WWW.TUUUIR.KIT.NET *--------------------------------------------------------------------------------------*
Epístola aos Hebreus
Capítulo 1
1. Muitas vezes e de diversos modos outrora falou Deus aos
nossos pais pelos profetas.
2. Ultimamente nos falou por seu Filho, que constituiu herdeiro universal,
pelo qual criou todas as coisas.
3. Esplendor da glória (de Deus) e imagem do seu ser, sustenta o universo
com o poder da sua palavra. Depois de ter realizado a purificação
dos pecados, está sentado à direita da Majestade no mais alto
dos céus,
4. tão superior aos anjos quanto excede o deles o nome que herdou.
5. Pois a quem dentre os anjos disse Deus alguma vez: Tu és meu Filho;
eu hoje te gerei (Sl 2,7)? Ou então: Eu serei seu Pai e ele será
meu Filho (II Sm 7,14)?
6. E novamente, ao introduzir o seu Primogênito na terra, diz: Todos
os anjos de Deus o adorem (Sl 96,7).
7. Por outro lado, a respeito dos anjos, diz: Ele faz dos seus anjos sopros
de vento e dos seus ministros chamas de fogo (Sl 103,4),
8. ao passo que do Filho diz: O teu trono, ó Deus, subsiste para a
eternidade. O cetro do teu Reino é cetro de justiça.
9. Amaste a justiça e odiaste a iniqüidade. Por isso, ó
Deus, o teu Deus te ungiu com óleo de alegria, mais que aos teus companheiros
(Sl 44,7s);
10. e ainda: Tu, Senhor, no princípio dos tempos fundaste a terra,
e os céus são obra de tuas mãos.
11. Eles passarão, mas tu permaneces. Todos envelhecerão como
uma veste;
12. tu os envolvas como uma capa, e serão mudados. Tu, ao contrário,
és sempre o mesmo e os teus anos não acabarão (Sl 103,26s).
13. Pois a qual dos anjos disse alguma vez: Assenta-te à minha direita
até que eu ponha os teus inimigos por escabelo dos teus pés
(Sl 109,1)?
14. Não são todos os anjos espíritos ao serviço
de Deus, que lhes confia missões para o bem daqueles que devem herdar
a salvação?
Capítulo 2
1. Por isso, é necessário prestarmos a maior
atenção à mensagem que temos recebido, para não
acontecer que nos desviemos do caminho reto.
2. A palavra anunciada por intermédio dos anjos era a tal ponto válida,
que toda transgressão ou desobediência recebeu o justo castigo.
3. Como, então, escaparemos nós se agora desprezarmos a mensagem
da salvação, tão sublime, anunciada primeiramente pelo
Senhor e depois confirmada pelos que a ouviram,
4. comprovando-a o próprio Deus por sinais, prodígios, milagres
e pelos dons do Espírito Santo, repartidos segundo a sua vontade?
5. Não foi tampouco aos anjos que Deus submeteu o mundo vindouro, de
que falamos.
6. Alguém em certa passagem afirmou: Que é o homem para que
dele te lembres, ou o filho do homem, para que o visites?
7. Por pouco tempo o colocaste inferior aos anjos; de glória e de honra
o coroaste,
8. e sujeitaste a seus pés todas as coisas (Sl 8,5s). Ora, se lhe sujeitou
todas as coisas, nada deixou que não lhe ficasse sujeito. Atualmente,
é verdade, não vemos que tudo lhe esteja sujeito.
9. Mas aquele que fora colocado por pouco tempo abaixo dos anjos, Jesus, nós
o vemos, por sua Paixão e morte, coroado de glória e de honra.
Assim, pela graça de Deus, a sua morte aproveita a todos os homens.
10. Aquele para quem e por quem todas as coisas existem, desejando conduzir
à glória numerosos filhos, deliberou elevar à perfeição,
pelo sofrimento, o autor da salvação deles,
11. para que santificador e santificados formem um só todo. Por isso,
(Jesus) não hesita em chamá-los seus irmãos,
12. dizendo: Anunciarei teu nome a meus irmãos, no meio da assembléia
cantarei os teus louvores (Sl 21,23).
13. E outra vez: Quanto a mim, ponho nele a minha confiança (Is 8,17);
e: Eis-me aqui, eu e os filhos que Deus me deu (Is 8,18).
14. Porquanto os filhos participam da mesma natureza, da mesma carne e do
sangue, também ele participou, a fim de destruir pela morte aquele
que tinha o império da morte, isto é, o demônio,
15. e libertar aqueles que, pelo medo da morte, estavam toda a vida sujeitos
a uma verdadeira escravidão.
16. Veio em socorro, não dos anjos, e sim da raça de Abraão;
17. e por isso convinha que ele se tornasse em tudo semelhante aos seus irmãos,
para ser um pontífice compassivo e fiel no serviço de Deus,
capaz de expiar os pecados do povo.
18. De fato, por ter ele mesmo suportado tribulações, está
em condição de vir em auxílio dos que são atribulados.
Capítulo 3
1. Portanto, irmãos santos, participantes da vocação
que vos destina à herança do céu, considerai o mensageiro
e pontífice da fé que professamos, Jesus.
2. Ele é fiel àquele que o constituiu, como também Moisés
o foi em toda a sua casa (Nm 12,7).
3. Porém, é tido muito superior em glória a Moisés,
tanto quanto o fundador de uma casa é mais digno do que a própria
casa.
4. Pois toda casa tem seu construtor, mas o construtor de todas as coisas
é Deus.
5. Moisés foi fiel em toda a sua casa, como servo e testemunha das
palavras de Deus.
6. Cristo, porém, o foi como Filho à frente de sua própria
casa. E sua casa somos nós, contanto que permaneçamos firmes,
até o fim, professando intrepidamente a nossa fé e ufanos da
esperança que nos pertence.
7. Por isso, como diz o Espírito Santo: Hoje, se ouvirdes a sua voz,
8. não endureçais os vossos corações, como por
ocasião da revolta, como no dia da tentação no deserto,
9. quando vossos pais me puseram à prova e viram o meu poder por quarenta
anos.
10. Eu me indignei contra aquela geração, porque andavam sempre
extraviados em seu coração e não compreendiam absolutamente
nada dos meus desígnios.
11. Por isso, em minha ira, jurei que não haveriam de entrar no lugar
de descanso que lhes prometera (Sl 94,8-11)!
12. Tomai precaução, meus irmãos, para que ninguém
de vós venha a perder interiormente a fé, a ponto de abandonar
o Deus vivo.
13. Antes, animai-vos mutuamente cada dia durante todo o tempo compreendido
na palavra hoje, para não acontecer que alguém se torne empedernido
com a sedução do pecado.
14. Porque somos incorporados a Cristo, mas sob a condição de
conservarmos firme até o fim nossa fé dos primeiros dias,
15. enquanto se nos diz: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais
os vossos corações, como aconteceu no tempo da revolta.
16. E quais foram os que se revoltaram contra o Senhor depois de terem ouvido
a sua voz? Não foram todos os que saíram do Egito, conduzidos
por Moisés?
17. Contra quem esteve indignado o Senhor durante quarenta anos? Não
foi contra os revoltosos, cujos corpos caíram no deserto?
18. E a quem jurou que não entrariam no seu descanso senão a
estes rebeldes?
19. Portanto, estamos vendo: foi por causa da sua descrença que não
puderam entrar.
Capítulo 4
1. Enquanto, pois, subsiste a promessa de entrar no seu descanso,
tenhamos cuidado em que ninguém de nós corra o risco de ser
excluído.
2. A boa nova nos foi trazida a nós, como o foi a eles. Mas a eles
de nada aproveitou, porque caíram na descrença.
3. Nós, porém, se tivermos fé, haveremos de entrar no
descanso. Ele disse: Eu jurei na minha ira: não entrarão no
lugar do meu descanso. Ora, as obras de Deus estão concluídas
desde a criação do mundo;
4. pois, em certa passagem, falou do sétimo dia o seguinte: E, terminado
o seu trabalho, descansou Deus no sétimo dia (Gn 2,2).
5. Se, pois, ele repete: Não entrarão no lugar do meu descanso,
6. é sinal de que outros são chamados a entrar nele. E como
aqueles a quem primeiro foi anunciada a promessa não entraram por não
ter tido a fé,
7. Deus, após muitos anos, por meio de Davi, estabelece um novo dia,
um hoje, ao pronunciar as palavras mencionadas: Hoje, se ouvirdes a sua voz,
não endureçais os vossos corações.
8. Se Josué lhes houvesse dado repouso, não teria depois disso
falado dum outro dia.
9. Por isso, resta um repouso sabático para o povo de Deus.
10. E quem entrar nesse repouso descansará das suas obras, assim como
descansou Deus das suas.
11. Assim, apressemo-nos a entrar neste descanso para não cairmos por
nossa vez na mesma incredulidade.
12. Porque a palavra de Deus é viva, eficaz, mais penetrante do que
uma espada de dois gumes e atinge até a divisão da alma e do
corpo, das juntas e medulas, e discerne os pensamentos e intenções
do coração.
13. Nenhuma criatura lhe é invisível. Tudo é nu e descoberto
aos olhos daquele a quem havemos de prestar contas.
14. Temos, portanto, um grande Sumo Sacerdote que penetrou nos céus,
Jesus, Filho de Deus. Conservemos firme a nossa fé.
15. Porque não temos nele um pontífice incapaz de compadecer-se
das nossas fraquezas. Ao contrário, passou pelas mesmas provações
que nós, com exceção do pecado.
16. Aproximemo-nos, pois, confiadamente do trono da graça, a fim de
alcançar misericórdia e achar a graça de um auxílio
oportuno.
Capítulo 5
1. Em verdade, todo pontífice é escolhido entre
os homens e constituído a favor dos homens como mediador nas coisas
que dizem respeito a Deus, para oferecer dons e sacrifícios pelos pecados.
2. Sabe compadecer-se dos que estão na ignorância e no erro,
porque também ele está cercado de fraqueza.
3. Por isso, ele deve oferecer sacrifícios tanto pelos próprios
pecados quanto pelos pecados do povo.
4. Ninguém se apropria desta honra, senão somente aquele que
é chamado por Deus, como Aarão.
5. Assim também Cristo não se atribuiu a si mesmo a glória
de ser pontífice. Esta lhe foi dada por aquele que lhe disse: Tu és
meu Filho, eu hoje te gerei (Sl 2,7),
6. como também diz em outra passagem: Tu és sacerdote eternamente,
segundo a ordem de Melquisedec (Sl 109,4).
7. Nos dias de sua vida mortal, dirigiu preces e súplicas, entre clamores
e lágrimas, àquele que o podia salvar da morte, e foi atendido
pela sua piedade.
8. Embora fosse Filho de Deus, aprendeu a obediência por meio dos sofrimentos
que teve.
9. E uma vez chegado ao seu termo, tornou-se autor da salvação
eterna para todos os que lhe obedecem,
10. porque Deus o proclamou sacerdote segundo a ordem de Melquisedec.
11. Teríamos muita coisa a dizer sobre isso, e coisas bem difíceis
de explicar, dada a vossa lentidão em compreender...
12. A julgar pelo tempo, já devíeis ser mestres! Contudo, ainda
necessitais que vos ensinem os primeiros rudimentos da palavra de Deus; e
vos tornastes tais, que precisais de leite em vez de alimento sólido!
13. Ora, quem se alimenta de leite não é capaz de compreender
uma doutrina profunda, porque é ainda criança.
14. Mas o alimento sólido é para os adultos, para aqueles que
a experiência já exercitou na distinção do bem
e do mal.
Capítulo 6
1. Pelo que, transpondo os ensinamentos elementares da doutrina
de Cristo, procuremos alcançar-lhe a plenitude. Não queremos
agora insistir nas noções fundamentais da conversão,
da renúncia ao pecado, da fé em Deus,
2. a doutrina dos vários batismos, da imposição das mãos,
da ressurreição dos mortos e do julgamento eterno.
3. Isto faremos, se Deus o permitir.
4. Porque aqueles que foram uma vez iluminados saborearam o dom celestial,
participaram dos dons do Espírito Santo,
5. experimentaram a doçura da palavra de Deus e as maravilhas do mundo
vindouro e, apesar disso, caíram na apostasia,
6. é impossível que se renovem outra vez para a penitência,
visto que, da sua parte, crucificaram de novo o Filho de Deus e publicamente
o escarneceram.
7. O terreno que recebe chuvas freqüentes e fornece ao agricultor boas
searas, é abençoado por Deus.
8. O que produz só espinhos e abrolhos, é abandonado, não
demora que será amaldiçoado e acabará sendo incendiado.
9. Embora vos falemos desse modo, caríssimos, temos a melhor idéia
a vosso respeito e de vossa salvação.
10. Deus não é injusto e não esquecerá vossas
obras e a caridade que mostrastes por amor de seu nome, vós que servistes
e continuais a servir os santos.
11. Desejamos, apenas, que ponhais todo o empenho em guardar intata a vossa
esperança até o fim,
12. e que, longe de vos tornardes negligentes, sejais imitadores daqueles
que pela fé e paciência se tornam herdeiros das promessas.
13. Quando Deus fez a promessa a Abraão, como não houvesse ninguém
maior por quem jurar, jurou por si mesmo,
14. dizendo: Em verdade eu te abençoarei, e multiplicarei a tua posteridade
(Gn 22,16s).
15. E Abraão, esperando com paciência, alcançou a realização
da promessa.
16. Os homens, com efeito, juram por quem é maior do que eles, e o
juramento serve de garantia e põe fim a toda controvérsia.
17. Por isso, querendo Deus mostrar mais seguramente aos herdeiros da promessa
a imutabilidade da sua resolução, interpôs o juramento.
18. Por este ato duplamente irrevogável, pelo qual o próprio
Deus se proibia de desdizer-se, encontramos motivo de profunda consolação,
nós que pusemos nossa perspectiva em alcançar a esperança
proposta.
19. Esperança esta que seguramos qual âncora de nossa alma, firme
e sólida, e que penetra até além do véu, no santuário
20. onde Jesus entrou por nós como precursor, Pontífice eterno,
segundo a ordem de Melquisedec.
Capítulo 7
1. Este Melquisedec, rei de Salém, sacerdote do Deus
Altíssimo, que saiu ao encontro de Abraão quando este regressava
da derrota dos reis e o abençoou,
2. ao qual Abraão ofereceu o dízimo de todos os seus despojos,
é, conforme seu nome indica, primeiramente "rei de justiça"
e, depois, rei de Salém, isto é, "rei de paz".
3. Sem pai, sem mãe, sem genealogia, a sua vida não tem começo
nem fim; comparável sob todos os pontos ao Filho de Deus, permanece
sacerdote para sempre.
4. Considerai, pois, quão grande é aquele a quem até
o patriarca Abraão deu o dízimo dos seus mais ricos espólios.
5. Os filhos de Levi, revestidos do sacerdócio, na qualidade de filhos
de Abraão, têm por missão receber o dízimo legal
do povo, isto é, de seus irmãos.
6. Naquele caso, porém, foi um estrangeiro que recebeu os dízimos
de Abraão e abençoou o detentor das promessas.
7. Ora, é indiscutível: é o inferior que recebe a. bênção
do que é superior.
8. De mais, aqui, os levitas que recebem os dízimos são homens
mortais; lá, porém, se trata de alguém do qual é
atestado que vive.
9. Por fim, por assim dizer, também Levi, que recebe os dízimos,
pagou-os na pessoa de Abraão,
10. pois ele já estava em germe no íntimo deste, quando aconteceu
o encontro com Melquisedec.
11. Se a perfeição tivesse sido realizada pelo sacerdócio
levítico (porque é sobre este que se funda a legislação
dada ao povo), que necessidade havia ainda de que surgisse outro sacerdote
segundo a ordem de Melquisedec, e não segundo a ordem de Aarão?
12. Pois, transferido o sacerdócio, forçoso é que se
faça também a mudança da lei.
13. De fato, aquele ao qual se aplicam estas palavras é de outra tribo,
da qual ninguém foi encarregado do serviço do altar.
14. E é notório que nosso Senhor nasceu da tribo de Judá,
tribo à qual Moisés nada encarregou ao falar do sacerdócio.
15. Isto se torna ainda mais evidente se se tem em conta que este outro sacerdote,
que surge à semelhança de Melquisedec,
16. foi constituído não por prescrição de uma
lei humana, mas pela sua imortalidade.
17. Porque está escrito: Tu és sacerdote eternamente, segundo
a ordem de Melquisedec.
18. Com isso, está abolida a antiga legislação, por causa
de sua ineficácia e inutilidade.
19. Pois a lei nada levou à perfeição. Apenas foi portadora
de uma esperança melhor que nos leva a Deus.
20. E isso não foi feito sem juramento. Os outros sacerdotes foram
instituídos sem juramento.
21. Para ele, ao contrário, interveio o juramento daquele que disse:
Jurou o Senhor e não se arrependerá: tu és sacerdote
eternamente.
22. E esta aliança da qual Jesus é o Senhor, é-lhe muito
superior.
23. Além disso, os primeiros sacerdotes deviam suceder-se em grande
número, porquanto a morte não permitia que permanecessem sempre.
24. Este, porque vive para sempre, possui um sacerdócio eterno.
25. É por isso que lhe é possível levar a termo a salvação
daqueles que por ele vão a Deus, porque vive sempre para interceder
em seu favor.
26. Tal é, com efeito, o Pontífice que nos convinha: santo,
inocente, imaculado, separado dos pecadores e elevado além dos céus,
27. que não tem necessidade, como os outros sumos sacerdotes, de oferecer
todos os dias sacrifícios, primeiro pelos pecados próprios,
depois pelos do povo; pois isto o fez de uma só vez para sempre, oferecendo-se
a si mesmo.
28. Enquanto a lei elevava ao sacerdócio homens sujeitos às
fraquezas, o juramento, que sucedeu à lei, constitui o Filho, que é
eternamente perfeito.
Capítulo 8
1. O ponto essencial do que acabamos de dizer é este:
temos um Sumo Sacerdote, que está sentado à direita do trono
da Majestade divina nos céus,
2. Ministro do santuário e do verdadeiro tabernáculo, erigido
pelo Senhor, e não por homens.
3. Todo pontífice é constituído para oferecer dons e
sacrifícios. Portanto, é necessário que ele tenha algo
para oferecer.
4. Por conseguinte, se ele estivesse na terra, nem mesmo sacerdote seria,
porque já existem aqui sacerdotes que têm a missão, de
oferecer os dons prescritos pela lei.
5. O culto que estes celebram é, aliás, apenas a imagem, sombra
das realidades celestiais, como foi revelado a Moisés quando estava
para construir o tabernáculo: Olha, foi-lhe dito, faze todas as coisas
conforme o modelo que te foi mostrado no monte (Ex 25,40).
6. Ao nosso Sumo Sacerdote, entretanto, compete ministério tanto mais
excelente quanto ele é mediador de uma aliança mais perfeita,
selada por melhores promessas.
7. Porque, se a primeira tivesse sido sem defeito, certamente não haveria
lugar para outra.
8. Ora, sem dúvida, há uma censura nestas palavras: Eis que
virão dias - oráculo do Senhor - em que estabelecerei, com a
casa de Israel e com a casa de Judá uma aliança nova.
9. Não coma a aliança que fiz com os seus pais no dia em que
os tomei pela mão para tirá-los da terra do Egito. Como eles
não permaneceram fiéis ao pacto, eu me desinteressei deles -
oráculo do Senhor.
10. Mas esta é a aliança que estabelecerei com a casa de Israel
depois daqueles dias: imprimirei as minhas leis no seu espírito e as
gravarei no seu coração. Eu serei seu Deus, e eles serão
meu povo.
11. Ninguém mais terá que ensinar a seu concidadão, ninguém
a seu irmão, dizendo: "Conhece o Senhor", porque todos me
conhecerão, desde o menor até o maior.
12. Eu lhes perdoarei as suas iniqüidades, e já não me
lembrarei dos seus pecados (Jr 31,31-34).
13. Se Deus fala de uma aliança nova é que ele declara antiquada
a precedente. Ora, o que é antiquado e envelhecido está certamente
fadado a desaparecer.
Capítulo 9
1. A primeira aliança, na verdade, teve regulamentos
rituais e seu santuário terrestre.
2. Consistia numa tenda: a parte anterior encerrava o candelabro e a mesa
com os pães da proposição; chamava-se Santo.
3. Atrás do segundo véu achava-se a parte chamada Santo dos
Santos.
4. Aí estava o altar de ouro para os perfumes, e a Arca da Aliança
coberta de ouro por todos os lados; dentro dela, a urna de ouro contendo o
maná, a vara de Aarão que floresceu e as tábuas da aliança;
5. em cima da arca, os querubins da glória estendendo a sombra de suas
asas sobre o propiciatório. Mas não é aqui o lugar de
falarmos destas coisas pormenorizadamente.
6. Assim sendo, enquanto na primeira parte do tabernáculo entram continuamente
os sacerdotes para desempenhar as funções,
7. no segundo entra apenas o sumo sacerdote, somente uma vez ao ano, e ainda
levando consigo o sangue para oferecer pelos seus próprios pecados
e pelos do povo.
8. Com o que significava o Espírito Santo que o caminho do Santo dos
Santos ainda não estava livre, enquanto subsistisse o primeiro tabernáculo.
9. Isto é também uma figura que se refere ao tempo presente,
sinal de que os dons e sacrifícios que se ofereciam eram incapazes
de justificar a consciência daquele que praticava o culto.
10. Culto que consistia unicamente em comidas, bebidas e abluções
diversas, ritos materiais que só podiam ter valor enquanto não
fossem instituídos outros mais perfeitos.
11. Porém, já veio Cristo, Sumo Sacerdote dos bens vindouros.
E através de um tabernáculo mais excelente e mais perfeito,
não construído por mãos humanas (isto é, não
deste mundo),
12. sem levar consigo o sangue de carneiros ou novilhos, mas com seu próprio
sangue, entrou de uma vez por todas no santuário, adquirindo-nos uma
redenção eterna.
13. Pois se o sangue de carneiros e de touros e a cinza de uma vaca, com que
se aspergem os impuros, santificam e purificam pelo menos os corpos,
14. quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu
como vítima sem mácula a Deus, purificará a nossa consciência
das obras mortas para o serviço do Deus vivo?
15. Por isso ele é mediador do novo testamento. Pela sua morte expiou
os pecados cometidos no decorrer do primeiro testamento, para que os eleitos
recebam a herança eterna que lhes foi prometida.
16. Porque, onde há testamento, é necessário que intervenha
a morte do testador.
17. Um testamento só entra em vigor depois da morte do testador. Permanece
sem efeito enquanto ele vive.
18. Por essa razão, nem mesmo o primeiro testamento foi inaugurado
sem uma efusão de sangue.
19. Moisés, ao concluir a proclamação de todos os mandamentos
da lei, em presença de todo o povo reunido, tomou o sangue dos touros
e dos cabritos imolados, bem como água, lã escarlate e hissopo,
aspergiu com sangue não só o próprio livro, como também
todo o povo,
20. dizendo: Este é o sangue da aliança que Deus contraiu convosco
(Ex 24,8).
21. E da mesma maneira aspergiu o tabernáculo e todos os objetos do
culto.
22. Aliás, conforme a lei, o sangue é utilizado, para quase
todas as purificações, e sem efusão de sangue não
há perdão.
23. Se os meros símbolos das realidades celestes exigiam uma tal purificação,
necessário se tornava que as realidades mesmo fossem purificadas por
sacrifícios ainda superiores.
24. Eis por que Cristo entrou, não em santuário feito por mãos
de homens, que fosse apenas figura do santuário verdadeiro, mas no
próprio céu, para agora se apresentar intercessor nosso ante
a face de Deus.
25. E não entrou para se oferecer muitas vezes a si mesmo, como o pontífice
que entrava todos os anos no santuário para oferecer sangue alheio.
26. Do contrário, lhe seria necessário padecer muitas vezes
desde o princípio do mundo; quando é certo que apareceu uma
só vez ao final dos tempos para destruição do pecado
pelo sacrifício de si mesmo.
27. Como está determinado que os homens morram uma só vez, e
logo em seguida vem o juízo,
28. assim Cristo se ofereceu uma só vez para tomar sobre si os pecados
da multidão, e aparecerá uma segunda vez, não porém
em razão do pecado, mas para trazer a salvação àqueles
que o esperam.
Capítulo 10
1. A lei, por ser apenas a sombra dos bens futuros, não
sua expressão real, é de todo impotente para aperfeiçoar
aqueles que assistem aos sacrifícios que se renovam indefinidamente
cada ano.
2. Realmente, se os fiéis, uma vez purificados, não tivessem
mais pecado algum na consciência, não teriam cessado de oferecê-los?
3. Pelo contrário, pelos sacrifícios se renova cada ano a memória
dos pecados.
4. Pois é impossível que o sangue de touros e de carneiros tire
pecados.
5. Eis por que, ao entrar no mundo, Cristo diz: Não quiseste sacrifício
nem oblação, mas me formaste um corpo.
6. Holocaustos e sacrifícios pelo pecado não te agradam.
7. Então eu disse: Eis que venho (porque é de mim que está
escrito no rolo do livro), venho, ó Deus, para fazer a tua vontade
(Sl 39,7ss).
8. Disse primeiro: Tu não quiseste, tu não recebeste com agrado
os sacrifícios nem as ofertas, nem os holocaustos, nem as vítimas
pelo pecado (quer dizer, as imolações legais).
9. Em seguida, ajuntou: Eis que venho para fazer a tua vontade. Assim, aboliu
o antigo regime e estabeleceu uma nova economia.
10. Foi em virtude desta vontade de Deus que temos sido santificados uma vez
para sempre, pela oblação do corpo de Jesus Cristo.
11. Enquanto todo sacerdote se ocupa diariamente com o seu ministério
e repete inúmeras vezes os mesmos sacrifícios que, todavia,
não conseguem apagar os pecados,
12. Cristo ofereceu pelos pecados um único sacrifício e logo
em seguida tomou lugar para sempre à direita de Deus,
13. onde espera de ora em diante que os seus inimigos sejam postos por escabelo
dos seus pés (Sl 109,1).
14. Por uma só oblação ele realizou a perfeição
definitiva daqueles que recebem a santificação.
15. É o que nos confirma o testemunho do Espírito Santo. Depois
de ter dito:
16. Eis a aliança que, depois daqueles dias, farei com eles - oráculo
do Senhor: imprimirei as minhas leis nos seus corações e as
escreverei no seu espírito,
17. acrescenta: dos seus pecados e das suas iniqüidades já não
mais me lembrarei (Jr 31,33s).
18. Ora, onde houve plena remissão dos pecados não há
por que oferecer sacrifício por eles.
19. Por esse motivo, irmãos, temos ampla confiança de poder
entrar no santuário eterno, em virtude do sangue de Jesus,
20. pelo caminho novo e vivo que nos abriu através do véu, isto
é, o caminho de seu próprio corpo.
21. E dado que temos um Sumo-sacerdote estabelecido sobre a casa de Deus,
22. acheguemo-nos a ele com coração sincero, com plena firmeza
da fé, o mais íntimo da alma isento de toda mácula de
pecado e o corpo lavado com a água purificadora (do batismo).
23. Conservemo-nos firmemente apegados à nossa esperança, porque
é fiel aquele cuja promessa aguardamos.
24. Olhemos uns pelos outros para estímulo à caridade e às
boas obras.
25. Não abandonemos a nossa assembléia, como é costume
de alguns, mas admoestemo-nos mutuamente, e tanto mais quando vedes aproximar-se
o Grande Dia.
26. Depois de termos recebido e conhecido a verdade, se a abandonarmos voluntariamente,
já não haverá sacrifício para expiar este pecado.
27. Só teremos que esperar um juízo tremendo e o fogo ardente
que há de devorar os rebeldes.
28. Se alguém transgredir a Lei de Moisés - e isto provado com
duas ou três testemunhas -, deverá ser morto sem misericórdia.
29. Quanto pior castigo julgais que merece quem calcar aos pés o Filho
de Deus, profanar o sangue da aliança, em que foi santificado, e ultrajar
o Espírito Santo, autor da graça!
30. Pois bem sabemos quem é que disse: Minha é a vingança;
eu a exercerei (Dt 32,35). E ainda: O Senhor julgará o seu povo (Sl
134,14).
31. É horrendo cair nas mãos de Deus vivo.
32. Lembrai-vos dos dias de outrora, logo que fostes iluminados. Quão
longas e dolorosas lutas sustentastes.
33. Seja tornando-vos alvo de toda espécie de opróbrios e humilhações,
seja tomando moralmente parte nos sofrimentos daqueles que os tiveram que
suportar.
34. Não só vos compadecestes dos encarcerados, mas aceitastes
com alegria a confiscação dos vossos bens, pela certeza de possuirdes
riquezas muito melhores e imperecíveis.
35. Não percais esta convicção a que está vinculada
uma grande recompensa,
36. pois vos é necessária a perseverança para fazerdes
a vontade de Deus e alcançardes os bens prometidos.
37. Ainda um pouco de tempo - sem dúvida, bem pouco -, e o que há
de vir virá e não tardará.
38. Meu justo viverá da fé. Porém, se ele desfalecer,
meu coração já não se agradará dele (Hab
2,3s).
39. Não somos, absolutamente, de perder o ânimo para nossa ruína;
somos de manter a fé, para nossa salvação!
Capítulo 11
1. A fé é o fundamento da esperança,
é uma certeza a respeito do que não se vê.
2. Foi ela que fez a glória dos nossos, antepassados.
3. Pela fé reconhecemos que o mundo foi formado pela palavra de Deus
e que as coisas visíveis se originaram do invisível.
4. Pela fé Abel ofereceu a Deus um sacrifício bem superior ao
de Caim, e mereceu ser chamado justo, porque Deus aceitou as suas ofertas.
Graças a ela é que, apesar de sua morte, ele ainda fala.
5. Pela fé Henoc foi arrebatado, sem ter conhecido a morte: e não
foi achado, porquanto Deus o arrebatou; mas a Escritura diz que, antes de
ser arrebatado, ele tinha agradado a Deus (Gn 5,24).
6. Ora, sem fé é impossível agradar a Deus, pois para
se achegar a ele é necessário que se creia primeiro que ele
existe e que recompensa os que o procuram.
7. Pela fé na palavra de Deus, Noé foi avisado a respeito de
acontecimentos imprevisíveis; cheio de santo temor, construiu a arca
para salvar a sua família. Pela fé ele condenou o mundo e se
tornou o herdeiro da justificação mediante a fé.
8. Foi pela fé que Abraão, obedecendo ao apelo divino, partiu
para uma terra que devia receber em herança. E partiu não sabendo
para onde ia.
9. Foi pela fé que ele habitou na terra prometida, como em terra estrangeira,
habitando aí em tendas com Isaac e Jacó, co-herdeiros da mesma
promessa.
10. Porque tinha a esperança fixa na cidade assentada sobre os fundamentos
(eternos), cujo arquiteto e construtor é Deus.
11. Foi pela fé que a própria Sara cobrou o vigor de conceber,
apesar de sua idade avançada, porque acreditou na fidelidade daquele
que lhe havia prometido.
12. Assim, de um só homem quase morto nasceu uma posteridade tão
numerosa como as estrelas do céu e inumerável como os grãos
de areia da praia do mar.
13. Foi na fé que todos (nossos pais) morreram. Embora sem atingir
o que lhes tinha sido prometido, viram-no e o saudaram de longe, confessando
que eram só estrangeiros e peregrinos sobre a terra (Gn 23,4).
14. Dizendo isto, declaravam que buscavam uma pátria.
15. E se se referissem àquela donde saíram, ocasião teriam
de tornar a ela...
16. Mas não. Eles aspiravam a uma pátria melhor, isto é,
à celestial. Por isso, Deus não se dedigna de ser chamado o
seu Deus; de fato, ele lhes preparou uma cidade.
17. Foi pela sua fé que Abraão, submetido à prova, ofereceu
Isaac, seu único filho,
18. depois de ter recebido a promessa e ouvido as palavras: Uma posteridade
com o teu nome te será dada em Isaac (Gn 21,12).
19. Estava ciente de que Deus é poderoso até para ressuscitar
alguém dentre os mortos. Assim, ele conseguiu que seu filho lhe fosse
devolvido. E isso é um ensinamento para nós!
20. Foi inspirado pela fé que Isaac deu a Jacó e a Esaú
uma bênção em vista de acontecimentos futuros.
21. Foi pela fé que Jacó, estando para morrer, abençoou
cada um dos filhos de José e venerou a extremidade do seu bastão.
22. Foi pela fé que José, quando estava para morrer, fez menção
da partida dos filhos de Israel e dispôs a respeito dos seus despojos.
23. Foi pela fé que os pais de Moisés, vendo nele uma criança
encantadora, o esconderam durante três meses e não temeram o
edito real.
24. Foi pela fé que Moisés, uma vez crescido, renunciou a ser
tido como filho da filha do faraó,
25. preferindo participar da sorte infeliz do povo de Deus, a fruir dos prazeres
culpáveis e passageiros.
26. Com os olhos fixos na recompensa, considerava os ultrajes por amor de
Cristo como um bem mais precioso que todos os tesouros dos egípcios.
27. Foi pela fé que deixou o Egito, não temendo a cólera
do rei, com tanta segurança como estivesse vendo o invisível.
28. Foi pela fé que mandou celebrar a Páscoa e aspergir (os
portais) com sangue, para que o anjo exterminador dos primogênitos poupasse
os dos filhos de Israel.
29. Foi pela fé que os fez atravessar o mar Vermelho, como por terreno
seco, ao passo que os egípcios que se atreveram a persegui-los foram
afogados.
30. Foi pela fé que desabaram as muralhas de Jericó, depois
de rodeadas por sete dias.
31. Foi pela fé que Raab, a meretriz, não pereceu com aqueles
que resistiram, por ter dado asilo aos espias.
32. Que mais direi? Faltar-me-á o tempo, se falar de Gedeão,
Barac, Sansão, Jefté, Davi, Samuel e dos profetas.
33. Graças à sua fé conquistaram reinos, praticaram a
justiça, viram se realizar as promessas. Taparam bocas de leões,
34. extinguiram a violência do fogo, escaparam ao fio de espada, triunfaram
de enfermidades, foram corajosos na guerra e puseram em debandada exércitos
estrangeiros.
35. Devolveram vivos às suas mães os filhos mortos. Alguns foram
torturados, por recusarem ser libertados, movidos pela esperança de
uma ressurreição mais gloriosa.
36. Outros sofreram escárnio e açoites, cadeias e prisões.
37. Foram apedrejados, massacrados, serrados ao meio, mortos a fio de espada.
Andaram errantes, vestidos de pele de ovelha e de cabra, necessitados de tudo,
perseguidos e maltratados,
38. homens de que o mundo não era digno! Refugiaram-se nas solidões
das montanhas, nas cavernas e em antros subterrâneos.
39. E, no entanto, todos estes mártires da fé não conheceram
a realização das promessas!
40. Porque Deus, que tinha para nós uma sorte melhor, não quis
que eles chegassem sem nós à perfeição (da felicidade).
Capítulo 12
1. Desse modo, cercados como estamos de uma tal nuvem de
testemunhas, desvencilhemo-nos das cadeias do pecado. Corramos com perseverança
ao combate proposto, com o olhar fixo no autor e consumador de nossa fé,
Jesus.
2. Em vez de gozo que se lhe oferecera, ele suportou a cruz e está
sentado à direita do trono de Deus.
3. Considerai, pois, atentamente aquele que sofreu tantas contrariedades dos
pecadores, e não vos deixeis abater pelo desânimo.
4. Ainda não tendes resistido até o sangue, na luta contra o
pecado.
5. Estais esquecidos da palavra de animação que vos é
dirigida como a filhos: Filho meu, não desprezes a correção
do Senhor. Não desanimes, quando repreendido por ele;
6. pois o Senhor corrige a quem ama e castiga todo aquele que reconhece por
seu filho (Pr 3,11s).
7. Estais sendo provados para a vossa correção: é Deus
que vos trata como filhos. Ora, qual é o filho a quem seu pai não
corrige?
8. Mas se permanecêsseis sem a correção que é comum
a todos, seríeis bastardos e não filhos legítimos.
9. Aliás, temos na terra nossos pais que nos corrigem e, no entanto,
os olhamos com respeito. Com quanto mais razão nos havemos de submeter
ao Pai de nossas almas, o qual nos dará a vida?
10. Os primeiros nos educaram para pouco tempo, segundo a sua própria
conveniência, ao passo que este o faz para nosso bem, para nos comunicar
sua santidade.
11. E verdade que toda correção parece, de momento, antes motivo
de pesar que de alegria. Mais tarde, porém, granjeia aos que por ela
se exercitaram o melhor fruto de justiça e de paz.
12. Levantai, pois, vossas mãos fatigadas e vossos joelhos trêmulos
(Is 35,3).
13. Dirigi os vossos passos pelo caminho certo. Os que claudicam tornem ao
bom caminho e não se desviem.
14. Procurai a paz com todos e ao mesmo tempo a santidade, sem a qual ninguém
pode ver o Senhor.
15. Estai alerta para que ninguém deixe passar a graça de Deus,
e para que não desponte nenhuma planta amarga, capaz de estragar e
contaminar a massa inteira.
16. Que não haja entre vós ninguém sensual nem profanador
como Esaú, que, por um prato de comida, vendeu o seu direito de primogenitura.
17. E sabeis que, desejando ele em seguida receber a bênção
do herdeiro, lhe foi recusada. E não bastaram todas as súplicas
e lágrimas para que seu pai mudasse de sentimento...
18. Em verdade, não vos aproximastes de uma montanha palpável,
invadida por fogo violento, nuvem, trevas, tempestade,
19. som da trombeta e aquela voz tão terrível que os que a ouviram
suplicaram que ela não lhes falasse mais.
20. Estavam verdadeiramente aterrados por esta ordem: Todo aquele que tocar
a montanha, mesmo que seja um animal, será apedrejado (Ex 19,12).
21. E tão terrível era o espetáculo, que Moisés
exclamou: Eu tremo de pavor (Dt 9,19).
22. Vós, ao contrário, vos aproximastes da montanha de Sião,
da cidade do Deus vivo, da Jerusalém celestial, das miríades
de anjos,
23. da assembléia festiva dos primeiros inscritos no livro dos céus,
e de Deus, juiz universal, e das almas dos justos que chegaram à perfeição,
24. enfim, de Jesus, o mediador da Nova Aliança, e do sangue da aspersão,
que fala com mais eloqüência que o sangue de Abel.
25. Guardai-vos, pois, de recusar ouvir aquele que fala. Porque, se não
escaparam do castigo aqueles que dele se desviaram, quando lhes falava na
terra, muito menos escaparemos nós, se o repelirmos, quando nos fala
desde o céu.
26. Depois de ter outrora abalado a terra pela sua voz, ele hoje nos faz esta
solene declaração: Ainda uma vez por todas moverei, não
só a terra, mas também o céu (Ag 2,6).
27. As palavras ainda uma vez indicam o desaparecimento do que é caduco,
do que foi criado, para que só subsista o que é imutável.
28. sim, possuindo nós um reino inabalável, dediquemos a Deus
um reconhecimento que lhe torne agradável o nosso culto com temor e
respeito. Porque nosso Deus é um fogo devorador (Dt 4,24).
Capítulo 13
1. Conserve-se entre vós a caridade fraterna.
2. Não vos esqueçais da hospitalidade, pela qual alguns, sem
o saberem, hospedaram anjos.
3. Lembrai-vos dos encarcerados, como se vós mesmos estivésseis
presos com eles. E dos maltratados, como se habitásseis no mesmo corpo
com eles.
4. Vós todos considerai o matrimônio com respeito e conservai
o leito conjugal imaculado, porque Deus julgará os impuros e os adúlteros.
5. Vivei sem avareza. Contentai-vos com o que tendes, pois Deus mesmo disse:
Não te deixarei nem desampararei (Dt 31,6).
6. Por isso é que podemos dizer com confiança: O Senhor é
meu socorro, e nada tenho que temer. Que me poderá fazer o homem (Sl
117,6)?
7. Lembrai-vos de vossos guias que vos pregaram a palavra de Deus. Considerai
como souberam encerrar a carreira. E imitai-lhes a fé.
8. Jesus Cristo é sempre o mesmo: ontem, hoje e por toda a eternidade.
9. Não vos deixeis desviar pela diversidade de doutrinas estranhas.
É muito melhor fortificar a alma pela graça do que por alimentos
que nenhum proveito trazem aos que a eles se entregam.
10. Temos um altar do qual não têm direito de comer os que se
empregam no serviço do tabernáculo (mosaico).
11. Porque, quando o sumo sacerdote levava ao santuário o sangue dos
animais imolados para a expiação do pecado, os corpos desses
animais eram inteiramente consumidos fora da entrada.
12. Por esta razão, Jesus, querendo purificar o povo pelo seu próprio
sangue, padeceu fora das portas.
13. Saiamos, pois, a ele fora da entrada, levando a sua ignomínia.
14. Aliás, não temos aqui cidade permanente, mas vamos em busca
da futura.
15. Por ele ofereçamos a Deus sem cessar sacrifícios de louvor,
isto é, o fruto dos lábios que celebram o seu nome (Os 14,2).
16. Não negligencieis a beneficência e a liberalidade. Estes
são sacrifícios que agradam a Deus!
17. Sede submissos e obedecei aos que vos guiam (pois eles velam por vossas
almas e delas devem dar conta). Assim, eles o farão com alegria, e
não a gemer, que isto vos seria funesto.
18. Orai por nós. Estamos persuadidos de ter a consciência em
paz, pois estamos decididos a procurar o bem em tudo.
19. Com o maior encarecimento, porém, vos rogo que oreis, para que
mais depressa eu vos seja restituído.
20. E o Deus da paz que, no sangue da eterna aliança, ressuscitou dos
mortos o grande pastor das ovelhas, nosso Senhor Jesus,
21. queira dispor-vos ao bem e vos conceder que cumprais,a sua vontade, realizando
ele próprio em vós o que é agradável aos seus
olhos, por Jesus Cristo, a quem seja dada a glória por toda a eternidade.
Amém.
22. Rogo-vos, irmãos, que aceiteis de boa mente estas exortações,
pois vos escrevi com brevidade.
23. Sabei que nosso irmão Timóteo foi posto em liberdade; se
ele voltar a tempo, irei com ele ver-vos.
24. Saudai a todos os que vos guiam e a todos os santos. Os irmãos
da Itália vos saúdam.
25. A graça esteja com todos vós. Amém.
Voltar *-------------------------------------------------------------------------------------* |||||||||| [email protected] (1.0) ||||||||||