XVI
Passaram três meses, os jovens pareciam ainda mais distantes. Maria e Léo encontravam-se pouquíssimas vezes quando saiam do hospital. Apenas cumprimentos, nada era como antes. Até a amizade deles fora conturbada com a falta de franqueza.
Nestes novos tempos, Léo acabou por conquistando a fogosa Sandrinha. Não por esforço, mas por atração. Atração à casa grande, ao conforto e pela comodidade. Sandrinha seguia para casa dos rapazes ao término da aula, e ficava ora bronzeando, ora nadando com algumas amigas até Léo regressar do trabalho. Um garoto não resistiria às belas caminhando em tarjes tão curtos e sensuais por seu quintal sem reservar alguns minutos para observar. Alex, ao contrário do que se espera, ficava quase todo o dia no escritório a escrever e revisar textos escritos. Saia apenas para fazer sala, não deixando nunca que as garotas o vissem, ou se incomodasse.
Sempre falava com delicadeza e em tom baixo, e mesmo as risadas mais escandalosas, e o som às vezes abusivo que o atrapalhava, não eram motivos de reclamação ou comentários.
Algumas poucas semanas foram suficientes para que algumas das garotas tomasse mais liberdade em suas ações, em especial Vanessa, moça de olhos cor de mel, pele morena clara, olhos dissimulados e voz de quem pede.
Vanessa entrava no escritório sem bater, se colocava atrás de Alex lendo o que era digitado. Inspirava profundamente e expirava soprando, o ar quente que passava pela orelha e tocava lhe boa parte do rosto do rapaz. Ao virar, Alex, apreciava por alguns segundo seu hálito antes de questioná-la sobre os motivos de sua presença. Não havia nenhum motivo, a jovem deitava no divã, então repousava e murmurava algo inteligível até ter toda a atenção do rapaz. Alguns minutos e Alex já se levantava e ia à cozinha preparar algo para as garotas. Nunca preparava nada light ou diet, alegava que as garotas não precisavam, e no que Alex insistia, e as jovens recusavam, acabava ganhando alguns minutos a sós.
Um clima sensual adentrava a casa junto àquelas companhias. Alex não tinha dúvidas sobre o que acontecia no quarto, nas horas que Léo e Sandrinha permaneciam isolados. O que não fazia com que visse aquilo diferentemente, via sim, como algo totalmente alheio a ele. Sabia quem era... Sabia ser, um imortal, mas sempre jovem, que mudara pr'aquela cidade interessado em sentir alguma responsabilidade. Ele nunca se sentiu como os outros.
Sabia que conseguiria fazer sexo, conhecia seu corpo. Sabia que conseguiria amar. Já ser amado? Isto era algo que ainda lhe faltava saber. Era esta a dúvida que o mantinha acordado a noite, algumas vezes até o nascer do sol.
***
Dia após dia recolhendo-se ao escritório, preparando comida ruim, e dizendo estar muito ocupado concluindo algum trabalho, fato é, que até aquele momento o anfitrião não repousara os olhos no corpo de nenhuma de suas atraentes hóspedes.
Neste clima de vergonha e tentações. Alex viu-se chamado. Defendo meu amigo, não foi culpa dele, mas de seus olhos, seus instintos nominaram. Não conseguia mais se concentrar, caminhava pelos cômodos da casa, em um comportamento misto onde ora procura, ora se escondia das janelas onde poderia vê-las lançadas às águas da piscina ou ao sol. Em uma destas tardes de forte calor, que Vanessa deitou no divã. Alegando que não aguentava o calor, Alex ligou o ar-condicionado do escritório. Alex a fitou e sorriu abertamente pela primeira vez. A jovem notou e não se conteve nem um segundo, aproximou:
— Então está felizinho hoje? — perguntou Vanessa.
— Gostei de você. — afirmou Alex.
— Gostou? — perguntou em tom insinuante — de quê?
— És dissimulada, tem comportamento instável, volúvel. Não é nem um pouco parecida comigo, e não me pergunte o porquê, mas gosto disto.
— Basta que goste.
Numa mistura de calor e frio, a inocência fez volúpia, dos pesares se fizeram gozos. Alex foi deflorado, a vida vazou de seu corpo, e ao consumar sentiu prazer e muita culpa.













