V
Num quarto de hotel, em Anápolis, Alex e Léo décadas depois.
Alex fez uma pausa, viu Léo cochilando no sofá e lhe chamou a atenção:
— Ei, já dormindo?
Léo se levantou sofrivelmente com seus cinquenta e dois anos de idade e setenta de fadiga. Alex continuou:
— Como pôde ficar tão acabado em tão pouco tempo?
— Acabado a vovozinha! Estou cansado porque caminhei o dia todo.
— Eu já escrevi muito, é uma pena que ainda não dê um livro.
— Você não pode ter escrito tanto, escreveu só por alguns minutos...
— O que eu posso escrever aqui?
— Sem este papo de menino inseguro, agora eu quero saber de tudo. Tudo mesmo... Eu vou ler isto aí, eu te digo o que está faltando.
Algum tempo depois, Léo acabava a leitura.
— Você lembrou de tudo desde quando nasceu?
— Nascimento não, mas lembrei de coisas anteriores as grandes civilizações...
— Você acha que é Deus?
— Não, também não acredito n'Ele... Você deve estar se perguntando. Como ele viveu com tudo o que sabia?
— Estou me perguntando é, como sabendo tudo o que sabe, consegue manter este sorriso lavado na cara. Lembro do Alex que saltava as barrigadas na piscina e depois ficava me enchendo a paciência para que eu lhe desse uma nota. Hoje vejo este idiota que jogou tudo fora...
— Explicarei tudo o que quiser depois. Agora, por favor, me fale sobre ela.
— Ainda a ama?
— Eu não deixei de amá-la nem por um segundo.
— Alex... Alex... Juro que não lhe compreendo. Desculpe, mas tenho que falar. Você é o cara mais burro que conheci ou que acredito que eu vá conhecer na minha vida... você leva vantagem em todos os outros que conhecerei no futuro.
— Não joguei minha vida fora, eu a perdi. Eu envelheço, tornei um homem, como você.
— E por isto você virou mendigo.
— Eu vivia em um mundo de trevas e solidão, você me libertou dele. Agora eu quero continuar minha vida, fale de Maria, ela...
— Está viva, tem filho, é viúva se isto lhe agrada. Contudo, e, todavia, o senhor Leonardo aqui, não vai deixá-lo brincar com os sentimentos dela novamente.
— Eu a amo.
— Desculpe-me Alex, eu te amo, te esperei por estas três décadas, não houve noite que não me lembrasse de você. Seus textos me socorreram do abismo que caia. Porém, não posso. Algumas horas atrás você era um mendigo velho comendo lixo. Agora quer voltar para Maria... Anos depois com qual alegação?
— Eu a amo.
— Precisará de um argumento melhor, este deixou de colar já faz trinta anos.
— Eu me amaldiçoei num pesadelo que me levava a morte. Antes que visse seus olhos hoje, não lembraram de você ou de Maria. Devo ter passado algumas centenas de vezes pela Matriz na Avenida Goiás, quantas vezes pedi esmolas lá, e só agora que te vejo lembro que foi ali, que conheci o meu amor. Coloco-te a par de tudo, prometo. Mas preciso saber se confia em mim.
Léo inquietou se caminhou até a minúscula cozinha anexada ao quarto bebeu água, e buscou coragem para dizer algo que lhe contrariava, não conseguiu. O que disse foi a verdade o que lhe agradava a alma:
— Droga, cara! Eu acredito.
E Léo sentindo-se trinta anos mais jovem, acomodou-se na cama ouvindo do maior amigo os fatos de uma vida que nenhum homem jamais ouviria.
Bem cedo seguiram para Goiânia. Alex ficou hospedado em um bom hotel. Providencias foram tomadas para que nada lhe faltasse ou atrapalhasse, assim pudesse terminar seu livro.
* * *
Na tarde de sábado o velho Alex adentrou a floricultura do shopping. Assustou ao ver Rosa, com toda sua juventude. A pequena sorriu ao perceber sua chegada e aguardou que se aproximasse.
— Você é como eu? — perguntou Alex.
— Sim.
— E o que somos?
— Chegou o dia de você saber. Caminharemos um pouquinho.
Rosa chamou Fernando, rapaz que a ajudava na floricultura, e o entregou a responsabilidade da loja. Enquanto caminhavam pelos corredores do shopping, Alex advertiu sobre a necessidade de precaução:
— Poderão ouvir.
— Com os filmes de hoje e tanta maluquice que se vê, ninguém dará importância se ouvir uma ou outra palavra. Deixe-me contar. Você deve estar confuso apesar desta aparência imperturbável. Tem motivos para isto e eu não me preocuparia se sentisse melancólico.
— Hoje sou igual a qualquer um.
— Sei que é, e sei também que, no fundo não se sente comum.
— E nem posso sabendo o que sei.
— O que sabe?
Alex intrigou-se, e permaneceu calado até que jovem continuasse.
— No princípio, éramos todos assim. Vivíamos séculos e séculos. A morte era a última passagem aos que alcançaram o fim único. Algumas pessoas desrespeitaram a caridade, àquilo que nos sustentavam, e por isto pereceriam, não havia exceções.
— Eu desrespeitei esta norma?
— Sim, infelizmente.
— E o que nos sustenta?
— O amor.
— Que eu fiz?
— Você foi covarde agindo por luxúria.
— Volúpia! — exclamou Alex com rancor — Nunca agi pelo prazer.
— Será que não?
— Não! Nunca!
— Está sendo pretensioso, e isso pode ser seu maior pecado. Você é virgem?
— Sim... — hesitou Alex — Uma vez, me lembro apenas uma vez.
— Então fraquejou... — insinuou Rosa com um sorriso leve.
— Não me faça rir. Todos agem assim. Além do mais, fui tentado. O que queria que eu fizesse.
— É uma pena Alex, você teve escolha, mas não dê tanta ênfase a palavra luxúria. Não pense que estou sendo radical e moralista dizendo que a perda de sua mortalidade seja um castigo por não ter respeitado a castidade, por não ser mais virgem. Tornou-se mortal porque foi covarde.
Alex que caminhava junto a Rosa, parou bruscamente e a afrontou falando com rancor:
— Todo o mundo faz isto o tempo todo. Um jovem não chega a duas décadas sem fazer sexo, eu fiz uma vez em um verão, aos milhões de anos e perco minha imortalidade.
— Sim e não. Perdeu com certeza, mas poderia tê-lo evitado se tivesse mais coragem. — disse Rosa serenamente.
— Se eu tivesse mais coragem, teria caído na luxúria fazendo sexo com a primeira menina que’eu encontrasse pela frente.
— Se tivesse coragem teria caído na Maria. — provocou Rosa.
Alex pensou alguns segundos, depois continuou:
— Eles podem, nós não?
— Sim, ou melhor, não! Eles são mortais, frágeis, eles inevitavelmente irão morrer. Além disso, um erro é apenas consequência de outro. Pelo jeito que fala, tenho minha dúvida, acredito que devemos falar não em luxúria, mas sim em covardia!
— Covardia?
— Olhe para dentro de si. Veja o que lhe culpa, quando descobrir irá saber o que te mata.
— Luxúria, pretensão, castidade, covardia! Você acha mesmo que isto tem algum sentido! O que pode para alguns é proibido para outros.... Quem está certo? Quem está errado? Isto é tudo muito relativo... Quem inventa estar regras?
— São regras é o amor... é Deus, o que não faz bem, faz mal... é óbvio não?
— Nem tanto, e também não acredito em Deus.
— Pois, bem, acredito que deve se sentir muito sozinho então.
— Sou sozinho... Eu não acredito no que você está falando. Quem é você? Como sabe disso?
— Não se intrigue. — disse a jovem calmamente enquanto posicionava o velho Alex ao seu lado continuando assim a caminhar. — Sou como você, o que te intriga é como sei de tudo. Não pergunte! Eu respondo. Começo de um passado antes da história. Como eu disse, somos sustentados pelo amor. É ele nossa fonte de vida. Ele nos dá a longevidade, a insensibilidade. Ele nos torna tão estúpidos para podermos viver tanto, um homem não conseguiria tal longevidade, sem sofrer uma pane no seu cérebro. Sem ambição, sem dúvidas existenciais, sem preocupações humanas; vivemos por milênios sem modificar nada. Os primeiros homens a se acovardarem, tornaram-se fracos, pecaram, ou seja, se afastaram do amor; perderam a longevidade. De qualquer forma poderiam ser dignos e a misericórdia do Criador os colocavam como filhos d’Ele, logo poderiam ser salvos.
— Nossa! Muito consolador. — ironizou Alex.
— O sarcasmo também é característica destes pecadores, os covardes.
— É reversível, alguém pode recuperar a mortalidade?
— Não, o tempo não para... Então não há como desfazer o que foi feito.
— E os que nasceram depois?
— Os filhos dos mortais, também são mortais, levam com ele sua sina.
— O pecado original.
— É... — sussurrou Rosa.
— É impossível? — gritou Alex.
— Deus coordena, não eu. Nada é impossível para Ele.
— Então é impossível.
— Continua ateu... Como pensa que conseguiu viver tanto?
— Fui atencioso e ralei muito, nada devo a Este. Caminhei diariamente em minha existência solitária. Busquei com cautela aqueles que podiam me fazer companhia. Este ‘Ele’ não me ajudou em nada.
— Nunca esteve sozinho. Não houve um só segundo em que Ele não estivesse contigo.
— Então “Ele” esteve comigo, quando meus pais me deixaram para um grupo de doentes mentais, que me adoravam e me prendiam junto a animais, nos séculos que fui escravo. Ele estava comigo enquanto me cortavam e me mergulhavam em merda. Um macaco seria mais humano. Digo que se Ele esteve comigo e permitiu que estas coisas acontecessem não preciso d’Ele junto a mim.
— Eu não sabia... sinto!
— Não sente nada Rosa, como eu, você é incapaz de sentir. Repetimos o comportamento destas pessoas: desculpe-me; meus pêsames; eu sinto; que penas; que bom. Somos bonecos incapazes de morrer...
Rosa levantou a mão, segurava uma única rosa-vermelha.
— Não posso te ensinar, muito. É bom que saiba que seus pais te amaram muito. Eles foram capturados em um ataque de bárbaros Persas, enquanto atravessavam o norte de Canaã. O deserto ao leste do Mediterrâneo. Você era um bebê. Seus pais forma presos, sofreram muito, quando seus algozes descobriram a grande resistência deles. Presos em uma grande fornalha decidiram por morrer no terceiro dia.
Alex agitou a cabeça tentando afastar de sua mente as imagens que formavam:
— Você ama este Deus? Quem Ele é?
— Ele é Aquele que guia do cego, a criança e os movimentos do universo. Ele é a felicidade. O tudo e o nada. É a luz da vida que ilumina os corações até dos que não o ama.
— Tudo que’eu queria era ser feliz, uma vez... uma vez apenas...
Um silêncio se fez por alguns instantes, Rosa o quebrou pedindo a Alex que a conduzisse até um parque à frente do shopping. Lá debaixo de uma grande árvore se sentaram no chão, e por alguns instantes a jovem Rosa parecia olhar a rosa em suas mãos.
— Alex, nós todos somos felizes. Olha você! Forte, com seus cinquenta anos; é um bonitão. Deve ter um monte de senhoras por aí que te veem como um bom partido... E tem aquela jovem que você a ama, ela está sozinha...
— Como sabe?
— Ah, Alex! Existe um monte de gente no mundo, você pode se apaixonar por dezenas delas, mas o verdadeiro amor, é predestinação divina. Não dá para saber quem poderá viver com você por cinquenta ou sessenta anos. Só Deus sabe isto, e se teu amor é verdadeiro não tema, você nunca irá perdê-la... sempre terá chances...
— Você já amou alguém...
— Ah, claro que sim...
— Conte!
Rosa suspirou profundamente, e sorriu:
— Foi há duzentos anos e eu ainda me lembro do seu olhar tímido, do seu sorriso bobo... Alguns até diriam que o jovem era um trabalhador esforçado, pois acordava todos os dias às cinco da manhã para trabalhar na feira, mas verdade que com a inteligência que tinha era um acomodado. Poderia ser o que quisesse, mas passava todas as manhãs na feira e as tardes a rabiscar prosas e versos num pequeno caderno de páginas amareladas que mantinha perto de si.
— Como você o conheceu?
— Ele vendia frutas. Adoro frutas, principalmente mangas... Ele me olhava como bobo, eu tinha uma malícia... Ah! Deus me perdoe, mas nasci maliciosa para estas coisas. Seus agrados não passavam do arredondar das contas para um valor inferior ou quando retirava de um caixote colocado abaixo da barraca as frutas mais belas e mais doces que dizia ele ter colhido para mim.
“Num dia em que cortava a feira, ele me chamou. “Pequena!” — exclamou antes de me perguntar porque não levaria uma fruta. Eu saia da casa de minha tutora desprevenida, não tinha dinheiro, mas não o disse; falei apenas que ia à casa de uma amiga, e que outro dia compraria. Caminhei afastando, mas logo a frente ouvi a voz dele, “senhorinha” — disse. Virei e ele me entregou uma manga num saco de papel, que peguei e sai correndo sem pensar muito. Só bem distante dali, fui me perguntar se teria sido certo aceitar o presente.
“Voltei a feira dois dias depois e ele se mostrou muito alegre, excedendo em cortesias, queria me presentear com todas as frutas de sua banca, se não com todas as frutas da feira, mas limitou-se a ficar a certa distância, sempre me respeitoso... Passaram três semanas em que tentei desfazer dele todo aquele entusiasmo. Ele até se apresentava, — Dirceu Silva — contudo nada parecia tirar do jovem aquela alegria e paixão em me ver.”
“Tudo aquilo já me incomodava bastante. Não havia em minha vida lugar para algo assim. Eu uma jovem imortal vivendo num país novo aos cuidados de uma tutora portuguesa que recebera de seus avós a responsabilidade de guardar-me e protege-me, sendo cortejada por um feirante na cidade do Rio de Janeiro. Que mais fazer se não acabar com as expectativas do jovem...
“Assim cheguei ao final da feira quando ele já guardava as mercadorias, e o chamei. Ele demonstrou um entusiasmo que ao fundo me machucou um pouco, mas não volto em minha decisão e assim disse as mesmas palavras que já havia pensado quando sai de casa. Eu o disse que me culpava por aceitar aquele presente que me dera, além das cortesias, visto que eu sabia que fazendo assim poderia dar a entender que, de alguma forma via a possibilidade de haver algo que nunca aconteceria, afirmei dizendo que não teria chances e que não cultivasse esperanças...
“Ah, como fui estúpida acreditando que pudesse tirar as esperanças de um jovem sonhador..., mas continuei minha vida. Minha tia me apresentou o filho de um senhor latifundiário. Josué tinha vinte e oito anos era bem-humorado e muito carinhoso, acredito que sua criação sem mãe o tornou um tanto carente, mas não tenho o que me queixar, foi este o primeiro rapaz que beijei naquele século.
“Era isto, meu primeiro relacionamento naquele século fazia-se necessário, minha tutora já não tinha dinheiro, e só um casamento poderia nos salvar, e a escolha era óbvia. Nada melhor que um semi-ateu, pois este, sem a obscuridade da visão religiosa daqueles anos não nos viria como bruxas.
“Passamos tempos entre as cortesias e namoricos, o jovem feirante surgia sempre em minha mente quando sentia vontade de comer uma daquelas frutas. Demorou mais de um ano para vê-lo novamente, quando acompanhado de meu namorado, cheguei à feira. Só me toquei de onde estava quando cheguei de frente à barraca. Dirceu me olhou assustado, tão logo ficou cabisbaixo, e continuou a atender os clientes sem ter coragem de me olhar nos olhos... Pensei em ir embora, mas talvez ele entendesse este ato como desprezo, então me aproximei, e fui selecionando algumas frutas e colocando-as numa bacia. Passada a época das frutas frescas as poucas que tinham eram bastante maduras, e não me agradavam. Dirceu se curvou, e pegou três mangas que não estavam tão maduras, e as entregou em um saquinho de papel para que os outros clientes não vissem. “Guardei para você... passou todo o tempo das mangas e você não veio...” Dirceu falava baixo e tremulo, pude ver seus olhos turvarem enquanto se afastava.
“Naquela noite adereçada como uma boneca, esperei meu futuro sogro, enquanto em minha mente não passava nada além da imagem de Dirceu. Eu me questionava sobre o porquê daquela paixão... uma paixão sem beijos ou abraços. Por alguns instantes tentei colocar-me em seu lugar, não consegui, e assim segui a convenção do ter-que-conhecer-mais, do ter-que-se-beijar, para aquele dia do ter-que-fazer-sexo, até do ter-que-ver-morrer...
“Mais três dias, pensando em Dirceu, decidi em acordar bem cedo e ir à feira. Encontre o pai do rapaz que tirava da carroça as caixas com as frutas. Tão logo me aproximei ele me pediu que esperasse, apontou para seu filho e disse que aguardasse um momento que ele iria pegar as frutas que...
"Eu me adiantei disse querer outra coisa, “seu filho!” — exclamei, puxando o jovem tão rapidamente que seu pai mal teve tempo para fazer qualquer comentário.
“Agora? — Perguntei, mas o jovem em nada era um conquistador, decerto era demasiadamente tímido... nem tanto...
— Vocês se beijaram? — perguntou Alex.
— Sim... Foram cinquenta anos, muitas coisas aconteceram.... Não foi fácil terminar meu namoro com Josué, e não pelo amor, mas pela honra dele. Em nome desta honra minha tia e eu tivemos que nos mudar para São Paulo onde comecei a vender flores para sustentar-nos. Passou mais um ano para eu poder voltar sozinha, e reencontrar Dirceu. Não sei ao certo se foram pelos meus atos ou pela pobreza, talvez pelas duas, mas minha tia nunca mais foi aceita na sociedade carioca, assim, continuou em São Paulo, e eu mandava para ela algum dinheiro todos os meses através de um mercador tio de meu Amor, até alguns anos depois em que ela tomou um barco e voltou para Portugal. Mesmo passado anos em que meu único contato com ela fosse por cartas, doeu muito saber que ela se afastava tanto. Eu sentia de certa forma sozinha por não poder compartilhar meu segredo, logo vi ter chegado a hora de contar a meu amor sobre minha imortalidade... Ele nunca me pediu provas, foram os anos que comprovaram tudo. Ele envelhecendo, e eu sempre jovem. Ele dizia que desde que me conhecera sabia que eu era especial, e sempre repetia que ver-me sempre jovem era um presente de Deus para ele. Fugimos de cidade a cidade por todo litoral e depois nos aventuramos ao Centro-Oeste ocultando das línguas e dos preconceitos humanos, mas nem um dia nos consideramos infelizes... — pequena pausa — Numa manhã cinzenta ele partiu deixando-me um sonho realizado... Vá embora Alex, é sua terceira rosa-vermelha, faça sua parte...
***
O jovem pegou a flor e distanciou alguns metros antes que dúvidas lhe viessem à mente:
— Como você ficou cega?
— O porquê seria mais conveniente... e já respondendo digo, que se não vejo Dirceu, talvez ele esteja aqui perto de mim, me olhando... sorrindo para mim...
Alex caminhou de forma ébria, tudo o perturbava.
— Não se escandalize Alex, estes últimos trinta anos você viveu a história. É importante. Agora vá lá e viva a Lenda! Dizem que o amor vence a morte e que aquele que ama salva os seus. Vá Alex! Vá viver a Lenda!
Alex ouviu as palavras, mas não as compreendeu.













