XV
— Hoje dá? — perguntou Sílvio.
— Sim, ele estará aqui no final da aula.
Acabada a aula, o casal se dirigiu ao portão de entrada onde Alex já aguardava. Os cumprimentos entre os rapazes foram rápidos, e tendo Sílvio dúvidas sobre a história, insistiu que os jovens fossem primeiro para uma sala de aula vazia onde pudesse conversar.
Já na sala, 107 B.
— Anna disse que procura um médico. — falou Sílvio
— Bem, a verdade é que’eu procuro respostas.
— Seria muita pretensão saber quais as perguntas?
— Não, mas em que ajudaria.
— Em muito. Algumas questões podem esclarecer se necessita de um psicólogo para alguns aconselhamentos, um psiquiatra, talvez um neurologista.
— Como posso ajudar?
— Me Responda. Você se lembra, de sua infância, da escola, de seus pais?
— De algumas coisas lembro como vultos, outras não. O que me preocupa são fatos que aconteceram nos últimos anos os quais não consigo me lembrar. Para ser específico, desejo me lembrar da época que conheci o Tio.
— Você deve querer lembrar de sua infância, está aí a chave de seus problemas.
— Não, Sílvio. Minha infância está longe demais até para mim. A chave de tudo é algo que aconteceu depois que conheci o Tio. Foi nestes dias que’eu tive essa amnésia.
— Já tentou contou a alguém sobre estes dias, mesmo que sejam poucas lembranças, uma história puxa a outra.
— Me torturo todos os dias, não consigo.
— Posso lhe ajudar.
— Como?
— Se eu lhe pedir que feche os olhos e me ouça... — Sílvio é interrompido por Alex.
— Ok! Ambos sabemos exatamente o que fazer. Boa sorte! — disse Alex acomodando-se no banco.
— Anna. — disse Sílvio — Feche a porta... Começaremos.
* * *
No dia seguinte.
— Imortal, imortal — dizia Sílvio repetidamente.
— Imortal sim, pelo menos foi a conclusão de sua seção de hipnose? — afirmou Caroline.
— Pensei que ele estivesse brincando... Até que ele se furou com a caneta.
— E você não se conformou.
— E você acha fácil acreditar em algo assim.
— Não, mas precisava tê-lo furado mais?
— Foi pra ter certeza...













