XI

Quando Alex chegou à área de alimentação do shopping, Caroline já o esperava:

Sentaram lado a lado.

— Pensei que ninguém viria. — disse Caroline

Alex tinha um sorriso armado que disfarçava um pouco de seu estado abatido.

— O Sílvio não veio?

— Como vê, não. Eu não consegui falar com ele ontem. Saiu com seu irmão, Eric, é o melhor amigo dele, liguei novamente hoje pela manhã e ele já estava novamente na rua. Deixei o recado com sua mãe. Dizendo podermos chegar mais cedo. Agora é esperar... Talvez duas horas.

— Tudo bem.

— Vejo que está triste, é pela Maria.

Alex agitou a cabeça, não como negação, mas como repulsa.

— Maria... Ouvi algumas coisas de Léo que me perturbaram.

— Quer me contar.

— Não queria lhe encher com estas coisas.

— Vamos lá, talvez se pensarmos juntos podemos resolver.

— Resolver não... Vou lhe contar. Léo disse que Maria não gosta de mim.

— Ela disse isto a ele.

— Não, foram conclusões dele.

Caroline sorriu:

— E você acredita, e confia no que ele lhe disse.

— São conclusões inteligentes.

— Hum, conclusões inteligentes que se baseiam em quê?

— Não quero falar, é humilhante demais.

— Você me permitiria supor.

— Claro, só não acredito que você possa ao menos imaginar.

— Vou tentar... Você se esforçou para lhe notasse, mas ela não demonstrou, não correspondeu... Léo como seu amigo, acabou por se ofender por isto.

— Eu devia ter falado para ela o que’eu sentia, a verdade. Ser sincero.

— Ser sincero? Poucas pessoas são, com você é.

— Por que só eu não compreendo isto?

Caroline se aproximou do novo amigo e lhe deu um forte abraço:

— Não pense muito sobre isto. Maria perdeu um partidão. Você pode agora estar pensando que não encontrará melhor, mais um monte de outras coisas pessimistas. Porém, a verdade é uma: você não pode ser feliz com ela.

— Por quê!?

As pessoas sentadas nas outras mesas olhavam o casal estranhando a altura que Alex falou, mas não se preocupavam, pois, Caroline mantinha um sorriso muito aberto.

— Vocês são muito diferentes. Você nunca se perguntou sobre a necessidade de ser correspondido no que sente. Em ser compreendido no seu jeito.

— Ela é especial é linda em tudo...

— A beleza maior está em seus olhos. Um dia compreenderá tudo o que te falo, um dia quando encontrar alguém que também lhe ame... — Caroline fixou o olhar aos olhos de Alex, vendo-o de forma tão profunda que parecia poder ver sua alma. — Você sofreu uma grande desilusão no amor, não foi?

— Não! Ela foi à primeira pessoa que amei.

— Você nunca se apaixonou?

— Não...

— Estranho! Seja sincero. Houve alguém, não?

Alex tampou os olhos com a mão direita enquanto chorava:

— Não sei, não sei, não sei. De onde vim, quando nasci, quem foram meus pais. Não sei se amei, se chorei. Lembro-me apenas que sempre vivi.

— Como?

Este cara aqui, não tem um passado. Não se lembra, de nada, tão somente de vultos, pesadelos.

— Quer dizer que... O que você quer dizer realmente?

— Que não me lembro de nada que aconteceu comigo, nos últimos anos. — Alex desabafou seu segredo, então sorriu, e mais calmo continuou: — Desculpe-me, estou te confundindo. Você me deu um pouco de sua atenção, e eu lhe tomo toda a tarde e ânimo. Por hora digo que tive péssimas horas, e acredito que com uma ajudinha tua eu possa esquecer isto tudo... — tomou uma pausa e brincou: as mulheres nos deixam doidos.

O casal caminhou até um banco comprido num canto da área de alimentação, onde sentaram lado-a-lado. Caroline levou o diálogo à ficção, Alex descreveu um conto; um único que não descrevia a imagem idealizada de seu amor por Maria.

Era uma ficção cientifica muito pobre em descrições. Devemos compreender que estes conhecimentos faltavam a nosso herói. Passaram se duas horas, tempo suficiente para que as lágrimas secassem e que os sorrisos surgissem na face com toda a vivacidade dos jovens.

— Por que não lhe encontrei antes? — Perguntou Alex, que se aproximou buscando no cheiro da jovem a prova inquestionável de sua existência.

Do outro lado da área de alimentação, Sílvio envergonhado pelo que pensavam os clientes do shopping que o via em frenética procura avistava ao longe sua amiga e o desconhecido rapaz.

Em um movimento entusiasmado Caroline se lançou à frente, enquanto o intimou:

— Comporte-se menino!

Levado por necessidade humana instintiva consequência talvez de sua carência. Alex lançou-se num beijo. Que por tão inesperado paralisou a jovem.

Sílvio que observava virou rapidamente num giro de 180 graus, e partiu sem qualquer intuito de retornar.

— Não! Não é assim! — exclamou Caroline — Você não pode levar as coisas assim.

Alex cuja vergonha lhe tomara até o controle dos membros curvou-se a ponto repousar o peito nas pernas.

— Desculpe-me. — sussurrou Alex.

— Quê? — perguntou Caroline mesmo tendo compreendido o pedido.

— Não sei o que há comigo. Aconteceram muitas coisas. Não estava, e não estou pronto para enfrentar a metade do que enfrentei. Verdade é que sou imaturo. Não queria te ofender. — disse Alex enquanto se levantava — Vou embora, não é momento apropriado para isto.

Alex gesticulava inquietamente.

— Acalme, Alex. Sente-se. Vou relevar, vejo que você não está bem, mesmo.

— Não é você. Foi maravilhoso poder me desabafar contigo, mas preciso ficar sozinho. Quero ficar sozinho, hoje; só hoje.

Caroline se levantou e deu um forte abraço no amigo:

— Veja o que faz. Lembre-se que tem uma amiga aqui que gosta muito de você.

— Obrigado Caroline.

— Carol! — corrigiu Caroline.

Caroline belisca fortemente a barriga de Alex, que grita.

— E isto é pelo atrevimento. — disse.

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