

“Com a banda, fomos descobrindo as deficiências que as outras bandas também tinham e acabou que a gente juntou o nosso conhecimento técnico com a questão de produção executiva para bandas mesmo. Juntando também com técnicos de outras áreas, surgiu o coletivo”, diz Basto à Agência Brasil.
O músico relembra que a banda Quedalivre enviou material para muitos selos, mas ninguém aceitou, "nem responderam nenhum e-mail nosso. Ficamos decepcionados".
"Mas acabou que foi a melhor coisa que aconteceu, porque a gente teve que criar o nosso próprio selo e acabou sendo perfeito, porque tem todo mundo que a gente já conhece, com quem a gente já trabalha junto, bandas que não teriam espaço se não fosse a gente chegando com o novo selo”, conta Basto.
O selo independente AlterEgo existe efetivamente desde outubro de 2025, mas o lançamento oficial ocorreu somente em festival homônimo, realizado no dia 7 de fevereiro, no Rio de Janeiro. O evento marcou também o pré-lançamento do álbum Seres Urbanos, da banda Quedalivre, formada pelos músicos que idealizaram o selo e também o festival.
Atualmente, o selo AlterEgo tem uma equipe técnica composta por 22 pessoas, com até 25 anos, incluindo Victor Basto, diretor executivo do selo; João Mendonça, diretor de produção fonográfica; e a guitarrista vocalista da banda Quedalivre Lore Naias, diretora de eventos.
Os idealizadores do selo AlterEgo já conseguiram reunir mais de 25 bandas de diferentes estados.
O selo AlterEgo não está sozinho. Em 2024, uma pesquisa internacional realizada pelo grupo de consultoria do Reino Unido, MIDiA Research, mostrou que entidades independentes ou indies representaram 46,7% da participação no mercado mundial de música em 2023, movimentando US$ 14,3 bilhões.
Segundo a União Brasileira de Compositores, a produção independente “vem acompanhada de desafios, que incluem problemas com o streaming, a dificuldade para divulgar uma quantidade de artistas que se multiplica exponencialmente e a crescente concentração de receitas entre os maiores do setor”.
Ainda de acordo com a pesquisa global Estado da Economia da Música Independente: Fragmentação e consolidação da MIDiA Research, as gravadoras independentes priorizam o streaming, que representa a maior parte de sua receita, sendo que o Spotify responde por mais da metade desse valor.
A pesquisa mostra que elas também reconhecem, no entanto, os desafios do streaming: 87% das gravadoras independentes acreditam que está cada vez mais difícil fazer com que os artistas se destaquem e 78% têm dificuldade em manter o interesse dos fãs.
Dentro desse contexto e das dificuldades de se estabelecer no mercado, o selo AlterEgo funciona como um ecossistema cultural autogerido, ou seja, um coletivo. “Basicamente, quem compõe o selo internamente são várias pessoas da nossa idade, entre 21 a 25 anos mais ou menos. Todo mundo universitário, da área da economia criativa mesmo. Muita gente que já frequenta a cena, já trabalha na cena de rock e de blues, então, tem gente do design, fotógrafos, do audiovisual, técnico de som, muita gente. Até contador tem”.
Segundo Basto, o estilo de trabalho no AlterEgo é “faça você mesmo. Todo mundo tem essa proposta de produzir os próprios eventos, não se limitar às filosofias dos outros”. O produtor musical explicou que é comum, no meio da música, se ver produtores ou pessoas relevantes que colocam obstáculos a que músicos desconhecidos ou muito jovens estejam gravando em um estúdio gigante.
Mais do que um selo, o AlterEgo se apresenta como uma plataforma de articulação de uma geração que cria, produz e grava ela própria, à margem dos modelos convencionais. Para Victor Basto, fazer música deixa de ser uma expressão artística e passa a ser também um futuro ou trabalho coletivo.
“Está todo mundo envolvido. Não é sobre as próprias bandas. Tem toda uma estrutura, pessoas que já trabalhavam juntas, que já participavam mas que, agora, estão engajadas realmente em fazer o cenário crescer, para poder todo mundo viver do que a gente ama mesmo. Não é uma coisa individual de forma nenhuma”.
Mesmo com as dificuldades, Basto defende que é possível fazer música: “Basicamente, o que a gente está fazendo é conseguir mobilizar pessoas e a música sem necessariamente ter um investimento vultoso. Eu acho que até para bandas novas que já vieram falar conosco e que começaram por causa da gente, é muito importante que possamos mostrar que dá para fazer, sem ser nascido no berço de ouro da música. Sem aqueles investimentos vultosos dá para fazer coisa boa, sim”.

Os novos conteúdos sobre futebol feminino são todos dirigidos por mulheres. O destaque é o seriado A Copa das Favelas, da Preta Portê Filmes, uma empresa vocacionada, ou seja, com maioria de pessoas negras, indígenas ou com deficiência (PCD) em seu quadro societário. A produção receberá o teto de investimento disponível no edital para essa linha de fomento, de R$ 6 milhões.
"A produção A Copa das Favelas é a única série premium da chamada pública. A obra será a que vai receber mais recursos para seu desenvolvimento não por ser vocacionada, mas pela qualidade do projeto. Ela demonstra a maturidade e a potência do nosso audiovisual negro", ressalta Pellegrino.
Diretora artística e produtora da série, Juliana Vicente, explica o mote da nova atração. "A Copa das Favelas parte do futebol feminino nas periferias, mas não é apenas uma série sobre esporte. É uma narrativa sobre existência, pertencimento e construção de identidade", pontua.
"O futebol é o motor dramático, mas o que está em jogo são jovens mulheres que reivindicam visibilidade e protagonismo. Optamos pela ficção seriada porque ela permite aprofundar personagens e criar vínculo com o público, ampliando o alcance de histórias que muitas vezes permanecem restritas a recortes específicos. Quando uma narrativa nasce de um território concreto, ela ganha força para dialogar com o país inteiro e acreditamos que também tem potência para dialogar internacionalmente", destaca.
Juliana Vicente ressalta os diferenciais da chamada pública Seleção TV Brasil e enaltece os avanços na área. "A presença de empresas vocacionadas em editais como esse sinaliza um setor mais maduro. Políticas públicas eficientes não apenas viabilizam projetos, mas estruturam produtoras capazes de operar em escala e entregar obras com padrão premium".
A realizadora aponta como esse movimento favorece o desenvolvimento da indústria criativa. "Fortalece o mercado e posiciona o audiovisual brasileiro de forma mais competitiva, especialmente em um momento em que o futebol feminino está no centro do debate global, com a Copa do Mundo de 2027 sendo sediada no Brasil e mobilizando a atenção de diversos países".
"A série nasce dessa convergência entre autoria, estrutura e política pública. Estamos muito felizes com a parceria com a TV Brasil", disse a diretora Juliana Vicente sobre a concepção do seriado A Copa das Favelas.
Os outros três projetos dessa linha de fomento selecionados são O Maior Festival Feminino de Várzea do Mundo, da Big Bonsai Brasilis Produções; Toda Menina Futebol Clube, da Truque Produtora; e A Nossa Michael Jackson, da Pindorama Filmes.
A novidade comprova que a TV Brasil é a tela do futebol feminino. Além do incentivo à produção artística independente, a emissora pública transmite há três anos consecutivos as principais competições nacionais da modalidade que envolvem os clubes nacionais.
Pelo terceiro ano seguido, o canal exibe os mais importantes campeonatos de futebol feminino do país. A jornada esportiva da TV Brasil no calendário deste ano traz confrontos das Séries A1, A2 e A3, além de partidas decisivas das categorias de base.
Com mais de 50 jogos da modalidade previstos para a temporada, as transmissões da emissora estão integradas à estratégia da EBC, gestora da TV Brasil, de valorizar o esporte feminino no país, ampliar o acesso das pessoas às competições e promover a aproximação de torcedores com o público do canal.
A disputa no gramado adquire mais visibilidade ainda por meio da parceria com as emissoras que fazem parte da Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP) e retransmitem a programação da TV Brasil em seus estados. O canal gerido pela EBC tem os direitos de transmissão dos torneios realizados pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

Segundo a PRF, serão priorizados os corredores rodoviários que levam aos destinos mais procurados na folia - Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Santa Catarina, Bahia, Pernambuco, Paraíba e Ceará.
O reforço nesse tipo de fiscalização começou no dia 30 de janeiro, com o lançamento do Dia Nacional de Conscientização Álcool Zero no Trânsito. Naquela época, a PRF realizou, em todo o Brasil, 22.845 testes de alcoolemia, autuou 47 condutores por embriaguez ao volante e outros 368 por recusa ao teste que detecta a presença de álcool no organismo. Além das infrações de trânsito, 157 pessoas foram detidas por apresentar teor de álcool no organismo ou sinais de embriaguez que caracterizam crime de trânsito.
Além do esforço operacional, para o carnaval 2026 a PRF retomou uma parceria com a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), na campanha Carnaval sem Trauma, cujo objetivo é salvar vidas por meio da conscientização, tendo como foco central o uso de álcool na direção.
Segundo especialistas, mesmo em pequenas quantidades, o álcool compromete funções essenciais para a condução segura de veículos, pois atua diretamente no sistema nervoso central, reduzindo a capacidade de atenção, alterando o tempo de reação e prejudicando a coordenação motora. O álcool também afeta o julgamento, favorecendo decisões impulsivas e a falsa sensação de controle.
Em apoio à campanha no trânsito de rodovias federais, o Ministério das Mulheres vai promover campanhas informativas contra a agressão, assédio ou importunação sexual de mulheres no carnaval por meio da instalação de faixas da campanha em postos da PRF nas 27 capitais. Utilizando o serviço Ligue 180, a iniciativa visa lembrar a população sobre a importância de denunciar qualquer forma de agressão contra mulheres através da Central de Atendimento à Mulher.
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A PRF recomenda que quem deseja viajar no carnaval deve planejar o percurso fazendo a revisão mecânica do veículo. É fundamental verificar a presença e o funcionamento de todos os equipamentos obrigatórios, bem como a documentação do veículo e do condutor. Também recomenda-se respeitar os limites de velocidade e seguir a sinalização das estradas. Onde não existir sinalização ou se ela estiver prejudicada, deve-se manter a velocidade compatível com as condições da rodovia.
O condutor e todos os passageiros do veículo devem utilizar o cinto de segurança. Crianças menores de sete anos e meio devem usar o bebê conforto, cadeirinha ou assento de elevação. Em caso de descumprimento, o condutor do veículo poderá ter a viagem interrompida até a regularização da infração.
A ultrapassagem deve ser feita apenas pela esquerda, somente em locais permitidos e onde haja condições necessárias para execução da manobra com segurança. A PRF também pede cuidado com os pedestres, principalmente em perímetros urbanos cortados por rodovias. Sob chuva, deve-se acionar os limpadores de para-brisa, diminuir a velocidade e aumentar a distância em relação ao veículo que segue à frente.
Motociclistas e passageiros devem usar o capacete, mantendo distância das laterais traseiras dos veículos, que provocam o chamado ponto cego. Não é recomendável trafegar próximo a caminhões, pois o deslocamento de ar produzido por esses veículos pode desestabilizar a motocicleta.

O CEO da Nexus, Marcelo Tokarski, esclareceu nesta quinta-feira (12) à Agência Brasil que a ampla maioria - 62% dos consultados - sabe que há em debate, no âmbito do governo federal e do Congresso Nacional, a proposta de acabar com a escala 6x1.
De maneira genérica, 63% dos consultados se mostraram a favor do fim da escala 6x1. Ao serem indagados se tiver redução de salário continuaria a favor ou mudaria de opinião, 30% afirmaram ser favoráveis, desde que não se mexa no bolso dos trabalhadores.
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A mesma pergunta foi feita para os 22% que afirmaram ser contrários ao fim da jornada 6x1. Desses, 11% disseram que iriam continuar sendo contra, mas 10% responderam que “se não mexer no bolso, eu topo”.
Com a diminuição do salário, o total de pessoas favoráveis ao fim da escala cai para 28%, ou seja, a minoria. Outros 40% só são favoráveis à escala 6x1 se a medida for aprovada e não implicar em redução salarial. Há ainda 5% que se dizem favoráveis ao fim da jornada, mas ainda não têm opinião formada sobre a condicionante de manutenção ou redução dos salários.
Marcelo Tokarski avalia que a grande discussão no Congresso vai tratar da redução da jornada, com ou sem diminuição da remuneração dos trabalhadores. Para ele, o que a pesquisa mostra muito claramente é que quase todo mundo é favorável que tem que ter uma folga a mais. “Não dá para trabalhar seis dias e folgar um só”, disse.
“Essa é a grande questão, porque as empresas defendem que a jornada não seja reduzida mas, se houver redução, é com diminuição do salário. E os trabalhadores, de maneira geral, não topam uma redução de jornada com redução de salário”, explica.
De acordo com Marcelo Tokarski, o problema é que, no Brasil, país de renda média baixa, de trabalho mais precarizado, pouca gente aceita ter uma folga a mais se o salário diminuir.
“Acho que é um pouco essa leitura que a pesquisa nos traz e que joga luz sobre essa discussão”, disse.
A pesquisa aponta que 84% das pessoas acreditam que o trabalhador deveria ter duas folgas obrigatórias. “É quase um viés de desejo. Quem não quer ter folga a mais? Todo mundo quer. Agora, quando a gente coloca que você vai trabalhar um dia menos, mas vai ganhar menos, o cara não quer porque tem conta para pagar. Acho que é um pouco isso que o dado evidencia ali para a gente”.
O projeto de acabar com a jornada 6x1 tem mais aprovação por quem votou no presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Era uma promessa, uma bandeira defendida pelo governo também. É natural que quem votou no Lula tende a apoiar mais”, disse Marcelo Tokarski.
A pesquisa revela que 71% dos entrevistados que votaram no presidente Lula no segundo turno das eleições de 2022 são a favor do projeto de lei que propõe o fim da escala 6x1. Outros 15% são contra, enquanto 15% não opinaram. Já entre quem votou em Jair Bolsonaro nas últimas eleições presidenciais, 53% são a favor do fim das 44 horas de trabalho semanais, 32% são contrários e 15% não opinaram.
A PEC 148/2015 foi aprovada no dia 10 de dezembro do ano passado na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, mas ainda precisa passar por duas votações no plenário do Senado e duas na Câmara, com voto favorável de, pelo menos, 49 senadores e 308 deputados.
Se aprovada, o fim da escala 6x1 ocorrerá de forma gradual. No primeiro ano, serão mantidas as regras atuais. No ano seguinte, o número de descansos semanais subirá de um para dois. Atualmente, a jornada máxima semanal de trabalho é de 44 horas mas, a partir de 2027, poderá cair para 40 horas. O teto final será de 36 horas por semana de 2031 em diante. Anteriormente, o que se previa era que os empregadores não poderiam reduzir a remuneração dos trabalhadores para compensar o novo tempo de descanso. Esse ponto deverá ser votado pelo Congresso Nacional.
A pesquisa indagou dos entrevistados se acham que a proposta será aprovada pelo Congresso, e 52% disseram que sim, contra 35% que responderam que não. Outros 13% não opinaram. E apenas 12% afirmaram entender bem a PEC.

Em janeiro, o indicador havia subido 0,5 ponto, aproximando-se do nível de neutralidade. O novo recuo ocorre após o Banco Central fixar a taxa básica de juros, a Selic, em 15% ao ano, nível que mantém o Brasil entre os países com maiores juros reais do mundo.
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Para a CNI, o ambiente de juros elevados impacta tanto o crédito quanto as expectativas dos empresários. “O patamar elevado das taxas de juros afeta a atividade industrial de algumas formas. Uma delas é por meio do encarecimento do crédito, tanto para empresários quanto para os consumidores. Isso desacelera a atividade econômica”, afirma, em nota, Larissa Nocko, especialista em políticas e indústria da entidade.
Segundo ela, a política monetária restritiva também influencia as projeções para os próximos meses. “Diante de uma política monetária mais apertada, os empresários tendem a projetar o enfraquecimento da economia lá na frente, impactando a projeção de demanda deles”, acrescenta.
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Os dois componentes do ICEI registraram queda em fevereiro. O Índice de Condições Atuais recuou 0,2 ponto, para 43,8 pontos, indicando que os industriais avaliam que tanto a economia brasileira quanto os próprios negócios estão piores do que há seis meses.
A piora foi puxada principalmente por uma percepção mais negativa sobre a situação das próprias empresas, apesar de leve melhora na avaliação do cenário econômico geral.
Já o Índice de Expectativas caiu de 50,7 para 50,4 pontos. Embora permaneça acima da linha divisória de 50 pontos, o que indica perspectivas positivas para os próximos seis meses, houve deterioração nas projeções do desempenho das empresas. A piora, ressalta a CNI, ocorre mesmo com melhora nas expectativas em relação à economia para o mesmo período.
A pesquisa ouviu 1.103 empresas entre os dias 2 e 6 de fevereiro de 2026. Desse total, 454 são pequenas, 400 médias e 249 grandes indústrias.