V
“亚历克斯真的活了那么久吗?”莱奥心想。
“那又有什么关系?这太美妙了。”
戈亚尼亚,星期日。
商店刚开门,亚历克斯就是第一个顾客。罗莎似乎在等他。
“我看到你准备好了。拿着。”小姑娘递给他一朵红玫瑰的花蕾。“交给她。”
“我该说什么?”
“这取决于你。”
“多少钱?”
“快去……”
“你祝我好运吗?”
一位身高达到的女士,看起来约莫四十岁,走了过来。她微笑着,轻轻弯下腰,与男孩对视:
“好运不属于爱情。走吧,照顾好自己。”
亚历克斯轻快地走着,期待罗莎说些什么。什么都没说。
在一条充满文学天才的路上,亚历克斯构思了最奇妙的词句。到了时候,没有什么能阻止他,他想要。
他在玛丽亚两小时后下车的地方下了车,她每天从安纳波利斯回来。他穿过马路,坐在小广场的长椅上等待。在那里,他们可以看到他的小可爱到来。
然而,他运气不佳。公交车已经开进了社区,离他表白只有几分钟了。这时,三个男人围住他,询问他有什么值钱的东西。亚历克斯异常冷静地打了个哈欠,站起来,打开钱包,拿出他的一半积蓄,这笔钱让小偷们笑了。然后,年轻人又坐下,盯着公交车站等候。
手臂感受到一股强大的压力,他被扔到地上。他迅速站起来。他接住一拳,就像接朋友扔过来的钥匙串一样轻松,只是轻轻一用力,那人就惊愕又痛苦地跪倒在地,只比亚历克斯的痛苦稍轻一些。一记本可致命的打击打在他的后颈。
亚历克斯倒下了。
“他死了……”那人低语着,然后捡起玫瑰吃了下去。
* * *
那天晚上,很多人经过那条街,包括玛丽亚,她看了几秒钟那个倒在几米外的陌生人的尸体。
没有人帮助他。
不死之身的主角第二天醒来。天已经晚了,太阳灼烧着他的脸。他从口袋里掏出一个坏了表带的小手表,看了看时间。“自从他遇袭以来,玛丽亚已经路过两次了。”身无分文的他走到附近的电话亭,打了个对方付费的电话回家。没人接。莱奥要到下午五点半才能到。于是亚历克斯回到了前一天等待的同一个长椅上。他很脏,没有心思做任何重要的事。现在唯一让他感到奇怪的是,都过了这么久,为什么还没人来收他的尸体。前方有几个人在笑着指着他。莱奥得知情况后,立刻打电话回家,让他父亲去帮助朋友。
阿尔贝托很快就来了。他和儿子一样,充满热情,充满了讽刺和幽默感,这是他沟通方式的一部分。莱奥的母亲伊娃热情地接待了他,表现出担忧。亚历克斯说他被抢劫了,之所以求助只是因为没有钱回安纳波利斯。
不仅钱没了,他唯一的银行卡和一个在城里神秘制作的身份证也在当晚被偷了。没有证件,后颈疼痛,又因为没有找到玛丽亚而感到沮丧,他被伙伴陪同着回到了安纳波利斯。路上,他请假了几秒钟,去了一个公用电话亭。
* * *
寒冷迅速消失,炎热回归。而且是如此的强烈!下午的温度超过三十五摄氏度。亚历克斯每天都游泳,他总是内向地反思着发生的事情。他的世界局限于他对玛丽亚的爱,对莱奥(他视如兄弟)的爱,以及他那本尚未命名的书。每一次划水,他的故事的顺序都在创造。
“一个永恒的爱人;一个怪物,时间;一个敌人,他的胆怯……”
“一种逃避?”他问自己。
这是他奇怪而冰冷的生活,如同一场白日梦。他只能等待,他等了多久!
“
— Será que Alex viveu todo aquele tempo? — pensava Léo “.
“— Que importa? É maravilhoso demais.”
Goiânia, domingo.
A loja acabava de abrir, Alex era o primeiro cliente. Rosa parecia aguardá-lo.
“— Vejo q'está pronto. Tome. — disse a pequena entregando-o um botão de rosa vermelha. — entregue a ela.”
“— O que eu digo?”
“— Isto é com você.”
“— Quanto custa?”
“— Vai logo... ”
“— Deseja-me sorte?”
Uma senhora de grande estatura aparentando quarenta anos se aproximou. Sorrindo discretamente, curvou-se para fitar o rapaz nos olhos:
“— A sorte não anda junto do amor. Vá, e se cuide.”
Alex caminhou em passos leves esperando que Rosa dissesse algo. Nenhuma palavra foi ouvida.
No caminho tomado por um gênio literário, Alex elaborou as mais fantásticas palavras. Chegada a hora, nada impedia, ele queria.
Desceu no mesmo ponto que Maria desembarcaria duas horas depois, em seu retorno diário de Anápolis. Atravessou a rua, e no banco de uma pequena praça esperou. Lá de onde podiam ver a chegada de sua pequena.
A sorte, porém, lhe faltava em excesso. O ônibus já entrava no bairro e poucos minutos o separava de sua declaração. Neste momento três homens o cercaram indagando-o sobre o que tinha de valor. Alex com calma incomum bocejou, levantou, abriu a carteira e retirou a metade do que tinha, era um bom numerário que fez os ladrões sorrirem. Então o jovem sentou novamente e fitou o ponto de ônibus esperando.
Uma intensa pressão no braço, e se viu sendo arremessado ao chão. Colocou-se em pé rapidamente. Segurou um soco com a facilidade de quem apanha um molho de chaves lançado por um amigo, pouca força aplicada à mão e o malfeitor se ajoelhou num misto de espanto e dor, só não mais intensa do que a sentida por Alex. Uma pancada que a qualquer um seria letal foi deferida a sua nuca.
Alex caiu.
“— Morreu... — sussurrou o homem pouco antes de apanhar a rosa e comê-la.”
* * *
Naquela noite muitas pessoas passaram por aquela rua, incluindo Maria que olhou por alguns segundos o corpo desconhecido caído a poucos metros.
Ninguém o ajudou.
O jovem imortal acordou no dia seguinte. Era tarde o sol lhe queimava a face. Retirou um pequeno relógio com a pulseira quebrada do bolso e olhou as horas. “Maria passara ali duas vezes desde que fora atacado”. Sem dinheiro caminhou até um telefone próximo e efetuou uma chamada a cobrar para casa. Ninguém atendeu. Léo não chegaria antes das dezessete e trinta. Assim Alex voltou ao mesmo banco em que esperava no dia anterior. Bastante sujo não pensava em tomar nenhuma ação importante naquele dia, agora a única coisa que o causou estranheza é que tenha passado tanto tempo e ninguém recolhera seu corpo. À frente alguns homens sorriam e apontavam-no. Léo assim que soube do ocorrido ligou para sua casa e pediu que seu pai fosse auxiliasse o amigo.
Alberto não demorou a chegar. E não diferente do filho tinha um comportamento entusiasmado, muito sarcasmo, a busca pela comicidade faziam parte de sua comunicação. Eva, mãe de Léo, recebeu a visita com muita simpatia, demonstrando preocupação. Alex disse que fora assaltado e que pedira ajuda apenas porque não tinha dinheiro para retornar à Anápolis.
E não só dinheiro faltava, seu único cartão bancário e um documento de identificação misteriosamente feito na segunda noite na cidade, também foi roubado. Sem documentos, com dor na nuca, e triste por não ter encontrado Maria, retornou para Anápolis, já acompanhado pelo parceiro. No caminho pediu licença por alguns segundos e foi a um telefone público.
* * *
O frio acabou rapidamente, o calor retornou. E como era intenso! Nas tardes a temperatura passava dos trinta e cinco graus célsius. Alex nadava diariamente, sempre introvertido, refletia sobre os fatos. Seu mundo se restringia a seu amor por Maria, a Léo, que tinha como irmão, e seu livro ainda sem título. A cada braçada a sequência de sua história se criava.
“Um imortal, eternamente apaixonado; um monstro, o tempo; um inimigo, sua timidez...”
“— Uma fuga? — perguntava-se
Era sua vida estranha e fria, como um devaneio. A ele restava esperar, e como esperou!



