Page 64 - Alice Spíndola - Perfil Biográfico
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muito, em que se exige sigilo, em que o sol cega, em

               que as entranhas choram, mas dos olhos não podem
               escapar lágrimas.

                     Mesmo na prosa, há a poesia de Alice; ela ali-
               menta a autora, incenti va-a, impele-a, fascina-a;
               extrai dela inspiração, instiga-a. Há segredos que,

               mesmo quando transmitidos, permanecem secretos,
               as palavras nem sempre foram feitas para escla recer.

                                                   t
               O silêncio é de ouro e os con os, ao final, não reve-
               lam tudo aqui lo que o leitor desejaria conhecer.
                     Há seres invisíveis, e malfeitos que não devem

               ser desvendados.
                     “A janela se abre por mãos não humanas. Lá

               fora, um flamboyant grita em cada tom de vermelho.                   79
               Sol invadindo a sala. E o ser se torna que invisível,
               porém presente. Dele, o fu turo que não tem pressa

               de chegar. Céus! Vejo tudo”.
                     “Anoitece. De novo, entre a vigí lia e o sono,

               aquele espectro surge sem se mostrar e trazendo seu
               sa voir-faire incrível. Não. Não sou eu, meu Deus, por
               acaso, este ser?” As sim são os textos de Alice Spín-

               dola, mineira de Nova Ponte, no Triângu lo, região
               de grandes escritores, que sabem a que vieram no

               mundo.
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