V
Em uma noite de domingo quando as ruas próximas ao Centro estavam abandonadas, Alex sentiu pavor ao ver-se absolutamente sozinho. Correu como um alucinado, seguiu por centenas de metros, e não parou mesmo ao ver grandes grupos. Tomou a direção da Matriz e adentrou. A Igreja estava cheia, ofegante caminhou pelos corredores entre os bancos esperando encontrar ali, algum homem ou mulher mais acomodado a quem poderia pedir um espaço para se sentar.
Percebeu haver numa das primeiras poltronas uma jovem que se acomodava sozinha. Aproximou e sorriu ao ver Maria. Ela se levantou assustada e teve uma crise de risos. O padre olhou o casal, e olhando ao céu fez uma prece em pensamento.
Maria se aquietou ao ver envergonhar Alex. E os dois ficaram juntos toda a missa. Ao fim caminharam pela Avenida Goiás, e riam, riam muito mesmo. Riam de qualquer besteira. Maria contava as coisas que aconteceram, e Alex sobre as coisas que queria que tivesse acontecido. Nesta noite Maria deixou que muitos ônibus partissem antes de se despedir.
Marcaram de se encontrarem na quarta-feira, e Alex perdia o sono pensando sobre as coisas que poderia acontecer e pelas coisas que gostaria que acontecesse.
Quarta-feira chegou, eles se encontraram na porta do hospital. E foram à casa dos tios de Maria, jantaram e conversavam até tarde. Alex contava com otimismo tudo o que aconteceu entre ele e Léo. Era sincero, mesmo com a distância continuava a tê-lo com muita estima.
Maria revelou que Léo pediu demissão, que o relacionamento com Sandrinha parecia ter sido desfeito e que ele poderia até mudar para o interior de São Paulo, onde os irmãos de seu pai pensavam em construir uma clínica.
Muito conversaram, tocavam-se com leveza e inocência. Sentiam se atraídos. Olharam olhos nos olhos, e sorriram juntos mais uma vez. Respiravam profundamente, cada um tentando acalmar-se, acreditando que o outro estava calmo. Acalmaram-se juntos quando uniram os lábios num tímido beijo.













