Page 84 - Alice Spíndola - Perfil Biográfico
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               O pequeno barco







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                   Sim,
                   o canto
                     inesperado.
                      Canto a saga
                       que exalta o Loire.
                         Rapsódia e essência.
                         Poeta abrindo frestas

                           daquele guardado olhar.
                          Cordas de um violoncelo                                  117
                           rasgam os tímpanos das velas.
                            Revejo dourada janela da aurora.
                           Da cumplicidade da natureza surge,
                           breve contraponto. O susto dos olhos
                           pousa na transparência de dedos etéreos.
                           Aqueles olhos – tingidos de cor marinha –
                           vêem lá    lá bem longe    os marujos longes
                          dos horizontes de outrora. Vêem lá... o lúmen...
                         o pequeno barco que retorna.

                                  Longe.
                                 Longe...
                Velas ao vento. Velas, abertas, desvendando enigmas.
                Ah, rio Loire, são  tuas águas    um caldo de faíscas.

                      Dos mastros, o agudo silêncio se anuncia.
                         Não, não posso navegar teus longes.










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