Page 70 - Alice Spíndola - Perfil Biográfico
P. 70
À deriva do espanto, o hábil fluxo da água do
pensamento.
Em Resmungos do Mundo, os três viajantes ter-
renos apavorados em terra distante e desconhecida,
passageiros de uma astronave, que os sugou, aventu-
ra surrealista. Sopro de vento. Nenhuma luz.
Serpentina de Néon: Após brilhante espetáculo:
Vou ao espelho, miro-me atenta à aparência, sobretu-
do ao brilho dos olhos. Silhueta circulada por delgada e
cilíndrica serpentina de vidro e luz néon, branca, bran-
ca, depois azul, azul. Encaro a figura face-a-face, nada
lhe define a identidade...o espectro mostra-se lúcido e
intenso em cena. apavora-me...Receio adormecer se
88
ser atacada pelas mãos de vidro. Serão de vidro mes-
mo? O eterno penetra no peso de existir. Subjuga-me
o medo. Estou entre dois mundos....espectro luminoso
e mágico do que constituiu o meu pensamento na Ter-
ra. Ilusão de eternidade. Aroma da morte.
Nos Mistérios da Noite, Diógenes, digladiando
com a morte enquanto sua música invade a serra em
aparições misteriosas. Morto-vivo, poderoso, galo-
pando na linha de luz que divisa céu e terra, persegue
a linha do horizonte
Apresentando alguns exemplos da carpintaria da
construção nos textos de Alice Spíndola, sente-se o
relacionamento luz/claridade.

