Universidade Salgado de Oliveira
www.silviolobo.pop.com.br

 

Por:
Sílvio de Souza Lôbo Júnior
(Teoria e prática em campo)
(www.silviolobo.pop.com.br) ([email protected]
Grazielly Ananias Borges (Atuação em Campo)
Hellen Machado (Atuação em Campo)
Joaquim Pacífico (Atuação em Campo)
Maria de Lourdes Silva de Oliveira (Atuação em Campo)
OS COMPLEXOS DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER Goiânia 2003

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Projeto de trabalho voluntário apresentado  às    disciplinas  de Método e Técnica de Pesquisa I e Dinâmica de Aprendizagem do curso de Letras Literatura, 40215M, ministrada pelas professoras Eliecília de Fátima Martins Serafim e Lívia Costa de Andrade.


 

 

 

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“A beleza da mulher alegra o rosto e supera todos os desejos do homem. Se nos lábios dela existe bondade e doçura, o seu marido é o mais feliz dos homens. Quem adquire esposa tem o começo da fortuna, pois ela é auxiliar semelhante a ele, é coluna de apoio. Onde não há cerca, a propriedade é saqueada, e onde não há mulher, o homem vagueia gemendo.”

(Eclo 36,22-25)

 

 

 

 

 

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AGRADECIMENTO

- A Fabrício Penteado de Faria coordenador dos voluntariados no Abrigo Nove Luas, o funcionário da instituição que prestou ao grupo o grande importantíssimo apoio durante o trabalho.

- A Biblioteca Pio Vargas, por disponibilizar 90% das obras utilizadas nesta pesquisa. - Aos amigos e colegas que apoiaram a equipe.

- Àqueles que compreenderam a causa e ofereceram seus ouvidos e ombros durante a empreita.

- As professoras Eliecília de Fátima Martins Serafim e Lívia Costa de Andrade que jogaram esta ‘batata quente’ nas mãos no primeiro período do curso de Letras Literatura.

- Aos familiares que suportaram a neurastenia matinal do grupo e não se puseram em intensificá-la.

 

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RESUMO

Terapia ocupacional e interpretações literárias são ferramentas indispensáveis no Projeto de Trabalho Voluntariado, desenvolvidos pelo grupo de cinco alunos do curso de Letras Literatura nos meses de Fevereiro a Junho do ano 2003. A reflexão sobre vários aspectos da natureza humana, como complexos, medos e obsessões são de grande valia para discernimentos que leva a ações efetivas de combate aos atos machistas os quais a cada hora são submetidas dezenas de mulheres. Seguindo este, num intuito maior que a simples descrição de barbaria, mas com a apresentação das diversas neuroses que afetam a mulher agredida, como também as formas de superá-las. Todos os estudos e pesquisas disponíveis aqui, torna-o uma ferramenta indispensável para àqueles que queiram compreender e ajudar a combater o horrendo quadro patológico da violência domestica. A pesquisa estabeleceu seu campo de estudos o Abrigo Nove Luas, administrado pelo CEVAM, dado ao fato de, que ali, as mulheres têm origens diversas, classes econômicas, e culturais diferentes. Podendo ali, como em nenhum outro lugar estabelecer uma estatística segura sobre a má colocação da mulher dentro da sociedade dita moderna.

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LISTA DE ABREVIATURAS

AMEM                                   Associação Maçônica    de Erradicação da Mendicância
CEVAM                                 Centro de Valorização    da Mulher
CVV                                       Centro de    Valorização da Vida
DDM                                      Delegacia    de Defesa Da Mulher
Eclo                                       Livro de    Eclesiástico
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1. INTRODUÇÃO

A violência contra a mulher não só afeta um individuo, mas sim desestrutura toda a sociedade formada a partir de bases familiares. O quadro é tal que uma ação visando o estudo desta patologia inicial se faz urgente, assim se inicia aqui o trabalho de estudo e pesquisa dos complexos, e fobias que alimentam a grave estatística da violência domestica.

O trabalho terá em seu desenvolvimento, analise de leigas, e profissionais no que diz respeito à psicologia e comportamento. Feito após estudo freudiando, este tem descrições sabias mais algumas vezes ousadas.

Toda a pesquisa apresentada aqui foi gravada em película fotográfica e em filmagens áudio-visual, sendo estes ferramentas indispensáveis para a compreensão do trabalho realizado pela equipe de alunos de Letras Literatura no primeiro semestre do ano 2003.

A pesquisa se apresenta bem dividida, onde inicialmente se conhece a problemática, e o assunto, em seleções bem arrumadas de conceitos e teses de fontes confiáveis e bastante conhecidas como Freud, Roger Muchielli. Houve também o cuidado que os textos fossem produzidos na integras por integrantes do grupo. Não aceitando aqui, plágios textuais ou de idéias.

Logo em seguida há apresentação do campo escolhido para execução do trabalho prático, como também a descrição da população e o mais importante, das ações lá iniciadas.

Ao final há dois pequenos textos onde se encontram narrações em primeira pessoa, e opiniões de Grazielly Ananias, e Sílvio Lôbo Júnior, onde descrevem os sentimentos que tiveram naquele lugar.

Nos anexos e apêndice são encontrados fotos tiradas em campo, textos escritos por internas nas oficinas de redação, e uma carta que apresenta uma das problemáticas do Abrigo Nove Luas.

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2. TEORIA ESPECÍFICA

2.1- O Abuso Sexual

Não é toque, nem a violência física e nem a falta do consentimento que vão definir abuso sexual, mas sim a sexualidade vinculada ao desrespeito ao indivíduo e aos limites, a troca de sua postura de sujeito a uma de objeto dos desejos do outro.

É importante lembrar que marcas físicas não definem um abuso sexual, pois existem relações onda a violência física é utilizada e consentida, como é o caso das relações sadomasoquistas.

O abuso sexual pode ocorrer sem deixar seqüelas visíveis, mas as seqüelas efetivas são difíceis de identificar e não são por esses motivo de menor gravidade. Assim o trauma sofrido pode não se resumir ou mesmo não se ater ao ato sexual propriamente dito.

Sabe-se que a maior parte dos casos de abuso pode estar presente em relações de trabalho, relações familiares, etc.

Assim, os abusos sexuais de crianças, o incesto e o assédio sexuais denunciam o fogo de poder onde a sexualidade é utilizada de forma destrutiva construindo-se num desrespeito ao ser humano. Neste três casos, pode não existir a violência física, mas são relações quem implicam um ou outro de violência como a social e psicológica.

O abuso sexual afeta, ao mesmo tempo a saúde física e mental e o direito individual de se dispor da própria sexualidade e privacidade.

2.2. Abuso dentro da Família.

Quando o abuso ocorre dentro da família, ele denuncia a falta de uma estruturação familiar que possa ser referencial para o desenvolvimento psicológico e social de seus membros. Agrava a situação o fato de o abuso romper o vínculo de confiança básica para o desenvolvimento da vida na família.

O que sobra de um tapa?

Para as mulheres que sofrem a violência dentro da própria casa, onde a grande causa, é sempre o alcoolismo, ou outras drogas. As Mulheres agredidas nem sempre denunciam porque, tem medo da reação do companheiro ou até mesmo por gostar em particular do agressor, neste casos o marido ou companheiro.

Também é tido como violência familiar, os casos onde os filhos sofrem agressões, dentro de casa ou até mesmo, os idosos que dependem da família para moradia, etc. Uma Família que não tem uma estrutura familiar boa, em condições precárias, condiciona os filhos a crescerem em meio à violência. A criança agredida dentro de casa, precária, condiciona os filhos a crescerem em meio à violência. A criança agredida dentro de casa, perde a confiança gerando um adulto infeliz, angustiado, ansioso e na maioria dos casos violentos... “violência gera violência”.  Unesp

(http://www.bebedouro.sp.gov.br/violencia_familiar.htm, em 10 de Maio de 2003)

 

2.2.1- Conseqüências

Angustia, Conflitos, acarreta conseqüências que deixam marcas tanto sociais quanto psíquicas. Socialmente é possível pensar o abuso sexual sob dois enfoques: a da revelação e a da não revelação deste abuso.

2.2.2- As Crianças

O estatuto da criança e do adolescente prevê em seu artigo 13 que casos de suspeito ou confirmado de maus tratos (inclui qualquer tipo de abuso ou violência), serão obrigatoriamente comunicados ao Conselho Tutelar da respectiva localidade, sem prejuízo de outras providências legais.

2.3. Complexo de Inferioridade

O Complexo de inferioridade é antes de tudo a certeza íntima de não estar à altura, de ser incapaz e de ser assim julgado, de ser ridículo e sujeito a desprezo, a zombaria. O olhar do outro não é percebido como o de um juiz mas com olhar zombeteiro. Daí a dificuldade de se dirigir a outrem (a fortiori a desconhecidos), o medo do público e do grupo se é preciso participar de um grupo, e outras formas de inibição ou mal estar social. A timidez é então diferente da timidez do culpabilizado, porque é intimidação de inferioridade, comparação aos outros permanentemente auto-desvalorizante. Donde o desejo de fugir, de esconder-se, de “fazer-se muito pequeno no seu canto” para evitar o ridículo; nas situações de prova, a fuga ou resignação com o fracasso por medo antecipado do fracasso. (Os Complexos, p.85)

2.04. Complexo do abandono.

As mulheres que em sua infância sofreram desprezo por seus pais muitas vezes desenvolvem um medo mórbido do abandono, isto a deixam bastante susceptíveis a um relacionamento de submissão e maus tratos. Este complexo “[...] muitas vezes chamado também complexo de frustração afetiva, complexo de exclusão ou de rejeição, o complexo do abandono significa sensibilidade estrema à carência de amor” (MUCCHIELLI. 1977. P.65)

 Esta preocupação infundada de que nunca serão amadas as levam a se entregarem a relacionamento frustrantes, muitas vezes sem se quer uma fonte segura de sustento.

2.5. A Responsabilidade.

As mulheres que sofrem violência constantemente se julgam muitas vezes responsáveis de alguma forma por seu sofrimento. “Eu não deveria ter tocado naquele assunto... eu sei que ele não gosta de falar sobre isto, e eu insisto...”, estes e muitos outros pensamentos insensatos atormentam a mulher que vive em uma ambiente hostil. O Complexo de Culpa dá a mulher um sentimento profundo de que alguma coisa lhe falta, um medo de que suas palavras ou suas ações façam mal e sejam as causadores dos conflitos.

Ao aceitarem isto como verdades, abandonam seus direitos, de que, como cidadãos e pessoas, têm direitos a tratamento digno e ao direito de espressão.

2.6. Estatística da violência contra a mulher.

Fig 1-a

Este gráfico foi criado pelo grupo, a partir de uma tabela de ocorrências obtida na Delegacia de Polícia de Defesa da Mulher. Goiânia – GO . Referente ao ano de 2002

 

 

GRÁFICO DOS CRIMES CONTRA A MULHER GOIÂNIA, ANO 2002

O índice de mulheres agredidas assusta. Demonstrando uma grave patologia social. Há vitimas de todas as classes, o que desmistifica a crenças de que apenas mulheres pobres, por não terem como se sustentar sofrem abusos.

2.7. Literatura curando Neuroses.

“Existe um caminho de regresso que leva da fantasia à realidade: é a arte. O artista é ao mesmo tempo um introvertido próximo da neurose. Animado de impulsos e tendências extremamente fortes, quisera conquistar honrarias, poderio, riqueza, glória e amor. Porém lhe faltam os meios para concretizar esses desejos. Assim, como todo homem insatisfeito, afasta-se da realidade e concentra todo seu interesse, e também sua libido, nos desejos criados pela sua imaginação — o que pode conduzi-lo facilmente à neurose... É então quando o artista encontra de novo o caminho da realidade.” (Sigmund Freud, Introdução à Psicanálise. 1948)

Se a todos nós não cabe a magnífica criação artística, a todos servem os benefícios de uma pequena redação. Desabafar seus problemas, perdoar ou acusar. A interpretação e criação literária são ótimos trabalhos, remédios eficazes contra neuroses, e um verdadeiro caminho para o auto-conhecimento. Escrever é pra o autor uma verdadeira catarse, em que todos impasses e intrigas são postos em papel para reflexão. Ler é destruir mitos, construir métodos e renovar esperanças; é trabalho indispensável que aumenta a capacidade intelectual de questionamento e discernimento, levando-nos ao aprendizado real.

2.8.  9099, uma lei que mata.

A Lei nº 9099, 26 de Setembro de 1995, foi aprovada pelo Congresso por alguma influencia ainda não exposta, esta retira o agressor das DDMs, rezando que às delegacias competem apenas o registro da ocorrência e seu encaminhamento aos fóruns especiais. “É um círculo vicioso. A mulher apanha, dá queixa, volta a apanhar mais, e nada se resolve, até que morra...” — disse Consuelo Nasser em matéria publicada pelo jornal Diário da Manhã em 1º de Setembro de 2002.

2.9. Descrição da abusos e agressões:

Com o intuito de desmistificai a violência contra a mulher com mera agressão física, Maria de Lourdes criou para nosso trabalho uma pequena tabela de conceitos:

- Maus tratos:

Ele lhe causa medo, através de  gestos, olhares, atos, gritos. Destrói seus objetos pessoais, lhe tratar como um empregada, serva. Faz com que você o idolatre, como um “Rei em seu reinado”

- Ameaça:

Diz que vai lhe abandonar, ameaça que vai matá-la, espancar, machucar, e até deixar você com seus filhos.

- Estupro:

Obriga você a realizar atos sexuais contra vontade, não leva em conta seus desejos e necessidades. Maltratos físicos e emocionais durante o ato sexual.

- Lesão Corporal:

Cacetadas, puxões de cabelo, mordidas, cortes, torcer braço, queimadura, bofetadas, etc.

- Constrangimento:

Não deixar você trabalhar fora de casa, faz você pedir dinheiro para cada despesa, acusar você de ter roubado quando o dinheiro não dá para os gastos.

 

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3. METODOLOGIA

3.1. Caracterização do Local

O CEVAM – Centro de Valorização da Mulher, foi criação em 1981, destinado a ser uma trincheira de luta contra a violência, a discriminação e o preconceito que atingiam e atingem  sem punição a mulheres.

A instituição realiza vários serviços, o mais importante deles é a manutenção do Abrigo Casa Nove Luas, que se encontra na Rua SNF2, Qd 173, Lt 01 a 04 - Setor Norte Ferroviário (Antigo 13º BPM) (Vide figuras 01 e 02).  Reconhecido como órgão de Utilidade Pública pela Assembléia Legislativa de Goiás, Lei  9.322 de 21 de Junho  de 1993. Filiado a ONU.

3.1.1. Para que existe o CEVAM

- Para promover estudos sobre a condições femininas em Goiás;

- Para desenvolver campanhas permanentes de esclarecimento visando a mudança da mentalidade tradicional que dificulta a evolução da Mulher;

- Mobilizar as Mulheres numa frente ampla contra a violência, a discriminação, atraso e preconceitos;

- Auxiliar a Mulher desempregada e sem profissão;

- Promover campanhas e discussões nas escolas sobre educação diferenciada entre meninos e meninas, uma das fontes de discriminação das Mulheres.

- Luta pela maior participação da Mulher nas decisões dos partidos políticos e órgãos do governo.

3.1.2. Projetos em andamento

- Assessoria Voluntária a grupos de Mulheres para elaboração de projetos em várias áreas que contribuem para o desenvolvimento da Mulher dentro de uma perspectiva de gênero.

- Elaboração de caderno educativos para Mulheres sobre métodos anticoncepcionais, Educação sexual, Direito, Violência Domestica, etc.

- Criação da Casa Abrigo de Anápolis e Aparecida de Goiânia.

- Criação do Conselho Municipal de Direitos da Mulher

- Projeto RENASCER DST’/HIV e AIDS.

- Projeto “Amigos do CEVAM”

- Criação de 03 (três) Juizados Especiais.

- Implantação de 13 (treze) Delegacias da Mulher

3.1.3. Quando se deve procurar o CEVAM

- Sempre que sofrer qualquer tipo de injustiça, discriminação, violência, etc.

- Quando necessitar de informações sobre a condição da Mulher de Goiás.

- Quando sentir necessidade de ajudar outras Mulheres.

3.2. Caracterização da população e da amostra.

Não é possível estabelecer um número exato de internas do Abrigo Nove Luas. A instituição tem como meta um período de 03 (três) meses para a permanência de uma interna,  podendo este prazo ser estendido até que a interna consiga alguma condição de sustento, ou por problemas de saúde e gravidez. Nos quatro meses da pesquisa o número de internas oscilou entre doze e dezoito, com uma média de  03 (três) crianças para cada uma delas (Vide figuras 6, 7 e 8).

As internas dividem o trabalho de limpeza do abrigo, sendo esta a única atividade ali realizada, é predominantemente proibido a saída do Abrigo.

O quadro de funcionário é pequeno, são, presidenta, coordenadora, coordenador de voluntários, tele-marketing, assistente social, porteira e cozinheira, e um policial militar.

Mulheres de várias classes econômicas o se verem suas vidas ameaçadas procuram o DDM, podendo ser encaminhadas para o abrigo, mas a presença no abrigo se faz mesmo apenas para mulheres que não tenham outra possibilidade de morada. Assim sendo, e certo afirmar que todas as mulheres que permanecem no Abrigo, é são bastante pobres e não teriam outra forma de se resguardar de seu agressor. Mas o Abrigo também é cede de vários projetos de conscientização, e estes sim são direcionados a mulheres de todas as classes.

Cada interna tem em média três crianças, muitos bebês, e muitas gestantes.

Apesar de muitas não trabalharem, já que os maridos não permitiam, há nelas uma grande vontade de aprender algum trabalho que as dê sustento, e esta vontade, comum na maioria das mulheres facilitava o trabalho do grupo.

As crianças têm de zero a onze anos, não há adolescentes na instituição, é aconselhado às mães que seus filhos adolescentes sejam deixados com algum familiar durante o decorrer do processo que inibira o processo. Todas as crianças apresentam forte carência afetiva, muitas demonstram distúrbios resultantes de traumas, o que pode notar na necessidade intensa de atenção, característica notável do complexo de abandono. Há também consideráveis problemas de identidade e convivência social, as crianças não têm uma figura masculina a qual se espelhar e na qual possa desenvolver saudável compreensão social, o que ocasiona um vocabulário confuso, o semiótica disto esta no uso freqüente de pronomes femininos nos diálogos e descrições de homens. “Eles me chamam de tia ou mãe!”, observou Sílvio Lôbo Júnior nas primeiras dinâmicas com as crianças.

Helen Machado e Grazielly Ananias observaram que era imprescindível que nas recreações que os cuidados e atenções fossem uniformemente distribuído, pois, se fosse dado a um mais atenção, logo todo o grupo se via ‘refoltado’ e se negava a realizar qualquer tarefa.

3.3. Os Métodos e Técnicas utilizados para a obtenção dos dados.

Foram entrevistados, a Presidenta , a Coordenadora Cecília e o coordenador dos Voluntários Fabrício Penteado**. Que contou de forma subjetiva o histórica da instituição.  Foi recolhido também alguns panfletos de divulgação, além de arquivos de jornal lá disponível.

A instituição que em um primeiro momento se ofereceu para ajudar na realização do trabalho demonstrou pouco entusiasmo em ajudar na parte teórica do trabalho, o que forçou um a pesquisa externa, em vários meios com a Internet e os jornais locais.

3.4. Ações Desenvolvidas.

Inicialmente foram feitas duas visitas, uma primeira no mês de março, dia 6 quinta-feira onde se discutiu a possibilidade de iniciar no Abrigo o trabalho. Durante pouco quase uma hora foi realizada uma apresentação da instituição e seu problema pela diretora Cecília. Ao final houve uma apresentação da estrutura física do Abrigo.

Os trabalhos do Dia Internacional da Mulher, e os estagiários da OVG, causaram uma sucessão de imprevistos o que causou o atraso do trabalho que só iniciaria no mês de Abril.

Dia Primeiro do mês de abril aconteceu uma longa reunião junto aos coordenadores da instituição. De portas fechadas durante quase duas horas houve apresentação de toda a problemática do abrigo, da mulher, como também discussões sobre o machismo da sociedade a importância do papel da mulher na sociedade e para a criação de seus filhos, houve também apresentação de vídeo e entrega de material de propaganda.

Dia três de abril (03/04/03), houve a primeira reunião com dezesseis internas. O grupo sem ausentes iniciou o trabalho com longo dialogo. Silvio apresentou o grupo e a necessidade de conhecer as verdadeiras necessidades de cada um ali. As internas se abriram, e descreveram seus problemas e pediram ajuda. O grande medo demonstrado ali, era a insegurança sobre o futuro. O medo de que fora do abrigo tivessem que voltar para seus agressores, por não terem com se sustentar. Helen continuou o dialogo com as internas afirmando da necessidade de que elas dissessem de suas necessidades, pois só assim poderiam receber ajuda do grupo. Então as mulheres contaram sobre suas vontade em conseguir melhores empregos, “só conseguimos trabalho com empregada domesmestica”, disse uma. Maria De Loudes, conhecento a problemática contou as internas como conseguiu sustentar sua família e pagar a faculdade dos filhos fazendo artesanato, todas acharam muito boa a idéia, e Maria de Lourdes se dispôs a dar aulas de artesanato.

Um outro problema observado nesta reunião no dia 4, era a escolaridade de cada uma. Assim Grazielly Ananias iniciou uma estatística de verificação o observou que a maioria das internas abandonara a escola muito precocemente. Havia entre as mulheres grande inseguranças, no que dizia respeito sobre voltar pra escola. Joaquim Pacifico mostrou a todos com seu ensinamento de vida que bastava querer, e que sempre haveria tempo pra voltar ao estudo. Ao final da reunião lemos todas as reivindicações e nos despedimos.

Na quarta-feira dia 09 de Abril aconteceu a primeira reunião do grupo para a escolha das prioridades do trabalho. Nesta reunião se dividiu o trabalho que ficou assim:

- Maria de Lourdes e Joaquim Pacífico, artesanato. (exclusivo das internas)

- Helen Machado e Sílvio Lôbo Júnior, recreação e dinâmica (predominantemente crianças, e ocasionalmente internas)

- Grazielly Ananias (exclusivamente das internas)

Dia dez de abril iniciamos o trabalho com as crianças, do mesmo modo que as internas. Conversamos perguntamos o que elas achavam daquele lugar, e se percebeu que apesar do ambiente grande o do velho parquinho as atraírem, não era difícil perceber que estavam um tanto quanto desanimada por estarem ali presas. As crianças falaram sobre suas pretensões quando crescerem  e do que achava sobre o amor. Foi feito dinâmica descontraída, como viva-morto, dança, e muitas musicas.

Neste dia inciou uma serie de problemas, quanto o Fabrício coordenador dos voluntários mudou o horário de visita de quinta, sexta e sábado para terça, quinta e sábado. O horário foi proposto e aceito, mas já na outra semana ele foi novamente modificado.

O trabalho dos estagiários da OVG, e das obreiras da igreja Universal do Reino de Deus conflitaram com nosso trabalho destruindo de tal forma que em determinados momentos o grupo pensou ter perdido todo seu referencial de trabalho.

O trabalho que seria feito com as internas ficou por semanas impossibilitado, todo o grupo focou seu trabalho junto às crianças e apenas o curso de artesanato pode ser mantido junto as mulheres.

Dia 15 de Abril, terça-feira, foi realizado recreação junto as crianças. E também os últimos preparativos para a festa da Páscoa.

A festa da Páscoa aconteceu dia 17 de Abril, quarta-feira, houve a entrega de ovos de páscoa (vide figura 3), e festa (vide figuras 4 e 5; e Fita VHS), esta data comemorativa e marcou o inicio das complicações que levaram a um desanimo da equipe.

Isto porque, a instituição marcou sobre a data já marcada a bastante tempo, da comemoração pascoal, quarta dia 17, a recepção de uma “prefeita”, obrigando o grupo a fazer sua comemoração com aproximadamente doze internas e quase trinta crianças dentro de um cubículo de oito metros quadrados. As jovem Helen Machado e Grazielli decidiram por fazer a festa num espaço que era utilizado para lavar roupas. Sílvio Lôbo Jr carregou as três mesinhas para esta área, onde foram colocados os refrigerantes e o bolo, e ali iniciou a festa juntamente com as mulheres que levaram suas cadeiras e as crianças.

Apesar dos frustrantes imprevistos a festa foi muito importante, e muito bem aceita pelas internas. Algumas se comoveram pela demonstração de carinho do grupo e foram a prantos.

“Apesar da indiferença de nosso trabalho por nossa instituição, o reconhecimento pelas internas e crianças foi o mais importante”, disse Helen Machado.

Quinta-feira dia 24, de Abril, iniciou com maior aplicação o trabalho com as crianças, e apesar das pretensões iniciais serem do trabalho focar as mulheres, houve mesmo assim um desempenho proveitoso.

As visitas no sábado não se estenderam e no dia 29, de Abril, foi colocado o plano de acordo a tabela na próxima página:

Plano de Trabalho estabelecido em 29 de Abril.

Dias da Semana

Crianças

Por

Mulheres

Por

terça-feira

14 às 15 horas

Dinâmica divertida

Helen M.

 Sílvio L.

16 às 18 horas

Oficina de Redação

Grazielly A.

Quinta-Feira

14 às 15 horas

Músicas

Grazielly

Sílvio L.

16 às 18 horas

Curso de Artesanato

Maria de Lourdes

& Joaquim Pacífico

16 às 18 horas

Oficina de arte.

O quadro fixado sofreu modificações principalmente no que se referia ao responsável por aplicar as tarefas, quando um não poderia ir outro assumia os atos e quanto todos iam e não havia trabalhos paralelos, todos se reunião em uma única ação.

Os trabalho se estenderam pelos dias 29/04/03, 06/05/03, 08/05/03,14/05/03.

3.4.1. Os intuitos

A aula de Interpretação de texto focou a leitura e a interpretação de textos da obra .xxxx visando o auto conhecimento. E o aumento da estima. Foi realizado por Grazielly Ananias e com alguma ajuda de Sílvio Lôbo Júnior.

As Dinâmicas realizadas com as crianças foram realizadas por todo os componentes. Foram brincadeiras no parque, trabalhos com recorte de papel, contadores de história e música. Helen Machado concentrou seu esforços nestas ações desempenhando importantes funções, as quais se deve salientar a festa da Páscoa.

O Curso de artesanato realizado por Maria de Lourdes como o apoio de Joaquim Pacifico foi juntamente a Oficina de Redação as mais importantes atos pois se trataram de uma terapia ocupacional importantíssima.

 

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4. RESULTADOS E DISCUSSÕES

Os trabalhos existentes sobre a violência domestica como uma extensão da violência social, que acomete os cidadãos. Esclarecendo, isto diz que a violência que ocorre dentro de casa é apenas, mas um sinal da violência que ocorre nas ruas. Seria mesmo verdade? Deve-se ater em mais aspectos que mera observação. Pois, o simples fato de que em sociedades onde a criminalidade urbana seja grave, não significa que a violência contra os próprios integrantes da família seja assim explicada.

Os crimes contra entes da família, principalmente as mulheres e crianças, não são mera conseqüência da violência urbana, mas sim uma patologia grave. Uma transgressão ao sagrado, um distúrbio psicótico seriíssimo, que deve ser tratado em sua origem, a custo da destruição de nossa sociedade a partir da célula mais importante, a família.

A mulher que se casa com um agressor é comumente descrita com “mulher de malandro”, existem muitas insinuações do tipo “ela parece mulher de malando. Gosta de apanhar!”, há no senso popular que uma mulher que não denuncia de seu agressor tenha um fetiche sádico, poucos compreendem que a mulher vitima de violência esteja presa em suas crenças paranóicas e que precisam de ajuda pra se libertar. O CEVAM realiza trabalhos de conscientização para que a mulher entenda seu direitos, e neste trabalho sempre enfrenta grandes dificuldades. Principalmente no que diz respeito a punição. Muitas mulheres guardam a fobia de que não conseguiram se sustentarem sozinhas e que terão quando saírem do Abrigo, como única escolha voltar para seus agressores.

Com o trabalho de auto-conhecimento, apresentado com interpretação textual e o de terapia ocupacional com o curso de artesanato. Buscou-se apresentar as mulheres ali a grandezas de seus eu’s, e como são seres grandes, capazes de tomarem as rédeas de suas próprias vidas.

Durante a leituras dos textos elas iam fazendo suas observações e transcrevendo aquilo que aproximariam daquilo que foi aconteciam com elas. Elas podiam escrever seu problemas e ao lê-los refletir, buscando soluções.

Todo o trabalho se concentrou em enfatizar o presente vitorioso em que cada uma delas tomou o primeiro passo que foi denunciar seus agressores e buscar ajuda. Agora caberia a cada uma recomeçar suas vidas, com mais responsabilidades que tiveram da primeira vez.

“Seus filhos, vocês os tem, eles precisam de você!”, frases como estas aqueciam o sangue das mães que exibiam para o grupo sua prole, como o mais verdadeiro sinal de esperança.

Os resultados não foram o que o grupo esperou, se esperava um pequeno milagre. Mas é inegável que se obteve um passo. Uma semente foi plantada em algumas mulheres e crianças naquelas poucas semanas em que o grupo se aplicou ali. Agora é esperar com fé que estas geminem dêem grandes árvores e bons frutos.

Não houve a ilusão do final da violência, algo que se criou durante séculos e séculos não mudaram em alguns dias de outono, mas se cada uma daquelas mulheres passarem para seus filhos Valores humanos verdadeiros, de não-violência, de diálogo e serviço voluntário, o futuro promete ser bem melhor.

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5. AVALIAÇÃO DO TRABALHO

Os objetivos iniciais do grupo eram quase utópicos, a equipe inicialmente com seis integrantes adentrou o Abrigo Nove Luas com o objetivo de mudar todo um quadro social. Já as primeiras reuniões o universo pareceu cair em desencanto. Assim foi necessário organizar o trabalho escolher prioridade e sacrificar os sonhos que a situação não permitia realizar. O trabalho ao final foi proveitoso, mas poderia ter sido melhor, uma vez que a equipe se animara bastante, porém, o excesso de burocracia da instituição e o conflito com outros voluntários foram empecilhos que atrapalharam todo o desempenho.

5.1. Avaliação do trabalho desenvolvido

Obteve-se êxito na Oficina de Redação e nas dinâmicas divertidas, envolvendo música, trabalho com recortes, e contar histórias. Tanto com as crianças quanto com as mulheres. Também se deve salientar que muitas das atividades recreativas, principalmente as do primeiro mês se fizeram de por improviso, mesmo assim não deixaram muito a desejar pelo apoio incondicional das crianças e internas. Não se obteve êxito na colocação das salas de costura em pleno funcionamento, também não se conseguiu obter doações, principalmente de material didático e matéria-prima, para o uso nas atividades ali aplicadas.

Todas as atividades tiveram o intuito do auto-conhecimento, o grupo se concentrou nisto, e sempre se prontificou para o dialogo, mas infelizmente, o Eu é algo muito complexo que não pode ser modificado de um instante a outro. O que o grupo tentou durante aquelas semanas, foi dar as internas e crianças um pouquinho de carinho e atenção, e assim se espera que estes sentimentos despertem em seus corações a fé e coragem necessária para que por si só alcance seus sonhos.

O trabalho de artesanato as ensinou a criar pequenas peças, como: fuxicos, e enfeites para chuchinhas. O curso abriu as internas um mundo de arte e criatividade, alem da certeza de que o trabalho artesanato pode ser bastante proveitoso.

Infelizmente mesmo com a aplicação da aluna Maria de Lurdes lecionando o curso e do interesse das internas a instituição não deu grandes crédito ao trabalho, como a todo projeto, os matérias solicitados como os requerimentos de doações foram adiados e se estendiam dia a dia, o que levou a finalização precoce do curso.  

Não se pode dizer que o trabalho foi em vão. Verdade é, que houve muitos ganhos. As mulheres e crianças, mesmo que não recebendo suas profissionalizações ou formação escolar, receberam nos dias que estiveram ali, tesouros sem preço, que foi o afeto, amor e atenção.

5.2. Fatos Modificadores da Equipe

De início é importante ressaltar que já nos primeiros dias quanto o aluno Wanderli ainda era participante do grupo, não tinha uma participação efetiva uma vez que seu trabalho o impedia de fazer visitas ao Abrigo, ele teve sua importância nas primeiras ações onde tentou assumir liderança, mas logo abandonou o grupo sem qualquer satisfação, não sendo pertinente incluir grandes referenciadas dele nesta monografia.

O trabalho se fez efetivamente com as jovens Helen Machado, Grazielly Ananias, com o jovem Sílvio Lôbo Júnior e o senhor e senhora, Joaquim Pacifico e Maria de Lourdes. Foram estes a assumirem verdadeiramente o projeto. (Vide figuras 9 e 10)

A principio houve reuniões em que escolheram os assuntos, como: drogas, Adis, CVV. Durante uma visita frustrada em que o grupo não foi recebido, se soube do CEVAM pelo aluno Sílvio, então o grupo seguiu até lá.

A recepção foi ótima a instituição se mostrou aberta a ajuda e prestativa em ajudar no trabalho teórico. Em meio a isto iniciou o trabalho que já nas primeiras semanas se mostrou difícil. Os horários que eram estabelecidos pelo CEVAM modificavam constantemente, não deram ao grupo qualquer prioridade. Os funcionários do Abrigo dividiram os horários entre as obreiras da Universal os estagiários da OVG, o que sobrava eram as alternativas possíveis.

Juntado a isto as burocracias e regras que iam surgindo misteriosamente durante a realização do trabalho iam desanimando o grupo que em determinados momentos pareciam desistir.

A única recompensa foi o carinho das crianças e os lagrimas alegres de algumas mulheres. “E pra que mais!”. Assim o trabalho seguiu mesmo em meio a muitos problemas.

5.2.1. Observações por Sílvio Lôbo Júnior

Já pensei em fazer algum trabalho voluntário, mas hoje confesso que não é nada do que’eu imaginava. Digo a quem ler este que não há nada de obrigado ou parabéns, você trabalha, trabalha e se quiser uma recompensa deve garimpar na dobrinha entre as extremidades do lábios e a maçã do rosto, lá onde o sorriso se arma. Não que’eu queira mais que isto, mas um elogio anima bastante.

Valeu muito o trabalho com meus amigos, é claro que de vez em quanto as jovens de meu grupo parecia querer me morder, no sentido literal infelizmente. Mas há de se compreender que todos temos problemas e uma desacordo sempre leva a alguma ação mau-humorada, nada que não se supere.

Orgulhei-me bastante da Maria de Lourdes, pois sei que enfrenta problemas de saúde e mesmo assim, ocultou seu problemas para poder aplicar em ajudar os outros. O senhor Joaquim me foi uma lição a parte. Ele esteve em todas as visitas, soube manter-se quieto quando a necessidade se fez, e exerceu seu direito de se expressar quando achou conveniente. Suas palavras são sábias, encabulei-me na primeira oportunidade em que me pus a ouvi-lo.

Cada um deu aquilo que tinha, ou o que achou conveniente dar, ninguém mandou ninguém fazer nada, apenas nos reuníamos e descrevíamos o que tinha de ser feito e em que cada um podia ajudar. Ouvimos muitos boatos na sala de gente que estava escrevendo sobre quem fez e quem não fez. Eu não acredito que estas pessoas estejam certas em fazerem tais comentários. Há um trabalho a parte em nosso projeto. Acredito que este trabalho seja o grupo. A convivência fossada não é fácil, e considerando que este seja o primeiro trabalho voluntariado de muitos ali, não acho que seja conveniente fazer julgamentos, e muito menos falar de ética ou moral.

Bem... valeu!

5.2.2. Grazielly Ananias Borges

Descobre-se enfim uma vida!

Que vida? Perguntava a mim mesmo. Uma vida de vivências magníficas, não sei quem me respondia.

Definir tantas coisas em palavras, as vezes é complexa demais, imagina-se então definir vida, a vida. Vivi dias maravilhosos nestes últimos meses, quanto aprendizado, quanta troca! Conhece mulheres; antes eu conhecia apenas as mulheres.  E que mulheres que conheci. Nas visitas que fiz, nas conversas que tivemos pude perceber que a única diferença entre eu e elas é o nome de cada uma leva em sua identidade. Seus sofrimentos passam a elas força, coragem e determinação. Suas crianças com tudo isso conseguiram amadurecimento. Sofrimento é ruim, mas quando se aprende com ele a dor tornar-se amena.

Quando soube que tinha que fazer uma redação falando sobre minhas visitas ao CEVAM, me perguntei o quê e como escrever sobre elas, tentei várias formas, iniciei várias introduções, daí tive a idéia de falar de vida, porque foi isso que elas transmitiram para mim. Em cada rosto via-se um sofrimento, mas mesmo por isso podia-se enxergar nelas uma pontinha se quer de derrota, percebi que ali para elas era o início de uma nova e bela vida. Ao primeiro contato com elas tive medo de expressar achando que encontraria mulheres que só haviam reclamações e lamentos em suas vidas. Enganei-me profundamente. O trabalho que desenvolvemos não sei se para elas foi uma grande experiência, com a vida tão movimentada, cheia de experiências novas, mas para a minha pessoa foi uma lição e tanto. Sempre que puder estarei lembrando daquelas mulheres que me deram a razão de ter orgulho de ser mulher, em momentos em que a vida me impor obstáculo, diante de tanta firmeza e coragem, não sei se esta redação será satistória em meu trabalho, só sei que com esta palavras pude descrever um pouco o que  eu vivi neste trabalho de campo.

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6. CONCLUSÕES

 O trabalho em campo se encerra com a certeza de que o quadro patológico formado durante décadas, que coloca a mulher a mercê da violência, infelizmente não ira mudar de um dia para o outro. Porém deve-se ressaltar que é possível sim, agir para coibir estes atos agressivos, e covardes. E mais que importante ao final do projeto foi a satisfação de ter aprendido valores novos, que ao mais que a equipe acreditasse já ter, verdade é, que a cada dia houve uma nova surpresa.

Novos incidentes irão acontecer, dia a dia, é impossível impedir. O medo, os complexos, as paranóias e as neuroses em geral, sempre vão existir. Mas como devida conscientização, o individuo, a mulher em questão, saberá que não deve sofrer com os constrangimentos, e que tem equipes prontas pra dar suporte psicológico, e jurídico para elas. E que grupos como o realizador deste trabalho estarão prontos para os ajudar dentro do que for possível.

As ações tomadas, como o artesanato, a oficina de redação, foram bastante satisfatória. O grupo se orgulha destas pequeninas ações, que mesmo insuficientes passaram as internas, algo que elas não pareciam receber, algo grande como o amor. Elas receberam compreensão.

O trabalho infelizmente se encerra, não há pretensões de continuação do trabalho em grupo, mas muitos componentes já demonstraram vontade de realizar ali, um trabalho sozinho, sem burocracia, ou planos de ação, ou monografias.  Mas sim, conversa olho no olho, dinâmica no parquinho. Fazer o outrem feliz, e também, ser.

 

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REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

SILVA, Valmir Adamor da; Psicanálise da Criação Literária. Rio de Janeiro: Achimé. 1984. 154 p.

REUBEN, David. Toda Mulher pode!. Trad. Miécio Araújo Jorge Honkis. 2. ed. Rio de Janeiro: Record. 1971.

MUCCHIELLI, Roger. Os Complexos. Trad. J. Kosinsk de Cavalcanti. Rio de Janeiro: Difel. 1977.

FREUD, Sigmund. Dostoievski y el Parricídio. Traduzido do inglês por Valmir Adamor da Silva. Rio de Janeiro. 1984.

BEBEDOURO .sp. gov. Violência. Net. São Paulo, mai. 2003. Seção Violência Familiar. Disponível em <http://www.bebedouro.sp.gov.br/violencia_familiar.htm>, Aceso em 10 mai. 2003.

 

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