Tutorial - Instalação de Ambientes de Janelas

Fábio Mengue - [email protected]


1. Introdução

Nos sistemas abertos, os ambientes gráficos são do tipo cliente-servidor. Esses ambientes foram construídos assim para que um usuário possa ter acesso remoto às aplicações gráficas de uma máquina sem que seja necessário estar presente fisicamente ao monitor dessa máquina.

Existe portanto um produto servidor que tem como função o recebimento e a entrega dos pedidos, e outro sistema que seja cliente deste servidor. Assim sendo, o chamado ambiente de janelas em sistemas abertos sempre é composto de 2 tipos de software: o servidor e o cliente.

O ambiente de janelas conhecido como X Window é um servidor de ambiente gráfico para sistemas Unix. O sistema original foi desenvolvido no MIT (onde era denominado como MIT X Window System), e está em sua versão 11, release 6 (apelidado X11R6).

A versão gratuita disponível para máquinas PC é chamada XFree86. A versão inclui todos os programas, arquivos, bibliotecas e ferramentas necessárias para a instalação do produto servidor.

Existem uma série de produtos clientes que podem ser instalados. Dentre eles, destacamos o KDE, o Gnome, o FVWM, o AfterStep e o Enlightment.

Esse tutorial tem como objetivo ensinar a como fazer a instalação e configuração do cliente de do servidor de ambiente de janelas para Linux. Não pretendemos aqui ensinar a usar o ambiente ou fazer ajustes de performance. Para isso, sugerimos o acesso ao site do fabricante, no endereço www.xfree86.org ou da distribuição do ambiente de janelas escolhido.



2. Hardware

Quem necessita acesso ao hardware do computador é o software servidor, portanto, o XFree86.

O XFree86 suporta dezenas de placas de vídeo diferentes. A documentação do seu computador deve fornecer essa informação. Caso você não tenha o manual, existem outras possibilidades de descobrir o modelo da placa, acessando o site do fabricante na Internet ou usando o programa SuperProbe, que explicaremos abaixo.

O hardware mínimo segundo a documentação do ambiente é um micro 486 com 4Mb de RAM e 16Mb de memória virtual (RAM + SWAP) e uma placa de vídeo que seja suportada. Nós sugerimos um micro 486 com pelo menos 16Mb de RAM. Claro que quanto maior a velocidade, a quantidade de memória e a qualidade da placa, melhor o ambiente irá se comportar. Placas de vídeo com aceleradores (que tem memória separada e instruções especiais, como as S3, por exemplo) tem vantagens sobre as placas "VGA genéricas".

Aqui não poderíamos deixar de notar que esses valores dizem respeito à execução básica do ambiente. Aplicativos "pesados", como o Netscape, o StarOffice e outros irão exigir ainda mais da máquina. Para esses casos, recomendamos colocar o máximo de memória possível,  algo como 64Mb.



3. Instalação

Todas as distribuições Linux tem a opção de instalação do XFree. Normalmente é na instalação do ambiente Linux que temos as opções para a inclusão ou não do ambiente de janelas em nosso equipamento. Existe a possibilidade de fazer a inclusão do ambiente de janelas mais tarde, mas ela é um tanto quanto complicada. Nesse tutorial iremos seguir o caso mais comum, que é a escolha da instalação do XFree em tempo de instalação do sistema Linux.

Como existem diversos fabricantes de placas de vídeo, existem também diversas versões diferentes dos servidores XFree. Na hora de instalação, o Linux sempre vai tentar descobrir qual a placa de vídeo presente no micro, e normalmente ele a encontra corretamente. Se esse nao for o caso, recomenda-se que se peça para incluir na distriuição o servidor SVGA e o S3, que são os mais comuns. Existem ainda placas que não são suportadas, e a instalação do ambiente de janelas nesses equipamentos depende do fabricante da placa de vídeo.

Quando o programa de instalação encontra sua placa com sucesso, ele realiza alguns testes para verificar se realmente a placa é compatível com o servidor que estamos instalando. Caso isso não aconteça, temos uma mensagem nos informando disso. Nesse caso, verifique a seção de "Resolvendo Problemas".



4. Configuração

A configuração do ambiente feita de forma padrão deve agradar à maioria das pessoas. Entretanto, algumas vezes se faz necessário um ajuste fino, em que aumentamos ou diminuimos a profundidade das cores ou a resolução da tela ou acertamos algum parâmetro do monitor.

Temos algumas maneiras de fazer isso; as duas mais fáceis são usar o Xconfigurator ou o xf86onfig, que são programas especiais para a configuração do vídeo.

4.1 Usando o Xconfigurator

Inicialmente, faça o login como super usuário (root). Depois do login, execute o comando

Xconfigurator

Deve aparecer uma tela azul mostrando algumas informacoes. Clique "OK" na primeira tela.

Na segunda tela, deve aparecer uma lista dos adaptadores de vídeo suportados pelo Linux. Escolha o adaptador presente no seu micro (caso você não saiba qual o adaptador, vá para a seção "Resolvendo Problemas"), pressione a tecla "tab" e clique "OK"

A seguir, temos uma outra lista, desta vez com o monitor presente no equipamento. Escolha o monitor correto (normalmente existem maiores informações na parte traseira do monitor), pressione a tecla "tab" e clique "OK". Se seu monitor nao existe na lista, vá para a seção "Resolvendo Problemas".

A próxima tela nos pergunta a respeito da necessidade de realizar um "probe". Essa operação testa a configuração que informamos até agora e procura ajustar da melhor maneira possível a configuração do conjunto. Recomenda-se que não seja feito o "probe".

Nota: em alguns equipamentos, a execução do "probe" pode travar a máquina. Nesse caso, reinicie o procedimento e não execute o "probe".

A seguir, uma tela com uma lista da memória instalada na placa de vídeo é mostrada. Escolha o valor correto (caso nao saiba o valor, consulte a seção "Resolvendo Problemas").

A próxima tela pede para escolher um valor de "clockchip". A maioria das placas de vídeo utilizadas hoje não necessita desse valor, e o padrão na tela é nao escolher nenhum valor. Recomendamos seguir o padrão. Para placas de vídeo com necessidade de "clockchip", execute o comando SuperProbe (veja a seção "Resolvendo Problemas").

A seguir, temos uma tela onde escolhemos a execução de um "probe" para verificar se a configuração está correta. Não é necessário executar essa instrução, recomendamos pressionar "tab" para escolher "Skip" e pressionar "enter".

Na próxima tela temos a configuração das profundidades de cores e modos de vídeo. A rigor, devemos ter pelo menos 3 profundidade de cor: 8 bits (256 cores), 16 bits (65535 cores) e 24 bits (true color). Cada uma delas tem a possibilidade de usar algumas resoluções, entre elas 640x480, 800x600, 1024x768. Recomendamos aqui escolher apenas a configuração que normalmente o usuário utiliza, como por exemplo 16 bits a 800x600 ou 16 bits a 1024x768. Para escolher, usamos as setas do teclado ate encontrarmos a resolução apropriada e depois pressionamos a barra de espacos. Quando tivermos escolhido todas as configurações, clicamos "OK".

A seguir, o programa tentar iniciar o ambiente de janelas para testar as configurações. Pressione "enter".

Provavelmente o ambiente deve entrar sem problemas, e vc verá uma mensagem perguntando se é possível visualizar uma mensagem. Clique no "Yes" caso seja possível, ou espere 5 segundos ate que o ambiente perceba que a configuração não deu certo.

O processo do Xconfigurator está terminado. O arquivo de configuração foi escrito em /etc/X11, com o nome de XF86Config.

4.2 Usando o xf86config

O xf86config é um programa com a mesma função do Xconfigurator. A diferença é que ele permite uma configuração mais abrangente do ambiente de janelas, e por isso ele é um pouco mais complicado. Por isso, recomendamos utilizá-lo em última instância. Para iniciar o programa, faça um login como root e digite:

xf86config

Algumas telas são apenas informativas. Na maioria das outras, devemos responder às questões pressionando "enter", sim ou não ("y" ou "n") e com números das configurações.

Na primeira tela, podemos tranquilamente pressionar "enter".

A segunda tela pede para informarmos o tipo de mouse que nosso micro tem. Normalmente o mouse tem padrão Microsoft (primeira opção na tela) ou PS/2 (quarta opção na tela). Digite o número apropriado e pressione "enter".

Na próxima tela, ainda tratando do mouse, devemos apenas responder "y" se temos um mouse da marca Logitech com 3 botões. Caso contrário, "n" e pressionamos "enter".

Ainda sobre o mouse, devemos responder "y" apenas se nosso mouse tem 2 botões. Existem certos tipos de ação nos ambientes de janela que necessitam do terceiro botão, e caso ele não exista, essa opção permite que seja feita uma "emulação" do terceiro botão (clicando simultâneamente os dois botões). Escolha sua opção e pressione "enter".

Na próxima escolha (Mouse device), pressione apenas "enter".

Saindo da configuração do mouse, temos uma pergunta a respeito de um sistema de controle de teclado chamado XKB. Só devemos responder "y" nessa pergunta se usamos mais de uma configuração de teclado ou se estamos instalando uma distribuição do Linux em inglês com um teclado ABNT2 (aquele com c cedilha). Caso contrário, responda "n", e tecle "enter".

A próxima pergunta diz respeito ao acesso de caracteres especiais usando a tecla "alt". Normalmente não é necessário fazer esse tipo de configuração, e sugerimos responder "n" à pergunta, e teclar "enter".

Devemos agora teclar "enter" para acessar uma lista com a taxa de sincronização horizontal dos monitores, para que identifiquemos uma faixa compatível com o monitor instalado. Para escolher a configuração adequada, recomendamos uma consulta ao manual do monitor. Caso nenhuma das opções se encaixe, sempre é possível escolher a número "11", onde colocaremos os dados de acordo com o manual.

NOTA: a escolha de um valor errado (muito baixo, muito alto) nessa opção pode causar a queima do monitor.

Uma vez escolhida a taxa horizontal, na próxima tela escolheremos a taxa de sincronização vertical. Caso seu monitor nao se encaixe nas faixas padrão, utilize a opção "5", e informe sua própria faixa.

NOTA: como no valor anterior, a escolha de um valor errado pode causar a queima do monitor.

A seguir somos solicitados a entrar com os dados (modelo, fabricante) do monitor. Podemos ignorar essas linhas, pressionando tres vezes a tecla "enter".

A próxima tela nos pergunta se desejamos ver a lista das placas de vídeo disponíveis. Digite "y" e pressione "enter". Procure a sua placa na lista. Caso na esteja na tela, pressione "enter" para passar à próxima. Se você encontrou, simplesmente digite o número correspondente (informado do lado esquerdo) e pressione "enter".

Confirme a escolha teclando novamente "enter".

Na próxima tela temos a possibilidade de escolher o servidor X que será instalado. Recomendamos utilizar a opção "5", e pressionar "enter".

Responda "y" à pergunta "Do you want me to set the symbolic link ?", e pressione "enter".

Na próxima tela, informe a quantidade de memória de vídeo presente no seu adaptador. Pressione "enter".

A seguir somos solicitados a entrar com os dados (modelo, fabricante) da placa de vídeo. Podemos ignorar essas linhas, pressionando tres vezes a tecla "enter".

A próxima tela nos pergunta a respeito do "clockchip". Como explicado no Xconfigurator, normalmente não é necessário. Apenas pressione "enter".

A seguir, responda "n" para a pergunta "Do you want me to run 'X -probeonly' now?". Tecle "enter".

A próxima tela nos traz a opção de configuração de modos de vídeo X cores. A configuração segue o exemplo do Xconfigurator, com a diferença que temos que informar (digitando os números) cada módulo de cor e sua profundidade. Os módulos alterados serão mostrados na tela. Quando estiver satisfeito, escolha a opção "5", e pressione "enter".



5. Usando o ambiente

    Até agora nós apenas configuramos o servidor X. Agora que a configuração foi bem sucedida, precisamos configurar um cliente do ambiente para que possamos utilizá-lo.

    Os clientes mais usados hoje são o GNOME e o KDE. Ambos são invocados pelo mesmo comando.

    Para escolher qual deles deve ser iniciado, criamos um arquivo em nossa área chamado

.xinitrc

    Onde deveremos incluir apenas 1 linha. No caso do KDE, incluimos

startkde

    E no caso do GNOME, incluimos

exec gnome-session

    Depois de feito isso, iniciamos o ambiente de janelas com o comando

startx

    E pronto. O ambiente de janelas está iniciado.



6. Resolvendo Problemas

6.1  Não tenho certeza qual a placa/memória de placa/ramdac/clockchip que devo usar.

    Existe um utilitário chamado SuperProbe que pesquisa essas informações. Ele deve ser executado fora do ambiente de janelas, e gera um relatório sobre sua placa. Essas informações na maioria das vezes são suficientes para acertar a configuração no Xconfigurator ou no xf86config.

6.2  O SuperProbe não detecta minha placa ou dá erro.

    Pode ser que sua placa seja muito antiga, muito nova ou mesmo totalmente incompatível com a versão do Linux instalada. Quando a placa é muito antiga, há pouco o que fazer. A sugestão é comprar uma nova placa. Quando a placa é muito nova, deve-se observar a documentação do XFree para saber se a placa é compatível. Se não for, consulte o site do fabricante.

    O Linux não trabalha muito bem com placas 3D, daquelas específicas para jogos. Sendo um ambiente de trabalho, é necessário que exista uma placa 2D para que o ambiente funcione a contento.



7. Referências

XFree - www.xfree.org
KDE - www.kde.org
GNOME - www.gnome.org
FTP da Unicamp - ftp.unicamp.br/pub/systems/Linux