
10. Conclusão: O Legado em Movimento
Alfredo Pérez Alencart representa, no panorama atual, a figura do intelectual total. A sua obra não se deixa confinar em categorias estanques. Ele é o poeta da selva que escreve desde a meseta castelhana; o jurista que usa o verso para clamar por justiça; o cristão que dialoga com todas as crenças; o gestor que coloca a amizade acima da burocracia.
O seu legado, ainda em plena construção, assenta em três pilares fundamentais:
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A Visibilidade da Amazónia: Trouxe para a alta cultura europeia a problemática e a beleza da Amazónia peruana, não como tema exótico, mas como urgência vital e espiritual.
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A Renovação da Linguagem Mística: Devolveu à poesia religiosa a sua força interrogativa e a sua qualidade estética, libertando-a do pietismo.
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A Integração Ibero-Americana: Construiu, através de Salamanca, uma verdadeira comunidade de afetos literários que une a América hispânica, o Brasil, Portugal e Espanha, algo que poucos conseguiram com tanta eficácia e duração.
Como "cavaleiro da esperança" com o pé no estribo, Alencart continua a cavalgar entre as suas duas margens, tecendo com a sua vida e obra uma cartografia de revelações que enriquece a todos os que se aproximam da sua "fogueira de palavras".
11. Bibliografia Selecionada e Referências
As referências abaixo documentam as fontes utilizadas para a elaboração deste relatório.
-
2
Editorial Verbum. (n.d.). Alfredo Pérez Alencart biografía completa. Recuperado de editorialverbum.es -
25
Scribd. (n.d.). Alfredo Pérez Alencart: Perfil biográfico. Recuperado de es.scribd.com -
22
Vaso Roto. (n.d.). Pérez Alencart, Alfredo / Vaso Roto. Recuperado de emea.vasoroto.com -
3
Tiberíades. (2026). Crítica literaria sobre 'Selva que cabes en el tamaño de mi corazón'. Recuperado de tiberiades.org -
26
García Maffla, J. (2017). La órbita poética de Alencart. Hebel/Betania. -
10
Universidad de Salamanca. (2022). Publicaciones de Alfredo Pérez Alencart. Producción Científica USAL. -
19
Letralia. (2025). Encuentro de Poetas Iberoamericanos Salamanca 2025. Recuperado de letralia.com -
11
Pulido, J. (n.d.). Entrevista a Alfredo Pérez Alencart. Crear en Salamanca. -
5
Letralia. (n.d.). Ensayo sobre Cristo del Alma. Recuperado de letralia.com -
12
Tiberíades. (n.d.). Três poemarios de A. P. Alencart: Crítica de Ana Russo. -
1
Protestante Digital. (n.d.). Crítica a Cristo del Alma por Xavier Oquendo. -
21
Crear en Salamanca. (n.d.). Carne del cielo: Antología de Navidad. -
24
Tiberíades. (n.d.). Sobre los Encuentros de Poetas Iberoamericanos. -
6
Crear en Salamanca. (n.d.). Una sola carne de Alfredo Pérez Alencart: Ensayo de Sylvia Miranda. -
16
Dialnet. (n.d.). Alfredo Pérez Alencart: Publicaciones académicas. -
3
Sánchez Hernani, E. (2026). Crítica literaria Selva que cabes en el tamaño de mi corazón. Tiberíades. -
9
Letralia. (2021). Perú en alto, Alfredo Pérez Alencart. Recuperado de letralia.com -
15
Crear en Salamanca. (2021). Artículos y biografía de Alfredo Pérez Alencart. Recuperado de crearensalamanca.com -
14
Salvado, A. (2016). Para una lectura muy personal de El pie en el estribo. Crear en Salamanca. -
4
Tiberíades. (2025). Biografía completa y lista de obras. Recuperado de tiberiades.org
Referências citadas
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Alfredo Pérez Alencart - Editorial Verbum, acessado em janeiro 11, 2026, https://editorialverbum.es/blog/autores/perez-alencart-alfredo/
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'Alfredo Pérez Alencart y su poesía amazónica' – Tiberíades, acessado em janeiro 11, 2026, https://tiberiades.org/?p=6933
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Recuento de opiniones sobre la poesía amazónica de A. P. Alencart ..., acessado em janeiro 11, 2026, https://tiberiades.org/?p=6878
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Letralia 251 | Sala de ensayo | El Cristo de Alencart (fray Luis, Unamuno y Salamanca) | Frank Estévez Guerra, acessado em janeiro 11, 2026, https://letralia.com/251/ensayo03.htm
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'UNA SOLA CARNE' DE ALFREDO PÉREZ ALENCART. LECTURA PARA UNA CELEBRACIÓN. ENSAYO DE SYLVIA MIRANDA - Crear en Salamanca, acessado em janeiro 11, 2026, https://www.crearensalamanca.com/una-sola-carne-de-alfredo-perez-alencart-lectura-para-una-celebracion-ensayo-de-sylvia-miranda/
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'UN PAISAJE VERBAL LLAMADO ALFREDO PÉREZ ALENCART'. RESEÑA DE 'ARCA DE LOS AFECTOS' ESCRITA POR EL POETA VENEZOLANO ALBERTO HERNÁNDEZ - Crear en Salamanca, acessado em janeiro 11, 2026, https://www.crearensalamanca.com/un-paisaje-verbal-llamado-alfredo-perez-alencart-resena-de-arca-de-los-afectos-escrita-por-el-poeta-venezolano-alberto-hernandez/
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José Alfredo Pérez Alencar - MADRE - Tiberíades, acessado em janeiro 11, 2026, https://tiberiades.org/wp-content/uploads/2021/09/madre-ebook.pdf
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“Perú en alto” o primera aproximación a la poesía de Alfredo Pérez ..., acessado em janeiro 11, 2026, https://letralia.com/sala-de-ensayo/2021/03/01/peru-en-alto-alfredo-perez-alencart/
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Alfredo Pérez Alencart - Universidad de Salamanca, acessado em janeiro 11, 2026, https://produccioncientifica.usal.es/investigadores/56092/publicaciones
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ALFREDO PÉREZ ALENCART, EL HIJO LATINOAMERICANO DE SALAMANCA. ENTREVISTA DE JOSÉ PULIDO, acessado em janeiro 11, 2026, https://www.crearensalamanca.com/alfredo-perez-alencart-el-hijo-latinoamericano-de-salamanca-entrevista-de-jose-pulido/
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Tres poemarios de A. P. Alencart (Cartografía de las Revelaciones, Cristo del Alma y Prontuario de Infinito) – Tiberíades, acessado em janeiro 11, 2026, https://tiberiades.org/?p=3968
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Alfredo Pérez Alencart | Habla Sonia Luz, acessado em janeiro 11, 2026, https://hablasonialuz.wordpress.com/tag/alfredo-perez-alencart/
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“PARA UNA LECTURA (MUY PERSONAL) DE 'EL PIE EN EL ..., acessado em janeiro 11, 2026, https://www.crearensalamanca.com/para-una-lectura-muy-personal-de-el-pie-en-el-estribo-de-alfredo-perez-alencart-por-antonio-salvado-traduccion-y-fotografias-de-jacqueline-alencar/
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Alfredo Pérez Alencart Archivo | Crear en Salamanca, acessado em janeiro 11, 2026, https://www.crearensalamanca.com/author/alfredo/
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Alfredo Pérez Alencart - Dialnet - Universidad de La Rioja, acessado em janeiro 11, 2026, https://dialnet.unirioja.es/servlet/extaut?codigo=186484
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Tesis doctoral «El Deber de Seguridad del Empleador en el ordenamiento jurídico laboral chileno» M. Cristina Gajardo Harboe - idUS, acessado em janeiro 11, 2026, https://idus.us.es/bitstreams/d2a2ce53-43eb-4256-ae7e-96d96d27bb07/download
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Libro de las respuestas, Alfredo Pérez Alencar - ebetania, acessado em janeiro 11, 2026, https://ebetania.files.wordpress.com/2020/03/libro-de-las-respuestas-ebook.pdf
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Pérez Alencart, Alfredo - Vaso Roto, acessado em janeiro 11, 2026, https://emea.vasoroto.com/products/perez-alencart-alfredo
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Nota do Editor: Pesquisas elaboradas com auxílio do Deep Research estão sujeitos a ambiguidade referencial, podendo confundir fatos entre pessoas homônimas. Embora Sílvio Lobo tenha revisado o material para sanar tais inconsistências, adverte-se que imprecisões podem persistir. Contamos com sua ajuda para esclarecimentos e sugestões. Fale comigo.




