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Epístola de São Paulo aos Romanos
Capítulo 1
1. Paulo, servo de Jesus Cristo, escolhido para ser apóstolo,
reservado para anunciar o Evangelho de Deus;
2. este Evangelho Deus prometera outrora pelos seus profetas na Sagrada Escritura,
3. acerca de seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor, descendente de Davi quanto
à carne,
4. que, segundo o Espírito de santidade, foi estabelecido Filho de
Deus no poder por sua ressurreição dos mortos;
5. e do qual temos recebido a graça e o apostolado, a fim de levar,
em seu nome, todas as nações pagãs à obediência
da fé,
6. entre as quais também vós sois os eleitos de Jesus Cristo,
7. a todos os que estão em Roma, queridos de Deus, chamados a serem
santos: a vós, graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e da
parte do Senhor Jesus Cristo!
8. Primeiramente, dou graças a meu Deus, por meio de Jesus Cristo,
por todos vós, porque em todo o mundo é preconizada a vossa
fé.
9. Pois Deus, a quem sirvo em meu espírito, anunciando o Evangelho
de seu Filho, me é testemunha de como vos menciono incessantemente
em minhas orações.
10. A ele suplico, se for de sua vontade, conceder-me finalmente ocasião
favorável de vos visitar.
11. Desejo ardentemente ver-vos, a fim de comunicar-vos alguma graça
espiritual, com que sejais confirmados,
12. ou melhor, para me encorajar juntamente convosco naquela vossa e minha
fé que nos é comum.
13. Pois não quero que ignoreis, irmãos, como muitas vezes me
tenho proposto ir ter convosco. (Eu queria recolher algum fruto entre vós,
como entre os outros pagãos), mas até agora tenho sido impedido.
14. Sou devedor a gregos e a bárbaros, a sábios e a simples.
15. Daí o ardente desejo que eu sinto de vos anunciar o Evangelho também
a vós, que habitais em Roma.
16. Com efeito, não me envergonho do Evangelho, pois ele é uma
força vinda de Deus para a salvação de todo o que crê,
ao judeu em primeiro lugar e depois ao grego.
17. Porque nele se revela a justiça de Deus, que se obtém pela
fé e conduz à fé, como está escrito: O justo viverá
pela fé (Hab 2,4).
18. A ira de Deus se manifesta do alto do céu contra toda a impiedade
e perversidade dos homens, que pela injustiça aprisionam a verdade.
19. Porquanto o que se pode conhecer de Deus eles o lêem em si mesmos,
pois Deus lho revelou com evidência.
20. Desde a criação do mundo, as perfeições invisíveis
de Deus, o seu sempiterno poder e divindade, se tornam visíveis à
inteligência, por suas obras; de modo que não se podem escusar.
21. Porque, conhecendo a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe
deram graças. Pelo contrário, extraviaram-se em seus vãos
pensamentos, e se lhes obscureceu o coração insensato.
22. Pretendendo-se sábios, tornaram-se estultos.
23. Mudaram a majestade de Deus incorruptível em representações
e figuras de homem corruptível, de aves, quadrúpedes e répteis.
24. Por isso, Deus os entregou aos desejos dos seus corações,
à imundície, de modo que desonraram entre si os próprios
corpos.
25. Trocaram a verdade de Deus pela mentira, e adoraram e serviram à
criatura em vez do Criador, que é bendito pelos séculos. Amém!
26. Por isso, Deus os entregou a paixões vergonhosas: as suas mulheres
mudaram as relações naturais em relações contra
a natureza.
27. Do mesmo modo também os homens, deixando o uso natural da mulher,
arderam em desejos uns para com os outros, cometendo homens com homens a torpeza,
e recebendo em seus corpos a paga devida ao seu desvario.
28. Como não se preocupassem em adquirir o conhecimento de Deus, Deus
entregou-os aos sentimentos depravados, e daí o seu procedimento indigno.
29. São repletos de toda espécie de malícia, perversidade,
cobiça, maldade; cheios de inveja, homicídio, contenda, engano,
malignidade.
30. São difamadores, caluniadores, inimigos de Deus, insolentes, soberbos,
altivos, inventores de maldades, rebeldes contra os pais.
31. São insensatos, desleais, sem coração, sem misericórdia.
32. Apesar de conhecerem o justo decreto de Deus que considera dignos de morte
aqueles que fazem tais coisas, não somente as praticam, como também
aplaudem os que as cometem.
Capítulo 2
1. Assim, és inescusável, ó homem, quem
quer que sejas, que te arvoras em juiz. Naquilo que julgas a outrem, a ti
mesmo te condenas; pois tu, que julgas, fazes as mesmas coisas que eles.
2. Ora, sabemos que o juízo de Deus contra aqueles que fazem tais coisas
corresponde à verdade.
3. Tu, ó homem, que julgas os que praticam tais coisas, mas as cometes
também, pensas que escaparás ao juízo de Deus?
4. Ou desprezas as riquezas da sua bondade, tolerância e longanimidade,
desconhecendo que a bondade de Deus te convida ao arrependimento?
5. Mas, pela tua obstinação e coração impenitente,
vais acumulando ira contra ti, para o dia da cólera e da revelação
do justo juízo de Deus,
6. que retribuirá a cada um segundo as suas obras:
7. a vida eterna aos que, perseverando em fazer o bem, buscam a glória,
a honra e a imortalidade;
8. mas ira e indignação aos contumazes, rebeldes à verdade
e seguidores do mal.
9. Tribulação e angústia sobrevirão a todo aquele
que pratica o mal, primeiro ao judeu e depois ao grego;
10. mas glória, honra e paz a todo o que faz o bem, primeiro ao judeu
e depois ao grego.
11. Porque, diante de Deus, não há distinção de
pessoas.
12. Todos os que sem a lei pecaram, sem aplicação da lei perecerão;
e quantos pecaram sob o regime da lei, pela lei serão julgados.
13. Porque diante de Deus não são justos os que ouvem a lei,
mas serão tidos por justos os que praticam a lei.
14. Os pagãos, que não têm a lei, fazendo naturalmente
as coisas que são da lei, embora não tenham a lei, a si mesmos
servem de lei;
15. eles mostram que o objeto da lei está gravado nos seus corações,
dando-lhes testemunho a sua consciência, bem como os seus raciocínios,
com os quais se acusam ou se escusam mutuamente.
16. Isso aparecerá claramente no dia em que, segundo o meu Evangelho,
Deus julgar as ações secretas dos homens, por Jesus Cristo.
17. Mas tu, que és chamado judeu, e te apóias na lei, e te glorias
de teu Deus;
18. tu, que conheces a sua vontade, e instruído pela lei sabes aquilatar
a diferença das coisas;
19. tu, que te ufanas de ser guia dos cegos, luzeiro dos que estão
em trevas,
20. doutor dos ignorantes, mestre dos simples, porque encontras na lei a regra
da ciência e da verdade;
21. tu, que ensinas aos outros... não te ensinas a ti mesmo! Tu, que
pregas que não se deve furtar, furtas!
22. Tu, que dizes que não se deve adulterar, adulteras! Tu, que abominas
os ídolos, pilhas os seus templos!
23. Tu, que te glorias da lei, desonras a Deus pela transgressão da
lei!
24. Porque assim fala a Escritura: "Por vossa causa o nome de Deus é
blasfemado entre os pagãos (Is 52,5).
25. A circuncisão, em verdade, é proveitosa se guardares a lei.
Mas, se fores transgressor da lei, serás, com tua circuncisão,
um mero incircunciso.
26. Se, portanto, o incircunciso observa os preceitos da lei, não será
ele considerado como circunciso, apesar de sua incircuncisão?
27. Ainda mais, o incircunciso de nascimento, cumprindo a lei, te julgará
que, com a letra e com a circuncisão, és transgressor da lei.
28. Não é verdadeiro judeu o que o é exteriormente, nem
verdadeira circuncisão a que aparece exteriormente na carne.
29. Mas é judeu o que o é interiormente, e verdadeira circuncisão
é a do coração, segundo o espírito da lei, e não
segundo a letra. Tal judeu recebe o louvor não dos homens, e sim de
Deus.
Capítulo 3
1. Em que, então, se avantaja o judeu? Ou qual é
a utilidade da circuncisão?
2. Muita, em todos os aspectos. Principalmente porque lhes foram confiados
os oráculos de Deus.
3. Mas então! Se alguns deles não foram fiéis, acaso
a sua infidelidade destruirá a fidelidade de Deus?
4. De modo algum. Porque Deus há de ser reconhecido como veraz, e todo
homem como mentiroso, segundo está escrito: Assim, serás reconhecido
justo nas tuas palavras e vencerás, quando julgares (Sl 50,6).
5. Portanto, se a nossa injustiça realça a justiça de
Deus, que diremos então? Para falar como os homens: não é
injusto Deus quando descarrega a sua cólera?
6. Certo que não! De outra maneira, como julgaria Deus o mundo?
7. Mas, se a verdade de Deus brilha ainda mais para a sua glória por
minha mentira, por que serei eu ainda julgado pecador?
8. Então, por que não faríamos o mal para que dele venha
o bem, expressão que os caluniadores, falsamente, nos atribuem? É
justo que estes tais sejam condenados.
9. E então? Avantajamo-nos a eles? De maneira alguma. Pois já
demonstramos que judeus e gregos estão todos sob o domínio do
pecado, como está escrito:
10. Não há nenhum justo, não há sequer um.
11. Não há um só que tenha inteligência, um só
que busque a Deus.
12. Extraviaram-se todos e todos se perverteram. Não há quem
faça o bem, não há sequer um (Sl 13,lss).
13. A sua garganta é um sepulcro aberto; com as suas línguas
enganam; veneno de áspide está debaixo dos seus lábios
(Sl 5,10; 139,4).
14. A sua boca está cheia de maldição e amargar (Sl 9,28).
15. Os seus pés são velozes para derramar sangue.
16. Há destruição e ruína nos seus caminhos,
17. e não conhecem o caminho da paz (Is 59,7s).
18. Não há temor a Deus diante dos seus olhos (Sl 35,2).
19. Ora, sabemos que tudo o que diz a lei, di-lo aos que estão sujeitos
à lei, para que toda boca fique fechada e que o mundo inteiro seja
reconhecido culpado diante de Deus:
20. Porquanto pela observância da lei nenhum homem será justificado
diante dele, porque a lei se limita a dar o conhecimento do pecado.
21. Mas, agora, sem o concurso da lei, manifestou-se a justiça de Deus,
atestada pela lei e pelos profetas.
22. Esta é a a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo,
para todos os fiéis (pois não há distinção;
23. com efeito, todos pecaram e todos estão privados da glória
de Deus),
24. e são justificados gratuitamente por sua graça; tal é
a obra da redenção, realizada em Jesus Cristo.
25. Deus o destinou para ser, pelo seu sangue, vítima de propiciação
mediante a fé. Assim, ele manifesta a sua justiça; porque no
tempo de sua paciência, ele havia deixado sem castigo os pecados anteriores.
26. Assim, digo eu, ele manifesta a sua justiça no tempo presente,
exercendo a justiça e justificando aquele que tem fé em Jesus.
27. Onde está, portanto, o motivo de se gloriar? Foi eliminado. Por
qual lei? Pela das obras? Não, mas pela lei da fé.
28. Porque julgamos que o homem é justificado pela fé, sem as
observâncias da lei.
29. Ou Deus só o é dos judeus? Não é também
Deus dos pagãos? Sim, ele o é também dos pagãos.
30. Porque não há mais que um só Deus, o qual justificará
pela fé os circuncisos e, também pela fé, os incircuncisos.
31. Destruímos então a lei pela fé? De modo algum. Pelo
contrário, damos-lhe toda a sua força.
Capítulo 4
1. Que vantagem diremos, pois, que conseguiu Abraão,
nosso pai segundo a carne?
2. Porque, se Abraão foi justificado em virtude de sua observância,
tem que se gloriar; mas não diante de Deus.
3. Ora, que diz a Escritura? Abraão creu em Deus e isso lhe foi imputado
em conta de justiça (Gn 15,6).
4. Ora, o salário não é gratificação, mas
uma dívida ao trabalhador.
5. Mas aquele que sem obra alguma crê naquele que justifica o ímpio,
a sua fé lhe é imputada em conta de justiça.
6. É assim que Davi proclama bem-aventurado o homem a quem Deus atribui
justiça, independentemente das obras:
7. Bem-aventurados aqueles cujas iniqüidades foram perdoadas e cujos
pecados foram cobertos!
8. Bem-aventurado o homem ao qual o Senhor não imputou o seu pecado
(Sl 31,1s).
9. Essa bem-aventurança é somente para os circuncisos, ou também
para os incircuncisos? Dizemos, com efeito, que a fé foi imputada a
Abraão em conta de justiça.
10. Quando lhe foi ela imputada? Depois ou antes de sua circuncisão?
Não depois, mas antes de ser circuncidado.
11. Depois é que recebeu o sinal da circuncisão, como selo da
justiça que tinha obtido pela fé antes de ser circuncidado.
E assim se tornou o pai de todos os incircuncisos que crêem, a fim de
que também a estes seja imputada a justiça.
12. Pai também dos circuncisos, que não só trazem o sinal,
mas que acompanham as pegadas da fé que nosso pai Abraão possuía
antes de ser circuncidado.
13. Com efeito, não foi em virtude da lei que a promessa de herdar
o mundo foi feita a Abraão ou à sua posteridade, mas em virtude
da justiça da fé.
14. Porque, se a herança é reservada aos observadores da lei,
a fé já não tem razão de ser e a promessa fica
sem valor.
15. Porquanto a lei produz a ira; e onde não existe lei, não
há transgressão.
16. Logo, é pela fé que alguém se torna herdeiro. Portanto,
gratuitamente; e a promessa é assegurada a toda a posteridade de Abraão,
não somente aos que procedem da lei, mas também aos que possuem
a fé de Abraão, que é pai de todos nós.
17. Em verdade, está escrito: Eu te constituí pai de muitas
nações (Gn 17,5); (nosso pai, portanto) diante dos olhos daquele
em quem acreditou, o Deus que dá vida aos mortos e chama à existência
as coisas que estão no nada.
18. Esperando, contra toda a esperança, Abraão teve fé
e se tornou pai de muitas nações, segundo o que lhe fora dito:
Assim será a tua descendência (Gn 15,5).
19. Não vacilou na fé, embora reconhecendo o seu próprio
corpo sem vigor - pois tinha quase cem anos - e o seio de Sara igualmente
amortecido.
20. Ante a promessa de Deus, não vacilou, não desconfiou, mas
conservou-se forte na fé e deu glória a Deus.
21. Estava plenamente convencido de que Deus era poderoso para cumprir o que
prometera.
22. Eis por que sua fé lhe foi contada como justiça.
23. Ora, não é só para ele que está escrito que
a fé lhe foi imputada em conta de justiça.
24. É também para nós, pois a nossa fé deve ser-nos
imputada igualmente, porque cremos naquele que dos mortos ressuscitou Jesus,
nosso Senhor,
25. o qual foi entregue por nossos pecados e ressuscitado para a nossa justificação.
Capítulo 5
1. Justificados, pois, pela fé temos a paz com Deus,
por meio de nosso Senhor Jesus Cristo.
2. Por ele é que tivemos acesso a essa graça, na qual estamos
firmes, e nos gloriamos na esperança de possuir um dia a glória
de Deus.
3. Não só isso, mas nos gloriamos até das tribulações.
Pois sabemos que a tribulação produz a paciência,
4. a paciência prova a fidelidade e a fidelidade, comprovada, produz
a esperança.
5. E a esperança não engana. Porque o amor de Deus foi derramado
em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.
6. Com efeito, quando éramos ainda fracos, Cristo a seu tempo morreu
pelos ímpios.
7. Em rigor, a gente aceitaria morrer por um justo, por um homem de bem, quiçá
se consentiria em morrer.
8. Mas eis aqui uma prova brilhante de amor de Deus por nós: quando
éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós.
9. Portanto, muito mais agora, que estamos justificados pelo seu sangue, seremos
por ele salvos da ira.
10. Se, quando éramos ainda inimigos, fomos reconciliados com Deus
pela morte de seu Filho, com muito mais razão, estando já reconciliados,
seremos salvos por sua vida.
11. Ainda mais: nós nos gloriamos em Deus por nosso Senhor Jesus Cristo,
por quem desde agora temos recebido a reconciliação!
12. Por isso, como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo
pecado a morte, assim a morte passou a todo o gênero humano, porque
todos pecaram...
13. De fato, até a lei o mal estava no mundo. Mas o mal não
é imputado quando não há lei.
14. No entanto, desde Adão até Moisés reinou a morte,
mesmo sobre aqueles que não pecaram à imitação
da transgressão de Adão (o qual é figura do que havia
de vir).
15. Mas, com o dom gratuito, não se dá o mesmo que com a falta.
Pois se a falta de um só causou a morte de todos os outros, com muito
mais razão o dom de Deus e o benefício da graça obtida
por um só homem, Jesus Cristo, foram concedidos copiosamente a todos.
16. Nem aconteceu com o dom o mesmo que com as conseqüências do
pecado de um só: a falta de um só teve por conseqüência
um veredicto de condenação, ao passo que, depois de muitas ofensas,
o dom da graça atrai um juízo de justificação.
17. Se pelo pecado de um só homem reinou a morte (por esse único
homem), muito mais aqueles que receberam a abundância da graça
e o dom da justiça reinarão na vida por um só, que é
Jesus Cristo!
18. Portanto, como pelo pecado de um só a condenação
se estendeu a todos os homens, assim por um único ato de justiça
recebem todos os homens a justificação que dá a vida.
19. Assim como pela desobediência de um só homem foram todos
constituídos pecadores, assim pela obediência de um só
todos se tornarão justos.
20. Sobreveio a lei para que abundasse o pecado. Mas onde abundou o pecado,
superabundou a graça.
21. Assim como o pecado reinou para a morte, assim também a graça
reinaria pela justiça para a vida eterna, por meio de Jesus Cristo,
nosso Senhor.
Capítulo 6
1. Então que diremos? Permaneceremos no pecado, para
que haja abundância da graça?
2. De modo algum. Nós, que já morremos ao pecado, como poderíamos
ainda viver nele?
3. Ou ignorais que todos os que fomos batizados em Jesus Cristo, fomos batizados
na sua morte?
4. Fomos, pois, sepultados com ele na sua morte pelo batismo para que, como
Cristo ressurgiu dos mortos pela glória do Pai, assim nós também
vivamos uma vida nova.
5. Se fomos feitos o mesmo ser com ele por uma morte semelhante à sua,
sê-lo-emos igualmente por uma comum ressurreição.
6. Sabemos que o nosso velho homem foi crucificado com ele, para que seja
reduzido à impotência o corpo (outrora) subjugado ao pecado,
e já não sejamos escravos do pecado.
7. (Pois quem morreu, libertado está do pecado.)
8. Ora, se morremos com Cristo, cremos que viveremos também com ele,
9. pois sabemos que Cristo, tendo ressurgido dos mortos, já não
morre, nem a morte terá mais domínio sobre ele.
10. Morto, ele o foi uma vez por todas pelo pecado; porém, está
vivo, continua vivo para Deus!
11. Portanto, vós também considerai-vos mortos ao pecado, porém
vivos para Deus, em Cristo Jesus.
12. Não reine, pois, o pecado em vosso corpo mortal, de modo que obedeçais
aos seus apetites.
13. Nem ofereçais os vossos membros ao pecado, como instrumentos do
mal. Oferecei-vos a Deus, como vivos, salvos da morte, para que os vossos
membros sejam instrumentos do bem ao seu serviço.
14. O pecado já não vos dominará, porque agora não
estais mais sob a lei, e sim sob a graça.
15. Então? Havemos de pecar, pelo fato de não estarmos sob a
lei, mas sob a graça? De modo algum.
16. Não sabeis que, quando vos ofereceis a alguém para lhe obedecer,
sois escravos daquele a quem obedeceis, quer seja do pecado para a morte,
quer da obediência para a justiça?
17. Graças a Deus, porém, que, depois de terdes sido escravos
do pecado, obedecestes de coração à regra da doutrina
na qual tendes sido instruídos.
18. E, libertados do pecado, vos tornastes servos da justiça.
19. Vou-me servir de linguagem corrente entre os homens, por causa da fraqueza
da vossa carne. Pois, como pusestes os vossos membros a serviço da
impureza e do mal para cometer a iniqüidade, assim ponde agora os vossos
membros a serviço da justiça para chegar à santidade.
20. Quando éreis escravos do pecado, éreis livres a respeito
da justiça.
21. Que frutos produzíeis então? Frutos dos quais agora vos
envergonhais. O fim deles é a morte.
22. Mas agora, libertados do pecado e feitos servos de Deus, tendes por fruto
a santidade; e o termo é a vida eterna.
23. Porque o salário do pecado é a morte, enquanto o dom de
Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor.
Capítulo 7
1. Ignorais, irmãos (falo aos que têm conhecimentos
jurídicos), que a lei só tem domínio sobre o homem durante
o tempo que vive?
2. Assim, a mulher casada está sujeita ao marido pela lei enquanto
ele vive; mas, se o marido morrer, fica desobrigada da lei que a ligava ao
marido.
3. Por isso, enquanto viver o marido, se se tornar mulher de outro homem,
será chamada adúltera. Porém, morrendo o marido, fica
desligada da lei, de maneira que, sem se tornar adúltera, poderá
casar-se com outro homem.
4. Assim, meus irmãos, também vós estais mortos para
a lei, pelo sacrifício do corpo de Cristo, para pertencerdes a outrem,
àquele que ressuscitou dentre os mortos, a fim de que demos frutos
para Deus.
5. De fato, quando estávamos na carne, as paixões pecaminosas
despertadas pela lei operavam em nossos membros, a fim de frutificarmos para
a morte.
6. Agora, mortos para essa lei que nos mantinha sujeitos, dela nos temos libertado,
e nosso serviço realiza-se conforme a renovação do Espírito
e não mais sob a autoridade envelhecida da letra.
7. Que diremos, então? Que a lei é pecado? De modo algum. Mas
eu não conheci o pecado senão pela lei. Porque não teria
idéia da concupiscência, se a lei não dissesse: Não
cobiçarás (Ex 20,17).
8. Foi o pecado, portanto, que, aproveitando-se da ocasião que lhe
foi dada pelo preceito, excitou em mim todas as concupiscências; porque,
sem a lei, o pecado estava morto.
9. Quando eu estava sem a lei, eu vivia; mas, sobrevindo o preceito, o pecado
recobrou vida,
10. e eu morri. Assim o mandamento, que me devia dar a vida, conduziu-me à
morte.
11. Porque o pecado, aproveitando da ocasião do mandamento, seduziu-me,
e por ele me levou à morte.
12. Por conseguinte, a lei é santa e o mandamento é santo, e
justo, e bom...
13. Então o que é bom tornou-se causa de morte para mim? De
certo que não. Foi o pecado que, para se mostrar realmente pecado,
acarretou para mim a morte por meio do que é bom, a fim de que, pelo
mandamento, o pecado se fizesse excessivamente pecaminoso.
14. Sabemos, de fato, que a lei é espiritual, mas eu sou carnal, vendido
ao pecado.
15. Não entendo, absolutamente, o que faço, pois não
faço o que quero; faço o que aborreço.
16. E, se faço o que não quero, reconheço que a lei é
boa.
17. Mas, então, não sou eu que o faço, mas o pecado que
em mim habita.
18. Eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita o
bem, porque o querer o bem está em mim, mas não sou capaz de
efetuá-lo.
19. Não faço o bem que quereria, mas o mal que não quero.
20. Ora, se faço o que não quero, já não sou eu
que faço, mas sim o pecado que em mim habita.
21. Encontro, pois, em mim esta lei: quando quero fazer o bem, o que se me
depara é o mal.
22. Deleito-me na lei de Deus, no íntimo do meu ser.
23. Sinto, porém, nos meus membros outra lei, que luta contra a lei
do meu espírito e me prende à lei do pecado, que está
nos meus membros.
24. Homem infeliz que sou! Quem me livrará deste corpo que me acarreta
a morte?...
25. Graças sejam dadas a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor!
26. Assim, pois, de um lado, pelo meu espírito, sou submisso à
lei de Deus; de outro lado, por minha carne, sou escravo da lei do pecado.
Capítulo 8
1. De agora em diante, pois, já não há
nenhuma condenação para aqueles que estão em Jesus Cristo.
2. A lei do Espírito de Vida me libertou, em Jesus Cristo, da lei do
pecado e da morte.
3. O que era impossível à lei, visto que a carne a tornava impotente,
Deus o fez. Enviando, por causa do pecado, o seu próprio Filho numa
carne semelhante à do pecado, condenou o pecado na carne,
4. a fim de que a justiça, prescrita pela lei, fosse realizada em nós,
que vivemos não segundo a carne, mas segundo o espírito.
5. Os que vivem segundo a carne gostam do que é carnal; os que vivem
segundo o espírito apreciam as coisas que são do espírito.
6. Ora, a aspiração da carne é a morte, enquanto a aspiração
do espírito é a vida e a paz.
7. Porque o desejo da carne é hostil a Deus, pois a carne não
se submete à lei de Deus, e nem o pode.
8. Os que vivem segundo a carne não podem agradar a Deus.
9. Vós, porém, não viveis segundo a carne, mas segundo
o Espírito, se realmente o espírito de Deus habita em vós.
Se alguém não po. 0.. 1.q .. 0.. 1.Hq TRANSP GIF 0.>/ .q+ MAIN HTM 0.>/ .qsD Am a i n _ a r q u i v o s MAIN_A~1 0.. 1.q GIF89a ! , D ;
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